VOL 11 1957 A R Q U I V O S DO •% CJOj A R Q U I V O S D O SERVIQO FLORESTAL VOL. 11 i i»r>7 RELAT6RIO DA EXCURSAO AO NORDESTE BRASILEIRO — 1 9 5 7 — INDIO E Capitulo I — INTRODUQAO Elaboragio da Divisao Tecnico-Administrativa do Sorvigo Const ituigao da Comitiva Florestal \ Florestal, no Nordeste (j Sclegao previa das essencias florestais mais aconselhavois, para o Nordeate 0 Cbservagoes realizadas durante n viagem 7 Capitulo II — FSTADO DO CEARA 1 — Elaboragao da Divisao Tdcnico-Adminlstrativa da Inspetoria Florestal, do Estado do CearA y Mapa da Divisao Teenico-Administrativa da Ins- petoria Florestal do Estado do CearA y 2 — Selegao prAvia das essencias florestais m 3 — Cbservagoes realizadas no Estado do Ceara ... 22 Capitulo III — F:STADO DO ItlO GRANDE DO NORTE 1 — Elaboragao da Divisao TAcnico- Admin istrativa da Inspetoria Florestal, do Estado do Rio Grande do Norte . 32 Mapa da Divisao TAcnico-Administrativa da Ins- petoria Florestal do Estado do Rio Grande do Norte .... 33 2 — Selegao prAvia da sessencias florestais 31 3 — Observances realizadas no Estado do Rio Grande do Norte yy cm 7SciELO, 1:L 12 13 14 15 16 17 2 Art/// ivOS do An nco Flore itql 11 Capitulo IV ESTADO DA PA RAIMA 1 — Elaboragiio da Divis&o Tecnico-Administrutiva da Inspctoria Florestal, do Mb tad o da Paraiba 42 Mapa da Divis&o Tecnico-Administrativa da Ins- petoria F'lorcstal do Estado da Paraiba 'll! 2 — Selegao previa daa essencias floreatais 45 3 Obscrvagdcs realizadas no Estado da I'araiba 49 Capitulo V — ESTADO DE PERNAMBUCO 1 Elaboragiio da Divisao Tecnico-Administrativa da Inspctoria Florestal, do Estado dc Pernambuco 53 Mapa da Divisao Tecnico-Administrativa da Ins- petoria Florestal do Estado de Pernambuco 54 2 — Sclegtio previa das essencias florestais 53 3 — Observagoes realizadas no Estado de Pernambuco 59 Capitulo VI - ESTADO DE ALAGOAS 1 — Elaboragiio da Divisao Tecnico-Administrativa da Inspctoria Florestal, do Estado de Alagoas 61 Mapa da Divisao Tecnico-Administrativa da Ins- petoria Florestal do Estado de Alagoas 62 2 — Sclegiio previa das essencias florestais 61 3 - Observagdc.s realizadas no Estado de Alagoas . 67 Capitulo VII — PARQUE NACIONAL DE PAULO AFONSO 67 Capitulo VIII ESTADO DE SERGIPE 1 — Elaboragiio da Divisao 7 dcnico- Administrative da nspetoria Florestal, do Estado de Sergipe 72 Mapa da Divisao Tecnico-Administrativa da Ins- pctoria Florestal do Flstado de Sergipe 73 2 — Selegao previa das essencias flore-tais 75 3 — ■ Observagoes realizadas no Estado de Sergipe . . 78 Capitulo IX — ADIONDC (Cruz das Almas, Bahia) 79 Anexo 1 — IROGRAMA ESQUEMATICO E ROTEIRO DA VIAGFJM 80 RELAT6RIO DA EXCURSAO AO NORDESTE BRASILEIRO — 1957 — Ueallznda cm 1087, pdn Comltlva <|c TVciiIook «l<> Servlgo Ftorttlal, hoIi a Chcfla (|o Dirolor Kng.« A«r.* DAVID DK AZAMBUJA CAIMTULO I — INTRODUCAO Ao assumir a diregfio do Servi$o Florcstal, cm outubro do 1956, a nova Dirctoria tevc cm mentc a reuli/agiio dc viagcns dc •st lidos c inspegocs a divcrsos pontos do imcnso tcrritdrio bra silciro, viagcns cstas dcstinadas a fornccer uma visao global, dos problcmas c intercsscs florestais, quc possibilitassc o csiabclcci memo dc pianos racionais de trabalhos. Todavia, a volumosa soma de tarefas quc assoberbou no seu im'cio dc administragao, a quc sc acresceu a rcorganizagao do proprio S. F„ a formulagao de Novo Reginiento mais atuali- /ado, bem como as esgotantes atividades desenvolvidas para a Campanha de Educagao Florestal, acarretou o adiamento da- quele proposito de "conhecer, para mclhor dirigir". No im'cio de 1957, quando do regresso do Sr. Ministro da Agricultura Dr. Mario Meneghetti, de viagem ao Nordeste. a antiga intengao da Dirctoria teve aeolhida favoravel determi- nando mesmo, aquele Titular, quc a Comitiva deveria dar prio ridade ao Nordeste, pois havia constatudo "in loco", a necessi- 4 Arguivos do Serpigo Florestal It dude urgente do ah' se atacar eficicntcmcnte o angustiante pro blcma florestal. Foi imediatamente constituida uma Comitiva Florestal, for inada polos Chefes de Segoes do Servigo Florestal mais direta- monte relacionados ao problcma florestal nordcstino, os quais assmniram a fungao do assossoros tecnicos do sou Dirotor Const it ni^do (la Comitiva Florestal Fizeram parte da mesma os Engonhoiros Agronomos DAVID DE AZAMHUJA (Dirotor do Servigo Florestal o l.° Vice-Presidente da Cainpanha do Educagao Florestal), NAZAR ENO PI RES (Chofo da Sogao do Dofosa), TIM6THEO FRANKLIN (Chofo da Sogao do Fomento) o ALCEO MAG- NANI N I (Chofo da Sogao do Posquisas o Socrotario-Executivo da Campanlui do Educagao Florestal). A parte do foto filmagom t icon a cargo do Sr. MIL TON LAGES (Cincgrafista do Serviyo Florestal). No Coara, ate Ubajara, acompanharam a Comitiva os Srs. Jornalistas OSCAR DE ANDRADE (DIARIOS ASSOC 1 ADOS) o OTAVIO DE CASTRO (CORREIO DA MANllA E DlA RIO DE NOT1CIAS). Os Srs. Jornalistas JOAO VITA li EDUARDO SIDNEY (AGlvNCIA NACIONAL) rovesaram-so durante o percurso total da viagem, dando cobcrtura da mesma. inioialmonto, havia sido inchu'do na Comitiva o Eng.° Agr.° WANDERB1LT DUARTE DE BARROS (Administrador do Barque Nacional do Itatiaia). Entretanto, sua nomoagao posterior para Dirotor da Divisao do Fomonto da Brodugao Vegetal im- ped iu sua partioipagao na viagem. Apos os nocossarios ostudos, a Comitiva olaborou minuciosa programagao para a viagem, a fim do procisar, dentro do tempo de quo dispunha todos os trabalhos julgados indisponsavois. Alcm disso, a programagao rigida pormitiu melhor entrosamento nas visitas as varias dependencias, com urn nu'nimo do porda do 1 1)57 Itelatdrlo da Excursdo ao Nordcxtc 5 tempo c trubulho, pois que ;i cssus dependeneius foi dado o co* nhccimcnto previo dc todo o rotciro a pereorrer, tal como pode scr visto no final dcstc Relatdrio (Ancxo I ). Nesta viagem durante 45 dias ininterruptos. foram pcrcor- ridos mais dc 1 1 .500 km., sendo 5.000 km. por via aerea (in- clusive a ida Rio a Fortaleza e a volta Salvador-Rio, com 3.200 km.) e 6.500 km por via terrestre, desde Fortaleza (Ccara) onde sc iniciou a viagem, ate Salvador (Bahia), ondc sc finalizou a mesma. O objetivo primordial sempre foi o de cstudar as caracterfs- ticas regionais e locais. planejando-se imediatamente as medidas de carater mais urgente, ao mesmo tempo que se esquemntizava em piano geral para o future imediato; tudo dentro. naturalmente. das limitagoes impostas pclos nossos parcos recursos orgamenta- rios atuais. No transcurso da viagem, a Comitiva entrou em contacto com os Governadores dos Estados de Ccara, Rio Grande do Norte, Parafba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, hem como de numerosos Secretaries de Agricultura e Prcfcitos visando sempre facilitar o entrosamento das autoridades estaduais e municipals com as atividades florestais. Em tddas as oportunidades que nao foram poueas, a Comitiva desenvolveu trabalho de verdadeira catequese florcstal, levando ao proprio reeesso do sertao. a Campanha de Educate Florcstal. Por outre lade, reunides oportunas, entre a Comitiva e as autoridades florestais da regifio, foram realizadas em todos os Estados visitados, ocasides em que se trocaram observances e se planejaram trabalhos a executar. Os aspectos mais tipicos das regidcs percorridas e das dependences visitadas foram fixados em fotografias e filrnes cinematograficos que constituent valiosa documcntanao das unidades do Service Florcstal no interior do Pafs. (5 Arquivos do Serving Flores t a l 11 Elaborafdo da Divisao Tecnico-A d ministrati va do S. F„ no Nordeste. A Comitivu florcstal love ocasiao, apos pcrcorrcr quase tddas as instalagoes que o S. F. mantern no Nordeste, de realizar varias rcunidcs com os nossos tecnicos federais, alt cm exerefeio. Tcndo como diretriz o aprimoramento dos trabalhos a serem cxccutados, tais rcunidcs foram cobertas dc pleno exito, sendo altamcntc provcitosa a troca dc idcias efetuadas. O principal resultado, todavia, foi o dc sc elaborar a mclhor divisao tccnico-administrativa das atividadcs florestais nos Estados. Os criterios adotados foram os seguintes: I) a Inspctoria Florestais foi dcsccntralizada cm Distritos Florestais, cujas scdcs situam-sc nas cidadcs dc maior projegao ccondmico-administra- tiva. 2) Para delimitagao das divisdes territoriais tomou-sc, sem- pre, como base, as zonas gcograficas cstabclccidas pelo Inst. Bras, dc Gcogr. c Estatfstica. 3) Idealmente, cm cada zona gco- grafica dcvcr-sc-ia instalar urn Distrito Florcstal. Em razao, po- rem, da limitagao orgamentaria, os Distritos foram, cm ntimero condizcntc com os rccursos, compostos dc diversas zonas gcogra- ficas. Ainda assim, a rcuniao dcssas zonas gcograficas (definidas pelo 1BGE), com o objetivo dc formar um Distrito Florcstal, obedeceu as caracterfsticas geo-econdmicas. Justifica-se plcnamcnto o critcrio geo-eeonomico pois. cm- bora tambem suscetfvcl dc modificagdcs c aperfeigoamentos, as divisdes territoriais do IBGE sao bascados cm critcriosos cstudos c nao dependent da subjetividadc de uma ou outra pcrsonalidade ou dc intcrcsses outros epic nao o da divisao cm areas naturais. Self {do previa das csscncia. s florestais mais aeonsclhaveis, para o Nordeste. Durante todo o transcurso da viagem, foi preocupagao dos tecnicos da Comitiva, observar cuidadosamentc o comporta- mento das especies florestais alt existentes. Tais observagdes foram confrontadas, no prdprio local com a expcriencia dos tecni- 1057 Rclatdrlo da Excundo no Nordcstc 7 cos residcntos. hem como com o conhccinicnto dos habitantes rurais. Dcssc modo. apenas com o intuito dc propiciar am primeiro passo nu racionalizagiio das atividadcs florcslais a scrcm dosen volvidas no Nordcstc, a Comitiva Morcstal teve o cuidado do re- lacionar aquclas cspecies cujo comportamonto ou utilizagao, parcccm indiea-las para atender as ncccssidades do cobcrtura do solo, obtengiio do lonha, carvao o madoira ou do outros produtos do grande valor economieo. alimentar ou industrial. Sao ossas. as ossoncias quo passarao a scr ostudadas, difundidas, divulgadas, c protogidas polo S. I .. Sao clas quo scrao. proforonoialmonto, distribuidas polos Postc-s Florcstais do conformidadc com suas areas do maior ocorrcncia. Como so podera notar, nao forant inelmdos na rclagao, por scrcm exdticos: a algaroba, os oucaliptos c o aveloz. Todavia, assinalc-so quo a grande aclimatizagao. facil crescimento o mul- ti plas aplicagoes dcssas ospocios aoonsolham sua divulgagao para o rcflorcstamento rapido do grandes areas. Ohserun'ocs realiziulus durante a viatjem Ao percorrer o Nordcstc, seguindo o rotoiro quo permitia boa visao global das atividadcs desempenhadas pelas deponden- cias florestais no interior, a Comitiva coligiu grande soma do observagoes. Dclas, decorroram as dirotrizes para mais sogura oriontagao o fiscalizagao das atividadcs florcstais. sendo quo ac mais importanlos soguem no bojo do rolatdrio. Nao so podo doixar do assinalar. aqui. o reconhecimento quo a Comitiva Florostal dove aos eolegas do interior, pola boa von- tado o espirito do colaboragao domonstrados. So, por urn lado a propria Comitiva desenvolveu intenso trabalho integral, durante quaronta o cinco dias consccutivos, sacrificando mesmo momen- tos do repouso noturno, alimentagao o ate domingos (como so poder vor no Anoxo I ), por outro lado, sempre so contou como o clevado espirito publico dos eolegas e com a proverbial hospi- ' alidade dos habitantes rurais. 2 3 4 5 6 7 ^ _l_ J 1 J—l W) 11 12 13 14 15 16 8 Arquivos do Scrvico Florestal CAIMTULO II — ESTADO IX) CHAR A A Comitiva Florestal, praticamente, pcrcorrcu todas as dependences do S. F. nesse Estado, entrando diretanicnte cm eontacto com os grave sproblemas florestais que afligem sous habitantes. Inicialmente, cm visita ao Governador do Estado, Sr. Paulo Sarazate, objetivou-se um perfeito entrosamento entre os orgaos fcdcrais c estaduais, mostrando-se S. Excia. intcrcssado nos obje- tivos a serem alcangados at raves os trabalhos florestais Polo sou ineditismo, e oportunidade, deve-se ressaltar o jxito da 3.a Exposigao Florestal National, inaugurada cm For- taleza por ocasiao da viagem da Comitiva, cujos participantes, alias, colaboraram ativamente na mesma. Tambem de grande proveito foram as entrevistas realizadas com o SecrUario de Agricultura, com numcrosos prefeitos hem como com inumeras personalidades civis e militares, com os quais a Comitiva tevc ampla oportunidade de debater os assuntos flo- restais. Assinale-se, ainda, a importancia da atuagao da Imprensa. falada e cscrita, que presta toda sua grande influcncia eni prol da criagao de uma mentalidade florestal no Estado. Por intermedio da Floresta National do Araripe-Apodi rea- lizou-se na propriedade do Sr. Pedro Filomeno Gomes, um plan- rio experimental de 60 mil eucaliptos e 58 mil cajuciros. Nesta propriedade, teve lugar o langamento da Campanha de Um Mi- lhao de Cajuciros, para o Ceara, a qual contou com a presenga do Excelentfssimo Senhor Ministro da Agricultura, que plantou a primeira muda. 1) ELAHORAQAO DA DIVISAO TfiCNICO-ADMINISTRATIVA DA INSPETORIA F'LORESTAL DO ESTADO DO CEARA Utilizando como unidades administrativas as zonas geogra- ficas, estabelecidas pelo Instituto Brasilciro de Geografia e Es tatistica, a Comitiva Florestal juntamente com os tecnicos flores 10 Arquivos do Serving Florcstal 11 lais cm excrctcio no Cearii, dividiu o Estado c 3 Distritos Flo- rcstais que sao (Mapa I). IP Distrito Florcstal, com sede cm Fortaleza c, abrangendo a — Zona do Litoral Constitufda pelos munietpios costoiros c os dc Granja, Li- cania, Pacajus c Uruburctaina. C) Municipio de Aracatf, embora banhado pelo mar, d considcrado sertanejo, dado quo suas con digoes gco-cconomicas sao rnais sortanejas quo litoraneas. () li- toral o baixo dunoso ate o tabuloiro terciario o depois so adontra para o sertao. O solo cm goral, 6 pouco fdrtil; sondo comum a policultura ondo ha deposigao aluvionar dos rios Aoarau. Corcau, Mundau, Araeati-Agu o Mirim. A pluviosidade media d superior a I .000 mm anuais. Na orla maritima, oxplota-so o o6co da Bahia, pratica-se a pesca o oxtral-so o sal. Nos vales humosos, ha vastos carnaubais, cultivando-so algodao, cana-dc-agucar, man- dioca, ooroais, milho frutas etc. Na oncosta do Uruburetama ha cafezais. A criagao d pouco dosonvolvida, tomando maior desen- volvimonto nos muniofpios mais intorioros, como Granja o Lica- nia, ondo ha industria do poles o couros. Em toda a zona a don sidado da populagao c superior a 10 hab./km- b — Zona da Serra do Baturite Situada no limito entre o litoral o o sertao a ccrca do 60 km. ao sul do Fortaleza. Formada do rochas paleozoicas, chistosas. dobradas o sobrepostas ou injotadas por granitos quo formam as partes mais olovadas, atingindo sua altitude pouco mais do 700 m. As ohuvas sao, cm media, do mais do I .600 mm anuais. sondo o outono a cstagao mais chuvosa o 20° a temperatura media. Sua suporfioio atingo cerca do 1.300 km2. A dronagom principal e foita polos rios Araooiaba, Pacoti o sous afluontos. No alto da Sorra, os produtos sao: cafe, cana, ooroais o frutas, bom como algodao, edra do earnauba, oiticica, mamona, etc., pois a zona 1957 Relator io da Excursio ao Nordeste 11 inclui o sertao haixo, cm suas extremidades. A pccuaria, cm gcral. 6 pouco desenvolvida. A densidade e superior a 20 ha. por km 2. c Zona do Sertao Central () terrain, cm gcral, c pouco elevado, apresentando peque nas serras como as dc Pedra Branca c Guaribas, que at ingem eerca de 500 m de altitude. A pluviosidade media esta entre 700 e 800 mm anuais. A zona e agro-pastoril. predominando o cul- tivo dn algodao. Em piano secundario, cstao as culturas de ee rcais, mandioca, frutas. etc. C'ultiva-se tambem a mamona, oiti- cica e carnauba. A criav'ao e desenvolvida, praticando o eruza- mento de ra^as. d — Zona do Sertao Haixo e Medio Jagtutribe Situa-se na parte norte-oriental do Ccara e e baixa e pouco chuvosa, raramente ultrapassando 200 m de altitude, como na Serra do Pereiro e recebendo menos de 700 mm anuais cm media. No Baixo Jaguaribe, a agricultura e mais desenvolvida, sobretudo a do algodao. Existem imensos carnaubais e oitieieais cujor produtos constituent a base da cconomia local. Ao lado das ferteis varzeas do rio Jaguaribe, existem campos e tabuleiros com bons pastos para criagao. No Medio Jaguaribe, a criacao e mais desenvolvida, pro- duzindo-se tambem, o algodao, a oiticica, a carnauba e a mamona. 2." Distrito Florestal, com sede etn Sobral e abrangendo a — Zona da Serra 0 n. *5 c C rO 1 o H o» 0« x> : b o u Q d o> o r as « c 8 M o (-4 3 3 •c £ S3 rH ESQUISA FLORESTAL. Ex-Posto de Criacdo da Produgdo Animal, cm Ubajara Esta dependencia conta com 64 hectares e esta situada na borda leste da Serra da Ibiapaba, o que Ihe da tambem uma si tuagfio representativa da zona serrana do oeste cearense. Possui boas instalagoes, que podcrao ser aproveitadas para instalagao de uma Estagao de experimentagao florestal. Esta dependencia podera realizar, futuramente uma otima cooperagao com o Horto tie Sobral, ficando assim bem representada a pesquisa do tipo regional, quer nas zonas serranas, quer sertanejas do Norte do Estado, cm SciELO .0 11 12 13 14 15 16 11)57 Rclatdrlo da Excursao ao Nordeste 23 () piano dc pcsquisa dcvera tambem incluir o cstudo do comportamcnto das cssencias locais, j;i cxistentes, cm alguns tu- Ihocs dc cucallpto, murici, candcia, carnc dc vacn, ccdro, pau d'arco, etc. Na mesma regiao, foram visltados o sttio “Jardim". no mu* niclpio dc Ibiapina, com 4 hectares, plantado cm 1954, com 11.500 mudas dc paraiba. murici e ccdro e o Sr. Jose Lopes Jordao, ondc foi reali/ado o plantio dc 55 mil mudas dc cucalip- los, cm regime dc contrato com o S. F. A maioria dcste cucaliptal apresenta-sc com 3 anos dc idadc c cm otimo indicc dc crcscimcnto. Gnu a tie Ubajara Visando cstudar as possibilidadcs dc aproveitamento, por parte do S. F.. da famosa Gruta dc Ubajara c scus arrcdorcs, a comitiva percorrcu-a cm sua quase totalidadc. Ncssa ocasiao foi a Gruta filmada por Maurfeio Danlas, da TV TUPI, do Rio. Situa-sc ela a mcia cncosta, na vertente leste da Serra da Ibiapaba c e dc formagao caractcristicamcntc calcarca. Tern sua origem no trabalho das aguas que cavaram os sens corrcdorcs c saldcs dc grandcs proporgdes. Constatou-sc que a Gruta e scus arredo- ics. comprccndcndo duas quedas d’agua, dc grande bclc/a, po dcriam scr aprovcitadas para fins recreativos ou turfsticos. () sen aproveitamento total dcpendcria, apenas, da melhoria do accsso por via terrestre, desde Ubajara. O fato dc por all passar a rodo- via Transnordcstina, (que corta a Serra da Ibiapaba, no muni- cipio dc Tiangua), aliado a cireunstaneia dc cstar Sobral, a duas boras dc automdvcl, com otimo campo dc aviagao, rcunc boas qualidades para uma futura atragao turistica. Alias, e fato cons- tatado que ja ha uma ccrta corrcnte turistica para a Gruta. Con siderando assim, o Servigo Florcstal inclina-sc para a criagao dc um Parque National, ali, com que serao preservadas as bclc/.as naturais para a posteridadc, SciELO1 0 11 12 13 2-1 Arqulvos do Serviqo Florestal 11 POSTOS FLORESTAIS () Servigo Florestal, no Estado do Ceara, vein mantendo Postos Florestais para atender o reflorestamcnto da regiao. como sejam: M ecejana Com uma area do 6. 000 m2, este Posto esta situado nos terrenos litoraneos, logo apos as dunas, com urn solo pobre po rem com lengol dagua disponfvel A agua pode ser captada com moinho de vento dada a constancia dos ventos do Nordcste. As principals especies cm produgao sao, cedro, cajueiro, canafistula. anda-agu, casuarina, eucaliptos, flamboyant, pitanga, pau d’arco etc. A produgao atingiu, cm 1956, a 24.033 mudas c sua distri- buigao foi ate 10.200: Dispoe de instalagoes convenientes. tais como catavento, caixa d’agua, pogo, cercas de arame, casa de resideneia do encarregado, e pequenos abrigos para protegao das mudas. Fortaleza dista 12 quilometros deste Posto. As terras pertencentes a Prefeitura, embora nao doadas, se-lo-ao mais tarde pois esta instituigao acha-se autorizada a fazer a necessa- ria entrega. Pacajus Com uma area de um ( 1 ) hectare, o Posto possui identicas condigoes ao anterior. Ja aqui ha o problema da saiga dos solos, estando o lengol d’agua a 6 c 7 metros de profundidade. Embora haja constancia de ventos, nao ha tradigao do uso do moinho de vento. As principals especies cm produgao sao: eucalipto, inga- zeiro, pau branco, tento Carolina, sabia, tamboril, aroeira, cana lfstula, jatoba etc. A produgao, cm 1956, foi 47.000 mudas. sendo distribufdas 35.500. Dispoe de IK canteiros, tanques para ;igua, casa de resideneia, um galpao, ripado, bomba d’agua com motor. Estao em estoque, aproximadamente, 45.000 mudas, eompreendendo, cedro, sabia, eucalipto, algaroba, timbauba, ca- jueiro e outras. As terras foram doadas pela Prefeitura e entre cm SciELO .0 11 12 13 14 15 16 1 057 Kclatdrio da Excursio no Nordcstc 25 jnics ao Scrvigo Florcsitul. O principal problcma do local e o da propaganda florcstal, quc permitira maior vasilo para as mudas produ/idas. () PAsto vein atendendo aos sitiantes no plantio dc suas propriedadcs circunvizinhas. Russia s A area dcste Posto e dc um hectare c meio (1,5 ha.). Dispoe de ripado. residencia do encarrcgado, cotavcnto, eaeim- bao e dois tanques d’agua. Esta situado dentro do POSTO AGRO-PECUARIO DO FOMENTO VEGETAL. Teve produ- <,ao de 8.000 mudas e uniu distribuigfio dc 7.000. A principal lungao dcste Posto sera dc fornccer mudas para os proprietarios da SERRA DO APOD1. pois e situado no Vale do Baixo Jagua- ribe, proximo aos contrafortes do APODI. Podera. para o futuro, aumentar sua produgao sent dificuldades. Limoeiro A area de 4 hectares do Posto se encontra dentro da area do Vale do Jaguaribc, cm terras de var/.eas. Dispoe de boas ins- talacoes compreendendo eseritorio, ripado, catavento, galpfio de repicagem e grande tanque para 18 mil litros. Os bosques for- mados comprecndem eucaliptos. cedro, angico, flamboyant, oiti. sabia e outros. Sua produfao foi feita de 44.600 mudas, sendo distribuidas 24.600. As terras pertencem ao Servigo Florcstal no Ceara, por doay'ao da Prefeitura local. Crato O Posto do Crato esta situado na propria sale da Floresta Naeional, cm Crato. Sua area 6 de circa dc 400 nr e dispoe de ripado, garage, eseritorio, po^o. Sua produ^fio foi dc 29.500 mudas e a distribuigao atingiu a 26.500. Foi visitada a area que sera ccdida ao Servigo Florcstal, junto ao Servigo de abastccimento d’agua da Cidade. Alt, embora o solo seja muito raso, podera ser levado a cabo um eficiente programa de produgao e distribuigao de mudas, bem eomo o da 20 Arqui vos do Scrying Florcslal 11 I'ormagao dc um bosque. Ja existcm, alias, na area, talhoes de euealiptos c cssencias diversas, tais como pau d’arco, amarelo, nogueira etc. trabalhos cstes rcalizados pelo Serviyo Florestal anteriormente. Barbalha Com uma area de 3.000 nr, este Posto e o exemplo ti'pico de como deve ser um Posto Florestal Permanentc do S. F.: — area pequena, instalagoes modestas, porem funcionais, e poucos operarios. O terreno, que foi doado ao Serviy'o Florestal pela Prefeitura local, esta dentro da propria cidade. Este Posto as- sume grande importancia em raziio da sua situagao dentro de uma regiao de grande produgao canavieira. () solo e de aluviao argiloso, riquissimo, possuindo agua a poucos metros de profun- didade, para ser bombeada manualmente. A produ^ao atingiu a 45.000 mudas, sendo distribuidas 30.200. Esta plantado total mente com eucalipto, eedro, timbauba, acacia ferruginea, pau bianco, pau brasil, pau ferro etc. Dispoe de instalagoes como 18 canteiros, casa de encarregado, tanque para agua, ripado, cacinv bao e bomba manual. I hi grande procura de mudas, principal- mente de pau d’arco, cajueiro, eucalipto, jaqueira e pau branco. () estoque e de 4.700 mudas diversas. Este Posto realizou coope ragao com proprietario particular, constante de um plantio de cajueiros de tres hectares e novecentos metros quadrados. Joazeiro Com area menor de 9.000 m-, este Posto produziu 44.600 mudas e distribuiu 34.200 esscncias. Situado em terra doada pela Eseola Rural do Munidpio, encontra-se totalmente coberto com eedro, flamboyant, sabia, genipapo, tamarindeiro, tamboril, gro- selha, oitizeiro e outras especies. Dispde de 15 canteiros, dois cacimbocs, um tanque, um ripado, um abrigo de repicagem, casa de residencia e duas outras para escritorio e garage. Alem disto, 1, | SciELO 1957 Rclatdrio da Excursdo ao Nordestc 27 o Posto rcali/ou cooperagao com particularcs para o plant io do ccrca dc I .000 inudas. l-stc Posto demonslra claramcntc. quo. com pcqucna area, ague suficientc. instalagocs modcstas, urn cncarrcgado c duas pcssoas, trabalhando ordenndamente, podc rao cumprir exatamente sua missao. MA RANCH A PE ( Aconlo com a Prefeitura) Com tuna area dc X hectares cm terras doadas pcla Prefei- tura local, cstc Posto funciona cm regime dc Acordo com a Prefeitura local, tendo prodnzido 32.000 mudas c distribuiu 26 000. Foi plantando bosque com urn total dc 10. 150 plantas, comprccndcndo algaroba, cucalipto, canafistula, timbauba, cc tiro, tento Carolina, cajueiro etc. A arborizagao das pragas c mas dc Maranguape foi rcalizada por cstc Posto; que dispde das seguintes instalugocs: residences, caixa d'agua c barreiro (cm obras). As Seri as dc Maranguape e Aratanha cstao complcta- mente recortadas dc propricdadcs agricolas, rcstando pouca co bertura dc mata. Torna-sc ncccssario alcrtar os proprietaries para a formagao urgentc dc bosques dc rendimento cm suas propric- dadcs, hem como o plantio dc mudas mais apropriadas a prote- gao da zona cm que sc achain. PACO 1 1 Com lima area dc 6 hectares, o Posto produziu 6.300 mudas e distribuiu 6.250 esseneins, plantando-se frutciras diver- cas cedro, algaroba, cucalipto, etc., inclusive ingazeiro, pioprios para cobcrtura dc cafezais. So cm Janeiro do corrente ano, o Posto aumentou sua produgfio para X .000 mudas. Possui 26 canteiros tic alvcnaria urn p6go, uma bomba manual, nm ripado, urn abrigo dc repicagem, uma rcsidencia com cscritorio. O Posto tern apenas 10' ; dc sua area plantada, sendo o restante cm ter- ras acidcntadas que sao cobertas tie capoeiras ralas c capim. () Kio Pacoti, que desagua no Agude Acarapc, (lornecedor dc agua 28 A rq u i vox do Servigo Florcxtal 11 para Fortaleza), corta as terras do Pdsto. Sua existdneia sc jus- tifiea no sentido dc distribuigao de mudas para a Serra de Baturite (Guaramiranga). quo sc cncontra ja muito devastada. Nesse Posto ou cm Guaramiranga deveria ser instalada uma PoHcia Florcstal, com polo menus urn jeep e cinco guardas, para com- bater as queimadas e a devastagSo nos altos da Serra. ARACOIABA Com uma area de 3 hectares, doada pela Prefeitura, vai ser instalado o Posto Permanente, cm terreno de aluviiio. A principal fungao deste Posto sera o de fornecer mudas para arborizagao da cidadc; sem embargo da produgao e distribuigao de mudas para o reflorestamento da regiao. Esta situado a margem do Rio Aracoiaba e com uma parte junto a Estrada de Ferro de Baturite. HORTO FLORESTAL DA R. V. CEARENSE Este H6rto, pertence ao patrimonio da R. V. C., sendo uma area de 500 hectares, doada pelo Governo do Estado. Seria de alta convcnicncia sua incorporagao ao S. F., dada a sua situagao e a presenga de macigos florestais, ja formados. Entendimentos ja foram iniciados, havendo boa receptividadc por parte da R. V C Tal Horto se prestaria para a formagao de uma Reserva Florestal que compreendcsse, inclusive, um Posto Permanente I'lorestal. VIVE1RO FLORESTAL EM FORTALEZA A Inspetoria do Ceara mantem um viveiro florestal com area de 2.000 m2 para produgao de mudas. cm cooperagao com a Prefeitura local. Nesta area, pertencente a referida Prefeitura, cxiste um ripado, dezoito canteiros nisticos, um depdsito para ferramentas. O trabalho foi iniciado cm novembro de 1956. cm SciELO .0 11 12 13 14 15 16 1057 Rclatdrio da Excurs&o ao Nordcstc 20 Hsiao scndo produzidas niudas florcstais do cajuciro. casuarina frcijd, pau d’arco, algarobu etc. Na area referida, estao inclufdas as instalagbcs do Servigo Florestal da Prefeitura. POSTO FLORESTAL DE MORADA NOVA Neste Posto, quo se encontra bem situado, disp5c-se de area de I hectare, doada pela Prefeitura Municipal, casa de residencia para encarregado ja cm acabamento, casa para escritdrio, cinco canteiros e tanque de alvcnaria para agua, trinta e oito canteiros rusticos para produgiio de mudas. Essa produgiio foi de 15.000 mudas, das quais forarn distribufdas 11.000. Hu portanto uma estocagem de 4.000, scndo as principals de cajuciro e canaffs tula. A area foi rcccbida cm margo de 1956 e pertencia anterior- mente a Floresta Nacional Araripc-Apodi. POSTO FLORESTAL DE QU1XERAMOB1M Este Posto, com uma area de 30 hectares, doada pela Pro feitura Municipal, esta situado cm terras de aluviao, a mar gem do Rio do mestno nome. Esta scndo formudo urn bosque para produgiio de sementes, scndo as arvores plantadas no intervalo de 4 x 4 metros. Nao foi obedecido o plantio ent curvas de m'vel. nem se fez barragem de quebra vento. L necessario fazer uni piano para escoamento das aguas, construindo no meio da area uni pontilhao ou um boeiro. Caso contrario, na “enchenie" ha vera perigo de submersao parcial do bosque. Dispde de duas residencias para viveirista; uma residencia para o administrador; um galpao para maquinas, incluindo escritdrio, e dois depdsitos. Est;i todo cercado com oito fios de arame farpado e tern pnrtao de alvcnaria. Tais instalagdes excedem, evidentemente, as neces- sidade de um Posto Florestal Permanente, conforme os padrdes adotados pelo S. F. Dispde aiiula de um ripado, de/ canteiros. de alvcnaria, um tanque para Agua e uma casa de repicagem com 30 Arquivos do Scrviqo Florcstal 11 deposito para ferramentus. O bosque plantado (3 hectares) com pbe-sc dc lento Carolina, cedro canaffstula, pan d'arco, flam- boyant, algaroba de espinho e euealiptos. A estocagcm de niudas esta avaliada cm ccrca de I 1 .000 mudas. POSTO FLORESTAL DE 1TATIRA Com uma area de 4 hectares, estc Posto esta circundado por altos morros cujas altitudes oscilam entre 450 e 500 metros. Sua existencia so sc justifica para a urgentc cobertura dos grotoes da regiao, onde existiam nascentes e para a protegao das mar- gens do agude, alt existente. Dispoc de duas boas casas de vivei- ristas, uni galpao para deposito um escritdrio e uma casa resi- dencial para o administrador. Dada a cxcelencia das instalagoes e do seu acabamento, constituiu surpresa para a comitiva o custo das obras que e o mais baixo possfvel da regiao Aquf, tambem, nao foram obedecidos os preceitos sdbre curvas de nivel. para os plantios que estao projetados no compasso de 4 x 4 metros. FLORESTA NACIONAE DO ARAR1PE Com um total demarcado de 35.000 hectares, a Floresta Nacional representa cm media, 8% da area total da chapada do Araripe. Podem os 92% restantes serern destinados para agrieul tura, criagao ou ainda para aumentar a area da Floresta ate 100.000 hectares, o que seria ideal, uma vez. que calculamos a area da chapada em 180 quildmetros, na dire^ao aproximada de 0-L, por uma largura media de 40 quildmetros, ou sejam de 720.000 hectares. A Serra do Araripe constitui o maior centro dc condensa§ao de umidade do Cariri. E all que se processam as maiores forma- goes chuvosas, causa de grande pluviosidade e fonte dc fertili- dade e rique/.a da regiao. cm SciELO .0 11 12 13 14 15 16 Urlatnrin da Kxcursdo (lO Not'd ('sir :u A Comitiva florestal inspccionou detulhadamente os tra- balhos da Florcsta National, verifieando a boa marclm dos mes mos. Aprovou, tambem as medidas de prote^ao adotadus pclu administrate local, convcncidos de epic clas representam provi- deneias acautcladoras dos interesses do S. F. Foi constatada a grande quantidade de lenha seta cxistcntc. material estc que podera, sent dtivida, ser vendido eomo lenda nacional ou ccdido, gratuitamente, aos lavradores pobres que se situam no Vale do Cariri. A primeira hipbtese scria mais aconsc- Ihavel; contudo, e preciso notar que nao dispomos ainda de uma serraria capaz de atender ao volume dos trabalhos. ncm de pes- soal suficicntc para realizu-los. Com a aquisito t'utura de urn trator c outros aparelhamentos, cm breve se podera dar infeio a esse aprovcitamcnto da lenha existente. CAP1TULO III — ESTAIX) DO RIO GRANDE DO NORTE Nesta Unidude Federada. fara o Scrvigo Florestal a instala- (jao de mais uma de suas Inspetorias, estando atualmentc as ati vidades florestais condicionadas a acordos com o Estado c Mu- niefpios. A Comitiva teve oportunidade de se avistar com alias autoridades administrativas do Estado. cuja colaboravao c indis pensavel para se levar a cabo uma cficientc Politiea Florestal. nao se encontrado com o Governador, Sr. Dinartc Marins por es tar S. Excia. ausente de Natal na ocasiao. Ficou assentado que, tao logo entre cm vigor o Novo Regimcnto do Servigo Florestal. sera criada a Inspetoria Florestal do Rio Grande do Norte. Em entrevista coletiva a Imprcnsa, forum amplumcnte debatidos os diversos aspectos dos problemas florestais do Estado, decor ren- tes da quase total uusencia de cobcrtura florestal significativa, principalmente no interior onde agem, com inelemencia, os rigores de urn clima semi-arido. 32 Arquivos do Scrvigo Florestal 1! 1) — ELABORAgAO DA DIVISAO TfiCNICO-ADMINISTRATIVA DA INSPETGRIA FLORESTAL DO RIO GRANDE DO NORTE Coin base na ultima divisao territorial do 1BGE, a Comitiva Florestal dividiu o Estado cm ties Distritos Florestais (MARA 2) a saber: /." Distrito Florestal, com sedc cm Natal c, abrangetulo: a) — Zona do Litoral e Mata Estende-se desdc o limite com o Estado da Parafba, ate o muniefpio de Touros, inclusive, sendo baixa, recoberta de man- gues cm alguns trechos, nunca ultrapassando 200 m de altitude. As chuvas sao abundantes, acima de 1.000 mm anuais. Os princi- pals produtos sao: cana-de-agucar e mandioca, seguindo-se: fei- jao, o milho, a batata-doce e frutas. Pesca abundante cm toda a costa, ondc sc explotam os coqueirais. Pequeno desenvolvimcnto da pecudria e a industria sc limita ao fabrico de rapadura, aguar- dente, agucar, farinha de mandioca. Extrai-se sal cm Natal e Canguaretama. b) — Zona do Agreste Intereala-se entre o litoral e o sertao, sendo por tanto tipicamente uma zona transicional. A principal atividade e a da agricultura, destacando-se o algodao. A pescaria ja e bem mais desenvolvida que na /ona anterior. 2." Distrito Florestal, com sedc cm Caico c, abrangendo : a) — Zona do Centro Norte Caracteriza-se pela escassez de chuva, cm alguns trechos menos que 600 mm anuais. £ de fraca densidade populacional, sendo os municipios litoraneos mais industriais (sal) que agro pastoris: A principal cultura e, ainda, o algodao (no sul da zona, o algodao moco). O rio Agu propicia a extragao da cera de suas carnatibas e a pecuaria, reduzida ao norte, cresce para o sul. cm SciELO .0 11 12 13 14 15 16 34 Arquivos do Serviqo Florestal 1 1 b) — Zona do Serido £ a mais seca do Estado, com precipitagao anual, cm gera!, inferior a 600 mm. Terras cobertas de vegetagao hcrbacca, sobres saindo o capim panasco, com esparsa vegetagao arbustiva c quase ausencia de arvores. Os rios sao pcribdicos e sac inumcras as pequcnas barragens fcitas pelo liabitante local. Destaca-se a zona pela produgao do algodao, o celebre “moco", cjue lende a substituir cada vez mais os rebanhos. 3.° Distrito Florestal, com sede cm Mossord c, abrangendo: a) — Zona Oeste A pecuaria e bem desenvolvida, ai se concentrando os maiores rebanhos bovino e caprino. A principal cultura e o al- godao, encontrando-se extensos carnaubais e oiticicais sendo a cera de carnauba produzida cm todos os municipios. Mossord se destaca pela extragao salincira. b) — Zona Serrana Situando no sudoeste do Estado, apresenta-se com relevo mais acidentado. acima de 200 m de altitude (com maiores ele- vagoes ainda). As chuvas sao mais abundantes e asscguram me- lhorcs condigoes que nas zonas vizinhas. Gragas a sua situagao serrana. agricultura apresenta niaior desenvolvimento e, alem do algodao, cultiva-se mandioca, milho, cana-de-agucar e feijao. A pecuaria e bem reduzida, e aprescn ta-se esta zona como a mais densamentc povoada do Estado. **: 52 a O § W co CM o • A «.g So •u ft, 3 3 (2 W 1 U 3 pr d A A CS| CO n« tn H H CM CO O -r m co o N 3H Arquivos do Serviqo Florestal ll 3 — 03SERVAQ0ES REALIZADAS NO HIO GRANDE DO NORTE Posto Permanente de Natal Coni uma area do 4 hectares, cm caminho do doagiio pc!a Prefeitura do Natal ao S. F., foi inspecionado, deixando a me- Ihor impressao quanto as suas possibilidades futuras. Nestas areas devera funcionar a sedc definitiva da Inspetoria, devendo ai ser instalado tambem um parque de go/.o publico, aproveitando-se a existencia de um lago natural. O Prefeito local demonstrou grande intcresse para com os assuntos florestais do sou municf- pio, ra/ao porque esperamos, sem diivida, perfeito entendimento entre o executivo municipal e a futura Inspetoria Florestal do Estado do Rio Grande do Norte. Posto Florestal tie Mossoro Com uma area dc cerca de 9 hectares, encontra-se locali- zado dentro da propria cidade de Mossoro. O solo e de aluviao riqmssimo e a exceleneia das instala?oes justifiea a razao do acordo existente com a Prefeitura. Esta insiste, entretanto pela manutengao do local como logradouro publico. Existem ah' ri- pado. galpao com escritorio, dois depositos e garage, uma caixa d’agua e tanque para 30.000 litros, um abrigo de repicagem de alvenaria, 32 canteiros de alvenaria. Foram produzidas 26.500 mudas e distribui'das 14.600, havendo um estoque de 20.000 cm mudas de algaroba, eucalipto, cedro, lento Carolina, etc. A area recem incorporada (6 Ha.) esta cm fase de preparagao para ar- borizacao e adaptagao ao parque publico, nos moldes projetados Posto Tempordrio Tareisio Main Entre Mossoro e Barauna, foi instalado este Posto para a produgao de mudas de algaroba. Visa-se uma produgao de 50.000 mudas, das quais estao ja plantadas 2.500. O plantio cm SciELO 10 11 12 13 14 15 16 1057 Relatdrio da Excurs&o ao Nordestc 30 . si. i sendo fcito cm regime de eoopcra<;ao. Como posto tempora- rio e muito intcressantc, visto cnquadrar-sc no novo padrfio do S. I eomo modest fssinia instaluvao riistica, mas podendo aten dcr toda .1 necessidade florestal da propriedude, com a vantagem das mudas produ/.idas no prdprio local. Serra do Apodi ( Posto de Barauna) Situado .sdbre a Chapada do Apodi. cm plena regiao de caatinga. onde aflora o caleareo, este Pdsto, com 5 hectares, foi It tap la .Hi .1 dcstinada & FLO Rl STA NACIONAI.. I eve toda a cooperagao do Governador do Hstado do Ceara de entao, Dcsembargador Faustino do Al- buquerque. 1 sta plantando com algaroba, flamboyant, arocira, ca- juciro, canafistula. tento Carolina e angico. Dispoe de de/ eantci- ros, um tanque para agua. abrigo para plantas. repicagem e se encontra lodo ccrcado com oito lios de arame farpado. Vem funcionando eomo drgao colctor de sememes das cssencias re gionais. Barauna e uma vila que vive intciramente, cm fun?5o da relirada irregular ilas madciras que ainda existem na chapada. A propria localidade apresenta o caratcr de instabilidade prdprio das vilas madeireiras, pois, a retirada desenfreada ilas madciras sem o nceessario controle, nao garante o future da comunidadc. Dentro da propria vila existem seis (6) serrarias; na estrada, que vai a Mossoro eneontra-se de 5 cm 5 minutos uma carro^Q ou um caminhao earregado com estaeas, toros, dormentes etc Per sistindo tal situa^ao. talve/. cm menos de 5 anos Barauna perdera sua importancia e sera abandonadu. Urge, portanto. a instala(,ao, ali. dc uma sede de patrulha florestal permanente, que auxilie o fortalecimento de uma eco- nomia florestal racional. garantindo a continuidade dc sua in- dustria e estabilidade da sua populat,ao, sempre cresccnte. Como a Chapada do Apodi compreende terras de posse litigiosa entre os Hstados do Ceara e Rio Grande do Norte, ne 40 An/uii a s' do Set neo Florestal 11 nlnim deles quer tomar a iniciativa, ficando assim prejudicada a agiio do S. F. As medidas rnais aconselhaveis, no momento, scriam cstas: 1 — Levantamento e dclimitagao da irea a constituir reserva florestal. 2 — Indcnizagao dos bens dos posseiros com a compra ou desapropriagao das areas ocupadas. 3 — Campanha cducacional de natureza florestal, enca minhada no sentido de demonstrar as populates quo sdmente a perenidade da mata garantira a economia da regiao. 4 — Formagao e dcsenvolvimcnto da reserva florestal, com talhoes para garantia da produgao de semcnlcs. Posto P lore st al de A(,ii (I {dr to) O Horto de Agu, tern uma area de 250 hectares, comprecn dendo trechos do leite de urn rio abandonado, inteiramente co- berto de seixos rolados. Abaixo desse terreno, a 50 ou 70 centt- metros de profundidade aparecc um solo de var/.ea excepcional, cm que a umidade e constante. Assim a presenga dos seixos rola- dos nao prejudica os servigos florestais, embora nao seja reco- mendavel para os trabalhos agncolas. A presenga d’agua cm abundancia, cm pogos com 30 metros de profundidade, facilita os trabalhos de nature/a silvfcola. Nada foi notado tie especial que aconselhe a criagao de Estagao Experimental. A area porem, apresenta boas condigoes para a instalagao de uma reserva flo- restal, na qual event ualmente poder-sc-a fazer alguma pesquisa. A situagao tecnica atual do Horto sugere-nos a ideia de que elc passe para jurisdigao da Inspetoria, como POSTO FLORESTAL PERMANENTli. Verificamos instalagoes d’agua, utili/.ando cm SciELO 10 11 12 13 14 15 16 1 1)57 Relatdrio da Excursdo ao Nordcstc 41 motor diesel, tanques. coixa d'agua, doze cantciros para produ* i;ao dc mudas etc. Os trabalhos de preparo dc campo continuam normalmcntc para complcmcntavao dc ripado c abrigo de repi- cagcrn. A produvuo atingiu a 35.000 mudas c a distribuiffio foi dc 26.000, verificando-sc uma estocagcm de 9.000 mudas flo- restais. Objetivando ainda a cria^ao dc uma Esta«;ao Experimental no Rio Grande do Norte, a Comiliva pcrcorrcu a regiao eortada pelo Rio A(,-u. Analisou. inclusive, uma area que seria colocada a disposifao do S. F., por doa^ao do clcro de Mossoro. Inspe- cionou tambem outra area junto a cidadc de A(;u, cm companhia do Prefeito local, verificando que sua condi<;ao de varzea nao era apropriada para a criav'ao da Esta^ao, pelo fato de que as varzeas sao terrenos cxcepeionais e nao representam, desse modo. aspecto tfpico mais geral da regiao. Todavia, tal area podcra ser aproveitada para a instalav*ao de uin POSTO FLORESTAL PERMANF.NTE. de grande vantagem para a arbori/.a^ao da cidadc e distribui^ao local de mudas. 42 Arquivos do Scrviqu Florcstal 11 CAPITULO IV — ESTADO DA PARAlBA A Comitiva Florcstal mantevc contato com as principals autoridades dirigentcs do Estado, sendo do sc salicntar o intc- rcssc dcmonstrado pclo Govcrnador Sr. Flavin Ribeiro c scu digno Secretario dc Agricultura. Tambem ncste Estado, sera dc alta convenicncia a criagao dc Inspetoria Florcstal, como fator para resolugao dos sens graves problemas florestais, tao logo sc disponha dos recursos necessarios. 1) — ELABORAQAO DA DIVISAO TECNICO- ADMINISTRATE A DA INSPETORIA FLCRESTAL DO ESTUDO DA PARAlBA Como sc procedeu nos outros Estados anteriormentc cstu dados, a Comitiva icsolvcu proccdcr a Divisao, que sera util tao logo haja recursos para scu funcionamento. Adotando sempre o critcrio base dos /onas gcoconomicas (firmadas pclo IBGE, ficara inicialmcntc a Paraiba dividida en: tres Distritos Florestais (MAPA N.° 3), que sao: IP Distrito Florcstal, com sale cm Joao Pessoa c, abranactulo: a ) — Zona do Litoral Continuagao do zona do litoral c Mata do Rio Grande do Norte, ncla desaguam todos os rios atlanticos da Paraiba. I nas suas varzeas que reside a atividade agricola, principalmcntc dc cana-dc-agucar, mandioca, algodao, coco c ccrcais. Constitui a area mais chuvosa dos Estados, chegando a sc registrar 1.900 mm anuais, proximo a dcsembocadura dc Mamanguape cm SciELO 10 11 12 13 14 15 16 44 Arquivos do Scrviqo Florestal 11 b) — Zona do lire jo Situada no olio da encosta oriental do planalto dc Borbo- rema, com altitude aproximada de 600 m e forte pluviosidade (acima de I .000 mm anauais, cm gcral), mais abundante no outono e no inverno. Os solos sao ricos e outrora a regiao era coberto da exuberante niatas, hoje reduzidas a capoeirocs. c) — Zonas da Caatinga Situa-sc entre a zona do litoral e a encosta leste do planalto da Borborema, com pluviosidade media entre 800 e I .000 mm anuais. Sujeita embora as secas, scus solos argilosos ricos sao muito aproveitados. Ha tcndcncia para incremento da lavoura algodoeira. 2. ° Distrito Florestal, com sede cm Campina Grande, e ahrangendo : a ) — Zona do Cariri Estende-se sobre o planalto de Borborema e e zona de escassas precipitagao (Cabaceiras e o lugar de menor queda plu- viometrica anual do Brasil: 278 mm). A caatinga e xerofitica, predominando cactaceas e bromeliaceas. A criagao e extensiva, cultivando-sc algodao moco e caroa. A zona, todavia, e riquis- sima do ponto dc vista dos rccursos naturais. E a zona menos povoada do Estado. 3. ° Distrito Florestal, com sede cm Pombal e, abrangendo: a — Zona do Sertdo E a mais ocidental da Paraiba, sendo mais baixa ao norte. Ao Sul c elevada c c atravessada pelas serras que limitam o Estado com o de Pernambuco. Sao abundantes os carnaubais e oiticicais nos limites com o Ceara. A zona e agrtcola e pastoril, sendo o algodao o principal produto. 1, | SciELO I 8 •S. -c £ 4 £> E 8 0 •(9 y< 2 ♦-* 1 a 8 V M o .§3 S- 0 2 « *5* c o V c 0 !* 1 2 | 8- •a c a» H 41 rt o i- o E <9 C 2 8 a bo ■P XX 22 «-» -4-* as aa o» o t-4 CJ E oT 4-» c 4) o •o 4 55 | .s* 2 «-* ' a o V I c o 0 5 1 £ (9 c »»4 JZ u a ) 2 | .5,3 (9 u £> 3 < C 2 C P 2 2 I < ^ . a « :<8 f Ef-a 59 » ► 2 5 *5 2:z2 2 « T3 . ft a 4> lO » f o co a a c a 2 ° O oo -1 os ; o • o : i-. i (9 . 4J (9 .E ^ o § 3 0 0" i!£Sa ' ' co »r o b s'S iO 1 • o 'M -J . •§« *w o^‘ N 3 ft •E "♦-4 C3 u •S a Caesalpinea ferrea. Mart Construgao civil, dormentes. vigas, etc. SciELCy0 2 3 5 6 11 12 13 14 15 16 z cm SELEQAO PREVIA DAS ESSENCIAS FLOP.ESTAIS MAIS ACONSELHAVEIS PARA O ESTADO DA PARA1BA 0 o 6 aJ i •p ^•S «s # d a &! $ i si *-* *L O' 2 ►- . G u c 2 ii a o •a il c 0 ■o 1 o o 5 8 i c o o •o 5 5 cj o 0* 0- 2.g 2 a o U ‘a o U 0 •4-* 01 s flf 1 13 > V 1 •0> CJ 3 i ■4-J c o 3 — OBSERVANCES REALIZADAS NA PARA1BA l/orio Florcsial 2 Arquivos do Scrviqo Florcalal 11 rcscrva florcstal coni 125 hectares, ali chamada “sertao/inho”. () Deputado nos informou epic no local denominado Bahia da Traigiio, cm terras dos Indies Pytiguares, compreendcndo mais cinco mil hectares, sob jurisdigiio do Servigo de Protc^ao aos Indios, esta ocorrendo intensa devastagao florcstal. Salientou ainda que essa area csta dentro da zona de ocorrencia natural do “Pau Brasil”, cxistcnte no Estado. O Servigo Florestal l'icou de mandar apurar a situagiio e caso fosse real pediria as providen- cias ou ate mesmo transference dessas terras para o S. F , que ali poderia instalar uma excelente Rcserva Florestal. Informa- edes obtidas no Munidpio de Mamanguape se referent ainda. a existencia de uma grande rcserva de pau brasil cm CAMARA- TUBA, sendo na ocasiao chamado a atengao do Inspetor Flo- rcstal da Paraiba, para o assunto e analisc das providthtcias a serent tomadas. Posto (lc Alhamlra Com uma area de 2 hectares, este Posto se encontra a mar gem da rodovia Joao Pessoa — Recife. Dispoc de 10 eantciros rusticos uni galpao para repicagem e outro para produgao de torrdes. A produgao cm ntudas foi de 52.500 e a distribuigao de 31.400. Esta representada por ccdro, acacia ciamica, mimosa e Brasil, jaqueira, pau d'arco, araticum, excelente madeira para lenha, eucalipto, sucupira e genipapo. O Posto vein atendendo os reais intcresses da regiao, tendo feito plantios cm propri-eda- des contiguas. O estoque existente vai a 50.000 mudas. CAPITULO V — ESTADO DE PERNAMBUCO A prcmencia de tempo nao permitiu que a Comitiva per- corresse detidamente este Estado Nordestino porem, em sua ni- pida passagem, procurou-se auferir o maximo de proveito. Tendo com uma das metas, a criagao de Rcserva Florestal em Serra Negra, a Comitiva foi recepcionada pelo Governador de Estado Sr. General Cordeiro de Faria. S. Excia. demonstrou grande in- cm SciELO 10 11 12 13 14 15 16 1 957 Relatdrio do Excurs&o ao Nordestc tercsse pcla atividadc dcscnvolvida pelu Comiliva, tcndo oportu- nidadc dc nianifcstar pcla Imprcnsa scu cmpcnho cm prcstigiar as autoridadcs florcstais. 1) — ELABORAQAO DA DIVISAO T4CNICO-ADMINISTRATIVA DA INSPETORIA FLORESTAL DE PERNAMBUCO I£m rcuniao com os tdcnicos florcstais do Estado, a Comi- tiva dividiu o Estado cm 3 Distritos Florcstais (MAPA N.° 4), como segue: IP Distrito Florcstal, com sede cm Recife c, ahranyendo: a) — Zona do Litoral c Mata Compreende o aspecto costeiro, com sua pesca baseada nos jangadeiros c sua cxplota<;ao dos coqucirais c o aspecto da mata, nos massapes dos vales, ondc os canaviais imensos condicionam a vida rural, dc maneira quase monocultora. b) — Zona do Agreste Representa a transivao entre o Sertao c a Mata; assim, nao c tao seca como aquclc ncm tao limida quanto csta; nao e tao pastoril como o primeiro, ncm tao agricola, como o segundo. Ai. entretanto, dcscnvolvc-sc uma agricultura mais racional, dcsta- cando-sc, cafe, algodao, milho, feijao c cana-dc-agucar. A pro priedadc c mcnor, embora a popula^ao seja menos densa que na mata. 2.° Distrito Florcstal, com sede cm Pesqueira e, ahranyendo : a ) — Zona do Sertao A Ito E zona montanhosa, com vales limidos e fdrteis — verda- deiros oasis no mcio do sertao. Solos sao, a(, muito ierteis. Pro- dutos agricolas mais importantes sao: cafe, algodao e cana-dc- a?ucar, alem dc mandioca e do caroa. F. uma ilas zonas mais >3 t 1957 Relatdrio da Excursdo ao Nordestc 55 dcnsamcntc povoudas do scriao pernanibuenno, scndo a pecudria importantc fontc do rcnda. principalmcntc cm Afogados do Ingazcira: b) — Zona do Scriao Haixo A pec u aria 6 a mais importantc atividadc economica, prin- cipalmcntc a criagao dc bovinos c caprinos. Ha pcqucnas indtis- trias dc bcneficiamcnto c transformagao dc algodao, farinha c mandioca, rapadura c carol J.° Distrito Florcstal, com scdc cm Salguciro c, ahrangcndo: a) — Zona do Scriao do Atari pc Situada no sope da grande chapada do Araripc. Prcdomina a criagao, principalmcntc caprina. A agricultura c pouco desen* volvida salientando-se a mandioca. a cana-dc-agticar c o algo- dao. Dcsenvolvc-sc continuamcntc a cconomia extrativa do ca- roa. Quase todo o comcrcio c feito com o snl do Ccara dada a dcficicncia dc transportc nesse interior pcrnanibucano. b ) — Zona do Scriao do Sdo Franscisco O mcio parece o mais seco do Sao Francisco, scndo dificeis tambem as comunicagbes. C) ccntro cconbmico c Petrolina, domi- nando as pcssimas con didoes pcdologicas como solo cristalino desnudo, sem camada aravcl. A unica atividadc da zona e a cria- cno bovina (peduro) c a caprina. Extrai-sc cera dc carnatiba c planta-sc "palma” para o gado. () gado vivc as soltas e as pro priedades, que sao poucas, nao sao demarcadas. 1057 Rclatdrlo da Excurs&o ao Nordcstc 50 3) — OBSERVANCES REALIZADAS EM PERNAMBUCO HArto Florestal de Saltinho Loeali/.ado na zona do litoral do Estado dc Pernambuco, o H6rto reprcsenta tipicamcnte esta zona. Alem disso. apresenta: a) cobcrtura florestal densa de mais de 60% dc sua area (60 ha.), ondc sc podera proccder a pesqui- sas sobrc florestas nalivas. b) Consideravcl area de csscncias plantadas, fato esse que permitira o cstudo do comportamcnto das csp6cics, cm florestas artificiais. c) Otimas instances, para administrate e rcsi- dcncias. Considerando tudo isto, a Comitiva achou conveniente a transformaguo do Horto em Esta^ao Florestal de Expcrimenta- cao. A produgao do Horto e grande e vem atendendo a uma dis- tribuivao equivalent a 700.000 mudas. A sua transformagao em Esta<;ao Florestal nao alterara a parte referentc a produffio de mudas. destinadas aos agrieultores. Posio Florestal dc Recife A Inspetoria Florestal. para atender o maior numcro de solieita<;6es esta provideneiando a instalag&o do Posto Florestal cm Recife, na sua propria sede. A produqfio anual sera de 500.000 mudas. Ja dispde de 28 eanteiros para sementeiras de essencias florestais. tais eomo acacia amarela, mimosa, jambeiro, sapotizeiros, oiti/eiros, amendoeiras e muitas outras. Este Posto fara, preferencialmente, produce de plantas, destinadas aos lo- gradouros publieos da eidude. Esta procedendo a montagem de 60 Arquivos do Servian FI ores to l 11 material de carpologia, herbfirio c de colegiio de sementes e fru- tos, inclusive urn hem organi/ado moslruario de madeiras cm toras. A produgao no ano findo atingiu a I .200.000 mudas flo- rcstais e a sua distribuigao foi de 700.000. A seca, que atingiu o Nordeste no ano de 1956, muito contribuiu para ocasionar uma rctragao dos intcrcssados nos plantios normais de essencias flo- restais. Sen a Nc^ra Esta Scrra csta situada no Estado de Pernambuco a 16 qui- lometros da rodovia Pctrolandia-Arcovcrde, distando 55 quilo- metros de Petrolandia: Trata-se de uma area de condigoes cxcep- cionais, em confronto com a regiao do Sertao circunvizinho. E uma elevagao isolada, cuja area, no topo tem cerca de 100 hec tares, e onde aparecem restos de mata com bastante arvores, tal- vez, remanescentes da mata primitiva. AH foram observadas al- gumas rogas e capoeiras, feitas por posseiros que habitam o ser- tao usam a Serra apenas para suas culturas rotineiras. Ha impe- riosa necessidade de se estabelecer o regime protecionista para a mata existente, seja como padrao das florestas que ali existi- ram; seja para a manutengao do regime d’agua e abrigo da fauna selvagem da regiao, nas ocasioes de grande estiagem. Na entre vista com o Excelentissimo sr. Governador do Estado, ficou accrtada a nomeagao de uma Comissao cpie sera incumbida de proceder ao reconhecimento da area a ser adquirida, levanta- mento das propriedades existentes e expropriagao da almejada Reserva Florestal ja entao sob a jurisdigao do Servigo Florestal CAPlTULO VI — ESTADO DE ALAGOA A Comitiva teve oportunidade de cruzar em toda a sua ex- tensSo, de leste a oeste, o Estado de Alagoas. Ja entao, entrava a regiao no periodo das aguas, o que dificultou sobremodo o transito em sua extremidade de oeste. cm SciELO 10 11 12 13 14 15 16 1957 tidal brio da Excurs&o an Nordeate 01 Iimbora a situavao polftica eslivcsse convulsionada nu ocasiao, u C'omitiva foi rcccbido pclo (iovcrnador do Estado, Sr. Muniz Falcao, a qucm foi cxposta a situa^fto florcstal nordcstinn c as solui'ocs propostas pdas autoridadcs florcstais. 1 — ELABORAccano, fez dcssa zona a mais fertil do Estado. Outrora coberta do pujantes matas, substitufdas polos imonsos canaviais, ainda prtxluz algodao, milho. mandioca, tcijflo, etc. / c) — Zona do Baixo Sao Francisco O rio c a( francamente navegavcl e as numcrosas lagoas, formadas nas enchontes, pormitom as lavouras da vazanto. Os 11)57 Rclatdrio da Excursdo an Nordcstc 05 cercais, c principalmcntc « arroz, tern grande incremcnto cm produ<;ao. f zona prbspera c dc solos favoravcis a agricultura. 2." Distrito Florestal, com sale cm Palmeiro dos hulios c, ahran Kendo: a) — Zona Sertaneja Corresponds a peneplanfcie arqueana de rcldvo suave o regular. Diferencia-sc da zona da mala (tambem formada de ter- renos arqueanos) pcla irrcgularidade do regime pluviometrico. A vida cconomica e sujcita as grandes secas e a zona c lima das mais pobres do Estado. Predomina a pequena propriedude e plan- ta-sc mandioca. feijao, milho, cana-de-a^ucar c algodfio. sendo iccente a introdu(,ao da niamona. A principal atividade e a da criagan, cm regime extensivo dada a pobreza dos pasios. b) — Z.ona do Sertao do Sdo Francisco 0 relevo 6 crisialino e apresenta-se em ondula<,*dcs suaves com alguns morros isolados, de encostas rochosas: os “pfies de agucar". Solos rasos, em clima cada vcz mais seco, a medida que se penelra para o interior. J pouco cultivado o arroz. aparccendo como principal o algodao entre os poucos produtos agricolas Tambem a pecuaria e important? fonte de renda. 1057 Rclatdrlo da Excurs&o (to Nordtttc (17 3 — OBSERVANCES REALIZADAS EM A1.AGCAS V Hfirlo Florestal dr M acrid - *,v* " — **“ ' ••• ~ — Tcm uma area de 50 hectares e esta situado it murgem da rodovia Maccio-Palmcira dos Indios, cm terreno de tabolciro piano. Dista, apenas, cinco minutos de aulomovcl, do centra da cidadc. Possui uma casa residcncial excelentc, um espagoso gal- pao para garage depbsito e escritdrio, um ripado e uma casa de operario. A produgao de mudas e abundante, sendo grande a procura e descnvolvcndo-.se cm ritimo acentuado o trabalho das sementeiras. J;i foi plantado o bosque que esta eomposto de pan d’arco, casuarina, pau Brasil, tento Carolina, peroba do campo (cssencia local), jamelao, sabia, cedro e eucalipto. A produgiio atingiu o numero de 220.000 mudas, sendo distribmdas 1 07. 000 Calcula-se que haja um estoque de 45.000 mudas. Foi aconsc- Ihada a fornia?fio de uma cortina “quebra-vento” no local de tra- balho, cm virtude de constancia dos ventos dominantes. Foi programado o piano de trabalho e a divisao cm distritos flores- tais, do Estado. Prosseguindo a viagem, a Comitiva teve opor tunidade de pcrcorre-lo de Eeste a Oeste, cm demanda do Parque Nacional de Paulo Afonso. CAP1TULO VII - PARQUE NACIONAL DE PAULO AFONSO Com uma area calculada cm 16.865 hectares, o Parque Nacional de Paulo Afonso apresentu alguns problemas para o Servigo Florestal, Inicialmente, deve-se considerar que o unico motivo de as pecto excepcional para just ificar-se, ali, a instalagao de um Parque Nacional reside na existencia e bele/.a das cachoeiras, cuja area esta compreendida cm menos de 10 hectares. Assim sendo, o restante de 16.855 hectares abrange uma vasta regiao de caatinga, densamente habitada por centenas de famflias ali. radicadas, constituindo uma grande vila, atualmentc crismada de "Paulo Afonso" (antiga Vila Poty), sem contar com os aloja An/uivos do Servian Flores! al 11 68 mentos dos operarios da C. II. !'-• S. I.. que ocupam uina enormo area com monumentais instala<;oes. Hsta e a situac;ao atual. c|iie nao encontra similar dentro tie uni Parque National, em todo o mundo. Todavia, para atenua-la ou melhora-la, dentro do possivel, tres aspectos particulares fo- ram estudos tninuciosamente pcla Comitiva: I ) locatjao del ini tiva da Sale. 2) Conclusao do Hotel inacabado. 3) Situagao da I lha do Urubu, com o aproveitamento dos proprios nacionais nela iniciados. I — Locacdo Definitive! do Sede A analise criteriosa da situaq&o geral do P. N., acmia ex- posta, sua relagao com as obras monumentais da Hidroeletrica, hem como o aproveitamento maximo do centro de atragao na- tural do Parque (area das cachoeiras) levaram-nos as seguintes conclusoes: a) — o unico local em que sc justilica a existencia de uni Parque National e o das quedas tl agua e suas imediagoes. O restante da area do Parque, tomo ja ficou dito, e urn terreno pe- dregoso, de caatinga baixa e seta sent nt nhuma importancia para o fim a que se destina. I,) Os melhores pontos de observa^ao da area, tin que se atham, as quedas d’agua, estao na mar gem esquerda do Rio Sao Prantisto. natura. mente que excluida a II. HA DO URURU, de dificil atesso. u) — A referida margem esta situada nas bordas de um alto escarpamento rochoso, originado pelo aprofundamento do Rio, que ali se apresenta em “canyon". Dai, a razao porque o panorama 1, | SciELO PARQUE N ACION AL DE PAULO AFONSO aj 'orj § <1 * c~Ui>0 A 10 -Ter- 'H- — T030 ■f- Ar»o 70 276 746 m‘ i Vi 1 20 V Vlfe|.5* if (i i ^ t 730' 1 S V***’ | 4 ii «i S 1 1 h Ii H ;i / / ! Vila zebu -J |! -s'- \ / . At AM Dd Mr kj r ft ^ ii r # > i. i v* ~h f .30 f -A f- "/ -f 50 1 pAl»' - T 55. a 'Ja 40 PovVtc DA CACHOEiRa cloS \)cado[. i~ I 30 ! < AM IMHO tt-Jr* I "h&oco F/00E5 TAL t»r. VaAA OtREHOftB j 1 i 8 « 20.' “ ffi 4- f - 5* > - _ I ' ‘■Pk* ' , 3- -a.'' -r-l ,/ /' ( iU-' :i 'i, Q V. f AREA TOTAL DO PARQUE ■JL 168. 654. 232 m 2 11 ii • • 2 " Area 91.680.486 m 4- 10 N.V. ■f -/- »w° - n I . i .fc '■ ■ ^ I IT ’ ■f- s ' * S i ¥i si ‘j h 20 - •: T I fi0 40 »-•— 4 4- S'Jaot 1 80 -A PARQUE NACIONAL. DE PAULO AFONSO P LANTA ESCALA 1:30.000 l I +■ § Top. A nfOivo Toscano cl* Bn' To ^ D«s Ne”Lon CouTo - RW to- 1954 D«c, Retluildo por Jaime. Santos ,R> Cnp. » 1« A<|uil«» C..C. &. 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 cm 1 SciELO 0 11 12 13 14 15 16 1957 Rclatorio da Excurs&o ao Nordestc (5!) das qucdas frontcirigas c integral cm dcscorti nio c bclcza. d) — Alem disso, com a conclusao da Ponte sobre a Cachocira dos Vcados. a scr tcrminada breve- mente pelo D. N. E. R., os pontos quc focali- zamos ficarao sendo necessariamentc obrigato- rios para quantos visitem o Parquc Nacional dc Paulo Afonso. Objetivando a realizayao dcssas consideragoes. a Comitiva adotou, do logo, as seguintcs providencias. a) — Promover o levantamento topografico da mar- gem do Rio Sao Francisco, do lado dc Alagoas, com a finalidade dc localizar a scdc definitiva do Parquc Nacional dc Paulo Afonso, quc pos- suira um Hotel modesto, com mirantes sobre o rio c as estradas c caminhos indispcnsavcis ao facil acesso. b) — Logo quc concrctizadas as medidas do item an- terior, as atuais instalagoes da scdc provisoria situadas proximo ao Campo dc Aviagao. ond” cstao marginal e completamcntc dcslocadas das finalidadcs do Parquc, scriarn crigidas cm fu- tura sub-sede do Parquc Nacional dc Paulo Afonso c ccntro dc irradiagao do Posto Flo- restal. 2 — Conclusao do Hold Inacabado Depois da visita c inspegao cuidadosa do local cm quc acha o arc a bou go do futuro hotel do Parquc Nacional dc Paulo Afonso e do exame detido dos aspcctos dcssa questao. a Comi- • iva chcgou as seguintcs conclusoes: 70 Arquivos do Scrviqo Florestal 11 1 ) — () si'tio cscolhido para a instalagao do rcferido Ho tel e imprdprio, nao so por distar consideravelmcnte da area das cachoeiras, das instalagdcs da hidrocle- trica, mas tambem por se achar encravado cm uni verdadeiro promontorio, muito a jusante de Paulo Afonso. 2) — Alias, o local primitivamente cscolhido pcla comis- sao dc estudos, para a localizagao do Parque era o ideal, pois ficava situado justamente na margem alagoana. vis-a-vis a cachoeira de Paulo Afonso, no mesmo local agora cscolhido pela Comitiva para a scde definitiva do Parque. Por informagao colhida, soubemos que injungbes pollticas poderosas na epoca forgaram a construgao desse Hotel em ponto indesejavcl. Diante do fato concreto, a Coinitiva julga de bom alvitre abrir mao inteiramente desse futuro Hotel, pois, o S. F. nao tem ncle o menor interesse para o fim a que o destinara. 3) — Situaqao da I Ilia do Urubu e do aproveitamento dos proprios do Parque nela iniciado A Ilha do Urubu situa-se logo a jusante das quedas de Paulo Afonso, constituindo inn otimo mirante das belezas natu- ral c quedas d’agua exisientes. Todavia, a sua comunicagao com o continente constitui serio obstaculo, dado que com o sis- tema de barragens do Rio Sao Francisco, efetuado pela C. H. F. S. F. a llha tornou-se isolada e inacessfvel. A precaria comuni- cagao, anteriormente existente, ficou anulada resultando disso a impossibilidade de se terminar as obras iniciadas. E necessario, portanto, rcstabelecer-se a ligagao entre a ilha e o continente. para que se possa tomar quaisquer outras providencias no sentido de aproveitar-se o que ja esta feito, adaptando-se as construgoes inacabadas par outras finalidades, como alojamento de turistas e visitantes, restaurantes etc., o que se podera conseguir mediante 1957 Relatdrio da Excurs&o ao Nordcstc 71 pequenas alteragoes no piano das obras. A grande proximidade das cachoeiras tornam a ilha impropria para residcncia definitiva de qualqucr funcionario e ainda mais para a instalagao de depb- sitos e almoxarifados, dcvido ao alto grau de umidade Para so lucionar o problema, a Comitiva elaborou as seguintes sugestoes- a) — Entendimento com os dirigentcs da Hidroele- trica para a construgao de uma linha teleferica. ligando a sede da C. H. E. S. F. a Ilha do Urubu. O transito de visitantes estara assim resolvido, pois para isso dispbe o S F. de ere dito suficiente este ano. b) — Autorizagao do Sr. Ministro para que sejam feitas as alteragoes e aproveitados os proprios nacionais existentes de acordo com as suges- toes feitas. c) — Obter do D. N. E. R. ou C. H. E. S. F. estudos e projetos de ponte ligando a Ilha do Urubu a margem alagoana, em lugar convenicnte. Fi- cara assim completo o circuito de total aprovei- tamento do sistema Cachoeira de Paulo Afonso — Ilha do Urubu — lnstalagoes do C. H. E. S. F. — Vila de Paulo Afonso — Campo de Aviagao Ponte da Cachoeira dos Veados — Sede definitiva do Parque Cachoeira de Paulo Afonso. O Parque de Paulo Afonso, dispbe de 4 residences de ser- vidores, 2 galpoes para garage e depositos, escritorio, ripado, al- moxarifado, dique para lavagem de carros e cereas para protegao da flora regional. As instalagoes sao bem aeabadas, sblidamente construidas e se encontram razoavelmente mobiliadas. Tbda a area do Parque se acha delimitada por mareos de pedra. Na 72 Arquivos do Serviqo Florestal 11 Estrada quo vai para o Estado do Pernambuco e Uahia ex is to uma grande placa indicadora, tendo ao lado uma rcsidencia para Guarda Florestal. CAP1TULO VIII — ESTADO DE SERGIPE Tal como procedeu cm todos os Estados visitados, a Co- mitiva avistou-se com o Governador do Estado, Sr. Leandro Maciel com quo manteve proveitoso contato, debatendo-se os varios aspectos dos importantes problemas florestais. 1 — ELABORAQAO DA DIVISAO TECNICO-ADMINISTRATIVA DA INSPETORIA FLORESTAL DE SERGIPE Scguindo ainda o mesmo critcrio do planejamento previo para as futuras atividades, tambem para o Estado dc Scrgipe, a Comitiva Florestal eloborou sua Divisao, objetivando descentra- lizar a futura Inspetoria Florestal a ser instalada assim que os recursos o permitirem. O Estado possuira, inicialmente, dois Distritos que scrao (MAPA N.° 6). IP Distrito Florestal, com sale cm Aracajti c, abrangendo : a) — Zona do Litoral Corresponde as terras baixas quaternarias e e limitada a teste polos tabuleiros terciarios. A zona esta sofrendo intensa sedimentagao, e cm todos os trechos inferiores dos rios desenvol vem-se extensos mangues. Alem dos imensos coqueirais, a cana- dc-agucar, a mandioca e o milho se apresentam com importantes produgoes. Junto ao Sao Francisco, o arroz e o principal produto agrfcola. b) Zona do liai.xo Sdo Francisco ldentica a do mesmo nome do Estado de Alagoas. cm SciELO _0 11 12 13 14 15 16 p H cm jSciELO, 11 12 13 14 15 16 17 74 Arquivos do Servico Florestal 11 2.° Distrito Florestal, com sede cm Itabaiarui e, abrangendo : a ) — Zona do So ldo de Sdo Francisco £ cm tudo semclfiantc a zona do mesmo nomc do Estado de Alagoas. O algodao, milho c mandioca sao cultivados nas margens do Sao Francisco, o arroz c a pcsca abastecem a popu- !agao pouco densa: b) — Zona Oeste Do litoral para o interior vao diminuindo as precipitagoes e esta zona apresenta 700 a 1.100 mm anuais. Constituida de tcr- renos de origem variada, predominando os solos de rochas ar- queanas ou permianas e silurianas. As linhas de relevo sao suaves destacando-se apenas pequenas serras isoladas, a cana e substitin'da pelo argodao, feijao, mandioca e milho. Nos trechos mais aridos predomina a criagao de gado, com pequenas rogas de milho ou mandioca, plantadas durante a estagao chuvosa. cm SciELO _0 11 12 13 14 15 16 SELEgAO PREVIA DAS ESSfiNCIAS FLORESTAIS MAIS ACONSELHAVEIS PARA O ESTADO DE SERGIPE CO ‘O On a o C o O O Co I 03 .O a> d u4 ec .8 V' 03 u H o3 X> a ■*-« o a CJ o ■a 3 2 "3 ’S -2 T3 03 2 £3 3 <3 a Si 3 o JQ cS £3 • H a ■• w C/3 03 T3 .2 3 CU3 Si &1 &< cd 3' a o s,j ip« U hJ PQ CO <33 ti 0 01 >> <33 I a o • «-H 03 3^ S' o CS xs 03 CsC C 03 ►-5 03 •0 3 03 0, w 03 3 OWM O H ■2 'S* id •a Si O. O 'll O a Si O 3 a 6) Genipapo Genipa americana, L. . . Construcao geral, esculturas, coronha de ar mas, palitos, etc. SELECAO PREVIA DAS ESSENCIAS FLORESTAIS MAIS ACONSELHAVEIS PARA O ESTADO DE SERGIPE u 4-* d> cd I 53 °3 fa *1 ■ in .2 cd ■-> > $> g % 'S co ft cj >-i cd £ *h O T3 a O «cd o> G H 4^ C/3 CJ O O g 4-’ CD 6s »cd O’ 3 G CD £ W cd c/3 cd o 3 C/3 CD cd 'i cd *5 T3 ctf s o o 3 0) o w o ft O icd o O) o t-4 ft o'1 icd > i-l cd o cd" ft G o ■a o" icd O' O) ej o *> •8 2 ;> »cd 3 53 | S « o o g CD ^ CD O *cd cd fcs 2 a> Cd r-4 o ^ - o ft 8 £ o £ 2 CD 3 b/)4^ 2 S E ft o o Pn U _r o >• cd +-» ft g 53 G OJ 2 ft £ cd ' Oi 3|3 i?11 c/3 d° ft O cd oi w 3 ft a a 5 ft w W.g „ OI cd N t-i cd bfi O W 2 o 3 cd Cd 3 m Ch cd O ft |H ri ft ft ft m Oi i O I i N ft^ m in cd 3 ft 2 £ o G COW c/3 cd in .a cd cd T3 •H £ cd H >> a o o G • >• bD . J3cd , cd o 0) '2 ft W •£ gift »H CU G 2 be O ' ft ■£ .£ G -g Cd eg 3 0) ft W S*ft aj H o ft cd 03 W O 01 N ft O C/3 *r— » 53 in ft 3 ft ft G ft ftft CO N JO P a cd" H bX) cd C/3 O £ • H g 3 c £ '£ (D N P 2-° cd CD o cd CD p bX) cd O £ £ <ara produzir madeira, com subproduto lenha). Designado como “alto-fuste e inn regime pouco conhecido no Brasil. Deixando crosccr o povoamento de eucalipto, nao fazendo corte raso algum verifica-se que, com a idade de 25, 30 ou 40 anos, ha produgao de uma massa de madeira que nao tern com- paragao com a produgao obtida pelo I ,° regime. No entanto, constata-se que o crescimento das arvores individuals apresenta fortes dit'erengas, dependendo essas variagoes nao so da especie de eucalipto, como tambem do solo, exposigao, sftio e clima. Estudando os diversos indivfduos do povoamento, encontram-se arvores com fustes delgados, medios e grossos, sendo que os til- umos possuem ampla copa, mui csgalhada, ao passo que aqueles outros tern copas fracas, raqufticas. As arvores com fustes grossos tiveram desde o infeio muito espago vital. Para o crescimento das arvores no povoamento e necessario criar o espago vital necessario, intervindo com um desbaste de tempo em tempo. Nao e todavia suficiente fa/.er um desbaste pro porcional, cortando um numero prc-calculado de arvores, por exemplo cada 3.° ou 4.° arvore, como se le em certas publicagoes. mas deve ser racional. Seguindo desbaste proporcional, incorre- se no perigo de eliminar justamente aquelas arvores que mais prometem para o futuro. Tao pouco se deve contentar em tirar somente as arvores fracas, dominadas e doentes, nos diversos desbaste, porque estas pouco influem sobre o crescimento do povoamento. A finalidade do desbaste c proporcionar aquelas arvores, que prometem ser vigorosas (e elas devem ser sadias esguias, 1957 W. Hcrzoy. O Eucalipto 97 sem ramos ate certa altura, ter boa c ampia copa, I'uste reto, boa qualidade de madeira ete.) desde a juventude, o cspago vital no* cessario ao seu desenvolvimento. Desta maneira, eliniinam-se apenas as arvores que estorvam ou prejudicam a copa das que devem ficar. Naturalmentc, cortam-se, nesta ocasiao tambem, as doen- tes, mortas ou defeituosas. O desbastes sao os cuidados cultu- rais mais importantes, porque sao de influencia decisiva sobre a cnergia de crcscimento, valor e qualidade da madeira. Nao e possivel, infelizmente, entrar cm dctalhes, neste lugar, sobre os diversos metodos e os efeitos dos desbastes. No meu livro. intitulado “Silvicultura moderna” editado pelo Ministerio da Agricultura, tenho tratado num capftulo especial, esses metodos, por seu extraordinario interesse e importancia. Tratando-se do desbaste do eucalipto, esse processo deve comegar desde muito cedo. A pratica ensinou-me que, falando cm geral, deve comegar no 5.° ano. Se o desenvolvimento for exuberante deve-se comegar mais cedo ainda. Ja executei uni desbaste cm povoamento de 5 anos de idade que deveria ter sido feito uns dois anos antes. Tendo o euca- lipto crcscimento juvenil tao rapido, o atraso de urn. ou dois anos no desbate, tern agao prejudicial. Na idade juvenil, o silvicul- tor pode influir na formagao da copa das arvores para que todas sejam bem formadas. Nao se deve permitir a formagao de copas altas, esguias e fracas (cm forma de pincel), que balangam ao mais leve embate dos ventos e, desta maneira, fustigam e estor- vam as das arvores vizinhas. Em sftios muito agoitados pelos ventos essas copas defeituosas sao como verifiquei muitas vezes, a causa de quebras do fuste. As hastes, que observei nesses si- tios, de apenas 5 anos de idade, eram esguias e, devido a copa rala, delgadas demais, de maneira que constantcmente se tor- ciam, e balangavam, por faltar-lhes uma base solida. Tais defeitos nao se encontram, geralmente, nos fustes fortes providos de copas esgalhadas e bem conformadas. Arouivos do Scrvic.o Florestal 11 Surge agora o problema: quantas arvores devem ser cli- minadas nos diversos desbastes? Nenhum desbaste dove interfe- rir demasiadamente na eomposigao do povoamento, devendo-sc evitar clareiras ou brechas. O desbaste deve ser racional, elimi nando apenas o prejudicial as arvores de cscol. Devido ao rapido crescimento do eucalipto deve ser repetido com curtos intervalos. no maximo cm turnos de 3 anos. Nas minhas expcriencias constatei que, na maioria dos ca- sos, num povoamento de 5 anos de idade, ha 20% de falhas provenientes de morte ou supressao. No l.° desbaste elimina-se, entao, outros 20% das arvoers em pe. De turno cm turno esse algarismo fica mcnor, mas a massa de madeira se multiplica de- vido ao acrescimo acelerado. Da tabela que elaboramos se pode ver a quantidade de arvores que devem ser eliminadas nos des bastes subsequentes e da massa acrcscida. Subentende-se que os dados foram tornados cm solos de fertilidade mediana e p.i. sao medias. Se o crescimento for mais rapido devido ao solo me- llior, entao. os dados darao valores mais altos, e vice-versa. A tabela abrange tres cspccies de Eucalyptus a saber: a) E. saligna, uma das melhores; b) E. citridora, de crescimento regular; c) E. robusta, de crescimento. TABELA DAS ARVORES E DA CUBAGEM QUE PELO DESBASTE SAEM DE UM HECTARE Idade das N.'1 de drvores arvores E. saligna B. citriodora E, robusta 250 30 20 20 8 225 88 68 50 11 200 140 104 72 14 175 178 128 87 17 150 193 135 91 20 125 205 138 90 25 100 207 132 85 30 75 178 116 75 35 50 133 89 58 40 Iniclo da colheita do resto do povoamento 1957 W. Ilcrzog -. O Eucalipto 99 COLEITA DAS ARVORES ADULTAS QUE FORMAM O RESTO DO MACigO Este regime de explotagao baseia-sc na formagao de fustes adultos quo se pode deixar no macigo ate 40 e mais anos e nos desbaste seletivos que se repetem de 3 cm 3 anos (i.e. da idade de 20 anos em diante, de 5 em 5 anos. Estes desbastes trazem ao proprietario em turnos equidistantes grandes proveitos desde ienha no 1 .° desbaste, ate varas, posies e toras, alem das arvorcs no fim do ciclo que se pode collier no 25.°, 30.°, 40.° ou 45.° ano. A colheita ou derrubada das arvorcs adultas que ficam ate ao fim representa uma grande massa de madeira da melhor qua- lidade e um lucro bem alto. QUAL £ O REGIME OU CICLO MAIS ECONoMICO Esta pergunta nao e facil de responder. Todavia consul tando a tabela, ve-se que talvez um ciclo de 25 anos seja o mais vantajoso, porque, deste ano em diante, o acrescimo anual dimi- rue bastante. Se ,porem, num ciclo de 30 ou 40 anos o valor da madeira compensa o lento acrescimo nao se pode dizer no mo- mento por causa dos pregos flutu antes. Mas no momento azado, o proprietario pode clevar o ciclo alem dos 25, sc o prego da madeira nao lhe convier, no momento. As duas tabelas que seguem mostram o aumento gradativo das massas e a quantidade de madeira nos diversos periodos de desbaste. Foram elaboradas para um ciclo de 25 e 45 anos para Eucalyptus saliyna, E. citridora e E, robusta. 100 Arquivos do Servigo Florestal 11 TABELA QUE MOSTRA A EXPIjOTAQAO RACIONAL DO 1 3UCALIPTC EM C1CIX) DE 25 ANOS I'.M 1 RECTA lU Arvores E. sullgna E. citriodora PI. robusta Idade das macigo desbaste macigo dcsbastc macigo m3 m3 m3 m3 ma desbaste 5 250 30 220 20 200 20 8 613 88 525 68 385 50 11 1.067 140 793 104 559 72 14 1.351 178 967 128 662 87 17 1 .483 193 1.035 135 701 91 20 1.640 205 1.100 138 710 90 25 1,811 — 1.155 — 744 — macigo 1.811 — 1.155 — 744 dcsbastc 834 — 593 — 410 — TOTAL : 2.645 _ » 1.748 1.154 , - T ABEL A. QUE MOSTRA A EXPLOT AQAO RACIONAL DO EUCALIPTO EM CICLO DE 45 ANOS, EM 1 HECTARE Idade das Arvores m3 | E. Saligna E. Citriodora E. Robusta 1 ] macigo | rrV* ( desbaste m» macigo m3 desbaste m3 macigo m3 desbaste m3 5 1 250 30 220 20 i 200 20 8 613 88 525 68 i 885 50 11 1.067 140 793 104 559 72 14 1.351 178 967 128 i 662 87 17 1.483 193 1.033 135 701 91 20 | 1.640 | 205 1.100 138 i 720 91 25 ' 1.811 1 207 1.155 132 744 85 30 | 1.837 178 1 .201 116 775 75 35 | 1.855 133 i 1.246 89 805 58 40 j 1.885 | 725 'l 1.300 500 858 330 45 | 1.280 | 1.280 | 860 860 592 592 TOTAL ... 3.357 m« 2.290 m3 1.550 m« Examinando esta tabcla ve-sc que as arvores dc 40 anos de idade sofreram um dcsbastc mais rigoroso ou scja quase 38% do macigo. Podc-se considcrar cstc dcsbastc como preparagao 1957 W. Herzog-, O Eucalipto 101 para o corte final. Sua finalidadc 6, distribuir por dois cortes o ultimo contingente dc arvores (quo scria mais ou menos 2.000 m3). Alias, e melhor procedcr assim, porque a subitn oferta dc tantos m3 dc madeira poderia influenciar o mercado c baixar os pregos, como tambem c melhor por motivos biologicos nao desnudar dc uma vcz a area florestada expondo dc repente o solo aos raios solares que esterilizariam o solo matando a flora c a fauna. Alem disso, sc permitira maior acumulo dc substancias nutritivas postas durante 5 anos a disposigao das arvores dc 40 a nos. Comparando as cifras dcssas 3 especies dc eucalipto num ciclo dc 45 anos com aquele dc 25 anos, teremos o seguinte quadro. E. suliyna produziu era 25 anos nnia massa dc madeira cquivalente a 2 . 645 E. citriodorn produziu em 25 anos uma massa de madeira equivalente a 1.748 E. robnsta produziu em 25 anos uma massa de madeira equivalente a 1 . 154 A diferenga da madeira acrescida cm 20 anos, i.c. do 2° ao 45° ano, e a seguinte, a saber: E. snlifftiu 712 m11 E, citriodorn 542 mlf E. robnsta 396 m'' Dcsta comparagao resulta a conclusao de que o metodo mais economico c o ciclo dc 25 anos. Porem ponderando que aos 25 anos o fustc do E. saligna tem uma cubagem de 2 m3, ao passo que aos 45 anos tera 3,20 m3 c sendo assim a madeira da ultima classe dc anos, tlevidos aos dcsbastes seletivos consccutivos, de melhor qualidade, e bem possfvel que, apesar do calculo anterior, o valor do fustc dc 45 anos seja maior que o dc 25 anos. As curvas dc crescimento mostram claramente que o cres cimcnto medio DAP c a cubagem nao atingiram o climax, pois, todas as curvas das csscncias por mini examinadas mostram, ainda com 45 anos uma forte tendcncia ascendente, que nas, cs pecics dc crescimento lento (como cm E. robusta), e ainda mais ingremc do que nas mais precoces (E. saligna). Dados e utiliza I ,SciELO D 11 12 13 14 15 16 102 Ar if ui nos do Semico Floreslul 11 gao tecnica dessa madeira de alta qualidadc e urn prego alto c firme, exige a possibilidade dc criar sob boas condigocs fustes para serra c (raves. Intercssantc e ainda o fato que as curvas as- censionais dos cucaliptos ate hoje por mini estudadas terminam apos lima curva ingreme durante 15 anos, com um declfnio aos 20 anos e, depois dos 25 anos, quase numa horizontal. O acrescimo anual e, na media, o seguinte, para as 3 esp.;- cies de Eucalipto com ciclos de 25 e 45 anos: Ciclo E. Maligna E. cltriodora E. robusta 25 106 m'i 70 m'i 46 mi 45 74 mi 51 mi 34 mi d) Comparaguo dos dais regimes de mime jo florestal A diferenga entre os dois regimes esta principalmente, na sua finalidade. No regime de turno curto que tormina com o 3.° corte raso aos 17 ou 20 anos, a finalidade esta na obtengao de quase so lenha, no mais curto prazo do tempo, ao passo que no regime de turno mais longo se tem cm vista a produgao dc ma- deira de todas as classes, ao mesmo tempo que grande quantidade de lenha a indiistria. No segundo regime, a mesma quantidade de lenha se obtem polos desbastes sucessivos e, apos 17 anos, possuc, alem disso, um macigo que dia a dia cresce, cm valor a massa de madeira. Isto ve-sc claramente da tabela seguinte: Idade ProduQdo Ecplota-qdo rnciotial cum tlesb'tstcs tie lenha E. saligna I' j. citriodora E. robusta m‘* mi nv* m'* 5 30 20 20 7 300 8 88 68 50 11 140 104 72 12 150 14 178 128 87 17 100 193 135 91 550 629 455 320 restunte do ma- CiQO 550 1.290 900 610 Produg&o Total : 550 1.919 1 . 355 930 1957 W. Hcrzoq : O Eucalipto Aleni das grandcs vantagcns de ordem biologica as economi- cas torn tanta importancia nao so para o proprictario particular conio para a cconomia nacional quo, no futuro, o unieo regime a ser seguido no pais, sera o de prazo longo, por ser mais raciona! e mais util. Ill — ALTERACAO do manejo florestal com REGIME DE CORTE RASO SEM INTERROMI’ER A FRODU^AO DE LENHA Surge agora a pergunta, como sc pode transformar o regime de talhadia em regime de alto fuste, principalmente quando o proprictario precisa contar com certo montante de lenha para o futuro proximo, como p. ex. nas Usinas Siderurgicas? Como se pode transformar o turno curto em turno longo com explotagao racional, sem ter falta de lenha que nao deve faltar num so dia sem causar uma pausa no andamento da industria? £ possivel, porem e necessario transpor a dificuldade aos poucos, eseolhendo um dos caminhos que iremos expor. Na tabela seguinte mostr.i- remos o caminho, e a maneira como se pode manejar um Euca liptal destinado ao corte raso, transformando-o em parte no de prazo longo. 104 Arquivos do Serviqo Flores Lai 11 Cortc raso doabaatca 600 Ha 1.000 Ha. 400 Ha. 1 1 7 anos 1 15 anos 180.000 m.'» 1 8.000 ma i 1 3 anos 300 Ha 300 Ha. | 1 J5 anos |5 anos 1 32.000 m3 45.000 m3 4 . 000 rn’i 44.000 m3 |5 anos 13 anos 1 3 anos 30.000 m3 1 15.000 m3 1 60.000 m3 3 anos 3 anos 21.000 m3 1 68.000 m3 + t- 210.000 m3 412.000 m3 (resto) ( resto ) Corte raso 255.000 m3 Rcota uma Area de 700 ha. dc 622.000 m3 Dcsbastcs 252.000 m3 507.000 m3 ProduQfio total: 1.129.000 m3 1957 W. Herzog \ 0 Eucalipto 105 A produgao do cxemplo anterior do 1 .000 ha pode-se ver na seguinte sumula. Idado corte raso dcsbastes total rrv'i das irvores m3 m.3 5 8.000 8.000 7 180.000 180.000 n u 32.000 32 . 000 ll 41.000 44 . 000 12 45 . 000 4.000 49.000 14 60 . 000 60.000 15 15.000 15.000 17 30.000 68 . 000 98.000 18 21.000 21.000 TOTAL: 255.000 252.000 507.000 Neste exemplo a produgao do euealiptal manejada cm prazo longo, no mesmo periodo, e 10% mais baixa do que sc fosse ma- nejada em corte raso em 3 colheitas. Mas enquanto neste euealiptal derrubado por corte raso a produgao de lenha tern chc- gado ao fim, no outro prazo longo se conserva um macigo residual de 700 hectares que representa a bela quantidade de 622 mil m3. que pode ser vendida a bom prego a qualquer tempo. Do macigo de mil hectares foi manejado a prazo curto (corte raso) somente uma parcela de 300 hectares, enquanto outra de 300 hectares foi convertida em macigo de explotagao cm corte racional depois do 1 ,° corte raso, IV — PRODUCAO l)E LENHA SEM CORTE RASO Nas linhas que segem, quero mostrar mini cxemplo, de que maneira ainda se pode conseguir lenha de eucalipto em grande quantidade e no tempo mais curto, sem a derrubada total ou corte raso. Mas este metodo novo nao se deixa introduzir em todas as circunstancias e todos os terrenos, porque exige condigoes espe- ciais. 106 Arquivos do Serviqo Florestal 11 So sc podc fazcr pclo menos, com uma das condigocs sc guintcs: I . Boas condicdcs climaticas c cdaficas. 2 . Especics dc riipido crcscimcnto. 3. Povoamentos mistos dc, ao mesmo tempo, especics dc rapido c moroso crcscimcnto, hem distribufdas. 4. Dcsbastc atrasado num povoamento antigo, cuja maior parte c dominantc. 5 . Povoamentos destinados ao fornecimento dc lenha c pasta quimica (cclulosc). Os povoamentos que podeni ser cxplotados por esses meto- dos que prcconizo, tem crcscimcnto c aspccto extraordinariamentc diferentes, apesar dc terem as condigoes basicas dc boa qualidadc. Formaram-sc nclcs, dois tipos dc arvores urn dc dominantes, com copas largas c troncos que ja cm 5-7 anos atingiram fustes grosses, c outro tipo, dc dominados on supressos, com troncos fracos sub- desen volvidos c copas estreitas, pequenas, ocupando so a extremi- dadc da haste. Essas copas do ultimo tipo penetram o espago das do primeiro, impedindo a sua ulterior expansao. A proporgao en tre eles se podc fixar cm 1:5. Este metodo dc manejo florestal distinguc-sc dc um dcsbastc normal — que cscrcvi na tese anterior — pelo seguinte: no prt meiro dcsbastc, nao sc elimina tao somente 250 arvores mas 1 .000 dc uma vcz„ num povoamento calculado cm 2.000, com a idade dc 5 anos. Este dcsbastc radical visa cortar as arvores fracas que, com suas copas prejudicam c estorvam as dominantes. No segundo desbaste, quando as arvores tiverem 8 anos dc idade, partindo do mesmo prinefpio, climinam-sc mais outras 300 arvores fracas. No tcrceiro dcsbastc, cortam-se no 1 l.° ano mais 200 arvores c, no quarto dcsbastc i.c. no 14.° ano, mais 100 arvores, dc maneira que permanecem no povoamento apenas 400 arvores, como acori- tece no manejo normal, dc que falci na l.a tcsc. Com 17 anos foi atingida ja a fasc final, que no metodo anterior so sc conseguc cm SciELO'o ^ 14 15 1957 W. Herzog : O Eucalipto 107 25, 30 ou mais anos. O diametro medio dos I'ustes sera igual ao da- queles de 25 anos. £ste metodo que dcsignamos coni o nomc de “desbaste I'ortc” tern 2 finalidadcs: I . Produgao de lenha cm grandes massas no tempo mais curto. 2. Produgao de inadeira madura e valiosa para serraria. no tempo mais curto. As tabelas de acrescimo que tern como base o “desbaste iorte" mostram os resultados que se pode esperar do novo metodo. Tubcla dc crcscimcnto Clastic de creschncnto I: Unidude : 1 Hi TABBLA A Ida do anos » Altura m 1 • 1 Quantidades existentes Desbastes a fazer ProduQtio total ms pds j m3 p6s m3 5 | 18 2.000 | 300 1.000 150 300 8 23 1.000 564 300 168 714 11 28,5 700 j 778 200 222 1.096 14 32,5 500 1 812 100 162 1 . 352 17 34,5 400 I 787 — — 1.489 TABELA B Idade anos 1 1 1 Diamelio (altura Area basal m3 Acrdscimo anual corrente Acrdscl- mo annul 1 m i do peito) cm m3 % mtfdla m3 5 1 1 18 14 32,00 60 300 60 8 | 23 25 49,00 138 138 89 11 ! 28,5 31,5 54,60 127 53 100 14 32,5 35,5 50,00 85 23 96 17 34,5 | 38 ; 45,60 46 10 87 108 Arquivos do Scrviqo Florestal 11 Comparando estes algarismos com os da tabela dc cres- cimento epic estabelcci para um povoamento dc dcsbaste normal c um turno dc 45 anos, vc-sc que o rendimento total do “des- bastc forte” c bastante mcnor, pois, perfaz apenas 73% da do dcsbaste normal. 13a mesma forma, o povoamento dc 17 anos dc idadc tem so 50% da massa da do dcsbaste normal. O ren- dimento total do povoamento dc 17 anos c dc 700 m3 c, por tanto, 158% do dcsbaste normal. Estas grandcs diferengas no rendimento sao fenomcnos conhccidos que sc notam cm todos os “desbastes fortes” c sao devidos a diminuigao ultra-normal, das arvores jovens. As desvantagens do dcsbaste forte sao com- pensados pela grande massa dc varas c lenha no mais curto prazo possfvel c dc toras valiosas que ja cm poucos anos sc obtem e podem vender a bam prego. Ha tambem economia dc 1/3 dc tempo, pois, cconomizam-se 8 anos para produzir toras da mesma grossura, que cm condigoes normais. Comparando, porem, as massas dc lenha produzidas no turno dc 17 anos com que as que se obtem pclo corte raso, pode- mos verificar que a proporgao c de 700:550, quero dizer, quo com o dcsbaste forte entra cm massa de. . . 700 m3 ou 27% mais que com o dcsbaste regular, que da apenas 550 m3. O interessc da industria que depende dc grandcs massas dc lenha e atrafdo pela pcrspcctiva dc collier a maior massa possfvel dc lenha no tempo mais curto. O metodo ou regime dc cortc raso correspondeu ate agora a esses desejos razoaveis da industria, pois, os desbastes consecuti- vos do cucaliptal depois dc 7,12 c 17 anos deram grandcs massas dc lenha, especialmente, no I ,° cortc. Mas, no metodo do “dcsbaste forte” sc consegue o mesmo rcsultado, sem cstragar o solo, como sc vc da tabela seguinte: 1957 W. Ilerzog : O Eucalipto 109 Tabcla Idade anos Lcnha desbaste forte m3 Corte raso proporeflo 5 150 n 318 : 300 7 300 222 : 150 8 168 — 162 : 100 11 222 — 12 150 14 162 — 17 100 1 702 550 Os algarismos com os dados calculados nas diversas etapas pelo “desbaste forte” serao, na pratica, ultrapassados de maneira que este metodo trara beneffcio nao so a silvicultura brasileira, mas tambem a economia do pais. IV — RENTAI3ILIDADE Para conseguir mais alta rentabilidade ou lucro deveni-se aproveitar todas as condigoes que as circunstancias oferecem. Deve comegar ja com a escollia das essencias apropriadas. Este ponto e o mais decisivo para o futuro. Apesar das experiencias valiosas de Navarro de Andrade e outros autores ha, neste ponto. ainda muito que fazer. Tambem o proprietario que nao e tecnico deve estar habilitado de saber escolher as essencias que podem crescer na propriedade. As diversas especies de Eucalipto reagem rapidamcnte com a menor variagao na composigao edafica e in- fluent sobre o scu crcscimento. Conhego varios exemplos que ilustram esta particularidade, quando num povoamento da mesma cspecie e no solo (como parecia) da mesnia composigao, um trecho mostrou uma radical diminuigao do crcscimento. O I ■SciELO D 11 12 13 14 15 16 110 Arquivos do Servigo Flores tal 11 proprictario nao tinha notado, ao plantar, quo o solo era dife- rente, mas ja 5 anos inais tarde cm duas terras partes do povoa niento apareceu um deficit enormc no crescimento. A essencia escolhida era E. citrodora. Examinando o caso cheguei a conclu- sao que teria sido melhor plantar ncsse solo pobre e raso uma ou- tra espeeie com sistema radicular superficial e mais extenso, coino o E. botryoides. £ justamente o conhecimento do solo da pro- priedade, da essencia e scu comportamento, da estrutura, volume, unidade e composigao qufmica do solo, o fundamento para uma cultura boa e rendosa de eucalipto. O conhecimento do sistema radicular das diversas especies tem papel importantc, e necessa- rio saber quais as especies dc raizes pivotantes, rasas c superfi- ciais. Numa viagem ao Estado da Paraiba cncontrei a beira de um riacho alguns pcs de E. citriodora, de uns 20 anos de idade. Alguns mostraram belo dcsenvolvimento, e pouco distantc outros dc aspecto enfesado com mal 8 m dc altura. Dcrrubados estes c escavadas as raizes foi encontrada a uns 20 cm dc profundidade uma camada dc argila impermeavel. As raizes pivotantes do E. citrodora nao tinham forga para perfurar a camada e curva- ram-se cm angulo de 1 80° com engrossamento, dc maneira que nao havia possibilidade da planta sc desenvolvcr. Nas regibes montanhosas pode-se observar o mesmo, nos lugarcs, onde o solo c pouco profundo on pedregoso. Nesses lugares, as especies dc raizes extensas e rasas darao, ao meu ver, melhores resultados. Nao e suficiente saber que csla ou aquela espeeie pode medrar cm solos frescos on secos. £ in dispensavel saber qual o sen crescimento cm altura, scu acrescimo c a massa dc madeira que produz num dado solo com suas carac teristicas de profundidade, umidadc c outras particularidades, nao esquecendo os fatores climaticos. Nao o I'ato ou possibilidade dc uma espeeie sc adaptar, mas o valor economico c que decide, qual a espeeie dc eucalipto a plantar. Outrossim, a consociabilidade dc certos cucaliptos c para o proprictario dc grande valor. Em solos tendentes a impermeabi ! idade pode-se tentar uma consociagiio da espeeie com raiz pivo 1 957 W. Herzog : O Eucalipto 111 tante. com outra dc rai'/.es rasas, para melhor aprovcitar as ca- madas do solo. Da mesma forma, e possivel aprovcitar o espago pela consociagao de especies de copa difercntc, cm solos medios. Copas csgalhadas entremeiadas de copas piramidais (E. citrodora c botryoides) talve/. se compensem mutuamente. Experiencias neste sentido serao executados pela Secgao de Pesquisas do Ser vigo Florestal. Pode-se apressar a decomposigao de folhagem cafda de folhas dificilmente apodrecfveis (como e o caso no E. botryoides) , restituindo-se assim. mais depressa os sais fixados pelas folhas. Muitos ignorando os nomes cientfficos (na falta de nomes vulgares) confundem as esseneias florestais. Devido as grandes difcrengas das esseneias a nomenclatura e importante. Em desig- nando os eucaliptos, so se deveria manobrar com os nomes es- pecificos sem mencionar o genero Eucalyptus. E sufieiente que o tecnico saiba que se trata do genero do Eucalyptus e nao de outro. Nao podera, entao, acontecer mais no futuro que proprietaries tendo ouvido falar dos bons resultados obtidos com plantagao da especie tal ou qual resolva plantar tambem “eucalipto”, sem cuidar das especies que sao convenientes as suas terras. Outra possibilidade para aumentar a rentabilidade dos Eucalyptus cm solos fracos consiste no plantio de subosque de outras esseneias em povoamentos de 5 a 8 anos, apos o I.° ou 2.° desbaste. As arvores que formam o subosque devem ser tolerantes, c folhudas para fornecer ao solo grandes massas de folhas que prontamente se decompoem e para fazer sombra ao solo. As le- guminosas tern essas propriedades e o sabia e Clitoria racemosa perecem-me desempenhar essa fungao. Pelo sombreamento do solo e a massa de folhagem que se transforma em humus, nao sdmente se fomenta a vida bacteriana e aumenta o aeumulo de sais nutritivos, mas tambem as condigbes fisicas e, especialmente. a humidade do solo melhora em pouco tempo. A consequencia deste enriquecimento e maior humidade do solo sera um maior rendimento das especies de eucalipto. No 112 Arquivos do Servigo Florestal 11 Poligono das sccas, especialmente, o plant io do eucalipto sera scgundo as minims observances, rendoso com a intcrplantugao de essencia tolerantes. VI — MEDIDAS I’ARA 1NCREMENTAR O ACRESCIMO E O VALOR DAS DIVERSAS ESPECIES M EDI ANTE A SELECAO A base da silvicultura racional e o tratamento dos povoa nientos, cuja parte principal e o dcsbaste regulamentc repetido. E um dos meios mais importantes para criar um povoamento (nao importa de que naturcza) e obriga-lo a produzir o maximo cm massa lenhosa c valor. E principalmente na cultura do eucalipto que os desbastes tern suma importancia, porque esta essencia sc distingue pelo seu crescimento rapidissimo c pcla produgao de enorme massa de madeira, quando plantada em solo apropriado e condigoes favoraveis. As experiences mostraram que a produ- gao pode ser estimulada pelo desbaste, como consta das tabelas de rendimento que elaborci, mas tambem se consegue madeira de mclhor qualidade, de maneira que o valor e as entradas, na ocasiao da venda do produto, sao acrescidas enormemente. Um eucaliptal destinado a produzir lenha, submetido a eorte raso com tres derrubadas num turno de 20 anos da um rendimento anual de Cr$ 3 . 000,00 a 4 . 000,00 ao passo que o mesmo povoamento desbastado regularmente da no mesmo periodo de 20 anos Cr$ 15.000,00 a 20.000,00 anualmente (por hectare). O desbaste nao tern por fim eliminar tao sdmente as arvores mas e imprestaveis, reduzir o numero dos individuos e desafogar a coberta, mas incrementar cm l.° lugar o desenvolvimento das arvores boas e prometedoras. O caracteristico de uma arvorc nestas condigoes sao um belo fustc c uma copa bem formada e folhuda. No desbaste devem eliminar-se portanto aqueles indivi- duos que impedem ou prejudicam as eopas das arvores boas. Sendo mais faeil intervir na formagao da copa nos povoamentos 1957 W. lla ;:.<) % 1 m3 «s 18 i 14 1 32,00 1 60 1 300 60 8 23 20 54,25 117 | lis 82 11 28,5 25 74,73 176 81 107 14 32,5 28 87.45 | 165 42 120 17 34,5 31 92,00 118 j 21 120 20 36 34 93.00 98 14 116 25 36 37,5 | 97.43 | 57 12 | 104 30 36,5 j 40,5 100,75 57 11 96 35 36,5 44 106.40 | 57 io j 91 40 37 46 107,90 39 6 84 45 37 1 47 1 69,20 10 | 2 i 1 76 TABULA A. Clastic dr crcschiiciito: II. 1 2 1 1 1 ! 4 1 5 | i 1 Quantldadcs exlslentes | Desbasles a fazor 1 Produg&o Idadc AlUira i 1 total anos m 1 cm p<5s 1 1 ECU tuo 1 ! pda i 1 m» ! 5 17 2.000 275 i 250 25 275 « 22 1.750 578 225 | 78 603 11 27 | 1.525 932 200 122 1.035 14 30 | 1.325 1.193 175 | 158 ’1.418 17 32 1 . 150 1.327 150 172 1.710 20 33 1.000 1.388 125 173 1.943 25 33 875 1.451 100 166 2.179 30 33.5 775 1.519 i 75 147 2.413 35 34 700 1.595 l 50 114 2.636 40 34 650 1.680 i 250 | 640 2 . 835 45 34,5 400 1 1.070 ! i 400 ! 1.070 2.865 1 TABULA B Classc dc crcsdmcnto: II 8 1 9 10 11 i 1 ; i Aerdscimo anual 1 Acrdscimo Altura 1 Diametrn Area corrente anual Idade ( Altura basal total em anos m ' do peito ) m- 1 I mfidia cm 1 i m«* % m:1 I 5 17 14 32.00 1 55 275 I 55 8 22 20 52,50 109 | 120 75 11 27 24 68,72 144 71 94 14 30 28 79.50 127 37 101 17 32 31,5 82,90 97 | 21 100 20 33 33,5 85.40 78 j 12 97 25 33 36 87,50 47 12 87 30 33,5 38.5 90,70 47 11 SO 35 34 41 93,00 45 j 9 75 40 34 43,5 98,80 40 7 71 45 34.5 45 ! 62.00 6 l_ 1 64 j cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 TAHKUV. A Clas< sc. th crcscimcnto: III 1 2 3 1 1 4 1 5 [ Quantldude cxlstcntc Dcsbastes a fazer Idade Altura 1 . 1 \ Produc&o anos m | total cm p<5s i i cm nv'i p<5s 1 ml 55 1C> j 2 , 000 250 250 i 20 250 8 21 ' 1 . 750 533 225 68 | 553 11 25 1.525 800 200 104 | 888 14 27,5 | 1.325 965 175 128 1 . 157 17 20 1 . 150 1.067 150 139 1.387 20 29 1.000 1.102 125 138 1.561 25 30 875 1.155 100 132 1.752 :so 30,5 775 1.205 75 116 | 1.934 35 30,5 700 1 . 249 50 89 2.094 40 31 650 1 . 300 250 500 1 2.234 45 31 400 | | 860 400 860 | i 2.294 TABELA B Classe df cresclmento: III. 1 | 8 1 9 1 10 11 1 1 Diimetro Area 1 Acrdscimo Acrfiseimo Idade Altura (Altura basal anual anos j m j do peito) m-i total em cm anual corrente m6dia I l i j m'i 1 1 m:i 1 1 5 i 16 i 14 32,00 50 250 50 8 i 21 19 50,75 104 121 69 ii 25 23 64,05 112 58 81 14 27,5 26 70.22 90 30 82 17 l 29 28,5 73,60 77 19 82 20 29 31 76,00 58 12 78 25 j 30 33,5 77,00 38 12 70 30 30,5 36 79,05 36 10 64 35 30,5 38.5 81.90 32 1 8 60 40 31 40,5 83,85 28 7 58 45 1 31 1 42 1 55,60 1 12 3 51 » TABELA A . Clause dc crcsclmonto: IV. 1 2 1 1 1 3 I - 4 1 5 1 \ 1 Qtiantidade existente Desbastes a fazer Idade Altura i Produqfi.0 anos m | | | total era pda em m'i p6s m-’i m3 1 5 15 2.000 i 220 1 250 20 i 220 8 19 1.750 480 225 50 500 11 23 1.525 670 200 88 740 14 26 1 . 325 800 175 105 958 17 27 1.150 900 150 117 1 . 163 20 28 1.000 945 125 119 1.325 25 28.5 875 995 100 113 1.494 30 28.5 775 1 . 005 75 97 1.617 35 29 700 1.035 50 75 1.744 40 29 050 1.080 250 420 1.864 45 29,5 400 725 400 725 1.929 TABKIjA B Clause dr crcscivwnto : IV. I.u Acrdscimo Acrdscimo Di&metro i Area anual Idade Altura ( Altura basal total em anos m de peitoi m2 mddla cm m-'t % m3 5 14 14 32,00 44 220 44 8 19 19 50,50 93 127 62 11 23 22 58,30 80 48 67 14 26 25 61,50 73 30 68 17 27 27 66,60 68 21 68 20 28 29 67,50 54 14 66 25 28.5 32 69,80 34 12 60 30 28.5 34 70,50 25 « 54 35 29 30 72,70 25 8 50 40 29 38 75,20 24 7 46 45 29,5 1 40 49,20 2 44 cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 TABKLA A Clas/ic dr crcnclmrnto : V. 2 1 3 1 1 4 • 5 Idftdc an os Altura m 1 Quuntidndc 1 exlstente Desbastes a fazer I 1 ProducOo total m.» 1 1 cm p6s 1 1 cm nv'i pds ms 5 12 i 2 . 000 1 200 1 250 20 1 200 8 17 j 1.750 387 225 50 j 407 11 20 1.525 549 200 72 619 14 22 | 1 . 325 | 656 175 87 j 798 17 24 | 1.150 731 150 96 j 960 20 24.5 j 1 . 000 747 125 93 1.072 25 22,5 875 760 | 100 88 1.187 30 25 775 788 75 75 1.294 35 25,5 700 816 50 58 1.397 40 26 650 | 858 j 250 330 1.497 45 26 400 ; 592 400 592 1.561 TABKLA B Clause dr crescimmto: V. 8 9 10 ■ 11 Di&metro Acrdscimo anual Acr6scimo Idade Altura ( Altura j Area corronte anual de neito ) basal | total em anos m cm m- m6dia • i I mr. % m:> 5 12 ■ i 14 32,00 40 1 200 40 8 17 18 45.50 69 103 51 11 20 21 54.90 71 52 56 14 22 24 59,60 60 29 57 17 24 26 60.90 54 20 56 20 24,5 27,5 1 61,00 37 12 54 25 25 30 61,50 23 11 47 30 25 32 63,00 21 9 1 43 35 25,5 34 64,00 21 8 1 40 40 26 36 66,00 1 20 7 1 37 45 26 38 45,60 12 4 I 34 ECONOMIA FLORESTAL, NA FAZENDA PACIENCIA (MATIAS BARBOSA, M. G.) WOLFGANG HERSOG (*) Engenheiro Florestal I — CONSIDER ACOES GERAIS: Sao otimas as condigoes para se fazer uma cconomia flo- restal racional na Fazenda Paciencia dadas suas cxcclentes con- digoes de situagao c comunicagoes. Situada somentc a 2 km de Matias Barbosa (Rodovia Rio-Belo Horizonte), possui uma boa cstrada, inclusive para caminhoes, sem subidas excessivas. Isto facilita muito o transporte e favorece sempre a venda da ma- deira. Deve-se, tambem, considerar como favoravel sua localiza- gao no meio de uma ampla regiao desmatada em que falta lenha c madeira. A procura de madeira de qualquer especie c grande, por isso as possibilidades de vendas sao otimas. As condigoes climaticas sao adequadas. As quantidades de chuva entre os anos de 1949 c 1955 oscilaram entrc 1460 e 929 mm. por ano; media de 1 136 mm. A epoca chuvosa comega em outubro/novembro e termina normalmente em abril. A maioi parte das areas a rcflorestar e situada em trechos inclinados c montanhosos, embora ai os solos sejam batidos pelos ventos que podem seca-los muito depressa. £ste fato e muito importantc e todos os reflorestamentos devem ser iniciados no comego da epoca das chuvas. As pequcnas mudas precisam suficiente umi- (*) Ex-chofc do SefvK'o Florestal na Alomanha. Contratado polo Mi- nist(5rio da Agricultura, trabalhando na Scijfto de Pesquisas do Sei-viqo Florestal deste Ministdrio. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 134 Arquivos do Serviqo Florestal 11 dadc no periodo do crcscimcnto, o quo cvitura grandes falhas nas plantagdes. As temperaturas medias oscilam entrc 15 graus no invcrno o 30 graus no verao, podendo alcangar 35 graus. Os solos dispom'veis para a economia florestal sao muito diferentes. Na sua maior parte, sao bem constituidos, predomi- nando os argilosos. Na fazenda ha solos muito profundos ao lado dos outros com uma camada de terra muito pequena, e onde sc pode vcr a rocha. Alguns dos solos profundos, tem tendencia para format* uma camada muito dura ii pequena profundidade, o que nao fa- vorece o crcscimcnto das raizes c impede uma exploragao per fcita. Porisso, e necessario fazer experiences c exames exatos dos solos, nas diferentes areas. Para bons resultados, somente deve- mos selecionar c determinar as especies florestais mais eco- nomicas. A finalidade da economia florestal aplicada na Fazenda Paciencia, e a seguinte: a) Protegao dos solos e regularizagdo do regime das dguas : Este problcma tem muita importance. Nas regiocs vizi- nhas, pode-sc observar as consequencias terriveis do desmata mento total: diminuigao da produtividade dos solos, grandes erosoes, terras secas c pastos pobres sem rendimento. O desapa- rccimento das fontes e a mudan$a do nivel da agua subterranea c tambem uma dessas consequencias. Por esses motivos. torna-se necessaria, a formagao de uma grande floresta. bem situada, de inodo a amparar a agricultura, protegendo-a e impedindo todos os graves prejui'zos ja existentes na vizinhanga. Essa floresta, mesmo tendo uma area menor, pode influeneiar o clima geral e favorccer o microclima das areas vizinhas, pela transpiragao da agua c pelo equilibrio das flutuagoes das temperaturas. Os solos ficam melhores e mais frescos, criando-se tambem grandes rescr vas naturais dagua para garantir a provisao da fazenda. b) Fonte importante de lucros : — O valor das florestas como protetoras e imenso, porem para os proprietaries parti 1957 W. Herzog: Economia Florcstal, na Faz. Paciencia 135 allures, o objetivo muis importunle e o de auferir lucros. As flo- restas devem ser uma fonte dc lucros altos c constants. A fina- lidade de uma economia florestal racional, e aumentar as colhei- tas anuais e de modo que os seus valores sejam tao altos quanto possi'veis, pelos melhores e mais econdmicos metodos de explo- tagao. Deve-se notar que o capital da economia florestal e o solo e que a sua forga de produgao e o crescimento da madeira repre sentam os juros. Portanto, o fim da economia florestal e formar juros mais altos com garantia absoluta do capital. Quando a base (solo) for fraca, devemos melhora-la, quando a produtividade do solo for pequena, devemos aumcnta-la. Em consequencia das melhores condigoes climaticas e do rapido crescimento de muitas especies, temos possibilidade de conseguir resultados economieos altos, cm prazo curto. Ao eon- t rario da Europa, que possui sdmente poucas cspeeies economi- cas, o Brasil apresenta uma riqueza enorme de especies florestais, do mais alto valor. Os eucaliptos, importados da Australia mas Jioje ja aclimatados estao cm posigao de rcalce. O crescimento mais rapido nos primeiros anos e a possibilidade de renovar-se apos um corte, com 7 anos, constitui o motivo porque se plantain amplas areas nos Estados de Sao Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Na Fazenda Paciencia, formaram-se bosques com diver- sas especies de eucaliptos. Mostram eles crescimentos muito diver- sos, cm consequencia das condigoes do solo e da posigao geogra- fica. A economia florestal, nao pode contar com apenas uma es- pecie. Qualquer monocultura apresenta em potencial o perigo de grandes prejuizos. Na Europa conhecemos muitos exemplos (p. ex. os reflorestamentos de zonas com Picea excelsa e Pinus sil vestris). Podem-se constatar prejuizos cnormes por pragas e do- engas. A produgao de madeira deve distribuir-sc entre diversas especies florestais, preferindo-se as de mais rapido crescimento c maior valor economico. Nas florestas nativas existentes, sob as mesmas condigoes, conhecemos especies de grande valor e de rapido crescimento. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 136 Arquivos do Servigo Florcstal 11 Com a idade dc 10 a 25 anos e quo sc devem cncarar os reflores- tamntos dc futuro. c) Transf orinasal) das areas md-produtivas A area florcstal pode scr aumentada pela anexagao dc al- gumas areas ondc a agricultura e anti-economica c pclas mas pastagens cujo rendimento seja pequeno ou pclas areas mal si- tuadas (a distancia enormes, ou com inclinagao pronunciada). Por cstas razoes, na Fazenda foi possivel aumentar a area Hores- tal para uma explotagao mais racional. No futuro, serao tambem transformadas algumas areas de florestas nativas, com mau crescimento e com clareiras para sc planificar um reflorestamento, com especies apropriadas para estes lugarcs. II — DIVISAO DAS FLORESTAS Para executar a economia florcstal racional foi necessario proceder a divisao das areas florestadas cm Distritos e Segoes. Os limites sao os existentes, como ruas, caminhos, vales, etc. A divisao dos Distritos foi feita, dentro da mesma especie, pela diferenga dc idades ou mesmo pela maneira de explotagao. Os Distritos foram marcados com os numeros: 1, 2, 3 etc. e as Segoes, com as lctras: a,b,c, etc. O mapa anexo, fixa a atual situagao da economia racional. A base para o mapa foi obtida com aerofotografia tirada no ano de 1952. A exatidao do mapa e suficiente para a futura economia florestal. Todas as modificagoes, no ciclo da explotagao, serao mar- cadas na copia do mapa que abrange somente um Distrito. Tam- bem serao marcadas todas as alteragoes tais como: cortes rasos, pequenos reflorestamentos etc. £ Bla-s H 9 £ » t-1 <3 a o £ HWS S DtftS 3 3|« < K « 3 T!- p •< •«! „ >y a a U H £> Lp w -n SciELO cm 138 Arquivos do Scrviqo Florestal 11 Para cxccutar os pianos cconomicos, a area florestal total foi dividida cm 3 blocos, com planifica$ao de cconomia dife- rentc: a) areas para reflorcstar; b) areas com cucaliptos; c) areas com florcstas nativas. Os pianos, para a cconomia florestal da fazenda, sao baseados cm rota?ao de 10 anos. Com a eonclusao dos reflo- restamentos planificados as areas do item a desapareeem. De pois disto, entao, so rcstam as explotagoes economicas das areas b e c. 2 3 4 5 6 11 12 13 14 15 16 ! Ill — TABELA DA DIVISAO DAS AREAS Distrito SoqAo 1 ! Taman ho 1 i ( Total 1 1 a i • ! b 1 c ! da Seqfto 1 ha i 1 • | 1 1 1 I 1 ' 1 1 1 1 36,39 | 36,39 1 2 1 1 14,51 j j 14,51 | 3 a 7,06 I 1 7,06 • 1 b i 13,74 1 30,19 1 13,74 1 • 1 c i 9,39 1 9,39 | 4 a 1 ,00 1 | | 8,00 ! ■ 1 ! b ! 20,18 i 1 28,18 1 i 1 • 1 20,18 5 1 1 — 1 29,08 29,08 I • 1 6 a 1 10,68 I 10,68 1 • 1 b i 49,51 1 1 I • ! 49,51 c 2,98 j i 70,92 ! 2,98 -1 1 7,75 1 ! 1 7,75 7 1 5,34 1 i | 5,34 | b ! 9,11 1 i | c | 5,89 1 25,44 i 5,89 j d 1 5,10 | ! 5,10 | 8 a | 3,60 1 1 3,60 ! • 1 b i 1 2,23 1 i I 2.23 | c 1 7,05 | 15,83 I I • 1 7,05 d 2,95 1 1 2,95 l • 1 9 — 1 11,14 1 11,14 1 • 1 10 ft i i 13,50 1 1 1 • 1 13,50 b 1 8,00 1 28,88 1 15,38 1 • 1 11 a I 15,38 1 i | 8,00 b 21,49 1 45,96 i 1 j 21,49 c 1 16,47 1 45,96 1 | 16,47 | 12 I — 1 50,00 1 1 • 1 50,00 13 1 — | 28,85 1 28,85 ! • 1 14 1 — 1 17,82 ! 17,82 ! • 1 1 1 — 1 • 1 . ! 1 1 433,19 I 159,03 | 133,92 1 • 1 140,24 RESUMO a) Area do ref lorest rur .onto ... 159,03 ha b) Areas do eucniiplos 133,92 ha c) florestas nr.tivan 140,24 ha Area total 433,10 ha « 140 Arquivos do Scrviqo Florestal 11 IV — CONDIQOES E MEDIDAS PLANIFICADAS Distrito 1 Area : 36,39 Ha. Area alongnda tic NK a SW, Incllnada para S, com trcchos Ingremes; cm baixo mala plana; alguns liarrancos. Solo varldvel, profundo c partes argllosas, particularmente no NK, SW c nas partes mais baixns, rdpidamente se modifica cm trcchos rasos e sdcos. Florestado com diversas espdcles tie eucaliptos eomo, Eucalyptus bolroyoi- dcs (pliintado cm 1952-53 e 1953-5'!), E. tercticomis (1952-53), E. paniculate (1952-53 c E. maculate (1952-53). O crcscimcnto tlas especies 6 muito diverso. inflncneiado cm parte, polos solos varidveis. O E. botryoidcs apresenta um me- lhor crcscimcnto. A razdo disso, parcce-nie, se clevc ao fato dessa espdeie ter um sistema de raizes amplas e superficiais. Pcla sua forma piramidal c a grande massa de folhagem, esta espdeie potle cobrir os solos fdcilmente, som- breando muito depressa. Suas fdlhas luimificam-sc com facilidade, enrlquecendo o solo rdpidamente com uma camatla muito rica. A drea total florcstada 6 tic 190%. Medidas planificadas ; Compreendendo o bloco III tlo desbaste. Depois do primeiro desbaste, planta-se uma segunda vez, com especies para sombrear c enriquecer as partes secas c as de man crescimento, como protegdo do solo. Distrito 2 Arc a: 11,51 Ha Pequcno morro em. posigdo lsolada; para o latlo S inclinado e para o latlo N, terminando ingremc lentamente. Nas partes situadas no O, N e S os solos Ao cxcclentcs e prof undos, frescos e argilosos. Nas partes mais altas, hd pouea fertilidade. No cumo o nas partes situadas para S, o solo e raso e seco. Com Eucalyptus citriodora (1951-52). no W, estd situada uma area de E. maculate (1952-53) com o tamanho de 3 Ha. O crescimento nesta drea 6 nt>- tdvel c muito superior ao E. citriodora. Nas partes baixas, o crescimento do E. citriodora 6 muito bom, excluindo o primeiro tergo da inclinagdo. No cume e no S o crescimento tS pdssimo. Nao conhecemos uma outra espdeie de eucallpto com reagdo tao forte com rclagdo ds modificagoes do solo com sc observa com o Eucalyptus citriodora. Nos bons solos os crescimentos sao otimos mas dccaem muito quando o solo t5 pobre. Nas partes mais altas e mais rasas teria sido melhor um plantio tie E. botryoides que tern raizes mats amplas. A drea total estd florestada. Medidas planificadas ; Compreende o bloco II do desbaste. Formal- um segundo estrato com espdeies para sombrear e rr.elhorar os solos, especialmente no cume e no S. Como as fdlhas do E. citriodora se humificam muito devagai 6 aconselhdvel impedir os prejuizos do solo com plantagSes tie espdeies som- breadoras para aumentar a umidatle e formal- humus mais rdpld.aincnte. Distrito 3 ScqAo: a Area ; 7 00 IIu. Muito inclinado para N, ligando-se d Scgdt) b no E. Nas outras partes, a situagdo c a seguinte: L SciELO"" 1 1 1 9 1 9 1 A 1 1 f. 1957 W. Herzog: Economia Vlorestal, na Faz. Paciencia 141 O solo <5 medianuincnte raso. Uma parte d pedregosa e sdea e na parte in- terior 6 um pouco melhor. Predomlna a niata nativa, tendo trechos coni multas ciareiras. A Idade d calculndli ontre 10 e 35 anos. As cspdcles tem um pequeno valor. O cresclmento nilo d bom. A parte da balxada estA quasi sem floresta (cfirca de 2/3 da Area). Medidus planiftcadas : Dcsbastar e proceder no corte raso no nno de 1964. Reflorestamento no ano de 1956 com bdas espdeies da regiAo. Sffdo b: Taman ho : 13,74 Ha. Uma parte d incllnada para N e E e terniina lentamente na balxada. Limpa no N. Os solos sAo como os da Seqao a. A mata nativa tem crescimento man e npresenta falhas. Cerca de 1 4 da Area, na baixadn, tem mais folhas. Medidas planificada.s : Proceder a uni desbaste. Em segulda, corte raso no ano de 1963. Reflorestamento ano de 1961 como na SeqAo a. Se^tlo c Area: 9,39 Ha. Pequeno morro isolado, em NE ligando-se com a SoqAo b. Na parte in- ferior, o solo d fraco e argiloso, com grande profundidade, dlminuindo para as partes mais altas. Plantado com E. ritriodora (1951-52). No primeiro terqo, o crescimento e extraordinario, Elorestada completamente a Area compreendida no bloco II do desbaste. Outros traballios como no Distrito 2. Distrito 4 Sefdo a Area'. 8,00 Ha. As incllnaqdes sAo N e O. Os solos sAo bons e frescos, com grande profundi- dade, principalm.ente nas partes inelinadas do L. Na sua maior parte, a Area tem sdmente poucas Arvores de diversas espdeies, com pouco valor. Medidas planiftcadas : Limpar a Area e reflorestar com espdeies natives dessa zona e de bom crescimento, no ano de 1957. be ('do b Area: 20,18 Ha. A Area d montanliosa, nlongando-se para S, com inclinaqao. O solo d bom, fresco e argiloso com grande profundidade. A floresta nativa tem bom cresci- mento. A idade d de 15 a 50 anos. Diversas espdeies, em parte coni alto valor e com denso sub-bosque. Esta Area tem manclias, de Arvores com crescimento reduzido. Medidas planijicadas: Ajudar as melhores cspdcles de bom crescimento por um desbaste fraco. Manter o curAter da mais prtmitlva, perto da residdn- cia. Reflorestar as pequenas falhas com grupos de cspdcles de valor e de bom crescimento, para nnexnr no menor prazo A floresta nativa. Distrito 5 Area: 29,08 Ila E um vale grande com largns inclinagdes para N. S. O e com parte ingremc Os solos sAo muito diversos, profundos e rasos, com apresentaqAo de trechos 142 A rq uivos do Serviqo Floreslal 11 cm rocha. A malor parte da Area (efirea dc H0f; ) «'• do pasto seni produtividade; em parte, cobcrta do arbustos. Na parte mats alia acha-se uma mata natlva com muitas falhas c com ercsclmento dcficlcnte. Medidas planificadas: Retirar as Arvores, limpando-sc a Area e reflorcs- tando-se totalmcnte como segue : a) Com espdeies do Eucahptus, numa Area de 18,00 ha, no ano de 1958. b) Com diversas cs pdcics natives dessa regifto, dc valor c da bom cres- cimento, na Area restante de 11,08 Ha, no ano de 1059. Distrito 0 8<\‘iis ( 1954-55- ). Medidas planificadas: Incluindo no bloco de desbaste IT. Primeiro des- baste no ano de 1960. SefSo c Area: 16,47 II a InclinagAo para N e G. Solos produtivos e frescos, profundos e argilosos Florestado com E. botryoidcs (1953-54), E. canuildulcnsis (1953-54). E. citrio - dora (1951-52) e diversas espAcies misturadas (1950-51). Na maioria, com bom crescimento. Medidas planificadas: Incluindo no bloco I de desbaste. Primeiro desbaste no ano de 1959. Distrito 12 Area: 50,00 Ha Grande e ampla inclinagAo para S, sent partes ingremes. Floresta nativa com bom crescimento composta de espAcies na maioria de grande valor, em diferentes estratos e denso sub-bosque. Idade entre 20 a 35 anos e com alturas atA 30 metros. Solos de mAdia produtividade, frescos, com boa formagAo de humus. Medidas planificadas : Desbaste peribdico e selecionador nos diversos es- Iratos. Auxlliar as melhores Arvores e as mais bent forntadas na copa e nos troncos. Distrito 13 Area: 28,85 Ha InclinagAo mAdia e forte para S e E. Solos dc mAdia produtividade e pro- i'undidades variatfas. Floresta nativa, em parte com ntau crescimento e com grandes falhas, sent valor. Idade entre 20 a 30 anos. cm SciELO, 11 12 13 14 15 16 17 J 40 Arquivos do Servigo Florestal 11 Mrtlidas planificadcttr. Colic raso no ano do 19(50. Llmpar n urea tot'd o reflorestar com cHpdcie.s nativu.s do bom crcscimento e do valor, utnn parte no ano de 1961 o o restante no nno do 1962. Distrito 14 Arra: 17,82 Ha Dicllnaguo alongada paro S, com parte ingreme, Solos de miSdia profun- didade com partes sccas e rochosas. Florestas nativa com mau crcscimento e com muitas falhas. Kspdcies com valor. Idnde entre 20, 2, 30 anos. Mctlidas pla/aiJicaxUis : Corte raso e llmpar totalmente a area no ano de 1962. Rcflorestnmento com especies nativas do bom crcscimento e de valor, no ano de 1963. V — PLANO DE REPLORESTAMENTO Para realizar e executar uma economia florestal cm base rational, e preciso que todas as areas nao so sejam florestadas mas tambem apresentem uma produtividade alta. Para evitar um retrocesso na produgao, todas as areas nuas ou de mau crcsci- mento on mesmo pouco florestadas, devem scr rcflorestadas no prazo mais curto possivel, com especies adequadas de valor e crcscimento rapido, segundo as condigoes existentes. Areas nuas significam prejuizo financeiro. Ouando as condigoes climaticas c de solos sao favoraveis, necessitamos somente de rotagoes cur tas. O crcscimento initial de algumas especies e extraordinario. Conhecer quando comega a perdu de crcscimento annul c condi gao importante, para nao perdermos os j tiros de um capital que nao trabalhou. Com boas condigoes climaticas, apresenta-se um crcsci- mento denso e muito rapido das liervas daninhas e de especies sent valor. Em consequencia disto, as despesas para o refloresta- mento sao muito altas. Nos primeiros anos surge a necessidade dos trabalhos de capinas e de limpesas e temos novas despesas clevadas, pois prccisamos entao empregar mais homens para tais .•■ervigos. O reflorestamento executado cm solos mal preparados, oferece falhas anuais muito maiores e requer novos trabalhos e mais despesas. Varios exemplos esclarecem que o crcscimento geral cm uma area florestal replantada e muito inferior ao de 1957 W. Herzog-. Economic. Florestal, na Faz. Paciencia 147 uma area plantada cuidadosamente c sem falhas. As despesas para o replantio sao muitas vezes mais altas do quo com o plantio propriamente. Tambem nao devemos esquecer que a produtivi- dadc dos solos esta relacionado com a agao dos raios solares in- tensos e de vento, agao csta que scria muito reduzida, com o au- xilio de um reflorestamento cuidadoso. Assim, as nossas despe- sas de capital serao muito menores. Estas sao as razoes para o rc- florestamento rapido e para a modificagao das areas que nada produzem. Pela tabela anexa ve-se que a area planil'icada para o reflores- tamento, tern o tamanho de 159,03 Ha. Logo, se contamos com 10 anos para executar todo o trabalho, a area anual de reflores- tamento tera o tamanhc- de 16 Ha. Na base de nossos estudos, planificamos o reflorestamento como segue: a) Com especies de eucaliptos 55,41 Ha b) ” ” nativas da zona 103,62 Ha 159,03 Ha a) Em face dos resultados conhecidos para o crescimento das especies de Eucalyptus, ja existentes na fazenda concluiinos: E. citriodora E. botryoides, E. cnmaldidensis E. tereticornis, E. saligna, E. bo- tryoides. Para os bons solos medios solos ” ” solos fracos b) Sem maiores dificuldades podemos eleger as especies de melhor crescimento e de maior valor das florestas nativas da zona que asseguram os melhorcs resultados. Arquivos do Scrviqo Florestal 11 148 Nao queremos exccutar rcflorestamcntos cm grandes areas com lima unica especie. Queremos florestas mixtas cm grupos do varias cspccics. Pdas desbastes, rcduziremos os grupos para formar a flo- resta natural, com boa produgdo e ban misturadas. As cspccics nativas dcssa zona com bom crcscimcnto c boa qualidadc da ma- de ira c dc boa forma, sao: 1) Canelas (Ocotea spp). 2) Pcroba rosa e P. de Campos. 3) Bicuiba branca ( Viola bicuiba) . 4) Carapa guyanensis. 5) Jequitiba ( ?Cariniana excelsa). 6) Avoadeira. 7) Vinhatico (Plathymenia reticulata). 8) Canela sassafraz ( lOcotca pretiosa) . Antes do r eflore st ament o, impoe-se contudo, experiencing intensivas cm futigao dos solos para selegao das cspccics. Os bons resultados economieos, serao assim csclarccidos: 2 3 4 5 6 11 12 13 14 15 16 ! Arquivos do Servian Florcstal 1) 1 50 VI — PLANO DE DESBASTE Ann por ano devcm scr cxccutados desbastes sclccionado.i nas areas tie tamanho igual e eom rendimentos iguais. Para obte r esta finalidade precisaremos separar a cxplota?ao dos Eucalyptus e tlas florestas nativas e formar dois grandes grupos. Cada um destes grupos foi dividido cm diversos blocos de desbaste, para desbastar, num eielo determinado. O ciclo de debaste e: Para Eucalyptus 3 anos ” florestas nativas 5 Portanto, foram forniados tres blocos de desbaste para os Eucalyptus e 5 para as florestas nativas. a) Eucalyptus Os blocos de desbaste sao formados jhjIos distritos seguintes: Bloco I . . . 1956 7 a, b, e, d 27,67 Ha 8 b 1959 11 c . 16,47 M 1962 8 a 10 b . 18,98 63,12 Bloco II . . . 1957 2 . . 23,90 3 Aumento . . . 1960 11 b , . 21,49 » P . . . 1963 5 Area parcial . . . . .. 18,00 63,39 Bloco III . . . 1958 1 Area parcial . . . . 20,00 Aumento . . . . 1961 1 Area restante . . . , 11 a . . 24,39 99 . 1964 6 a. d 18 43 62.82 Ha Assim, aparccem nos anos dc 1962, 1963 e 1964. areas no momento nao florestadas, que serao reflorestadas somente nos anos de 1956, 1957, 1958 e 1960, com Eucalyptus. 1152 Arquiuos do Serving Flurcstal 11 versus camadas. Nessa hipotese podcinos eneontrar mais ou me nos t6das as classes de idade. Nada conheeemos ao eerto; ale o momento, os metodos desses desbastes nao estao estabelecidos mas eles devem ser baseados nas maneiras cxecutadas com 6ti m os resultados nas floreslas misturadas da Silica ou da Alema- nha meridional. Com os metodos de desbaste nao podemos perturbar ou prcjudicar a biologia dos florestas. Devcmos seleeionar os meto- dos para ajudar e aumentar o crcscimento das especies mais va- liosas e das arvores de melhor qualidade. Tambem e deseonheeido, no momento, a quant idade de madeira para se lira r com os desbastes periddicos; de im'cio po demos ealcular de 20 a 30 metros cubicos por I la Para exeeutar desbastes anuais regulares, formamos 5 bloeos de desbaste com igual tamanho e mesmo crcscimento. De im'cio, e possivcl ter-se um resultado menor cm uni ou outro bloco, mas pode-se com- pensar com as areas planificadas, por corte raso. A area total das florestas nativas e de 140,24 Ha. de modo que a area desbastada de cada um dos bloeos tenha 28 Ha. Sixtinui (lii (I ii i.siio Bloco Distrito Area Ano de desbaste I 4 b 27,23 1957 8 c 28,00 1962 II 12 22,00 1958 (parte) 6,00 1963 12 (resto) 21,01 1959 Ill 10 a (parte) 7,50 1964 6 (parte) 28,00 1960 IV 10 a (resto) 1965 V (1 b (resto) 1961 1966 1957 \v I III 1)1/ Fconainia Finn's! til , mi Fa, Pudenda 153 VII — ESTRADAS E CAMINHOS () renilimento de cada cconomia florestal racional. c depen dente das cstradas e dos caminhos existontes. Na Fazenda Paci encia, cstas conduces cm sua maior parte sao boas. Pcrto de .odos os Distritos e Soloes, existem mas ou caminhos para trails portar madeira sem dificuldade. Gramas a iniciativa do proprietaric, foram construidas ncste ano duas novas mas de importancia extraordinaria. Mas para o melhoramento da econoinia e o aumento do rendimento e preciso construir algumas outras mas, na base do proprio piano. O mais importante e a constru^ao de uma estrada que ja existe na forma de uma vereda. come^ando entre 8 a e 8 c e passa polos pastos mais abaixo para terminar na estrada do vale, perto das casas. Ligada esta run por outros caminhos mais eurtos, pode-se depois transportar a madeira dos distritos 12 e 6. Estas duas florestas nativas sc encontram sem possibilidade de transpose. Precisamos, portanto dividi-las com a construtjao dc duas novas mas ou caminhos. Nos distritos com maiores quan- tidadcs de madeira, no futuro, (areas de Eucalyptus), e tambem preciso fa/.cr mas. na base dc uni sistema bem planificado, para tirar a madeira polos prdximos caminhos. Estas mas precisam sdmente serem alargadas, sem fazer const rugoes e trabalhos extraordinarios. 1- facil limpa-las e assim servirao tambem dc prote?ao contra o fogo. VIII — DEFESA E PROTEQAO Para segurar a cconomia dc uma zona tlorestada como o da Fazenda Paciencia, devemos tudo ftizer de inicio para evitai prejuizos possiveis ou uma dcstmi<;ao e para protege-la contra o fogo. Perto das areas florestadas devcm set proibidas as quei- mas. Em volta das areas recentemente rcllorcstadas devemos fazer urn sistema dc mancira que sirva tambem para tirar ma- deira. Arquivos do Servic'd Florcstal 11 154 Todas as florestas artificiais devem scr beni observadas quanto a cxistcneia das pragas prcjudiciais. () conhecimento desse fato facilita as alividadcs do combatc, com sucesso. C) ra pido aumento das areas de eucalipto, no Brasil e o dcscnvolvi- mento da monocultura pode ofcrecor perigos que no momento desconhecemos. Quais sao as doengas quo ameagam os cucalip- tos? Pouco conheccmos, no momento. Nao sabemos quais as medidas para combate-las, para impedir o desenvolvimento de cpidcmias. Observei, por exemplo, no Distrito 7 b uma doenga na casca com earatcr de cancer cm muitas partes. Uma parte dessas ar- vores doentes foi tirada com os desbastes. Outras foram deixa- das. Pode scr uma doenga, contudo e necessario uma observagao acurada. Devemos marcar todas as arvorcs doentes com cor e periodicamente examinar o progresso da doenga. (i necessario urn livro de apontamentos, para os trabalhos de defesa e de protegao florcstal. Todas as observagbes ate as mais insignificantes sobre o aparecimento de pragas e doengas, devem scr anotadas com minuciosa descrigao. Deve-se comuni- ear ao Servigo Florestal, para mandar examinar pelos Institutes do Ministerio da Agricultura ou da Universidade Rural, quando houver duvidas. IX — ADMINISTRAQAO E FISCALIZAgAO TECN1CA O desenvolvimento permanente da economia florestal da fazenda e o aumento do valor precisam scr separados da adminis tragao agri'cola. Devemos ter uma contabilidadc florestal propria, baseada no piano economico geral e nos pianos anuais da economia flo- restal planificada. Os projetos para esta contabilidadc florestal devem ser feitos dentro de breve tempo. Sao bases muito simples e de facil manejo. 1957 W. Herzog : Economia Florestal, na Faz. Paciencia 155 Como os trabalhos piaticos da economia florestal (reflores- tamento, desbastes sclecionadores, marcayao do arvores. cortcs e medigao da madeira depois de cortada, vivciros, condole, defesa etc.) aumentam permanentemente, justifica-se que deva ser con- tratado um tecnico florestal. O trabalho e muito grande, nao fal- tando ocupagao para o tecnico, diariamente. A fiscalizac;ao e a execu^ao dos trabalhos tecnicos constitui um dos fatores mais importantes na economia florestal raeional. ENSAIOS E APONTAMENTOS SoBRE DALBERGIA NIGRA FR. ALLEM. (*) por ARM A NIK) DE MATTOS FIUIO Naturnlidta ilo Jardim BotAntco do Rio do Janeiro e ADELMAR F. COIMBRA FIIJIO N'lturalUtn do Sorvlgo Floreatal da Prefeltura do Dlatrito Federal INTRODUC, AO A opiniao gencralizada dc quo todas as nossas cssencias Ho rcstais produtoras de madeira dura sao de crescimcnto demorado nao corrcsponde ao resultado dos estudos rcalizados. Das inti- nieras cspecies ensaiadas no Parque da Gavea do Distrito Fcde ral temos a dizer que uni bom numcro delas teve um desenvolvi- rncnto muito satisfatorio. O genero Dalbergia (Leg. Pap.), com representantes dc alto valor economico no Brasil, teve algumas cspecies ensaiadas. Das quatro cspecies, cujas madciras sao hem conhecidas no niercado externo e interno ( !|: ). apenas conseguimos mudas de “Jacaranda caviuna" e de “Sebastiao de Arruda”. Esta ultima foi, gramas a (*) Entreffue para publirngAo om 15 de Outubro «lb#ff<4 nifrj F* Au. riB. i rto«A ini a m I r a 1957 A. Mattos Filho : Ensaios c Apontamentos 101 n." I . 646-SBG; “Cabiuna branca"; Minas Gerais ,Munidpio do Tombos: Col.: Mello Barreto; Det.: pelo colctor. Os corpos de prova foram preparados tanto do alburno como do ccrne. As preparagocs microscopicas acham-se arquivadas no laminario da Segao de Botanica Gcral do Jardim Botanico. Usamos a tecnica comum de coloragao: safranina para tins e hematoxilina de Delafield para outros. A dissociagao dos ele mentos do lenho foi fcita com acido m'trico a um tergo cm ebuli- gao (16). Para a contagem dos raios usamos o processo do eus- copio (13); na execugao das fotomicrografias utilizamos a Grande Camara Zeiss com filtro vcrde dc Bausch & Lomb de n.° 58. A nomenclatura adotada obcdeceu as “Recomendagoes da l.a Reuniao dc Anatomistas de Madeira” (7). CARACTERES MACROSC6PICOS Ancis de crescimento: Pouco perceptfveis a vista desar- mada; algumas vezes, porem, distintos, pela alternancia de lenho tardio, avascular, com o inicial, ricamente vascularizado. As zo- nas mais escuras, estreitas, compactas c muito distintas, cones pondem ao lenho tardio. Parenquima; Indistintos sem lente. lrregularmente distri- buido. Apotraqueal terminal on inicial, concentrieo e reticulado cm linhas muito finas. Presente tambem o paratraqucal aliforme e confluente. Poros : Perfeitamente distintos a olho mi, pouco numero- sos; distribuidos irregularmente, mas nao juntos; na maioria es- palhados ocasionalmente com tendencia a ondulados tangencial- mente; em parte grandes, solitarios c em multiplos radiais. Linhas vascidares; Distintas, mas nao conspicuas, profun- das e longas. Com auxtlio de lupa, nos vasos percebe-se uma segmentagao regular (estratificagao). Hi2 Arquivos do Serviqo Florestal 11 Conteiido : Muito comum. sob a forma de dcpbsitos do goma cscura, algumas ve/.es de c6r amarelo-claro. Geralmente a goma enche completamente os vasos. Halos : Invisfveis a ollio mi, tanto na sectjao transversal como na tangcncial; vist'vcis, porem, com lupa, nao obstante care ccrem de contrastc de cor com o fundo da madcira. l im'ssimos e numerosos. Parcialmcntc distintos na scc^ao radial. Situiis Ae estratifica<;do: Presentes; todos os elementos do lenho sao estratificados (estratificasao regular). A estratificagao 6 diflcilmente visfvel a ollio nu, principalmcntc no cernc. Com auxilio tie lupa ( x 1 0 ) na secgao tangcncial, contam-se de 123- 128 sinais de cstratifica^ao por polcgada ou seja 5 por miltmetro. Manilas medulares : Nao observadas. Canais de goma: Ausentes. Tilos: Ausentes. CARACTERES MICROSC6PICOS: (Figs.. 2-3-4-S) Vasos : Porosos; de muito pouco a numerosos; solitarios e nniltiplos tie 2-6; ;is ve/es agrupados, com distribui^ao irregu- lar. Ausentes, geralmente, no lenho tardio; localmente podem apareccr congestos no lenho inicial, lembrando disposi^iio em and. Ndmero ; De 0 — 15 por mm2; quando agrupados, porem, contam-se ate 20 por mm2; frequentemente entrc 2 - 7’ em me- dia 4; sendo que a amostra tie n.° 1646 (alburno) a frequencia maior e de 0 — 3 e, no maximo ate 9 por mm2. Predominam os solitarios em cerca tie 75% dos casos. Didmetro: De rnedios a extremamente grandes; o maior diamctro csta compreendido entre ISO — 410 micra, sendo que na maioria dos casos oscila entre 250 — 330 micra. Elementos vascnlares: De muito curtos a curtos. medindo de 0,180 — 380 mm; mais comumente 0,230 mm; sem apendi- ces em ambos os extremos. Observamos que quase sempre o 2 3 4 5 6 11 12 13 14 15 16 ! Fig. 4 — SccQilo tangen- clnl (xSO). Fig. 5 — Becc&o tangen- cinl. E.stratiflcn$ilo dos elementoa 7 A nets do crcscimento : Pcrfeitamcnte demarendos devido ai) Parenquima apotraqueal terminal-inicial. Presenga de p6ros com tcndcncia a disposi^ao cm and. PROPRIEDADES GERAIS (*) Madeira dura, pesada e resistentc. Peso espedfico (seca at’ ar). 0,85. Alburno amarclo quasc branco. Cerne de cor castanho- violaceo ou pardo arroxeado, com listras ou manchas pretax ir- regulares. A madeira e boa de se trabaJhar a plaina, tomando polimento. Superfi'eie dando a impressao de untuosidade ao tato. Lasca com relativa facilidade. Nao recebe bem pregos. Textura media. Grao direito, podendo apresentar-se levemente ondulada. Cheiro caracterfstico, agradavel. Sabor levemente adocicado. Extrato alcoolico pardo-avcrmelhado. Extrato aquoso incolor. USOS E INDICAgoES A madeira tern excelcntes qualidades para movelaria e mar cenaria ( 12) dando um acabamento liso com polimento natural. £ usada para obras externas e internas, pe?as de resistencia, es- teios, vigas, cabos para cutelaria. corpo de escovas, armarios tie vitrolas, caixas e estojos entalhados, tampos folheados no mo biliario de luxo, objeto de escritorios, mesas de bilhar, corpo de plaina. machetaria, etc. Esta madeira e conhecida no comereio luso-brasileiro desde os nossos primordios historicos (6). SILVICULTURA Uma analise dos numeros da dendrometria por nos efe tuada quando as plantas completaram 5 anos de idade, nos ' • • t i /in . < (•) Quanto fia proprledadea fiaieaa e moc&nicas de Dtilbergia nigra Fr. Allem., apreaantadaa em "Flchaa Dendroldgkais ComereiaU e IndOatrioa do Mu- dolma Braallalraa" (i!) 6 fdcll veriffrar polo prdprio tmbatho eltado por OUHJIIORMF OK AI-MKIDA (14)/que oa dados at forneoldoa rofonpp-ao a liaVnrgUt rialacwi (Vog.) Miilirfe, o nfto a Ddtberpla nigra Fr. Allom. 108 Arquivos do Servigo Florestal 11 mostra ciuc o crcscimcnto dcsta cspecic e bast ante rapido, o quo a torna indicada para uni rcflorestamento economico. Podemos assegurar uni mais rapido descnvolvimento inicial dcsta Dalber gia cm relagao as boas especies do gcncro Maduterium, Os exem- plarcs daqucla com apenas um ano dc idadc atingiram a media dc 1,45 m dc altura com 0,025 m dc diametro (big. 6), ao passo que as dcstas sao crcscimcnto mais lento, jamais atingindo aqucle descnvolvimento. Essas observagocs sao validas para Ma- chaerium incorniplihilc Fr. Allcm., M . firmum Benth., M. legale (Veil.) Fr. Allcm., M. pedicellatum Vog. e provavelmente para as demais cspccics arbdreas considcradas boas dcstc gcncro, sob o ponto dc vista economico. A esse proposito, citamos que cm dendrometria efetuada por GUIL1IERME DE ALMEIDA (I) num talhao dc Machaerium pedicellatum Vog. formando por 20 cxcmplarcs, obteve ele, para 16 anos, a altura maxima dc 14 metros e o diametro dc 0,22 m. A titulo dc comparagao, temos no barque do Gdvea um exemplar dc Dalbergia nigra Fr. Allcm. com oito anos que mede cm altura 15 metros por 0,17 m dc dia metro a 0,30 m da base. Em Sao Paulo, segundo EZEC’HIAS HERINGER (8) ela tern um crcscimcnto retardado, pois la obtiveram a media dc 10 metros dc altura com 0,20 m dc diametro com 24 anos dc idadc; parent, diz ainda aqucle autor, “Em Minas c possfvcl um rcncli- mento mais elevado”. HIST6RICO DA PLANTAgAO () solo ondc forarn plantadas as inudas c silico-argiloso. Por ocasiao do plantio estava muito crodido c sc apresentava reves- tido principalmcntc dc sape c samantbaias. Pouco antes da aber- tura das covas, combatemos a crosiio fazendo plantar, cm curvas dc nivcl, cordoes dc Neomarica northiana (Selim) Sprague. Nao foi feita adubagao alguma a nao ser a cobcrtura do solo do ta- lhao com folhas secas provenientes da limpesa do Parque. Os tratos culturais sc redu/.iram a quatro capinas no dccorrcr dos cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1 957 A. Matins Filho : Ensaios c Apontamentos 171 ilois priinciros aims. Como a finalidade e experimental, o talhao acha-se agora ahandonado, afim de vcrificarmos o efeito da ve- geta^ao cspontanca sobre as arvores jovens. A semeadura foi exccutada cm sementeira rustica preparada de acordo com a tecnica rccomcndada pela silvicultura. A germi 1139110 ocorrcu com 14 dias, sendo o semeio cfetuado cm 14-12-948. As sementes cram novas e escolhidas e a percentagem germinativa foi de 83%. As plantulas foram repicadas com urn mes de idade (28-1-49). para vasos de madeira laminada. U111 mes mais tarde (28-2-49) foram plantadas no lugar definitive. A Dalhergia nigra Fr. Allem. e espeeie que nao nccessita de bos- que protetor para o seu desenvolvimento inicial; e intolcrante. Com o fim experimental adotamos diferentes distancias entre as mudas, mas sempre de mode a formarem quadrados. O espava- mento maximo foi de 3.00 m e o minium de 1,50 m entre as mudas. Fato frcqiientc observado, quando o espavamento e tnaior de 2,00, e surgirem na base da haste principal numcrosos ramos: estes deverao ser o mais cede possfvel, podados. A poda destes ra- mos nao prcjudica a planta e esta pratica fa/, com que a arvorc tenha mais tarde urn fuste livre de defeitos. Uma vez feita a poda, aconselhamos, dois dias depois, a pintura dos cortcs com Carbo- lineum ou Bctuvia. Ao nosso ver, o espa^amento a se adotar nao deveria ultra passar de 1,50 m. Sendo superior, acontece o que ja referimos sdbre o excesso de ramos a partir da base. A escolha destas dis tancias menores pode ser de grande valia no melhoramento do fuste de especies valiosfssimas como Dalbergia cearcnsis Ducke, /). jrutescens (Veil.) Britton, D. violacea (Vog.) Malme, etc. A Dalberpia nigra Fr. Allem, e de dtimo desenvolvimento considerando-se que essa espeeie produz madeira dura e de bti- mas qualidades tecnicas. t.ste crescimento e observado principal- mente no primeiro decenio. Usando-se o espagamento de 1,50 m aos ties aims ela cobre completamente o solo. Aos quatro aims mais ou menos, o silvicultor devera praticar o primeiro desbastc alternado, isto e, eliminar alternadamente uma arvorc. . cm ,cada 172 Arquivos do Scroigo Florestal 11 t ilcira, o quc ira ampliar o cspa?amento para mais ou menus tres metros cm trinngulo. Pste desbastc e necessario, para que as ar- vores que permanecerem tenham mais espago e mais luz para aumentarem sua area basal. O segundo dcsbaste far-se-a aproxi- madamente aos 7 anus, quando, entao, a distancia entre as arvo- res sera novamente aumentada. Claro e que o bom senso e a corn- peteneia do silvicultor influirfio na marcha destes trabalhos. DBNDOMWTKIA KFE’rUADA NO I’AJtQUK DA OAVKA (1). F.) QUANDO O TALHAO COMl'LETOU CINCO ANOS DE IDADE (*) (30-12-053). Fig. 7. N.« do Altura N.’ do Altura DiAmetro cxemplnr DiAmetro exemplar .1. 10,40 0.13 26 11,50 0,13 2 11,70 0,135 27 10,50 0,11 3 10,00 0,125 28 9,00 0,11 4 0.00 0,10 29 9,20 0,105 5 0,30 0,06 30 8,50 0,105 0 10,00 0,10 31 5,80 0.07 7 8.00 0,08 32 9,00 0,095 8 11,25 0,13 33 11,00 0.125 0 6,20 0,07 34 9,10 0.09 10 10,10 0,115 35 10.50 0.11 11 9.00 0,115 36 13,50 0.15 12 9,00 0,115 37 9,50 0,125 13 9,50 0,105 38 11.50 0,12 14 9 00 0,10 39 12,50 0,12 15 10,40 0,115 40 9.50 0,09 10 11,50 0,135 41 15,00 0,135 17 8,80 0,095 42 11.00 0,12 18 13,30 0.11 43 8,00 0,00 19 9.80 0,10 44 9,90 0.08 20 12,80 0,135 45 11,50 0.125 21 15,10 0,117 46 11,60 0,11 22 0.50 0,10 47 13,50 0,135 23 11,60 0,125 48 11,10 0,14 24 13,00 0,14 49 10,50 0,11 25 12,50 0,125 50 10.00 0,09 ( ♦ ) Os nflmeroa didos A 0,30 foram arrexlondados para menos, m da base. o os diAmetros foram me- Altura mAxima 15,10 DiAmetro mAximo 0,17 m Altura minima 6,80 DiAmetro mtnlmo 0,06 m SciELO 1957 A. Maltos Filho : Ensaios c Apontamcntos 175 RESUMO Os autores tcccm considcragoes sobrc espeeies brasileiras dos generos Dalhergia. Apresentani, tambcm, alguns dados den* dromctricos relativos a espccie I). nigra Fr. Alleni., cuja madeira e estudada do ponlo de vista anatdmico. Chegam a conclusao do quo sao espeeies de otimo desenvol- vimento nas condigoes edafo-climaticas do Distrito Federal, bent como, forneccdoras de madeira de otimas qualidades teenicas. ABSTRACT After some general considerations on Brazilian species of the genus Dalbergia, the authors present an anatomical study of the wood of D. nigra Fr. All. Some dendrometric data concerning this species are also included. It is concluded that the mentioned species show excellent development in the soil and climatic conditions of the Federal District (city of Rio de Janeiro), yielding wood of optimum quality for tecnical purposes. REFERENCES BIBLIOGRAFICAS 1 . ALMEIDA, D. 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A. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 170 Arquivos do Servico Florcatal 11 I — CONSIDER A£OES GERAIS a) — Da espdcie cm Botanica Dcsdc Linncu quc a especie vem scndo considcrada a pedra angular do todo o trabalho da sistcmatica vegetal e animal; da cspccie Lineuna, (Bonnier, 1920) apenas, com o corrcr dos tem- pos, cm Zoologia passou-sc pouco a pouco inscnsivclmcnte a uma entidade nova quc c a definida como variedade cm Uotanica como cm Zoologia, scndo adotada ncsta a nomcnclatura trino- minal; porem a neccssidadc dc mclhor distinguir os grupos dc individuos, levou os taxinomistas a, negliccnciando a cspccic, atribuirem mais valor as sub-unidadcs tais como: sub-especie. variedade, forma, ray a, raya fisiologica. etc. No entanto, apesar da neccssidadc dc ser a cspccic uma en- tidade perfeitamente definida, passou a ser no tempo c no espayo uma entidade nefelibatica; levando a taxinomia a qual deveria ser uma ferramenta, a tornar-se complicadtssima Ciencia O quc levou a Sistcmatica a so admitir hojc cm dia apenas os scus iniciados? Obrigando o Biologista a entregar-se a longos cstudos, ou, confia-los a urn Sistemata experimentado cada vez quc necessita denominar a planta quc pretende cstudar; sem o quc nSo podc levar sua pesquisa a bom termo? A nosso ver cssas dificuldades decorrem apenas cm nao sc tentar reformar radicalmcntc o “conceito dc cspccie” c sim ex- primir cm outras palavras os antigos conccitos dos sistematas con- sidcrados classicos; o que e tao fora dc oportunidadc como a As- tronomia respeitar in-totum as conccpyocs dc Ptolomcu, dos indtis. arabes etc. Examinando os diversos sctorcs da Biologia, somos Icvados a admitir quc o conceito dc cspccic torna-sc plastico quando de- via ser rtgido, adaptando-se aos diversos ramos, cindindo-se, scndo abreviado ou ampliado, ora lanyando mao da morfologia. ora da genctica, ora da fisiologia. ora da ccologia. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 II. da Costa Montciro Ncto ; I)a E specie 177 lissas divergencias condicionaram como quo o aparocimento de vdrios tipos de cspccics c ndo outras variables da mesma dc- finigdo acral u confia-los a um sistemata expo rimontado, cada vo/. quo nocessita rotular com um nome o ani- mal quo protondo estudar; som o qua! nao pode ompreendor qual- quor posquisa? Somos levados a pensar quo os dbicos docorrcm aponas om nao so tentar substituir radicalmente o "conccito do especio” o sim exprimir com outras palavras os amigos concoitos dos sis - tomatas considorados classicos; o quo d tao fora do oportunidade 178 Arquivos do Serving Florcstal 11 com a metlicina procurar respeitar como dogmas a obra de Ga leno, Hipocrates, etc.; procurando harmoni/.ar os I'atos do ponto de vista dos elassicos. Examinando os diversos setores da Biologia, somos leva dos a admitir que o conccito de especie torna-se plastico quando devia ser rfgido adaptando-se aos diversos ramos. cindindo-se sendo abreviado on ampliado, ora langando mao da morfologia. ora da genetica, ora da fisiologia, ora da ccologia. Essas divergenrias condicionaram como que o apareci- mento de varios tipos de especies e nao outras variators (In mestna definigdo geral da e specie . Isto posto, passemos ao exame le cada uma das diversas especies segundo os principals ramos da Biologia. Especies essas como que nascidas do velho conccito de especie morfologica de Linneu modificada por Cuvier. Antes de examinarmos a Especie em Palcntoloaia; queremos chamar aten<;ao para o que afirma Dreyfus ( Dreyfus . 1950) cri- ticando a defini§ao de Especie de Tate Regan; "As provas do carater subjetivo das linhas de demarcagao adotadas pelos na- turalistas para delimitarem as unidades nao sao dadas, nao so pelo fato de variarem de grupo para grupo os criterios para sen reconhccimcnto, mas ainda por variarem na avaliagiio desses cri- terios para nm mesmo grupo, e por ve/.e s por um mesmo autor". ( Dreyfus , 1950 pag. 93). II A ESPECIE EM PALEONTOLOG1A a ) - — Da especie em Poleobotiinica Arkell citando Tate Regan di/. que: “a community or number of related comunities whose distinctive morphological characters are in the opinion of a competent systematist sufficiently definite do entitle it. or them, to a specific name!”. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 //. da Costa Monteiro Neto: I)a K specie 179 Mais adiantc: “In paleontology the species can legitimately be thought of, more briefly, as a practical and convenient unit by wich fossils are distinguished". ( Arkell 1941 pg. 395). Essa opiniao e a mesma expendida por varios autores, ape- nas, com varia^oes insignificantes. Entretanto Embergcr (Emheri’er /.. 1944; pg. 34-35), con- fessa, que: ‘Dans la Systematique des organismes vivants, le nom correspond, en principe, a line espece definie; il ne designe en Paleontologic, que le fossile, le plus souvent seulement un fragmente d’un organisme. II s’ensuit que des organes apartenant a une meme espece out re?u, souvent, des noms differents, jusq’au jour on une decouvertc heureuse a permis de reconnaitre les liens riiels entre deux ou plusieurs fossiles connus". Entre os exemplos citados por Emberger ( 1 . c. ) destacamos o seguinte: Autores descreveram Lyginopteris, Sphcnopteris, etc., etc.; mais tarde varios autores cncontrando restos fosseis mais completos concluiram que esses nomes correspondiam a urn genero e talvez uma especie. Baseado nos dados que os restos fosseis podem evidenciar o mesmo autor distingue: "genero de orgaos", se os restos des critos sao orgaos des “generos de formas" se os vestfgios sao im- pressoes no material fossilizante. ItiO A r q uivos do Scrviqo Florcstal 11 Pordm confcssa que: “Lin paleontologie, plus quo dans les autres disciplines dcs Sciences naturcllcs les noms donnes aux choscs, masquent souvent notre ignorance. II ne faut jamais l’oublier”. Afirma?ao quo vein de cncontro aos nossos pcnsanientos. () Palcontologista procura sernpre conseguir dados sobre a filogenia, porem ao mesmo tempo quo procura as semclhaneas entre as cspdcics, necessita encontrar as diferencas que permitam distinguir as mesmas; assim. o mesmo perquisador as mais das vezes depara urn sistema de formas opostas: a taxinomia e a filo- genia; a questao torna-se mais complexa quando se procura ligar o grupo fossil com outros e com atuais. O problema da cspecie cm paleontologia torna-se complexo, cm virtude do palcontologista, na maioria dos casos, conseguir reunir apenas fragmentos de vegetais quasi sernpre insuficientes para lima idcntificaeao especifica exata. Vemos refletir-se no cstudo dos grupos o criterio criado para distinguir esses restos, assim cm Pteridologia da-se muita importancia a nervagiio das frondes, negligcncia-se o estudo do gametdfito, descreve-se apenas o esporofito e cm cspecie fosseis as frondes as vezes apeans uma pina sao sufieientes. (As Stigma rias, foram rcconhccidas como sendo nada mais que o aparelho subterraneo das Sigillarias e Lepidodendrons). Em Paleofitologia nao se emprega o criterio da reconstitui Qao ( Paleozoologia) porem procuram-se conseguir homologias e deduzir a planta toda de partes examinadas. Sendo que varios paleontologos agrupam as especies em: generos de formas e ge- neros de organs, segundo o tipo e descrito sobre formas vegetati- vas ou sobre organs. Outra causa de erro e o eonceito endossado por paleontolo- gistas em geral, de que, “para o palcontologista o eonceito atual de cspecie e apenas aplicavel em uma se^ao transversal feita em cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 //. da Costa Montciro Ncto : Da Kspccic 181 uni dado Horizonte" (Diver, 1941 ); assim sendo os estratigrafis- tas ao desereverein especies distinguindo-as apenas devido ao cri terio geografico levado ao exagero, sondo aplieado ao espav'o- tempo; esse crilerio levado a extremo pelo subjctivisnio interpre- tativo, podera trazer confusao, podendo a estratigrafia ser defini tivamente prejudicada se o eonceito de que as especies de um dado patamar nao podeni exist ir cm outro afastado no tempo ou no espago; continuar a ser aplieado dando lugar a que paleonto logistas continucm descrevendo como entidades novas especies ja encontradas em extratos antcriores levando assim a uma plu- ralidade espccifica que enriquece os tratados, porem e mais no- civa do que util ao progresso da ciencia biologica. Em relavao com a especie biologica, a especie paleofitolo- gica parece nao ser entidade equivalente; ora, a especie em pa- leontologia as mais das vezes e descrita por fragmentos sendo as falhas (os restos nao preservados) cobertas por analogia, recons- titui;ao ou simplesmente extrapolagao. Quando um fossil e descrito, os atributos nos quais o siste mata procura caracteres sao quasi sempre morfologicos e, mais freqiientes, externos ou internos, raramente externos e internos, pois as partes caulinares sao as mais bem preservadas (em regra geral ) . Sendo os caracteres morfologicos, por si sos, de ordem a nao possibilitar a distingao perfeita das especies atuais. sem a complementagao de caracteres retirados dos atributos: fisioldgi- cos, ecologicos, fitogeograficos, gametofiticos; somos levados imediatamente a supor, que, a especie em palcontologia nao e uma entidade da mesma ordem de grandeza que a especie biolo- gica, razao porque paleontologistas e biologistas, vivem quasi sempre em choque quando se trata de examinar o passado e o presente como um todo unido. Esses fatos levam-nos a considerar, como nccessaria, aquel: afirmagfio de Emberger (Emberger l.. 1944), quando diz: "Em Paleontologia, mais que nas outras disciplinas das riencias na- 182 Arquivos do Serviqo Florcstal 11 turais, os nomes dados as cousas mascaram muitas vezcs nossa ignorancia. fi preciso nao csquecer jamais”. Arkcll citando Tate Regan diz quo: “a especie e a comunidade ou numero de eomunidades rela- cionadas, cujos caracteres distintivos sao na opiniao tie um sistemata eompetente suficientemente definidos para jus- tifica-la, ou justifica-las, com um nome cspecifico”. Em seguida tli/.: “cm Paleontologia a especie podc legitimamente ser tomada como lima unidadc pratica e convcnicntcmente pela qua! os fdsseis sao distinguidos (Arkcll 1941 pg. 395. . Nao continuamos a citar autores, porque verfamos a mesma opiniao com pcquenas variagbes. O Paleontologista procura sempre conseguir dados sobre a filogenia, porem ao mesmo tempo que procura as semclhangas entre as espccies prccisa determinar as diferengas que permitam distinguir as mesmas, assim vemos o mesmo individuo a bragos com duas forgas nitidamente divergentes: a sistematica e a filo- genia; a questao torna-se mais complexa quando se procura li- gar o grupo fossil com outros e com atuais. O problema da especie cm Paleontologia torna-se complexo cm virtude do paleontologista so conseguir (na quasi totalidade dos casos) fragmentos, sendo esses fragmentos quasi sempre res- tos das partes duras dos animais. Na maioria dos casos: exo ou endoesqueleto — , passando o paleontologista entao a reconsti- tuir o eorpo do animal, langando mao dos dados que possa (co- bertura muscular, tegumento, apendiees, etc.). Essa reconstituigao, na maioria dos casos, e influenciada pelo cocficiente pcssoal, o pesquisador tangido pela subjetividade e levatlo a excessos de imaginagao, do que resultam as reconsti- tuigdes as mais das ve/.es representando formas fantasticas, ani- cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 If. da Costa Montciro Ncto\ Da Espicic 183 mais de aspccto estranho cobcrtos ile chifres, protuberiincias, plaeas, longos colmilhos, etc ora so o Paleontologista nao podcndo Iangar mao dos dados que o neontologista pode, procure arranjar os indivfduos fosseis cm genero e espdcics como as atuais somente poderia rcsultar a lamcntavel confusao que vemos cada ve/ que o paleontologista procura analisar as espdcics fosseis em suas relagoes com as atuais e vice-versa. Defrontamos ainda com novas causas de erro, se levarmos em conta que: “para o paleontologista o conceito atual de es- pecic e apenas aplicavcl cm uma sccgao transversal feita em urn dado horizonte” ( Diver. . . 1941 ), sendo levado assim a aplicar o criterio geografico nao so no espago como no tempo; inflin- gindo o principio das migragoes que empregado cautelosamcnte solveria muitas interrogagoes, pois dentro de limites mais ou mc- nos reais: “La geographic zoologique etait ddja si complexe pendant les temps quaternaircs que chaque region pouvait avoir, et avait cn effet, sa faune particulere ce qui rend tres delicat i’etablissement de synchronis mes a de grandes distances. ( Houle 1946 pg. 44). Porem o proprio Boule. continuando, admitc que: “Enfin nous savons que des changements de climat on amend des migrations de faunes, de sorte qu’unc mime espice pent ne pas etre du mime axe dans deux local it is diffirents” (Houle, 1946, pg. 44; o grifo e nosso). Convenhamos, portanto, que esse excesso de generalizagao so pode ser prejudicial, pois a estratigrafia podcra ser definitiva- mente prejudicada se o conceito de que as espdcics de um dado patamar nao podem existir em outro afastado no tempo ou no espayo e que paleontologistas continuem a descrever como en- tidades novas, especies ja encontradas em extratos anteriores levando assim a uma pluraridade especffica que enriquece os tra- tados com belas descrigdes e nomes de autores, porem que e mais nociva do que util ao progresso da ciencia biologica. 1H4 Arquivos do Servian Florcstul 11 Ent rcla<;ao com a cspocio biologica, a espdcie paloontbgica parccc nao tor oxistencia como entidade cquivalentc; vojamos: A espdcie palcontoldgica as mais das vezes d doscrita por fragmcnto scndo as falhas (os rest os nao cncontrados ou nao prcscrvados ) cobcrtas por analogia, rcconstitui<;ao ou simples- mento extrapolando (o subjetivo, portanto imaginagao pura scndo a regra), levando o palcontologista a exagerar do forma porigosa o famoso principio do genial Cuvier, o qual dizia: "Do-mo uni dente o roconstituirei o animal intoiro”. Scndo do notar quo Cuvier foi o primeiro a exagerar esse mesmo principio (WOODRUFF, L. S. 1936 pg. 422). Boulc falamlo do Homo lieUlelbergensis diz-nos: “Si, par uni accident quolconque, la mandibulc avait etc privoo do ses dents, on n’eut pas hesitd a on fairo le tipo d’un genre nouveau do singe anthropoidc. Cot exemple do la miso on ddfaut do la famouso loi do correlation des caracteros do Cuvier ost particulidromont instrutif, puisqu’il a trait a un document palcontologiquc rdalisant I’intormodiairo on quclque sorto iddal d’uno struturo do singe a une structure humaino. Malherousement coci no s'applique qu’it une tres petite fraction du squelette". ( Houle 1946; pg. 537). Ouando uni fossil d doscrito, os atributos nos quais o sis- temata procura caracteros sao quasi sompre aqueles do esque- leto, pois as partes moles dos animais so so fossilizam o mcon- digoes muito favoravcis. Scndo os caracteros ostcologicos do ordem a nao possibi- litar a distingao perfeila das espdeies atuais sem a complcmen- tagao do caracteros retirados dos atributos: inorfologieos oxter- nos, anatbmicos. fisiologicos ou ccologicos; somos levados ime- diatamento a supor quo a cspocio cm paleontologia nao e uma entidade da mosma ordem do grandeza quo a cspocio biologica, razao por quo paleontologistas o biologistas vivom quasi sompre cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 //. da Costa Monteiro Neto: Da Espicie 185 cm cheque quando sc (rata dc examinar o passado c o presente usando as niesmas unidadcs dc julgamcnto. Antes dc cncerrarmos a discussao sobre a cspdcic cm pa- Jcontologia queremos referir-nos aos Hominidas. Encontramos cm numcrosos I hr os ic.xto a cita^ao da Earn. Hominidae, conio sc segue: Segundo Mclo Leitao (1942 ca. XXVIII) as especics da famflia Hominidae da ordem Primula, sub-ordem Anthropoides agrupam-sc nos seguintes generos: Pithecanthropus, Sinanthro- pus, Eoanthropus, Paleanthropus e Homo (as precedentes, cs pccies unicas dos generos c Homo com duas). O Pithecanthropus credits c uma cspccic iinaginaria ex- trapolada sobre a cvidcncia ostcolbgica dc uma simples calota craniana. dois molarcs c urn femur cncontrados por Dubois cm Trinil na Ilha dc Java. Ate hojc nao sc chegou a uma conclusao, sobre sc esses tres rcstos, cncontrados cm locais diferentes embora no mesmo extrato; pertcnccriam a indivi'duos dc uni mesmo grupo (?!!!). Houle cita Duckworth endossando-o, quando diz: “Tls sont les fails. Si Ton n’avait que Ic crane cs les dents, on sc croirait cn presence d’un Homme. Des deux prin cipaux caractcrcs humains, grand ccrvcau ct atitude droitc, Ic dernier aurait etc ici eomplctement acquis avant Ic premier. Duckworth a fait observer que ce nest pas conforme un development ontogenique dc l'llomme ( Duckworth , 1912). E mai sadiantc: “II rest et ii restera un doute encore longtemps. jioqu’au moment ou dc nouvellcs fouilles plus heurcuscs nous metront cn possession dc debris moins incomplets et trouves en connexion. 2 3 4 5 6 7 k-V —1 1 1 1 -1 — 1 ^ I 11 12 13 14 15 16 186 Art/iiiros do Servian Flnrrstal 11 Chcgantlo mesmo a interprotar o fiomem dr Trinil conio scndo lima forma gigantc dc macacos antropomorfos (Gibbon): "Aprcs Dubois, plusieurs naturalises out insistc sur Ics res- semblances dcs rcstcs du I’ithecantrope avec Ics memes parties du squclcltc dcs Gibbous. Dcs lors pourquoi nc pas suposcr quo Ic Pithccantropo rcprcscnte unc forme ampli lice,, gcantc dc singe sc rattachant d’unc maniarc plus au moins ctroite, au groupc dcs Gibbons?”. Essas diividas, contrudigoes, extrapolates; semente robus- tccem a nossa opiniao dc que o Pithecanthropus rictus 6 uma espccie sem base objetiva; pertcnccndo ao grupo dos Arquetipos ou talvc/. Idrotipos. O Sinanthropus prkinrnsis, lambent dcscrito por fragmentos dc cranio apresenta algumas variav’oes dc tamanho c forma cm rclagSo ao Homo sapiens c demais spp “L.es cranes sent tous incomplets cl depourvus dc leurs mandibulcs. Lc premier trouve, ou crane n.° I, provient dc la partic plus profunde du gisement, du " locus E II cst atribue par Black a un adolescent et par Weidenreich ii un enfant male dc 8 a a 9 a ns. Lc n.° 2 du "locus l)'\ dccouvcrt a un niveau un pen plus eleve, cst qualific d’adulte par Black, tandis que Weidenreich y voit unc fcmmcllc adolescente, dc 14 a 18 ans. L.e Crane n.° 3 cst beaucoup plus fragmentaire. Son posscsscur scrait mort vers 50 ans. Depois dos estudos feitos sobre as mandibulas (fragmentos dc mais ou mcnos dez individuos) Houle interpreta os rcsultados considerando Sinanthropus como um grande simio fossil. “En somme, par I’ensemble dc leurs caracteres Ics man- dibulcs et Ics dents du Sinanthrope denotent un grande cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1057 //. da Costa Montciro Ncio : I)a K specie 187 Primate plus voisin de rilominc ccrtnincmcntc que tons les grands singes connus, fossiles ou vivants mais sont status nest pas encore franchement humain, nioins humain certainemenl quo celui de la machoire de Manor, Laquclle est probablcmcnt plus ancienne que les fossiles de Pekin". (Houle, 1946; pg. 121 ). Durante a sua diseussao Houle emprega o ternio prehomi- nidas (Para Pithecanthropus e Sinanthropus) exprimindo sua ideia sobre essas spp. e sua verdadeira amplitude, com o que eoncordamos plenamente. O Eoanthropus Dawsoni, lambent dcscrito de urn cranio e uma mandfbula que nao se conseguiu provar pertencer ao mesmo indivfduo, (a diferenga entre Eoanthropus e Sinanthropus e mo- nos scnsi'vel que a enlrt um cranio braquicdfalo de homem atual sul-europeu e um dolicocefalo norte-europeu). Boule cm seu Historico do Homem de PUtdown, afirma: “Comme le crane reconstitue paraisait n’avoir d’apres line premiere evaluation qu’une capacitc de I .070 centimetres cubes, que le fragment de machoire a un aspect ties simien, ct que d’apres Elliot Smith le moulagc intracranicn reve- lerait une forme inferieure Smith Woodward s’est cru en presence d’un type ties primitif. representant I’aurore de I’humanite; il a donne a ces restes le nom tres expressif d' Eoanthropus Dmvsoni". (Houle M. 1946). Quando interpreta as faltas reproduz as duvidas quanto a unidade do fossil de Piltdown e inclina-se para a hipotese de Keith, Friederichs, etc. (Houle M. 1946 pg. 188); o Eoanthropus nada mais seria que uma quimera de paleontologia (cranio humano. mandibula de shnio), afinnando mesmo (eoncordamos plena- mente com Boule), que, "Des lors I’examen de la restauration de la tete osseure par Smith Woodward peril son interiit, car s’est en considerant comme acquis le fait que mandibule et os du crilne 100 Arqn i vos do Servieo Flareslal 11 out appartnnu a un memo individu que Smith Woodward a cru pouvoir entreprendre ccttc restauration". (Houle M. 1946 pg. 188). O Paleauthropus heidelbergensis, foi descrito de um a man- dibula cncontrada cm arcias fluviais do pleistoccno. Simples- mente porque os ramos montantes tfim 6 cm de largura ao inves do 3,7 cm, foi essa mesma mandibula descrita como um genero e especie, constituindo um clo na cadcia evolutiva do homem!!! Houle examina a Mandibula de Maner com certas reservas achando porem tratar-sc de um Hominida; nomeando-o de Homo Heidelbergensis, criticando porem as reconst it uigdes: “Ou a voulu aller plus loin et demander a ce precieux mais trop isole document plus qu’il ne peut donner. On a puble des reconstitutions du crane et le portrait memo de I’Homo H eldelbergensis. Ces essais peuvent servir d’agreables pause-temps a des homines de sciences; ils ne devraient pas sortir de leur cabinet de travail". ( Houle 1946 pg. 172). Concordamos plenamente com Arkell quando cita Zuckcr- man: “has pointed out how diferent our ideas of the evolution of man would be if, in distinguishing neanderthal for modern man, the same values were attributed to the characters used as is customary in distinguishing Pithecanthropus, Sinanthropus and Eoanthropus (Arkell, 1941; pg. 397). No genero Homo encontramos as espccies melhor definidas; assim o Homo neanderthalensis, descrito de esqueletos completos como Homo pritnigenius c depois considerados como a mesma especie anteriormente descrita como Homo neanderthalensis (sobre uma calota craniana e alguns fragmentos esparsos). O II. neanderthalensis cobre uma extensa regiao compre- endendo: Europa, Asia Menor, Africa (Rodesia) e Java. Essas especies do Pleistoccno inferior sao chamadas Paleo antropicas cm contraposigao com as tics variedades, depois ra- cas, depois reunidas cm uma unica especie Homo sapiens SciELO 11 12 13 14 15 16 1957 II. da Costa Montciro Ncto : Da Especie 189 antiquus, cssas ires variedades ou rasas apenas obedcciam ao cri- terio geogrufico exagerado sendo dcsignadas das regibes da Franga, onde forani encontrados os primeiros fbsseis e assim eram: “Cro-magnon” na Dordonhu, “Grimaldi” na regiao tie Mcn- lon e “Chancelade" 11a Dordonha. Depois a medida que os restos foram sendo encontrados, aos poucos o mosaico especifico foi sendo reconstitut'do e o Homo sapiens antiquus foi reconhecido, ao niesmo tempo que o homem atual passava a ser considerado uma linica especie com algumas variedades e muitas rasas. Ill A ESPfiClE EM TAXINOMIA a) — Da especie cm Fitotaxinomia Caiman, do British Museum diz-nos: “Partimos do fato cmpfrico de que a grande maioria dos animais pode ser redistribuida, com maior ou menor difi- culdade, dentro de grupos os quais chamamos espeeies. O que uma especie realmente 6 e ate onde os grupos que nos denominamos assim sao todos cquivalentes, sao ques- toes que nao devemos discut ir presentemente, porem da existencia da especie nao ha nenhuma diivida” ( Caiman tV. T. 1941). A opiniao desse sistemata museologista exprime exatamente o conceito do que poderiamos chamar “especie de museu”, a qual hoje cm dia passou a exprimir uma entidade sob certos aspectos inteiramente diversa da especie biologica; senao, passemos a exa- minar: o sistemata procura encontrar os atributos dife renciais, afim de separar as plantas dos grupos semelhantes, como. so tra- balha com atributos morfologicos conservados post-mortem e as vezes mesmo alterados pelos processes de conservagao (Herbori- mo A rquivos do Servian Florcstal 11 zagao, fixagiio, sccagem, etc. ...), dispondo alem desses atri- butos, dc informagao geografica sobre a pltmta; 11cm sempre con- segue ordenar os especimens que possui segundo as “especies reais" so conseguindo identifica-las, nem sempre com exatidao, usando o metodo dos tipos. on seja : Comparando o especime com outro identificado ou com deserigao original de urn dos individuos tornados como o tipo da especie. Sera esse metodo seguro? Aparentemente sim. pois quando 0 taxinomista encontra uni afastamento da deserigao original e iulga cssa discrepancia suficiente, descreve esse especime como lima nova entidade que sera uma subcspecie ou especie nova, a qual vai enriquecer as suas colegbes e a iitcrutura com urn “novo nome". eabendo a quern trabalhar no grupo e for estudar as es pecies cm conjunto (genero, fanulia. ordem), provar a validade ou nao da especie. O criterio geografico aliado a um desejo espresso de desco- brir diferengas onde ha “variagao" maior ou menor de um atri- buto, a avaliagao subjetiva dessa mesma variagao, leva o sistemata a exageros, tornando-se o seu trabalho em tudo semelhante ao de Jordan que no dizer de Bonnier ( Bonnier , 1920): “deux cents d’especes extraites du seul Draba verna. II procede ainsi a la “pulverisation” d’un grand nombre d’especes linneenes". Porem as especies Jordanianas ou Jordaneons nada mais cram que linhagens e assim concorda Bonnier quando diz: “Cest en effet, I’etude des especes Jordaniennes, a caracteres constants et hereditaires, qui constitue I’une des bases des recherchcs de De Vries". ( Bonnier , 1920, pg. 276). Os exageros do criterio subjetivo na avaliagao dos atributos nao sao coibidos pelas Regras Internacionais de Nomenclatura Botanica, as quais apenas na segao recomendagoes tratam alguma 1957 II. da Costa Monteiro No to: Da Especie 191 coisa sobre a espdcic, nos artigos quo teem forga do lei, preveeir. apenus como denominar. Sc abandonussemos o criterio morfoldgico puro, com ava liagao dos caracteres de forma puramente subjetiva (o que li- mita a boa sistematiea, apenas aos pesquisadores que possuem “o faro do sistemata", alguma coisa assim como o “sentiment du ter" dos "spadassins"), para adotar o criterio objetivo procurando de alguma forma mensurarmos os atributos e sabermos assim o valor dos caracteres; em sabendo o valor dos caracteres podere- mos entao com seguranga chegar a aprender a nogao do MO- SAICO ESPECIFICO e aproximarmo-nos do conhecimento da “especie real" ou seja a especie tal qual existe na natureza. Se analisarmos uma sorie dc indivtduos tornados como per tencentes a uma mesma especie, veremos que num dado tuimero de atributos, alguns possuem uma grande variagao. outros pouca variagao. Tabelando esses atributos e assim determinando a va- riabilidade dos mesmos; em seguida podemos distinguir os ca- racteres, pelo valor que possuirem. calculando esse mesmo valor por intermedio da formula dos INVARIANTES de II. Monteiro, (Monteiro Filho, 1937 pg. 9), em que um caracter e invariante desde que na formula: 1 \ — valor do caracter v = em que f (x) x — variagao. Se encontramos x variando linearmente (caso geral dos atributos ntorfologicos; ex.: comp, de folha; tamanho de celulas: morfologia de cromosomas; etc. . . . ); evidente se torna que para f (x) -* O; o valor do caracter lende para o absoluto distinguin- do-se assim as cspecies pela determinagao de sens invariantes. Porem os invariantes nao trarao consequencia pratica se os em pregarmos apenas no sentido que o seu autor I lies deu. Sabendo que, os seres vivos teem como caracteristica a va- riagao contfnua, sent a qual a selegao natural talvez nao existisse (para grande desespero dos neo-darwinistas), a lixidez das es- I 2 3 4 5 6 7 _l 1 — I J — I 1 11 12 13 14 15 16 192 A rq uivo.s do Serving Florcstnl 11 pecies lcva-las-ia a cxtingao frente a variabilidadc do meio; ape- nas com os invariants sc nos tornaria por dcmais penoso a caractcri/.av’ao, mcsmo porque os prdprios invariants, so o sao no scntido absolulo, dcsde quo os vcjarnos no campo Einstciniano on mcsmo da relatividade classica os mcsmos tornam-se g&nero c cspecic conformc a prccisao do mcdida; assim. lanccmos mao dc conccitos do proprio autor quando diz: “aprcciagao dc tolc- rancia dos limitcs dc variabilidadc dc uni caratcr c com ccrlcza muito subjctiva" c mais adiantc, “foi procurando aprcciar cssa variabilidadc quc nos ocorrcu a ideia dc dar o nomc dc invari- antcs aquclcs cujo cocl'icicntc dc flutuagao para o taxinomista. podc scr considerado como dcsprczivcl”. ( Monteiro Filho, 1937 Pg- 7). Assim, considcrando a cspecic como podendo scr tabclada cm sens atributos c disccrnindo as espccies dc um genero pelos atributos difercnciais ou caractcrcs, chcgamos a cvidcncia dc quc apoiado no calculo dos “invariants" usando tambem sempre quc possivcl os caractcrcs dc mais baixa variabilidadc; podcremos calcular as curvas dc frcquencia dos caractcrcs dc um grupo dc individuos c pelas frcqucncias modaes, discenvr a cspccic. Evi- tcriamos a permancncia cm Taxinmia do valor subjetivo dos caractcrcs, Icvando sistematas c nao sistematas a transpor o abismo quc sc alarga mais c mais. havendo autorcs quc dizem como Milanez ( Milanez , 1949): a lacuna hojc quasi in transponivel, entre a Taxinomia por um lado c a Biologia Gcral por outro”. Examinando os 6bices quc a sistcmatica morfologia pura possui concordamos com Wildcman ( Wihlcman , 1926). quando diz: “De divers cotes, on a fait aux descripteurs Ic reproche dc multiplier les types specifiques pour pouvoir placer leur nom a la suite d’un binome Faut-il dire quc ccttc alle- gation sc pent ctre adressce a la plupart des phytographes, ct quc mcmc si dans certain cas nous les phytographes, 1957 H. au Costa Montciro Ncto: Da E specie 193 nous avons ele amends a criir des bindmes nouveaux, cc n’est point pour avoir le plaisir dc voir figurcr notre nom, cm abrege, a la suite dc celui d'unc planic. mais parce que nous cstimons que i’organisme nouvellcmcnt baptisd possede des caractcres sur lcsquels il y a lieu d’attention, sans pour cela garantir, loin de la, que notre appreciation du moment sera immutable”. As afirmatjbes acima transcritas espelham o quadro da pre cariedade da Taxinomia quando bascada apenas na aprecia<;ao dos fatos morfolbgicos, evidentes, nas exsicatas de muscus. Ainda apoiar-nos-emos cm Wildeman (l.c.). para alii marmos com ele: “Malheuresement, la definition specifique dun organisme vivant est loin d’etre aisee et nous admettons, sans la moin die hesitation, que des caractcres anatomiques, cytologi- ques, phisiologiques, chimiques, biologiques peuvent et doivent intervenir dans la specification”. ( Wildeman pg. 35). Nos nao advogantos o banimento da morfologia e sim urn objetivismo maior nas questoes especfficas, proeurando o conhe- eimento da espeeie real, ou seja tal como ela existe, e, nao pode mos apreender a sua eonceituagao exata sendo pelo menos cm parte, valida, a afirma^ao de Wildeman ( Wildeman , 1926). ‘‘Si nous pouvions employer comme en chimie, des reactions partout les memes, la definition serait beaucoup plus aisee. mais 1’organisme vivant, ne pent etre enferme dans une formule mathematique!”. Essa serie de subjuntivos de Wildeman. aponta-nos o cami nho da futura Sistematica pois no dia cm epic possamos enfeixai a Espeeie em uma rfgida formula matematica teremos atingido 194 Arquivos do Scrvigo Florcstal 11 um ponto final nas pcsquisas sistcmaticas, tornando-sc a Taxino- mia accssfvcl a qualqucr pesquisador. b) — Da especie era Zootaxinomia Caiman do British Museum diz-nos: “we start with the empirical fact that the great majority of animals can be sorted, with greater or less difficulty, into groups wich we call species. What a species really is and whether the groups that we call by that name are all equi- valent, are questions that we may leave aside for the present, but of the existence os species there can no doubt at all" ( Caiman W. T. 1941). A opiniiio dessc sistemata museologista exprime exatamentc o conceito da que poderiamos chamar “especie de museu" a qual hoje cm dia passou a exprimir uma entidade sob certos aspcctos inteiramente diversa da especie biologica; senao passemos a exa- minar: o sistemata procura cncontrar os atributos diferenciais a fim de separar os animais dos grupos semelhantes, porem como so trabalha com atributos morfolbgicos conservados pors-mortem e as vczes mesmo altcrados polos processos de embalsamamento, dispondo alem desses atributos, de informagao gcografica sobre o animal; nem sempre consegue ordenar os espccimens que possuf segundo as "espccies reais", so conseguondo identifica-las, nem sempre com exatidao, usando o metodo dos tipos, ou seja com- parando o especimen com outro identificado ou com descrigao original de um dos individuos tornados como o tipo da especie. Em grande quantidade de casos, aliada a uma pcquena va- riacao morfolbgica, a distribuigao geografica e suficiente para o autor descrever uma entidade nova; vejamos um exemplo con creto: Berla (1946) encontrando cm Pernambuco um casal de macucos os quais diferiam do tipo da especie, Tinamus soli tar ins solit arias ( Vicillot IS 19), cm pequenos detalhes de coloragao da 1957 If. da Costa Montciro Ncto : Da E specie 195 penugem da cabega, penas do dorso, cauda c asas, dctalhcs fisses insuficicntcs para considcrar cm uma cspccic domeslica uniu raga. Julgou-o suficientc afastado do tipo para caractcrizar uma subes- pccic geografica com o nomc do Tinamus solitarius pernambu- censis Bcrla 1946. I’clo cxcmplo anterior vemos que nao cxistindo uma disciplina cm sistcmdtica c sim o simples julgamento subje tivo do pesquisador, sempre que vamos examinar um trabalho temos dc examinar senao a probidadc do autor pclo menos o set: renome para nos assegurarmos da provdvel validad • dc suas afir mativas, visto o coeficicntc pessoal ser ainda o unico praticamente a sc lcvar cm conta na determinagao do valor dos atributos quando sc procuram os caractcrcs, as regras dc nomcnclatura apenas sc prcocupando cm disciplinar como denominar o animal: art. 2. A designagao cicnt ifica dos animais c uninominal para subgencros c todos os grupos mais altos, binominal para espdeies c trinominal para subespccies. Os demais artigos das regras tratarn dc como denomind-las (obrigatoriedade dc um nomc latino), designagao dos grupos su- pcriorcs (gencro, famflia). O que nos leva a concordat- com o prof. Mclo Leitao quando diz: “o nomc cientifico dc um animal 6 mais que uma simpler, designagao, pois indica a posigao da cspccic distinguindo-a das outras do mesmo gencro: dcsignar um animal por sen nomc bind- rio e, dc fato, classifica-lo”. {Melo Leitao 1942 pg. 10). No entretanto concordamos com o prof. Mclo Leitao do ponto dc vista da sistcmdtica puramentc morfologica passando a ser o nomc dc uma cspccic capaz dc distingui-la dc outra cspccic, cm sc tratando dc material dc muscu, pois na natureza a sistcmd- tica morfologica ainda nao c capaz dc nos ofcrcccr um rotciro se- guro no que tangc it cspccies animais; citcmos um cxcmplo con- crcto dessas dificuldadcs: Gosline cm sen catdlogo dc peixes nematognatos da Amd- iica do Sul c Central diz: "a fase sistcmdtica consistc, principal- mente, numu questao dc julgamento zoologico. Surgem entao problemas como o dc vcrificar quais as famflias, subfamilias, gc- 1 06 Arquivos do Service Florestal 11 neros, subgencros, especies e subespecics a serein reconhccidas e quais os dados de dislribuigao mais adequados. Isso porem, nao c facil, tratando-se dc um campo tfio confuso como o da ictiolo- gia sul-amcricana. Ate mesmo sobre o mimero de familias exis tentes ainda nao se chegou a uma eonclusao". ((iodine 1945 pgs. 1, e 2). Como o autor citado, encontraremos afirma^ocs semelhan- tes em imimeras publicatjoes de /oologos em todo o mundo. Em cntomologia, a confusao da sistematica tem o sen cli- max, senao basta atentarmos para o mimero das especics admit i- das como tal, o qual orga em 6.000.000. Comprccnde-sc logo o trabalho terrivel para o taxinomista reconhecer uma cspecie en- tre essa quantidadc espantosa de tipos as mais das vc/.es diferindo uma cspecie de outra por atributos mrnimos, porem que aos olhos do sistematas apareecm com um valor extraordinario, cabendo at' biologista destruir essas especics fictfcias, como nos vemos succ- der cada vcz em que por se tratar dc uma cspecie de interesse economico ou puramente biologico, um grupo de especics e mi- niciosamentc cstudado reunindo-se o critcrio taxinomico e bio- logico. Atentemos para a sinonimia espantosa das especics de valor economico ou. de interesse medico por serein vetoras de microorganismos patogenicos. Porem se em grande parte dos cast's, um interesse maior em determinado grupo: levando ao seu estudo pelo prisma biologico. fatalmentc conduz a um conhecimento da inconstancia do eric rio especifico puramente morfologico; em grande parte dos casos. quando o trabalho nao e feito por uma equipe dc pesquisadores e sim por indivfduos isolados t) trabalho do sistemata fatalmentc sera influenciado pelo critcrio morfologico. Exemplifiquemos: Smart (Smart 1941) cita um caso que ele chama de “pressao sobre o trabalho” em que entomologistas dedicaram-se a um grupo de importancia ir.edica e da um quadro comparativo dos resultados: 1057 II. da Costa MOiitciro Ncto\ I)a K specie 197 Anton's }>!/"■ Pratt eh *3 .000. 000 dc iirvorcs c ao desdobranicnto c baldeugao do 3.300.000 cstcrcs dc Icnha por ano, ou I I .000 cstcrcs por dia. ou ainda 20 cstcrcs por minuto cm dias dc 10 horas dc trabalho Diantc dc tais numeros qualquer prcocupa?ao estara plena- mente justificada, motivo porque cstamos seriamente empenha dos cm esclarcccr as vantagens ou desvantagens do uso dc serras de-cadeia motori/adas. dc serras manuals especializadas. dc ma chados dc modelo tradicional ou especial, dc tclcfcricos florcstais. c dc outros cquipamentos que venham a scr aconsclhados c cuja indicagao desde ja agradcccmos. I’ara completar cstas rapidas consideragdes sdbre o piano florestal dc que nos ocupamos, deveriamos fazer algumas referen- cias dc ordem ccoldgica. Tratando-se, entretanto, dc assunto ainda controvert ido no nosso mcio, sdbre o qual ha poucos por nunciamcntos dc valor c muito pronunciamcnto suspeito, prcfc- rimos consignar apenas que o Servigo Florestal da Belgo Mincira nao csqueceu este aspecto do problema, pondo cm pratica ccrtas medidas que considcramos cficicntcs para evitar grandcs desequi- Ifbrios do mcio. A vegeta?ao nativa, arborca ou nao, que cilia os cursos dagua c cobre as nasccntcs c invariavelmcnte respeitada; todos os capdcs cncontrados nas terras que trabalhdmos sao mantidos, protegidos e, sendo o caso, mclhorados com tratos culturais adequados. Nossos eucaliptos sc cncontram, assim, entremeados dc bosques c bosquetes natives para refugio da fauna que procura mos proteger contra ca^adorcs, parte da qual. temos observado. vein sc acomodando nos proprios cucaliptais ondc prosperam sub-bosques vigorosos. Certos passaros sao frequentadores as sfduos dc certos trcchos das plantagocs ja formadas, c o passaro chamado gaucho ou guachc na regiao ja tern tecido seu ninho caractcrfstico cm eucaliptos que por uma ou outra razao sc tornam frondosos. Rcsta ainda eonsiderar uma questao sdbre a qual tivemos oportunidadc do ouvir Sua Altcza, o Duque da Baviera, quando dc.sua rcccntc visita ao nosso Service. 2 3 4 5 6 7 k— ^ V^’ —I 1 1 -I — I N-' I 11 12 13 14 15 16 230 Arquivos do Servian Florestal 11 Rcfcriu-sc aquclc renomado naturalista a grandcs areas flo- restais dc sua terra natal onde na atualidadc e praticamentc im possfvcl cultivar certas csscncias, tal 6 o cstado dc esgotamento das terras e tao intensas as infestagdes dc fungus e insetos. Escla- receu emtio Sua Alteza, scr o fenbmeno consequencia das secula- rcs culturas puras das mesmas arvores nas mesmas areas, e nos perguntou, diante disso, o que pensavamos da cucaliptocultura como a praticamos. His urn problema que merecc o estudo dc espccialistas. Ao lado do piano florestal que aeabamos de expdr, tem a Bclgo Mincira um piano dc melhoramento do carvao para fins sidcrurgicos. Estc outro piano complcta o anterior c esta sendo profici- entemente exccutado pelo Servigo Experimental de Carvocja- mento a que ja fizemos rapida referenda. Os primeiros resultados de alguns anos de pesquisas e ob- servances ja estao sendo colhidos e as pcrspectivas sao promis- soras, constando entre as pesquisas em andamento uma dcsti- nada a csclareeer quais as melhores cspecies de Eucalyptus para a produgao do carvao siderurgico, c em que idades deverao aquelas cspecies ser abatidas. Para encerrar esta despretenciosa exposigao tomamos a li- berdade de transcrevcr um trecho cscrito por Navarrro de An- drade ha muitos anos indicando a solugao hoje adotada pela Bclgo Mincira: "E bem conhecida a enormc riqueza do Brasil em jazidas de minerio de ferro e sabido c que a falta de carvao vegetal barato tem sido uma das causas que mais tem contribufdo para o lentfssimo desenvolvimento da siderurgia no pais. Os fornos eletricos vieram resolver em parte o problema, mas ape- nas em parte, visto que, se dispensam o carvao como combusti- vel, dele nao podem prescindir como elemento redutor Daqui se conclui que a metalurgia do ferro no Brasil esta intimamente ligada a fabricagao do carvao vegetal. Das nossas matas pode mos fazer carvao e em grande quantidadc, mas a sua heteroge- neidade e a lentidao com que sc refazem as nossas principals c 1957 L. Ossc: O Plano Florcstal da Cia. Bclgo Mincira 237 mais apropriadas essencias florestais tornam-se cconomicamcntc pouco seguras como fontc de carvSo eerto, abundante e barato". E mais adiante, ja sc rcfcrindo ao eucalipto: “Estamos conven- cidos, e a tal convicgao nos Icvou nao so o conhecimento quc temos deste riquissimo gcncro vegetal, mas tambem a opiniao de tdcnicos abalisados, de que sem planta^Ses de cucaliptos nao sera facil obter carvao vegetal abundante e barato no nosso pais. Sem carvao nao havera ferro e sem eucalipto nao havera carvao: nisto se cifra o nosso problema". BIBLIOGRAFIA NAVARRO DE ANDRADE, Edmundo — O Eucalipto — Edigao da Chacaras e Quintals — Sao Paulo — 1939. ENSCH, Louis J. — Siderurgia a Carvao de Madeira, possibilida- des e pianos de expansao no Brasil — Centro Moraes Rcgo, Geologia e Metalurgia — S. Paulo — 1952 (n.° 9). MINISTERIO DA AGRICULTURA, Servigo Florcstal — Plano de reflorestamento para as usinas siderurgicas do centro do pais — Rio de Janeiro — 1951. NAVARRO SAMPAIO, Armando — O aperfeigoamento dos m£- todos de cultura do eucalipto — Rio Claro, SP. — 1947. AMARAL, Afranio do — Siderurgia e planejamento economico do Bras'l — Edltora Brasiliense Ltda. — Sao Paulo — 1946. BAKER, Frederick S. — Principles of Silviculture — McGraw-Hill Book C., Inc. — 1950. DEFFONTAINES, Pierre et la for£t — Libraire Gallimard — 1949. OSSE, La6rcio — Eucalipto e siderurgia — Separata do Anu&rlo Brasileiro de Economia Florcstal, n.° 9 — Instituto Nacional do Pinho — Rio de Janeiro — 1957. SciELO cm ) 11 12 13 14 15 16 Hortj do Sitio Largo Replcagem no tempo com pratecAo Inlctal de i .teira* de taquara SciELO cm i 11 12 13 14 15 16 17 Eucallptnl coni (i a not no Horto s Estados percorridos. Honrados com o convite do Sr. Diretor do Servigo Florcstal. Dr. DAVID DE AZAMBUJA, tivemos a oportunidadc dc acorn- panhar o Prof. AUBREVILLE cm todas as suas visitas polo nosso tcrritdrio. facilitando as excursdes, forncccndo-lhe expli- cates. proporcionando-lhc, enfim, todas as facilidades ncces '.arias para o bom desempenho da sua missao. Por parte do C. F. F.. o Prof. AUBREVILLE foi assistido pelo Sr. A. M. BASTOS, do Jardim Botanico. Os apontamentos que sc seguem foram tornados durante as excursdes pelos Estados do Rio de Janeiro, Sao Paulo, Minas Gerais, Goias, Rio Grande do Norte, Para, Tcrritdrio do Ainapa e Amazonas e sintetizam as observagoes quo realizamos. ESTADO DO RIO DE JANEIRO Pcrcn rso R io-Itatiaia No dia 6 de novembro partimos do Rio, pela Presidente "DIJTRA”, com destino ao Parque Nacional do Itatiaia, com pc quenos desvios para unia mclhor visao do conjunto. Assim, passamos pelo Monumento Rodoviario, Barra do Piraf, Volta Redonda, Barra Mansa e Rezende. A impressao que se tern desse percurso e simplesmente desoladora, sob o ponto de vista florcstal. Quase nada mais resta das matas primitivas, pelo menos ao aleance da vista, e nao parece facil a sua reconstituigfio florcstal. Sao morros pelados que se sucedem numa monotonia fatigante por todo o Vale do Paraiba. Apesar disso, o Vale do I'a- -aiba, com a Companhia Siderurgica Nacional, a Academia Mili- tar das Agulhas Negras, o Instituto Tecnico de Aeronautica, o Parque Nacional do Itatiaia, a sua posigao estrategica e suas imi- meras industrias ao lado da rodovia, ainda e um fator de pro- 248 Arquivos do Serving Florcstal 11 gresso entre as duas mais importantes cidades do pais, relem- brando o sen primitivo esplendor florcstal c agricola no tempo do Imperio. Parque National do Italiaia J a dissemos, ha tempos, que os Parqucs Nacionais sao areas mais ou menos extensas, dotadas de atributos cxcepcionais, su blimidades da criagao da mae-natureza, preservando-as intatas. tanto quanto possfvel. Sintetizam, portanto, a natureza virgem, a natureza primitiva, entregue a si mesma, sob a agao cxclusiva dos agentes naturais, desde a formagao da terra ate a presente data. () Parque Nacional do Itatiaia se enquadra perfeitamente nos conccitos acima e dentro dos mais rigidos principals recent': mente estabelecidos por convengao internacional, e que sao: pro legao integral, planificagao, acomodagbcs, boa apresentagao e amplas informagbes sobre suas finalidadcs. Deixamos, porem, de entrar cm maiores comentarios sobre este magnifico Parque por constituir o mesmo uma dcpendencia do nosso Scrvigo Florestal, que, por dispositivos regulamentares, lhe impbe atribuiv'oes administrativas e cientificas. ESTADO DE SAO PAULO Ser\'i{'o Florestal do Estado de S. Paulo O Servigo Florestal do Estado de Sao Paulo, com sede cm Tremembe, da Cantareira, e um departamento da Secretaria da Agricultura do referido Estado e tern uma organizagao notavel. Praticamente, o S. F. do Estado ja completou 50 anos de existencia. No governo de BERNARDINO DE CAMPOS, pela Lei n.° 355, de 10 de fevereiro de 1X96, foram desapropriadas as terras do antigo engenho “Pedra Branca”, para, nas mesmas, ser 14 i f 1957 P. F. Souza: Apontamentos Flore stain 24!) instalado o Horto Botanico c Florestal dc S. Paulo, cujos traba Ihos foram iniciados cm 1897. £ natural, portanto, que tenha passado por varias reformas, sob a administragao dc diversos ehefes c dirctorcs, dcstacando-se ALBERTO LOFGREN, GUSTAVO EDWALL, NAVARRO DE ANDRADE, ADALBERTO OUEIROZ TELLES, OCTA VIO VECCHI c outros. Pcla Lei n.° 15. 143. dc 19 dc outubro dc 1945, foi dnda a organizagao vigente, que c a seguintc: Diretoria — Sede. Distritos Florcstais. Polfeia Florestal. Escola de Charao. Servigos Agricolas. Servigos Externos do Administragiio. Obras. Desenho c Cartografia. Edi- goes. Propaganda. Segoes Tdcnicas : S T 1 — Biologia Florestal. Genetica e Produgao do Semcn- tes. Eucaliptos e produgao de mudas. Refloresta- mento. Viveiros. Centralizagao da venda e da dis- tribuigao de mudas produzidas na sede. S T 2 — Defesa Florestal. Execugao do Cotligo Florestal. Re- servas, Parques e Fazenda Campininha. Economla e Estatistiea. Guardas Florcstais. Nota: Compete ao Parque Estadual de Campos do Jordao experimen- tagao e fomento da Araucaria, podocarpus e conifc- ras exbticas. S T 3 — Introdugao de essencias. Atribulgoes especificas. Co- niferas exoticas. Cultura do eliaiao. Produgao de mudas. Parasitologia florestal. Laboratdrio fotogra- flco. Nota: Na Fazenda “Chapada", anexa a sede, serao realizados trabalhos experimentais com co- niferas indigenas, Araucaria, podocarpus e exoticas. S T 4 — Parques, Jardins e Arborizagao. Projctos e orienta- gao tecnica para o interior. Produgao de mudas de essencias ornamentals, de essencias indigenas e dc essencias exoticas aclimadas. Arauivos do Servico Florestal 11 A S T 2 conta tambbm com o Parque Estadual de Campos do JordSo, Fazenda Camplnlnha c Jaragud. A S T 3 — com a Fazenda Chapada. A sedc dispoe, alnda, dc Scrvigos Tbcnicos c Auxlllares e mals: S.T.A. 1 — Museu Florestal. Atrlbuigoes espedficas. Bota- nica Florestal c Ecologia. Metcorologia. Arbore- tos. Documentagiio. Educagao. Cursos c confe- rencias. Laboratorio cinc-fotogr&fico. S.T.A. 2 — Blbliotcca. S.T.A. 3 — Oficlnas. Marccnaria. Carplntaria. Serraria Caixotaria. Afiagao de serras e facas. Hortos Florestais, Viveiros e Parques-Avare, Bauru, Bcbcdou- io, Batatais, Santa Rita do Passa Quatro, Tupl, Silo Simao, Mogi- Mirim, Paraguagu-Paulista; Viveiro Florestal de Guaratingueta. Viveiro Florestal de Itapetininga e Parque Estadual de Campos do Jordao. Segoes adminlstratlvas: S.A. 1 — Expedlente. S . A. 2 — Contabilidade. S.A. 3 — Material e transporte. Recentemcntc, o Scrvigo Florestal cstabeleccu um maenifico piano de trabalho para os sens hortos, “objetivando plantacoes de essfincias indfgenas e exoticas, cm diferentes areas segundo a importancia economica das mesmas e adotando tratamentos di- versos para que possam servir de parcelas de observagao, sem prejuizo da experimentagao que devera tambem ser exccutad i de acordo com o planejamento do Scrvigo”. Todas as areas disponiveis, nos Hortos, serao plantadas dentro de 2 anos, de preferencia com essencias indfgenas locais. |wr oferecerem possibilidades e caracterfsticas ecologicas Para a importagao de sementes do genero Finns, o Governo do Estado ja tomou as providencias necessarias diretamente com 1957 r. F. Souza: Apontamcntos Florcslais 251 as fontcs produtoras norte-amerieanas c com o Banco do Brasil para a nccessaria cobcrtura cambial, no valor dc Cr$ 600.000,00 para a compra dc sementes dc conffcras. Os hortos do interior devcrao plantar, ate margo dc 1 958, < scguintc: AVARfi — 36 hectares; BATATAIS — 48; BAURU - 23; BEBEDOURO — 30; PARAGUAY — 20; SANTA RITA — 20; SAO SIMAO — 40; TUPI — 45; Santa Emilia, 130 e Campininha — 130 hectares. O piano cspecifica as csscncias que devcrao scr plantadas, os tipos de tratamento, numcro dc mudas da especic principal e da consociada, as sementes neccssarias dc cada especic, etc. As csscncias nacionais cscolhidas pelo seu valor cconomico sao as seguintes: amendoim-bravo, angico-do-campo, angico-ver- melho, arariba, aroeira, barbatimao, caixeta, candeia, canclao, cangerana, cabrctiva, caviuna, ccdro, faveiro, ipe-amarclo, ipe roxo, imbuia, jacaranda-paulista, jatoba, jcquitiba-vermelho. lou to-pardo, louveira, 6leo-de-copai'ba, pau-marfim, pau-percira, pc roba, pinheiro-brasileiro e sucupira. As essencias exoticas eleitas, foram as seguintes: Acacia mo- lissima, Casuarina stricta, cinamomo, Cunninghamia lanceolata, Cupressus lusilanica, Grevilea robusta, Finns (diversas cspccies) c Taxodium distichnm. O piano preve, ainda, a formagao de plantagbcs puras, plan- tagoes associadas e plantagoes com planta pioncira, com os res pectivos compassos ou distancia dc plantaguo, apresentando, para isso. esquemas dos tipos dc plantio, variando de 1 x 1,5 m ate 2x2 m. Somos de opiniao que os plantios de 1 x 1,50 m ficarao muito densos dentro de pouco tempo, convindo lembrar que ha mais de um seculo foram estabelecidos os limites de 4 a 9 pcs quadrados e os intermediaries, para as plantagoes florestais cm geral (4 a 9 pes correspondent a 1.20 e 3,60 m). O Servigo Florestal dos Estados Unidos adota as distancias de plantagao, prcferivelmente, dc 6 a 8 pcs, isto c. de 1 ,80 a 2,40 m. 2f)2 Arquivos do Serving Florc.st.al 11 Na Inglatcrra ;i prcferencia recai nos 6 x 6 pcs c nos pm'ses europeus quo adotam o sistema metrico a distancia tic plantagao, cm geral 6 dc 2 x 2 m. Com o piano acima claborado pclo Servigo Florcstal do Es- lado dc S. Paulo fica hem csclarccido, uma vcz por tddas. que ja nao mais sc justificam os trabalhos que iiltimamcntc tem sido publicados cm profusao, numa vcrdadcira exibigao cscrita, sfibre compasso definitivo, compassos exfguos, compasso flo- rcstal, compasso inicial, compasso original, compassos pc quenos, conhecimcntos do compasso, distancia ideal, distan cia inicial, escolha da distancia para iniciar o plantio de- finitivo, espagamento inicial, espagamento inicial ideal, espaga- mento minimo especifico, espagamento original, espagamento primitivo ideal, espagamentos, espago minimo, limites minimos c nuiximos para os compassos das plantas, etc., que vinhamos ano- tando, ha muitos anos, sem protesto, por mcra condescendeneia c que somente agora rcccbcm o devido reparo. Depois dc uma rapida visita ao Ediffcio da Diretoria c do Muscu "OCTAVIO VECC1II", percorremos o setor dc sementes, as plantagoes c os rcccntcs trabalhos dc exploragao das matas na- luriiis, que cstao sendo cxccutados na Vila Amalia, junto ao Scr- vigo Florestal. O setor dc sementes c um dos mais antigos do Servigo Flo- rcstal. Uma publicagao mimeografada, tie 16 paginas, e fornecida aos interessados c sc intitula “Lista tie pregos tie mudas c semen- tes”, contendo as disposigoes, instrugoes c normas que regem a venda e distribuigao tie mudas e sementes. A “Lista” menciona, ainda nos diversos itens: nome vulgar, nome cientifico. emprego tla planta, numero de sementes por quilo, prego das sementes. uma tabela na qual e encontrado o prego tlas varias modalidades tie mudas e o enderego de todos os hortos, viveiros e fazendas tie pendentes do Servigo Florestal. Quanto as plantagoes tie pinheiro verificamos que os resul- tados agora alcangados parecem promissores, mas so daqui a al- 1957 P. F. Son, (i A rq moos do Scroiqo Florcstal 11 inimero tic arvorcs, por area, que sc modifica com a idade dos talhOcs on parcelas. aprimorando. progressivamente, a qualidadc das quo ficam. ao eontrario, portanto, do que sc da com as cul turas permanentes do cafe, e das arvorcs frutiferas, cm geral. que sc depreeiam com a idade. Quanto as condiyoes especiais da Serra da Cantareira potlc mos di/er que a reserva florcstal e de 6.250 hectares, sendo 20 '/< tic mala virgem, 50 rA dc caapociras resultantes dc um ou tlois cortcs feitos na mala primitiva c o rcsto compoe-sc dc caapo l iras ra las c caapocirinhas. coin mais dc tres cortcs c portanto sent valor economico. Toda a area loi devidamentc inventariada e dividida cm areas parciais ou unidadcs, confortne a idade, especies existen- tes, fcrtilidadc do solo, grau dc cobertura, etc., fixando-se a fina- I idade e os tratamentos respectivos, isto e, foi feito um verdadeiro ordenamento, com tarefas cspccificas para a mata virgem e para as caapociras. Uma parte da mata virgem sera deixada cm seu estado na- tural. A parte rcstante sera gradativamente transformada, por meio tic cortcs dc selegao, numa florcsta dc mcnor numero dc espccies, mas tddas dc valor economico e dc grande densidade por unidade dc area. Para isso, sera aplicado o sistema dc rege neragao natural das espccies desejadas e pclo aproveitamento das arvorcs secas, moribundas, tortas, dc qualidadc inferior e controle mcdcrado das ervas daninhas, trcpadciras, taquaras c arbustos. As caapociras serao cuidadosamentc substituidas por uma florcsta nova, dc arvorcs dc valor economico c pclo mesmo sis tema da regeneragao natural, sob as vistas do silvicultor, a fim dc que cssa rcconstituigao sc processc livremente. As caapocirinhas cm man estado serao substituidas por flo- restas artificiais. Os trabalhos dc transforma^ao dessas matas c caapociras obcdeccrao a normas rigorosas, tais cotno: 1057 P. F. Souza: Aponlmncntox Florcsluis 257 a — corte tie preparagao, isto e, urn desbastc forte, para climinar tudo quo e desneeessario e quo impede on dificulta a germinagao das sementes cafdas; b — outro desbastc, para aumentar a quant idade de luz e favorecer a rcgencrugao natural porventura j;i ini ciada sent Ihe causar dano, nessa fase inicial, e, c — corte final, rctirando-sc as arvores restantes. que ser- viram de porta-sementes, com excegao, e elaro, da quelas euja permanencia, no terreno, para um futuro aproveitamento, for julgada convenientc. Percorrendo os trabalhos ja executados e em andamento. pudemos observar que o chao nao fica descoberto, nao ha gran- des clareiras nem erosao e que a rcgcncragao natural se processa normalmente com as seguintes essencias: angico, bico-de-pato, cedro, jacaranda e outras. A lenha, provenientc dos desbastes, esta sendo vendida a Cr$ 120,00 o metro ctibico (estere), empilhada, aqui, na mata e a madeira dos pinheiros a C rS 500,00 o m3 para a fabricagao de papel. Todo o material ate agora retirado esta devidamente regis- trado por volume, valor e especies. As importancias das vendas sao reeolhidas ao Fundo l lorestal para posterior aproveitamento. As matas remanescentes nas areas dos Hortos do Servigo Florestal do Estado de Sao Paulo serao racionalmente explora- das de aedrdo com as linhas basicas do piano acima descrito, que tern o seu cunlio de originalidade e e licito esperar que os seus resultados sejam propi'cios a reconstituigao do nosso patri- monii) florestal. O Governo do Estado de Sao Paulo acaba de firmar um acordo, de cinco anos, com o Instituto Nacional do Pinho, para a execugao de servigos de florestaniento e reflorestamento, bem como trabalhos de guarda e fiscalizagao das florestas e implan- tagao de florestas art if icia is at raves de drgaos apropriados. 2 3 4 5 6 7 ^ w -L_ J — i -i—i vy ^ 11 12 13 14 15 16 F 258 A rquivos do Serving Florcstal 11 Para esse fim o I. N. P. coneorrera com a quota anual dc Cr$ I .()()().()()(),()() (um milhao de cruzeiros), e o listado do S. Paulo com tccnicos e os mcios necessaries ao bom desempenho dos services, hem como com a concessao do lacilidades o coope- ragao dos sous brgaos, para complete exito dos programas do trabalho a serem exccutados. () I. N. P. so obriga a contribuir com a quota acima, cm duas prestagoes somestrais, as quais sorao assim dostinadas: a — Cr$ 800 . ()()(),()() (oitocontos mil cruzeiros), para am* pliagao dos servigos do fomento e defesa florestais, e, b — Cr$ 200.000,00 (duzentos mil cruzeiros), para o Parque Estadual de Campos do Jordao, efetuando o reflorestamento de polo monos 100 (com) hectares. Quanto ao acbrdo do nosso Scrvigo com o Governo do lis- tado do S. Paulo, mclhor do quo nos podcra dizer a propria Diro toria do Scrvigo Florcstal. Parque Estadual de Campos do Jordao (Scrvigo Florcstal do Estado) G Parque Estadual, antiga “Fazenda da Guarda". fiea a 15 km do centro dc Campos do Jordao, quo, como sabemos, c um lugar dc turismo, polo sou clima admiravel c paisagens surpre- endentes. As plantagocs ficam a 5 km dc distancia da sedo do Parque. As estradas estavam cm pessimo estado devido ao mau tempo reinante, impedindo-nos do chegar ate la para uma visita as plan- tagocs dc Pinus c outras arvorcs exoticas ali introduzidas. Apcsar disso, pudemos apreciar as formagdes naturais tic pinheiro-bravo — Podocarpus — e dc pinheiro brasileiro Araucaria nas baixadas. As encostas e altos dc morros sao dc 1957 259 P, F Souza : Apontamentos Florcstais Em geral, as arvorcs do pinhcirobravo sao mal confornui- das, nfio sc prcstando para cxploragiio industrial cm grande es- cala. £ possivcl que cm plnntagbes artificiais esse grande inconvc- niente possa scr contornado. () Parque c dotado dc 4.000 alqueires paulistas c constitui uma vasta rcserva florcstal. Sua altitude, cm certos pontos, ul- trapassa 2.000 m. sendo, por isso, a cidadc mais alia do Brasil. Suas terras massape e salniourao sao dc uma pobreza incri- vel. pela crosao de suas encostas. e daf a escassa vegetagao dos pontos mais elevados. Pelo Dccreto n.° 27.314, de 17 de outubro de 1949, o Go- verno Federal declarou protetoras nao sdmente as matas do Parque Estadual conio tambem as dos muniefpios de Campos do Jordao e Sao Bento do Sapucai. Ao encarrcgado do Parque Estadual cabc zelar pela fiel observancia desse dccreto. Cabe-lhe, ainda, como uma das rc- centes atribuigoes, cuidar do ajardinamento das areas contiguas ao Palacio de Verao do Governador do Estado, com cerca de 30 alqueires. No viveiro do Parque, que percorremos de autonuivel cm vista do mau tempo, observamos o cuidado dispensado as plan- tas de ornamentagao, arborizagao e ajardinamento. Percorremos tambem, rapidamente, as plantagoes de frutciras de clima tem- perado — macieiras, pereiras, etc. Fazenda Campininha (Servigo Florcstal do Estado) Fica a 44 km de Mogi-Mirim, sede tie urn llorto Florcstal. A area da Fazenda e de 1 .800 alqueires paulistas — apro* ximadamente 4.300 hectares. A vegetagao natural e de cerrado, de terras pobres, e com- poe-se de barbatimao, angico. sucupira, bordao-de-velho, faveiro, pau-santo, louveira, etc. 2(10 Arquivos do Serving Florcstal 11 As suas plantains, a S km da sede da Fazenda, sao de Pinus taeda 5 a 6 . 000 exemplarcs e Pinus cllioiiii 1 50.000. A altitude c de 500 m e as chuvas alcamjam 1.300 mm cm media, anualmente. As plan taboos foram feitas sem alinhamento regular, cm ter- reno dc campo, c com o minimo dc despesas, consistindo o tra- balho na abertura dc sulcos.com um at ado c dc dois cm dois pas sos plantava-se uma niuda dc Pinus dc Ha 10 cm. As mudas plantadas cm feverciro dc 1957 aprcscntavam-sc, cm novembro, com 25 a 30 cm. O projeto dc plantaepio, para cstc ano, 1958, c dc 500 000 pcs. I la, tambem, grandcs planta<;e>es dc cucaliptos que nao pu- demos visitin', mas fomos informados dc epic as mesmas sc com- pdem das seguintes espccies: allxi, citriodora, g randis , robusta c saligna. Ildrlo Florestid dc A varc (Servigo Florcstal do Estado) A area do Horto c dc 106 hectares, no extremo dc uma das ruas da cidadc. Percorremos rapidamente as suas plantagoes dc comfcras e anotamos, apenas, o seguintc: Pinus cllioiiii, plantado cm janciro dc 1954, com mudas vin- das de S. Paulo. Distancia dc planta^ao: 1,5 x 1,5 m. Niimcro de pcs — 3 . 700. Area — 1 ,5 hectares. Altura — 3,5 a 4 metros. A administragao pretende plantar 15 hectares, mas tern pouca sementc. Uma plantagao dc pinheiro, que veio como P. insularis, mas epic parcce P. cllioiiii: data da plantaejao — 1949; com- passo — 1,5 x 1,5 m; diametros — 10 a 25 cm c altura 10 metros. Essa plantagao ja frutificou. Os cones medem dc 14 a 15 cm elc comprimcnto, e> epic vcm facilitar a sua identifica^ao. Nota-sc uma discrcta rcgcncragao natural, podendo essa especie 1957 P. F. Souza: Apontanu’ntos Florestais 2(51 j-cr considcradu boa e adatada a rcgiao. Nao e atacada pela Diplodia. Foi fcita a dcrramagem artificial dos galhos ate 2 me- tros do altura. Os demais talhdcs, cm verdadeiras areas experimentais, plantados cm dezembro de 1953, sao os seguintes: Finns nntricata — altura 2 metros. /’. monteznmac — altura 8 a 10 m. F. pinaster — comporta-sc mcllior do que cm S. Paulo ou cm Campos do Jordao. P. densiflora — altura 3 m. P. rigida — altura 0,50 m. Cnnninghamia lanceolata — altura 4 m. Taxodium distichum — altura 2 m. P. eiiiottii — altura 4 m. P. radiant — altura 4 m. (Nos salientes nos verticilos dos ramos). A especic acima e sensivcl ao ataque do fungo Diplodia pinca (Desm.) Kichx. Alias, a Diplodia ataca varias coniferas: Pinus Picea, Pscudotsuga. Cnpressns, etc. Na Europa, na Ame- rica do Norte e na America do Sul — Argentina e Brasil essa molestia tern sido encontrada, causando estragos ora mais ora menos intensos, conforme a essemcia atacada, as condi?oes locais e outros fatores. A molestia foi identifieada cm 1951, cm S. Paulo, na Granja Carapicuiba, proxima da Capital, tendo sido muito hem estudada e os sens resultados foram amplamente divulgados pela imprensa e por meio de publicav'des avulsas. Reserva Fiorcstal " CARLOS BOTELHO" (Servi^o Florestal do Estado) Esta reserva, de 19.000 hectares, nos Municipios de Car- los Botelho, Capao Bonito e Xiririca. desce do planalto ate a raiz da Serra e confina com outras reservas. perto de Santos, num conjunto de 48.000 hectares. 2 3 4 5 6 7 -L- j — i j_i 11 12 13 14 15 16 F 2(\2 Arquiyos do Serving Florcstal 11 () Eslado do S5o Paulo eontava, ate ha hem pouco tempo, com 20 e poucas resorvas florestais, com uma area aproximada de 250 a 300 mil hectares. E provavel, porem, que, hoje, com as reeentes incorporagdes, essa area e o numero de reservas sejam hem maiores. Companhia Melhoramentos de Sdo Paulo A Fabrica de Papel, da Companhia Melhoramentos de S. Paulo, em Caiciras, e uma das mais antigas do Brasil. I dotada de varias maquinas modernas destinadas a produgao de papeis fin os. Ninguem deseonheee o grande contingente de Iivros, pu- blicados no pais, e impressos em grande parte em papel da Companhia Melhoramentos. Essa grande empresa mantem, ha muitos anos, urn servigo modelar de reflorestamento, para urn suprimento continuo de lenha para combustfvel e madeira para fabricagao de pasta eeluldsiea e papel. A area da propriedade, em Caieiras, e de 7.500 hectares e as suas plantagoes se elevam a 3.200 hectares, em altitudes que variam de 720 a I .000 m. A pluviosidade e, em media, de 1.300 mm. O piano de trabalho tevc origeni em 1920, quando os ir- maos ALFREDO e WALI’llER WEISZI LOG resolveram estu dar as nossas arvores e as exotieas que pudessem ser eultivadas. como fonte de materia-prima para celulose e papel. Os plant ios foram inieiados em 1923, com varias especies indigenas e exotieas. Em 1927 foram feitas as plantagoes em grande escala, de pinheiro-brasileiro, que serviram de base para os posteriores es- tudos de espagamento, derramagem, desbastes e crescimento dessa essencia. De aeordo com as mensuragoes a que se procedeu, os plan- t ios de pinheiro-brasileiro tern tido uni crescimento medio de 1957 P. F. Souza : Apontamentos Florestais 15 — II c 8 m3 de madeira por hectare c por ano, conforme sejam os solos de I, II ou III qualidadc. Em plantagoes de 20 anos de idade, a produgao acima correspondc a 300 — 240 e 1 60 m3 por hectare. Em solos fcrtcis o rendimento ainda podc ser maior. Alem do pinheiro-brasilciro, a Companhia Melhoramentos vein plantando a essencia Cunninphamin lanceolata, proveni- ente do sul da China. No seu “habitat” natural a produgao e de 25 m3 por hectare, por ano, ou 900 m3 por hectare, aos 30 anos de idade. Aqui, cm Caieiras, tem-se descnvolvido muito bem, conforme atestam os 90 hectares de plantagoes, de diversas idades. Os plantios mais antigos, desta essencia. tern 28 anos de idade, medindo 25 metros de altura, com 1 .080 m3 por hecta- res. Em certos talhdcs o crescimento e de 36 m3 por hectare, com uma area basal de 67 m2, o que pode ser considerado como um crescimento excelente. A madeira e branca, leve e de libras !ongas. A cepa tern a propriedade de emitir abundante brotagao, : implificando a sua regcncragao por talhadia. As criptomerias produzem 18 m3 por hectare e por ano, aos 25 anos de idade. Vimos varias plantagoes do cuningamia e de pinheiro- brasileiro de 5 a 7 anos. cm terreno dcstocado, com excelente desenvolvimento. E interessante notar que cssas plantas estao com uma coloragao esquisita, devida a poeira, depositada na superficie das folhas, procedente da vi/.inha Companhia de Cimentos “Pcrus". O numero de verticilos dos ramos nao correspondc a idade das plantas. As plantagoes forain feitas diretamente no lugar definitivo, nao havendo quase falhas por ter sido boa a germinagao das seme n t es u t i I i zadas . Com 30 anos de idade as plantagoes de pinheiro-brasilciro tem 600 arvores por hectare. Nas plantagoes de cuningamia lui 2.500 por nao haver falha nem necessidade de desbastes. Os troncos formam verdadeiras colunas quase cilmdricas, 2(14 Arquivos do Semico Florcstal 11 A Melhoramcntos recotnenda plantanoes inistas do pinhei- ro-brasilciro c cuningamia, pdas seguintes razees: a cuningamia sc ramifica na base; a plantanao se l'eelut aos 4 anos, no com- passo tic 2 x 1,20 m; o crescimcnto inicial c lento, mas sc torna rapido tlepois dos 4 anos; o pinheiro, cortado, nao brota, ao passo que a cuningamia brota com grande desenvolvimento — 2 a 3 c ate 4 metros cm dois anos. Vinios tuna plantanao dc cuningamia, densa, dc 13 anos dc idade, com arvores tie 25 a 30 cm dc diametro. Pssc desen- volvimcnto e bem melhor do que o do pinheiro-brasileiro da mesma idade, que precisa scr desbastado aos 8 anos. O Finns radial a nao vai bem nesta regiao por scr atacado pela Di plod ia. Os viveiros e sementciras estavam cheios dc mudas dc Finns patnla e F. ponderosa, para as proximas plantagoes. Percorremos as plantanoes mistas dc criptomerias, dc ar vores finas e dc cuningamia, dc arvores grossas, embora da mesma idade. Nas plantanoes antigas de cuningamia, de 27 a 28 anos, onde tern sido feita a coleta de sementes, cm chao preparado para isso, observamos que a regeneragao natural se processa com grande intensidade. A remogao da manta poe o chao a des- coberto, facilitando o contato da sememe com o solo. Nao vimos mudas grandes ou cm franco crescimento, parecendo, portanto, que a regeneracao natural nao se concreti/.a, provavelmente por nao ser acompanhada nas suas diferentes fases de desenvolvi- mento. A frutifica<;ao foi verificada desde que as planta^oes alcan- caram a idade de 12 a 13 anos, mas parece que as sementes nao cram ferteis. Sdmente agora e que as sementes estao sendo co- Ihidas destas planta^Ses. Rstes maeigos serao submetidos a observances mais rigoro sas sobre as questoes acima ventiladas. Pela colheita de sementes que ora se processa a Melhora- mentos se li via da importance de sementes da India e de Formosa, 1957 p, /•’. Souza : Apontamentos Florcstais de poder germinativo absolutamente nulo, conforme ficou provado em diversas oporlunidades. A exploragao das florestas arliliciais, mais antigas. foi ini- ciada, em pequcna escala, em 1942. Atualmcnte, as arvorcs sao derrubadas, tragadas e deseas- cadas na mata. As pequenas toras sao descascivdas com relativa facilidade, em cavaletcs on simples ‘‘iravesseiros’’, no chao, ba- tendo-se com o dlho-do-machado. Os ancis de crescimcnto parece que correspondcm a idade na cuningamia e provavelmente nas coniferas em geral. Urn homem, em 8 boras de trabalho, descasca ate 8 in3. Os cortes ou derrubadas sao feitos cm faixas de 100 m de largura, para evitar aceiros, pois os de 20 m nao sao considera- dos eficientes nestas plantagdcs. Passamos pelas plantagoes novas de criptomerias e cuninga- mia, com culturas intercalates de milho. Observamos, ainda. duas plantagoes muito interessantes de pinheiro-brasileiro: mna. de quase 20 anos, com 7 m3 por hectare e por ano; outra, com 1 5 anos e 1 7 m3 por hectare e por ano. Essa grande difcrenqa e atribuida ao melhor preparo do terreno, que foi arado e melhorado com aduba^iio verde durante dois anos. A distancia de plantagao e de 2 m em quadra e os tratos culturais foram feitos a maquina. Nas caapoeiras da regiao encontram-se. ainda: angico, ca- nela, cedro, etc. Os terrenos sao caros. valendo C'r$ 20.000,00 o hectare. Hm vista disso, a Companhia Melhoratnentos comprou, em 1942, uma fazenda em Camanducaia. Minas Gerais, para novas plantac,'6es de casuarina, cupressos, pinheiros-europeus, choupos, etc., e que ja atingem a 600 hectares. A produgao de pasta celulosica foi de 6.000 t em 1957, esperando-se que seja de 9.000 t ein 19.58, com o rendimento de 42% pelo processo quimico. 2(i(i Arquivos do Serpigo Florcsta l 11 As plantagocs dc eucaliptos abrangem mais de 2.000 hec- tares, com urn rendimento de 35 metros por hectare e por ano, e sao sufieientes para o abasteeimento da Fabrica. As amostras de papel e tie cartolina, de euealipto sent mis- tlira, sao de execclentc qualidadc. Servigo Florestal da Paulista Horto Florestal "NAVARRO DE ANDRADE”) Rio Claro V Acompanhados do Dr. ARMANDO NAVARRO SAM- PAIO, Diretor do Service), percorremos mais uma vez e com muito pra/.er todas as instalagocs e dependences do predio do Museu, com suas iniimeras salas, guarnecidas de quadros, mapas, esque- mas, graficos, dados cstatfstieos, mostruarios, armarios, pratelei- ras, instrumentos agricolas, caixotaria, amostras de madeira. exemplares cmbalsamados de animais encontrados nos cucalip- tais, material entomologico e, ja fora do piedio, os postes trata- dos com creosoto, ha 22 anos, e que ate agora continuam cm observa(;ao sobre os cfeitos do tratamento por esse preservative. O Servigo Florestal da Paulista tern a seu cargo, atualmentc, IK hortos florestais, com a area total de 24.3K7 hectares, distri- buidos pelos pontos mais convenientes de suas linhas ferreas. Ak despesas tie aquisigao dessas terras elevam-se a Cr$ 7 203.438,00 com a media, portanto, tie Cr$ 295,00 o hectare. O maior Horto e o de Aimores, cm Bauru, com 5.423 hec- tares, e o mcnor, Tapuia, cm Rincao, com 5K . Suas plantagdes, efetuadas ate 1956, somam 41.993.371 exemplares. Descontados os cortes para lenha, postes, etc., restam 23.346.534 pes vivos. O Horto de Rio Claro, sede do Servigo, tern 2.427 hectares com 4.865.557 arvores. A despesas com o Servigo Florestal, cm 1956, foi de Cr$ . , 46.710.743,00. 1957 P. F. Souza : Aponlavicntos Florcslais 207 A despcsa total, dc 1904 ate 1956, cleva-se a Cr$ 371 .534.945.00. A renda, cm 1956, foi da ordem dc Cr$ 32. 105.376.00. A renda total, dc 1904 ate 1956, corresponde a Cr$ 280.528.037.00. O consumo total dc lenha, pcla Paulista, cm 1956 foi dc I .554.337 m3 (cstcrcs) no valor dc Cr$ 142.716.881,00, pclo prego medio dc Cr$ 91.81 o m3. Em 1900 o prego medio era dc 2$560 o metro cubico. A lenha dc eucalipto, consumida pcla Paulista, cm 1956, foi dc 347 . 607 m3. O total dc lenha fornecido ate agora pclo Servigo Flores- tal clcva-sc a 6.405.513 m3. As sementes dc eucalipto vendidas cm 1956 atingem a 1 .838 kg no valor dc C’r$ 697.673,00. O total dc sementes vendidas dc 1926 ate 1956, eleva-sc a 33. 183 kg, no valor dc Cr$ 4.962.648.00. Estacas — Em 1956 foram extraidas 7.255 pegas, com 27.721 m lineares, no valor dc Cr$ 425.573,00. O total ate agora produzido pclo Servigo Florestal csta computado cm 925.849 pegas, com 3.597.925 m lineares, no valor dc Cr$ 8.934.920.00. Na Segao dc Gcnetica aprcciamos, mini magnifico organo- grama, o “Programa Geral dos Servigos dc Mclhoramento das Espccics Economicas dc Eucaliptos”, que compreende: 1. ° — maior uniformidade dos talhocs; 2. ° — redugao da percentagem dc fallias e arvores domi- nadas; 3. ° — aperfeigoamento dc scus caracteres; 4. ° — maior resultado por area. Resultado — maior rendimento ceonomico. Os trabalhos cm andamento estao assinalados com pontos vermelhos, cm numero dc 28, para urn total dc 42 itens do Pro- grama. 208 Art] ii i vos do Scrviqo Florestal 11 As espccies cm cstudo sao: saligna, alba, tereticornis, gran dis c propincua, quc constituem as maiores plantagdes c dc mc- 1 bores rcsultados econdmicos na produgao dc Icnha, pasta cclu- Idsica. etc., enlim, para diferentes aplicagdes. Os trabalhos sc proccssam na selcgao massal, com o uso do diametro nas linlias c alcias. As arvorcs sao marcadas num qua- dro. para servirem tic porta-sementes com fichas rcspcctivas, da- tins sdbre a mensuragiio, coleta dc sementes, curva dc frequencia. erro padrao, etc. Depois, o cstudo dos dcscendcntes. O Servian possui agora 49 arvorcs matrizes. com 4 rcpetig&es, para a pro dugao dc Icnha. Num quadro gcral temos o canteiro, com varias parcclas dc ensaio ou area experimental. Percorremos, rapidamente, a eolegao dc espccies dc cuca- lipto, cm linlias, plantada pelo saudoso Dr. NAVARRO, cm 1919, portanto com quasc 40 anos. anotando o seguinte: resinifera, grandis, saligna c propincua com dtimo dcsenvolvimento: citrio- (lorn cxcelcntc; camaldulensis, pilularis. paniculate e acme- nioides — muito bons e inumeras outras espccies quc lamcnta- vclmcntc, nao pudemos anotar por angustia tic tempo. Tivemos tambem a oportunidade dc conhcccr o plantio ex- perimental tie eomferas, isto c, plantas dc libras longas para as misturas industrials com as fibras curtas do eucalipto, visando a fabricagao tie pasta e papel. F.sse trabalho esta sendo feito cm colaboragao com o Servigo Florestal do Estado tie Sao Paulo, que, no mesmo sentido, ja se articulou com o Instituto Nacional do Pinho. Vemos. assim, que essas ties grandes instituigoes se propoein a resolver um problema tie grande significagao para o Brasil, qual o da produgao tie pasta celulosica e papel para as nossas crescentes necessidades. O consumo tie papeis, "per capita”, no Brasil, e insignifi eante — 6 a 7 quilos — comparado com o consumo na Europa, antes tla guerra, que era, cm media, tie 22 quilos. Nos Estado-. 1957 p. F. Soma: Apontamentos Florcstais Unidos, calcula-se quo o consumo atual scja dc 200 tjuilos ou mais por habitantc. O Brasil produz, atualmcntc. por ano. 160.000 toncladas do papel. Para cssa produ?ao iniporta 130.000 i dc pasta celulosica e recebc tambcni mais umas 80.000 t de papel. Por cssas importav'ocs podemos avaliar o quanto desponde- nt os, cm divisas, com a nossa indiistria dc papel. quo tendc a ores- ccr com o auniento da populated e com as suas multiplas apli- catjoes. Essas ligciras consideragocs justificain perfeitanicntc os tra- balhos cm realizaguo tcndentes a diminuir as nossas importacbcs dc pasta e papel, aumentar a nossa prodm;ao c, conseqiientemente, o nosso progrcsso de modo geral. No momento, os trabalhos cxperimentais se conccntram na obtcngiio de mudas e sementcs de comferas, forma^ao de peque- nas plantagoes em parcelas de 64 arvores, ou mesmo de linhas ou fileiras, observando-se rigorosamente o sou crescimento em dife- rentes pontos do Estado, abrangendo varios tipos de solo, altitu- des, etc. As pequenas plantagoes, ja efctuadas, compreendem I I pinaceas, que sao: Finns moniezumae F. pinaster, F. halepcnsis, F. rigida, F. sylvestris, F. insulates, F. elliottii F. tarda, F. ra diata, F. patula e F. oocarpa. Alem dessas cspecies, temos ainda: Araucaria august if alia, Cunningliamia lanceolata e Taxodium distirhum. Das essencias acima, o /’. nwntczumac apresenta. em Rio Claro, o melhor desenvolvimento aproxiinadamente tins 4 a 5 metros de altura, com 3 anos de idade, seguindo-se-lhe: patula, insularis, clliotii e taeda. E possivel que cssa ordem se modifique nos outros Hortos da referida Companhia. A nossa Araucaria, da mesma idade, apresenta va-se com uns 4 m de altura, a cuningamia tambem com 4 m e o taxodio com 1,65 m. Os de menores desenvolvimento sao os seguintes: F. rigida e F. sylvestris, ambos com 30 cm aos 3 anos tie idade. 270 Arquivos do Scrvigo Florcstal 11 () /’. rodiata csta atacado pda Diplodia. Nao podemos deixar passar csta oportunidade dc observa- nces sobre o plant io experimental dc comferas. sem umas ligeiras oonsideragdes, de carater gcral, sobre ;i introdugao dcssas essen- cias no Brasil. n um fato conhecido que a Australia obteve magnificos su- ccssos com a introdugao de especies exoticas, do hemisferio norte, como nos lambent obtivemos esse resultado espetacular com a introdugao do eucalipto. Varios outros casos podem ainda ser citados. na Europa, principalmentc os da Dinamarca, da Ingla- terra e da Alcmanha, com as introdugocs, respectivamente, de “Sitka spruce, Douglas Fir” e do carvallio-vcrmclho. Precisamos, porent, ter sempre cm vista o reverso da nic- dalha, lembrando que ha a possibilidade de serem introduzidas molestias e pragas sob varias modalidades, tais como: a — molestias e pragas sem importancia no seu “habitat” natural, que se tornam perigosas nas novas condigoes de ambiente: b — molestias e pragas ja cxistentes no ambiente, para as quais certas essencias exoticas nao tern resistencia, tornando-se presa facil para um ataque intensivo; c — molestias e pragas existentes nas plantas exoticas in- troduzidas que podem atacar outras essencias no novo ambiente. Tedricamente, e pelo estudo dos climas e dos solos, isto e, do conjunto das condinocs ecologicas, das respectivas regides de procedencia e de novo ambiente, que sao determinadas as corre- lates favoraveis ou desfavoraveis de adatagao de novas especies. Convent, porem, lembrar que essas introdundes sao sempre para a formagao de macigos puros, tnais sujeitos, portanto, ao alastramento das molestias e pragas porventura introduzidas ou ja existentes. Alem disso, precisamos considerar ainda que os solos pobres produzem arvores fracas, facilmente atacadas por molestias. 1957 P. F. Souza : Aponlamentos Florcstais 271 As essencias nobres, ha tempos cultivadas, nccessitam de cui- dados especiais de dosbastes, de protesao permanente desvelada assistcncia nos sistemas de regeneraejao, etc., que talvez nao pos- sam ser dispensados, em eseala apreeiavcl, como nos pafses de origem ou proccdencia da planta que se deseja introduzir. Os Estados Unidos, sempre vigilantes ha introdu$So tie plan- tas cxoticas, dotados de uni cxcelente service de quarentena, nao se livraram de certas molcstias, inclusive da Diplodia pine a. por nos ja referida nestes apontamentos. Alguns pinheiros-da-austria, aclimatados no nordeste anieri- cano, foram intensamente atacados pela Diplodia, tambem conhc- cida pelo nome de “seca das pontas”, e se tornaram verdadeira- mente inuteis como arvores florcstais. A celebre doenga conhecida por “White pine blister rust" - ferrugem do pinheiro-branco — foi introduzida, nos Estados Unidos e no Canada, por mcio de mudas ou “seedlings" proveni- entes de sementeiras da Alemanha e da Franca. A Australia introduziu, com grande exito, diversas espeeies tie pinheiros, tais como: I’, ponderosa. /’. laricio, P. pinaster, essencias essas que formam vastas plantagoes, em bom estado sanitario. Alem dessas espeeies, podemos citar ainda. como bastante promissoras, mais as seguintes: P. tarda, P. palustris e P. elliottii, que se desenvolvem em plantagocs puras na costa leste do novis simo continente. Na California, seu “habitat" natural, o P. radiata e par- ticularmente atacado por certos fungos e insetos. Quase todas as espeeies acima citadas, para o caso da Australia, sao tambem as que estao sendo introdu/.idas em Sao Paulo. Ate agora, so temos, portanto, a Diplodia eausando estra- gos sensiveis e talvez impossibilitando o prosseguimento das plan- ta?oes de P. radiata, vulgarmente conhecido por pinheiro-do chile e pinheiro-de-monterei. com crescimento extraordinario tanto do Chile como na Australia. JARDIM HOiAniCO DO I RIO DF JANFlfiO PRASft 272 A rq uivns do Scrviqo Flnrcstul 11 Portanto, precisamos tonuir muito cuidado nu introdugiio dessas com'feras c para isso contamos com a competencia. a dedi- cagfio c a operosidade dos teenicos encarregados da execugiio dessc grande piano dc trahalho, aproveitando a oportunidade para lembrar que as possibilidades iniciais de eultura de detcrnii- nada essfincia nem sempre constitucm nma garantia segura para o futuro de grandes plantagdes. () exito da introducin') de essencias exdticas so pode ser con- siderado perfeito depois da primeira rotagiio, e isso mesmo com certa desconfiatiga, durante alguni tempo, pela vulnerabilidade das diferengas raciais das cspecies. Vamos encerrar agora os nossos apontamentos sobre o Ser- vigo Florestal da Paulista com nma sfntese da "Exposicao e pro- posta da Diretoria da Companhia Paulista de Estradas de Ferro”, sobre: I — ParticipaQao da Companhia em sociedade anonima para fabricacao de celulose e papel; II — Loteamcnto e venda de areas de terrenos de alguns liortos llorestais da Companhia que, pela sua valo- ri/acao, nao devem permanecer utili/.adas para a eultura florestal". Nao e de hoje que a Paulista vein estudando a possibilidade de aproveitar uma parte ilas suas imensas florestas de eucalipto na fabrica^ao de celulose e de papel. Em 1924, a Paulista iniciou as suas experiencias sobre essa promissora industria por determinagao do Dr. NAVARRO DE ANDRADE, que nao se confonnava com os resultados pouco satisfatorios ate entao verificados na Australia. As experiencias feitas com todo o rigor pelo celebre Labo- ratorio de Produtos l lorestais, de Madison, nos Estados Unidos, com as especies tereticornis e saligna, vieram resolver, de modo catcgdrico, urn dos mais importantes problemas do pais, porque ticcu permanentemente provado que o eucalipto podia ser eco- ndmieamente aplicado na fabricagao de celulose e papel. 1957 P. F. Souza: Avontamentos Florestais Na Assemblcia Gcral de 1954, ficou a Diretoria da Paulista autorizada a estudar o aproveitamento desse grande p itrim6nio florcstal pelo meio quo julgasse mais conveniente. Dos estudos realizados ficou resolvido o seguinte: a instalavao de uma fabrica com capacidade do pro dugfio dc 100 i diarias de celulose e papel; b — para isso seria necessario urn investimento da ordem dc Cr$ I .000.000.000,00 (um bilhao de cruzeiros); c — foram estabclecidos os prinefpios para a organizag&o de uma sociedadc com a participagao da Companhia Paulista e da firma W . R . GRACE & C.°, dos Estados Unidos. para explorar a indiistria dc celulose c papel. com a produgao acima referida; d — na incorporagao da nova sociedadc a Paulista entra- ria com uma quota do capital corrcspondcntc as ter- ras, plantagocs e benfeitorias dos Hortos dc Sumare, Tatu, Cordciropolis, Loreto e Camaquan; e — cssa contribuigao sc representa, numcricamcnte, por 4.273 hectares dos 24.387 que integram o scu patri- monio florcstal e cerca dc 5.500.000 drvores de eucaliptos dos 23.500.000 pcs atualmente exis- tentes; f — a firma W. R. GRACE & C.°, entrara com as maqui- nas, equipamentos, instalagocs c con stru goes neces- sarias; g — financeiramcnte, o capital da nova sociedadc sera esta- bclecido na seguinte proporgiio: Companhia Paulista — 10% e W. R. GRACE & C.° — 90%. li — inicialmente, a nova sociedude sera constitulda com o capital dc C'r$ 10.000.000.00 (dez milhocs dc cru- zeiros). na preporgao acima referida e oportuna mente, o capital sera elevado ate as contribuigbcs con vcncionadas no projeto basico; 274 A ri/uivos do Serving Florestal 11 i — so a fabricagao do papcl reclamar aumento do mate- ria-prima, a nova sooicdadc podora aprovoitar as plan taboos disporn'vois do outros llortos da Paulista, quo voin restringindo a sua utilizagao florostal a medida quo so gonorali/.a, nas suas linhas, o uso da tragiio eletrioa o das locomotivas diosol-oldtrioas. Quanto ao lotoamonto o vonda clo areas do tcrreno do alguns hortos florostais, vorificamos quo ossa iniciativa ja so acha om tranco desenvolvimcnto, principalmonto em Rio Claro, sodo do Servigo, om vista da sua proximidadc da oidado. Parque Florestal “ GETULIO VARGAS" — Capao Bonito (Institute) National do Pinho) Antes do ontrarmos na descrigao ddsto Parque Florostal pre- cisamos di/.or algumas palavras sobro o Instituto National do Pinho, ao qual so atha subordinado. C) Instituto National do Pinho foi eriado polo Decroto-loi n.° 3. 124, do 19 do margo do 1941, e roorganizado varias vdzos, vi- sando ostabolotor as bases para a normalizagao o dofosa da pro- dugao madeireira, a aporfoigoar os mdtodos do produgao, a fo montar o tomdrtio, a triar urn sistoma do tirtulagao da produgao, distribuigao o tonsumo o a promover o reflorestamento, om grande ostala, nas regioes do otorrentia natural do pinheiro- brasiloiro. Dai a sua atuagao nos estados meridionals do pais, quo sao: Sao Paulo, Parana, Santa Catarina o Rio Grande do Sul. Dada a otorrentia natural do pinheiro-brasiloiro no Estado do Minas Gerais, a sua atuagao so faz sontir tambem na zona sul ddsso Estado, om Passa Quatro. O Instituto National do Pinho mantem trabalhos prdprios o trabalhos tie atordos o tonvdnios com os estados meridionals, roprosontados polos sous parquos florostais, distribuigao do se- memes c mudas, ctt. 1957 P. F. Souza: Apontamcntos Florcstais 275 Os Parques Florcstais do I. N. I\. sao os scguintos: N.° Nome do Parque Localizaqao Estado Area cm Ha 1 “Jos6 Mariano Filho”Passa Qurvtro ... M. O 2 “Getulio Vargas” . . . Capao Bonito . . S. P. 3 “Rom&rio Martins" . Agungui PR 4 “M. Henrique da Silva" Irati PR 5 “J. Fiuza Ramos” . , . Ties Barras . . . . S. C. G Cagador Cagador R. G. S. 7 “Jos6 Segadas Viana"Passo Fundo ... R. G. S. 8 “Eurico G. Dutra” . . Canela R. G. S. 9 “J. F. Assis Brasil” .Sao Francisco de Paula R. G. S. 354.00 2.299,00 490.00 2.730,70 4 041,00 750.00 1.327,95 554,95 1 .055,39 Total 13.602,99 Em regime de acordo sao mantidas tambem as Estagoes Florcstais seguintes: Castro, Ibirama, Orleans e Laguna. Os trabalhos de reflorestamento podem scr cstudados cm dois periodos distintos: o primeiro, de 1944 a 1951 — com uma sobrevivencia, verificada cm 1952, de 8 . 000 . 000 de pinheiros, dos 22.000.000 plantados ate cssa data; o segundo, de 1953 em diante, com os plantios, totais e areas, conforme o quadro abaixo: Anos Plantios Total Hectares 1952 730 1953 4.005 1954 1.233 1955 2.113 1956 1.449 000 730 990 4.735 300 5.969 880 8.083 960 9 . 533 000 82 900 563 290 864 170 1.153 130 1.372 O total do quadro acima representa, portanto, urn plantio medio de mais de 2.000.000 de pes ncstes ultimos 4 anos. O plantio previsto para 1957 foi de 3.500.000 pes, com uma sobrevivencia de 60 a 70%. 276 Arquivos do Scrvigo Flores Lai 11 As plantavdcs mais antigas — 10 a 13 anos feitas pelo I. N. P., ainda nao sofreram os desbastes iniciais e os plantios rcccntcs, neccssitando do tratos cu It ura is. sao reprcscnlados pot 8.000.000 do pinheiros. A 1dm da nossa Araucaria, os Parques rcalizam experimen tos com outras cssencias, notadamentc a imbuia, o ccdro, os eucaliptos, os podorcarpos, diversas cspecics do gdnero pinus c, rccentcmcnte, lu'bridos dc choupos. A area do Parque “GETOLIO VARGAS", eonforme vi- mos, e aproximadamente dc 2.300 hectares. Os antigos plantios dc pinheiro-brasileiro cram feitos no compasso de 1,5 x 1,5 m, cm covax com dims a Ires sementes. Depois, as plantavdcs sofriam urn raleamento, ficando cada cova com uma muda. Observamos porem, covas com 4 e ate 5 mudas que escaparam do trabalho dc raleamento. Modernamente, com os trabalhos mecanizados de preparo do terreno e principalmentc de tratos culturais, o compasso observado e de 2 x 0,50 m. As plantavdes deste Parque estao representadas no quadro abaixo: TOT A I 3 Sobrevl- % PlontaQ&o ItcpluntuQ&o PlantaQflo.s Replan ta(6es vfincla sobrevi- Ano ( covas ) ( covas ) ( At<5 1950) ( At<5 1950) (1952) v6nclu MM 5 1.094. 000 _ 1910 2.120.000 350 . 000 •— 1947 671.000 291.000 — p 1948 39.000 184.000 1860 723 . 000 327.000 . 1900 588 . 000 470.000 5.241 .000 1 .622.000 2.648.000 38,5 De 1953 cm diante as plantavdes foram de aedrdo com os numeros seguintes: Anos Quantidade Hect. 1953 1.218.960 129 1954 373.000 117 1955 423.300 51 1956 360.880 53 Total 2.376.140 350 1057 P. F. Souza : Apontamcntos Florcstais 277 Nao sc planta cucalipto. As plantagoes rcalmcnte cxistentcs sao as seguintcs: Pinheiro-brasilciro Imbuia Pinus pinaster . . P. radiata Ipes 4.500.000 p6s 158.000 ” 34.000 ” 07.000 " 14.000 ” Total 4.773.000 ” Os terrenos, cm gcral, nao sao de boa qualidadc. A topo- grafia c moderadamcntc ondulada. Alguns pcs rcmancscentes de pinheiro-brasilciro, dc boa 'aparcncia, podem scr vistos cm diferentes lugares. Os acciros sao dc 12 metros c na parte central dos mesmos passant as cstradas internas. As plantavbes feitas tardiamente, isto e, depois dc mcados dc •ulho, sao atacadas por uma pequena lagarta, de uns 2 cm dc comprimento, e dc cor rosada. Essa lagarta so c prejudicial nas plantas dc 20 cm para mcnos, dc altura, atacando a casca ainda tenra. O ataque da lagarta comcga logo apds a germinacao das sementes. O quilo dc sementes dc pinheiro-brasilciro, para scmcadura. custa, aqui, Cr$ 4,00 a Cr$ 5,00. Pcrcorrcndo as planta^ocs, observamos: P. elliottii, dc 8 anos dc idadc, com a 10 a 12 m dc altura que comcgou a frutificar o ano passado, portanto, com 7 anos. Dc uma arvore foram colhidos 175 cones com poucas sementes fer- tcis. A derrama artificial foi feita ate 2,5 m dc altura. P. pinaster, dc 3 anos, com 4 m dc altura. Plantagoes de pinheiro-brasilciro, com urn ano, de 20 a 30 cm dc altura; com 2 anos, dc 60 a 100 cm. Estas planla^bcs foram feitas cm terrenos que reeeberam o seguinte preparo: rogada, queima, dcstocamento, juntada do rai/.amc ou encoivaramcnto, 27H A rquivns do Servian F lores tal 11 lavragem, gradageni, alinliamento. coveamcnto com o abridor do covas ou cnxada dc 12 cm do largura c duas a tres sementes cm cada cova. Antes da semeadura as sementes foram ligeiramente selecio nadas por flutuagao, depois sccas a sombra c, finalmente, dcsin fetadas com formicida. Planta^ao de itnbuia, feita cm 1953, com 1,60 m do altura, no compasso de 2 x 0,50 m, com bom aspecto vegetativo. Plantasao, deste ano, 1957, dc /'. elliottii, no compasso de 1 ,50 x 1 ,50 m, de 20 cm de altura. C) terreno foi rogado, queimado, alinhado, coveado e plantado. Ha muita formiga que csta sendo energicamente combat ida com ‘“Blcnco”. Outra planta^ao de imbuia, da mesma idade e no mestno compasso que a anterior ( 1953), em melhorcs condigoes de crescimcnto — altura de 2 a 2,50 m, formando urn macigo de 35.000 pes. As sementes vieram de Canoinhas, S. C. e Guara puava, no Parana. Quanto ao prego do plantio, conformc tivemos ocasiao de verificar nas fichas respectivas, podemos di/.er que os dados exis- tentes sao escassos e meio eonfusos para um calculo dessa na- ture/a e sc) poderao ser interpretados pelo prdprio encarregado do fichario. As plantagoes, em geral, sao muito hem apresentaveis, cm bom cstado de vegetagao e merecem mais conhecidas por todos que se interessam par assuntos florcstais. ESTADO DE MINAS GERAIS No Estado dc Minas Gerais visitamos a 5.a Inspetoria Re gional l lorestal. sediada em Belo Horizonte, o Setimo Distrito Florestal, em Consellieiro Lafaiete, da citada Inspetoria e o Horto l lorestal de Paraopeba regiao de cerrado — na cidade do mesmo nome. 1957 P. F. Souza: Apontamcntos Florcstais 279 Deixamos dc fazer comentarios s6bre cssas dependencies por screm as mesmas subordinadas ao nosso Scrvigo Florcstal, que csta pcrfeitamente a par dc suas atividadcs administrativas. Cabc-nos, porem, descrever os trabalhos florcstais dc Mon- Icvadc. ou mclhor da Bclgo-Mincira. Companhia Siderurgica Iielgo-Mineira A sidcrurgia a carvao dc madcira consistia mini dos assuntos dc grande importance, constantes do nosso programa dc viagcns pelo interior do pais. Por esse motivo, visitamos os trabalhos dc rcflorcstamcnto da Companhia Sidcrurgica Bclgo-Mincira, cm Joao Monlcvadc. ondc obtivemos todos os informes nccessarios para o bom de- sempenho da nossa incuinbencia, atualizando, por assim dizer. os nossos conhecimentos adquiridos cm cstudos c observances an tcriorcs c amplamente divulgados no “Plano dc Rcflorcstamcnto para as Usinas Sidcrurgicas do Centro do Pais", publicado pelo Ministerio da Agricultura, cm 1951. Esse trabalho, indiscutivclmcntc, serviu dc guia seguro para orienta^ao c posterior ampliagao dos pianos dc rcflorcstamcnto da referida empresa, conformc a afirmav'ao, feita cm S. Paulo, no Centro “MORAIS REGO”, cm maio dc 1953, pelo Dr. LOUIS ENSH, entao Dirctor da Bclgo-Mincira. Sc fizcrnios um cstudo retrospectivo sobre a historia do ferri', veremos que o mesmo foi utilizado pelo homem nas mais remotas civilizagocs, nos seus rudimentarcs c primitivos usos, e. que, no momento, continua a impulsionar as formas do progreiso, dondc sc podc concluir, conio cm varios outros ramos dc atividade, que a civilizagao acompanha o progresso da sidcrurgia. A historia dos povos primitivos do Egito, da India c da China tras imimeras references ao emprego sempre crcsccntc do term nas suas industrias, e nos objetos dc arte, c com os romanos vcrc mos uma vcrdadcira revolu^ao industrial, pela intcnsificajuo c 2H(J Arqu i VO s do Scniij-a Florcstal 11 multiplicayao dos sous intimcros produtos obtidos com o carvao do madcira. As primciras usinas procuraram. por isso, locali/.ar-se nos paiscs dc grandcs rccursos florestais c nas vizinhanyas das ja/idas minerals, como na Alcmanha. Eranga, Inglaterra, Euxemburgo c Estados Unidos. Depois, muito mais tarde, e que aparcceu o emprego do carvao do pedra nos altos fornos, dovido as suas qualidadcs fisi- cas do maior rcsistcncia, permitindo o uso do fornos do grande capacidade produtora, unidades ossas considoradas indispensa- vois para a produgao industrial em grande oscala O carvao do madoira ficou rosorvado para a produgao do form do qualidadcs espcciais, nos paiscs do vastos rccursos flores- tais, nutadamentc a Succia, do terras pobres o quo nao podiam set aprovoitadas para a agricultura. A industria siderurgica pcrrnanocou ncssa situagao. sompre ombalada polo onraizado preconceito do quo so nos climas tcni- perados ora possivcl a sua existencia, assitn como nos acalontava- mos, orradamentc, na primeira decada desto soculo, a convicgao do quo a scringuoira nao vingaria fora da regiao ama/onica. No ultimo quartol do soculo passado, porom, as somontos das nossas hevoas foram transportadas por Henry Wickam, para a Inglaterra o, ai, semeadas nas estufas do Jardim do Kew, ondo gorminaram o 18 plantinhas, transportadas, depois. para Coilao. so desonvolvoram, formando extonsos scringais. Nos, no Brasil, logo apos a primeira conflagragao mundia!, demonstramos, praticamento, quo a siderurgia podia sor tambom instalada nos paiscs tropicais o subtropicais, ate entao rologados ao piano do simples produtoros do materias-primas. Nos paisos do clima tomperado, como sabemos, a rogonora- gao natural das florostas d vagarosa, lovando, cm media 60 a 80 anos, para o segundo corto. E ora esse o sistema adotado por quaso todos os paisos. Embora ja conhccidos ha varios sdculos, o sistema do regeneragao artificial om grande oscala so toi introdu- t 1957 P, F. Souza Apontamentos Florestais 2111 /ido, cm varios pai'ses, nos fins do scculo passado c no comcgo do scculo XX assumiu a importancia que hojc conheccmos. Apcsar do atraso cm quc vivfamos c ainda vivcmos com res peito ao melhor aprovcitamcnto dos nossos rccursos florestais na turais, o Brasil se destacou galhardamentc nesse novo empreendi- rnento, liderado pelosaudcso l)r. NAVARRO DE ANDRADE, o maior vulto da silvicultura nacional. com a introduce) da cultura do eucalipto cm grande eseala, em virtude das eondigoes do nossn clima e dos nossos solos. Essas vantajosas caractcristicas possibi litam a formayao e utiliza<;ao dc florestas em curtos perfodos e de rendimento incomparavclmente mais elevado, em volume, do quc as florestas de esseneias nativas, da mesma idadc. A rcalizaqao daquele ilustre paulista e sempre lembrada nas reunioes interna- cionais e com as mais encomiasticas e lisonjeiras references, no- tadamente a de Roma, cm outubro tie 1956. Esse excmplo e fri- zante de quc precisamos adatar ou criar para as nossas ncccssida ties tudo quanto for necessario, mas dentro das nossas condit,'oes de clima, solo, capicidade tecnica, economica e social, conform-.’ vimos acentuando ne.qes alongados apontamentos. As empresas siderurgicas, em geral, e a Companhia Belgo Mineira, em particular, vein realizando um trabalho florestal de grande envergadura, para criar uma reserva de volume con sideravcl para os seus altos fornos. Presentemcnte, a Belgo-Mineira tem em pleno funciona- mento 9 hertos florestais, que se loealizam em Sahara, Santa Barbara, Rio Piracicaba, Dionisio e Coronel Fabriciano, j.i tendo sidt) plantados 22 milhdes de arvores. As maiores plantagoes sao de eucalipto, verdadeiras flo • restas de rendimento, para lenha e carvao. Varias outras essen- cias, pore m em menor eseala, tambem estao sendo plantadas. tais como: "jacare", angico, peroba, etc. Para o corrente ano, 1957, esta previsto um plantio de 6. 000. ()()() de mudas. Nos proximos anos os plantios serao pau- latinamente elevados, passando de 6 a 10.000.000 de euea- 2H2 Arquivos do Scrviqo Florcstal 11 liplos por ano, ate a formulae) dc um inacigo de 3 00. 000 j 000 de arvorcs, cobrindo 120.000 hectares. fisse vasto patrimonio sera dotado, e claro, de um impeca vel servi^o de protegao contra molestias, pragas e inefindios. A exploragao dos eucaliptais sera feita tie acordo com as necessidades industrials da Companhia, que espera aumentar a sua produ<;ao de gusa tie 300 para 500.000 toneladas por ano. Nessa ocasiao, quasc todos os trabalhos tcrao que ser me- cani/.ados e padroni/.ados, obcdcccndo, cm linhas gerais, a se guintc ordem: a — Derrubada das arvorcs — Sera feita por meio dc serras dc cadeia, acionadas por motor diesel-eletrico, que se desloca com facilidade nas florcstas; b — Transporte das toras — A madcira derrubada sera transportada e concentrada cm determinados pontos para ser cortada nas dimensoes proprias para o uso cm fornos de destilasao; c — Cortc da lenha — Para o emprego cm fornos de des tilagao, a lenha deve ser cortada cm pedagos mcnores, de 30 cm. () sistema de serras circulares imiltiplav equidistantes, encaixadas num mesmo eixo motor e auxiliado por um transportador mecanico, resolve satisfatdriamente o problema; d — Carvoejamento — A lenha cortada sera empilhada mecanicamente e submetida a sccagem natural, para posterior aproveitamento nos fornos dc destilacao e fabricagSo do carvao. e — Transporte do carvao — O carvao produ/.ido nos fot- nos de destila^ao sera juntado cm depositos prote- gidos e, posteriormente, transportado para as usinas e, af utilizado como combustfvel e como redutor. As vantagens da mecanizacao acima projetada sao inesti- maveis, pelas seguintes razoes: 1957 P. F. Souza : Apontamcntos Florcxtais 283 1 . a A indiistria cmpfrica, atual, passa a ser uma indtis- tria tecnicamentc organizada. sob rigosoro controle do produ^ao; 2 n — Evita as oscila?oes descontroladas nos depositos dc carvao c, conseqUentcmcntc, cnscja mclhor movi- mentasSo dc capital; 3. a — Havcra maior rcndimcnto da lenha; 4. a — A destilagao sera perfeitamente controlada; 5. a — Grande sera a redugao de mao-dc-obra. etc., etc. Os pianos de trabalho estao sendo orientados por um Chefc de Departamento, um Silvicultor-Chefe c 6 Assistentcs que re- sideni cm casas confortaveis, junto ao scu setor de trabalho, rc- ccbendo toda a assistencia que a Belgo-Mineira dispensa aos seus empregados. Pelo exposto se verifica que a Belgo-Mineira, a maior com- panhia siderurgica do pais a carvao de madeira, esta na van- guarda das grandes realizagoes florestais do Brasil. ESTA DO DE GOIAS Neste Estado visitamos o Exmo. Sr. Governador do Estado, a sede da 6.a Inspctoria Regional do Servigo Florestal e as cida- des de Amipolis. Ceres e Brasilia, tudo programado pelo Inspetor Florestal Regional. O principal objetivo consistiu cm percorrcr a regiao do eer- rado, do Brasil Central. Na futura capital estavam sendo iniciados, naqueles dias, os trabalhos preliminares para a arboriza^ao urbana, paisagismo, protegao florestal e organ izaqao de um jardim botanico, tudo por meio de um convenio entre a NOVACAP e o Ministdrio da Agricultura. Arquivos do Servico Florestal 11 ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTH () nosso progruma dc viugcns. ncsta regiao. foi tra<;ado pclo executor ilo Acordo Florestal, no Estado, que incluiu uroa visita de eortezia ao Exmo. Sr. Govcrnador do Estado c outra ao Sr Prcfeito Municipal dc Natal, quo nos atenderam dc modo cati vantc c prazeroso. Fazenda "Sao Miguel" — Angicos A Fazenda “Sao Miguel" pertence a Companhia Brasileira dc Linhas para Coscr. Suas planta^ocs dc algodao sao enormes c racionalmcntc conduzidas por uni tecnico ingles. Em S. Miguel foram iniciados c ainda prosseguem coni grande entusiasmo os ensaios sdbre a "Algaroba" ou Algarroba. As primeiras sementes, recebidas cm 1947. cram proccden- tes do Peru e, posteriormente, cm 1948, os inglcses receberam sementes do Sudan Anglo-Egipcio. A planta vegeta rnuito bem nas varzeas e nos tabuleiros rasos c pedregosos, apresentando uni magm'fico aspccto vegeta tivo, principalmente ncsta epoca cm que toda a vegetaeao da caatinga esta praticamcnte esturrada. Em zonas secas e quentes da rcgiao do Seriilo algarrobeiras com 2 anos de idade, apresentam-se cm bom estado de dcsenvol vimento, constituindo mesmo tuna fagueira esperanga a possibi Jidadc da sua cultura cm grande escala. Sc assim for. varios problemas serao rcsolvidos simultanea- mente: arborizacao de cidades, reflorestamento e forragem verde, pois os seus ramos e frutos sao avidnmente consumidos pclo gado. Dai o grande interesse demonstrado pclos orientadores dos Servigos do Acordo de Fomento da I’rodu^ao Animal e do Servian Florestal, no Rio Grande do Norte. O material botanico provenientc d.i Fazenda "S Miguel" foi enviado ao Prof. KUHLMAN ( I ) do nosso Jardim Botanico, ill o grande IxilSnico i* nonao prezudo iimlgo Orruh/n Kulilr»anu fftleceu em ninrgo do 1058, 1957 P. F. Souza : Apotitamentos Flores tais que o dctcrminou como: Prosopis juliflora I). C. c /’. ItassleH Harmcs. Uma publieagao reeente - Algaroba — do Eng.° Ayr.1’ GUILHERME DE AZEVEDO, 1955. do S. A. E. P. A., trata com muita proficiencia da sua cultura, considerando os seguintes itens: tratamento das scmentcs. sementeiras. enviveiramento, pre- paid do terreno. transplantagao, espayamento, tratos culturais, va- lor forrageiro, composigao dos frutos, eomposigao dos fenos. di- gestibilidadc, algaroba e npicullura. algaroba e reflorestamento. a algaroba na arbori/.agao das cidades do interior do Nordeste. outros usos da algaroba, dados experimentais e bibliografia. i.siu^ao i'.x peri mental do Serido — Cru/etas Pouco antes da nossa partida para Cru/etas. a fim de visi- tar a Estagao Experimental do Serido, percorremos, pela manha, a Mina Brejui, de Xilita, em Curais Novos. do Desembargadoi SALUSTINO DE ARAUJO e ficamos hem impressionados com os trabalhos de mineraqao em andamento naquela regiao. A Estagao Experimental do Serido dispoc de uma area de 500 hectares, com uma parte agricola de 50 hectares. Dispbe, tambem de 3 .000 hectares de campos de coopera^ao. A sua prin- cipal fin alidade e a cultura do algodao moed e multiplicagSo de tinhagens. Sen raio de agiio comprcende 20 municipios, inclusive alguns do Estado da Paraiba. A maior produgao da regiao e algodao, depois, mineiagao: xilita. pirite e columbita. Estamos na epoca da poda anual do algodao moed. de libras longas. A produgao de algod&o. por hectare, em media, e de 300 kg. mas nas plantagdes bem orientadas e convenientemente pulveri zadas a produgao alcanga 600 — 700 e ate 800 kg. A algarroba constitui uma cultura especial, merecendo des- velados cuidados e tivemos a oportunidade de observar magm'fi- 286 Arquivos do Serving Florestal 11 cos excmplares do 3 anos de idadc. com 5 metros dc altura, cm diferentes tipos dc solo inclusive dc lugarcs extremamente secos. Estamos, pois, diantc tic uni problcma que precisa scr rcsol- vido satisfat6riamcntc c esperamos que isso realmente acontega cm bcncficio da vasta regiao comprecndida pclo nordcstc bra- silciro. ESTAIX) DO PARA Como cm quase todos os Estados, o programa dc viagens e visitas foi tragado pclo Inspector Florestal Regional, do Servigo Florcstal, com sedc cm Belem. F. A. O. No cseritorio da FAO, cm Belem, tivemos tuna ligeira no- gao dos inventarios florcstais que estao sendo feitos no Rio Ama- zonas, por tccnicos renomados, sob a orientagao do Sr. DAMMIS HEINSDIJK, com auxilio da S. P. V. E. A. (SuperintendSneia do Plano da Valori/.agao Economica do Amazonas). Foram-nos mostrados nuiii mapa, a area estudada e o rela- torio ja entregue ao governo brasileiro. Trata-se da regiao entre o Rio Tapajos e o Rio Xingu, com uma area aproximada de 1.500.000 hectares. Dentro de pouco tempo sera eoncluido o inventario da area comprecndida por um pollgono entre o Xingu e o Tocantins. O relatorio, que compulsamos por alguns minutos, naquela ocasiao, trata a questao florestal sob os seguintes itens: I — Descrigao dos tipos florestais da terra firme; II — Distribuigao do diametro das arvores das florestas tropicais. Ill — O andar superior das florestas tropicais ' i Pclo pouco que pudemos anotar sobre os trabalhos executa- dos, podemos dizer que os levantamentos aereos foram feitos na 1957 P. F. Souza: Apontamcntos Florcstais 287 escala de 1:40.000, de acdrdo com as mais modernas rccomcn- dajflcs teenieas. Os irabalhos na florcsta, para interprcta<;ao das fotografias, foram executados cm faixas ou areas de estudo de 10 m de lar- gura por 1 km de comprimento, correspondentes, portanlo. a um hectare. Nessa area, todas as arvorcs acima de 25 cm de diametro a altura do peito foram idcntificadas, tanto quanto possivcl, e me- dida a parte comerciavel, com o auxflio de uma vara de 5 in ou por medi^ao direta, feita com a trena, por homens espcciali/.ados cm trepar cm arvorcs. A altura total era obtida por estimativa c, bcm assim, a dimensao das copas das arvorcs. do andar superior da mata, para uma possivcl medi^ao posterior com auxflio do cs- tereoscopio. No estudo das florcstas de terra firine foram ciicontrados dois tipos principals, que sao: I — Florestas do planalto; II — Florestas das cncostas. As areas dc estudo, cm gcral, foram feitas na diregao ocste- Icstc. Nao ha licvcas nesta regiao. No planalto foram localizadas 76 areas dc cstudos, total!- zando 74,26 hectares. As espccies cncontradas nas areas dc estudo estao assim rc- presentadas: Presenqa Nome comum N.° de arvores Volume m* 100 — 90% Abiurana 563 776 Breu 540 378 Favcira 244 915 IngA 256 231 Jamil a 366 ... 1.073 Louros 420 517 Matamata 366 333 2B8 Arquivos do Scrviqo Florestal 11 N.° de Volume Presenqa Nome comum drvorcs m3 Taxis 514 ... 1.336 Ucuubu 313 542 Envlras 192 181 Total 3.774 ... 6 . 286 M6din por hectare 51 85 90 — 80 '/< • Chimarris ' 217 340 Moraceas 235 332 Tauari 266 ... 1.255 Total 718 1.928 M6dia por hectare 10 26 CO 1 O Itauba 112 372 M6dia por hectare 1 5 70 — 80 7r Urucurana 91 83 Copaiba 75 338 Goiabinha 92 56 Freijd-branco 93 146 Jutai-a<;u 86 619 Mururu 77 147 Olacaceas 32 108 Total 606 1.501 Media por hectare 8 20 GO — 50' ; Carip6 74 G1 Imbauba 60 55 Joao-mole 56 45 Jutai-pororoca 65 87 Cuiarana 67 289 Quinarana 85 127 Tento 66 96 Tenteiro 88 64 Magaranduba 138 680 Quaruba 64 367 Total 763 1.374 M. p. hect 10 25 1957 P. F. Souza : Apontamentos Florcstais 289 t NP de Volume Prcscn^a Nome comum drvores m* 50 — 40' , Parapara 52 117 Porouma 109 88 Tatapiririca 50 44 Castanhcira 41 506 Total 252 759 M. p. hect 3 10 o 1 o AmapA 25 89 Aroeira 31 145 Cupiuva 40 170 Carapanalba 30 387 Cumaru 25 75 Melancieira 35 101 Pau-darco 41 200 Ucuubarana 50 73 Urnazeiro 45 43 Total 328 1.356 M. p. hect 5 18 30 — 20', Anani 33 60 Acariquara 27 32 Acapurana 41 24 AchichA 29 47 Capitiu 22 22 Caroard 20 57 Gombeira 35 50 Madeira-branca 27 32 Marupd 19 39 Morototo 19 64 Pau-jacar6 22 56 Pacot6 19 16 Sapucaia 22 94 Uxi 22 69 Uxirana 28 51 Total 385 721 M. p. hect 5 10 290 Arquiyos do Serving Flores la I 1 1 N.o dc Volume Presenga Nome comum arvores m3 20 — 10% Amarclinho 10 8 Andlroba 41 98 Angellm 8 5 Angelim-rajado 12 7 Buljusu 16 9 Breu-sussuruba 12 67 Ccdro 11 60 Favelra-bolacha 12 56 Frelj6 11 47 Ingarana 20 14 Muirataua 16 107 Matamat&-ci 91 . . 90 Murta 26 10 Mututi 19 29 Moamoarana 16 21 Macacauba 18 21 Mirauba 14 10 Muirapixuma 80 66 Piquld 16 177 Purul 15 13 Sucuplra 17 59 Rosaitlnhc 23 35 Trichilia 11 7 Tatajuba 10 66 ? 17 15 Total 542 1.100 M. p. hect 7 15 10 — 0'/< Axua, arataxiu, angelim-da-mata, axui, a^oita-cava- lo, angelim-pedra, araracanga, acariquararana, atu- ria, etc., num total de 121 esp^cies, com 451 drvores, com 981 m3 c m6dia, por hectare, de 6 arvores com IS m3. As curvas de frcquencia estao assim representadas: NOTA — Nas parcelas acima as fra^oes foram desprezadas. Tipo florestal — I — Alto (Mais de 25 m de altura total). 149 esp6cies, cm 36 areas, com 36 hectares. M6dia — 121 arvores por hectare. M6dia — 167,2 m3 por hectare. 1957 P. F. Souza : Apontamcutus Florcstais 291 Tipo florestal — I — BuLxo (Menos de 25 m de altura total) 149 espAcies, cm 04 Areas, com 64 hectares. MAdia — 105 Arvores )>or hectare. M6dia — 113 m3 por hectare. Tipo florestal — I — Alto. 170 espAcies, em 100 Areas, com 100 hectares. MAdia — 111 arvores por hectare. MAdia — 131 m3 por hectare. Tipo florestal — II — Baixo. 170 espAcies, em 70 Areas, com 69,4 hectares. Media — 105 Arvores por hectare. MAdia — 148 m3 por hectare. Tipo florestal — I — Alto. 217 espAcies, em 76 areas, com 74 hectares. MAdia — 106 Arvores por hectare. MAdia — 207 m3 por hectare. Tipo florestal — II — Baixo. 198 espAcies, em 48 Areas, com 48 hectares. MAdia — 115 Arvores por hectare. MAdia — 213 m3 por hectare. Tipo florestal — II — Baixo. 115 espAcies, em 14 areas, com 14 hectares. MAdia — 63 Arvores por hectare. MAdia — 104 m3 por hectare. Tipo florestal — II — Alto. 186 espAcies, em 109 Areas, com 109 hectares. MAdia — 106 arvores por hectare. MAdia 233 m3 por hectare. Total de arvores: 25.896 no planalto e 18.347 nas encostas. Quanto a tolerancia das especies amazdnicas, os estudos fo ram feitos de acordo com a presenga das copas no andar superior da mata. Ila cssencias que podem cresccr e permanecer em plena sombra — sao as tolerantes. Outras exigent bastante luz, para o 21)2 A rq uivos do Servian Florestal 11 scu erescimento — sao as intolerantcs. Ha. portanto, esscncias ile In/, e essencias de somhra, e ilentro desses extremes as essen eias interinediarias, isto e, as i|iie suportain somhra cm diferen- les perfodos de sua vida, mas principalmentc nos sens primeiros anos. Para a obtengao do grau de tolcrancia das especies, de 25 cm de diametro para cima, foi calculada a presenga das copas no andar superior da mala e os resultados condensados em classes ou grupos. Exemplo — Da espeeie A foram contadas I .000 arvores e. destas, S estavam com as copas no andar superior. Assim. a sua percentagem seria de 0,8 e. por conseguinte, incluida na classe de 0 a 10%. As classes resultantes desses cstudos sao as seguintes: % da copa no Percentagem Nome comum andar superior 0 — 10% Abiurana 6,48 Acapu 1,60 Acariquara 1,34 Andiroba 7,80 Angellm-rajado 3,65 Breu 0,60 Caraipe 9.64 Imbauba 5,69 Inga 6,00 Jutaf-pororoca 5,24 Jutairana 2,55 Louro-amarelo 7,47 Louro-canela 10,00 Matamata-branco 2,06 Rosadinha 9,09 10 — 20% Axua 13,39 Jarana 17,10 Lacre 13,33 1957 P. F. Souza: Apont ament os Florcslais 293 % da copa no Pcrccntagem Nome comum andar superior Louro-branco 11,55 Louro-prfito 18,60 Maparajuba 12,45 20 — 30% Axixu 27.54 Cedro 28.57 Faveira-barbatimao 27,45 Freij6-branco 28,45 Itauba 23,57 Tamanqueira 25,52 Ucuuba 29,53 Amapd 38,14 30 — 40 % Anani 31,58 Cumaru 32,31 Cupiuba 39,31 Freij6 35,17 Magaranduba 38,02 Mututl 30,16 40 — 50$ Guiarana 48,56 Jutai-mirim 48,00 Marupa 41.66 Quaruba 47,30 Sapucala 44,89 Taxi 43,10 50 — 60$ Carapanauba 52.92 Copaiba 54,46 Faveira-bolacha 54,50 Faveira-folha-fina 59,94 Parapard 50,23 Piquid 56,40 Sucupira 51,22 Tauari 52,37 60 $ ou mais Angelim-pedra 79,00 Aroelra 64.63 Castanheira 86,30 Arauivos do Servico Florestal 11 Pcrcentagem Nome comum Favcim-bolotn Jutal-agu Mirataua Morotot6 Tatajuba % da copa no andar superior 83.33 70,75 74,55 00.80 77.77 NOTA — Das 172 csp6cies encontradas no andar superior da mata 30 nao foram alnda idcntificadas por insuficifincia de mate- rial bot&nlco. A cscas.se/. do tempo nao nos permitiu coletar maior numcro de dados deste intercssante assunto e por isso somos obrigados a cnccrrar os nossos apontamentos, deste setor da FAO, com a seguintc conclusao: A questao do climax da composigao das florestas tropicais tern despertado muito interessc de varios pcs quisadores, principalmentc dos ecologistas, havendo duas opi- nides sobre o assunto: uma, que defende o climax como sendo constante, outra afirma que o climax esta cm movimentagao per manente. Os dados obtidos nas florestas amazonicas mostram ipie as florestas tropicais dcsta regiao tern uma composigao mar cadamentc de climax constante. Plantagoes do Institute Agronomico do Norte J’crcorrendo de automovel as plantagocs deste importante Instituto, pudemos anotar as seguintes: Freijo, de 7 anos, com 4 a 5 m de altura. Parapara, marupa, sumaruba e castanheira-do-para em plantagdes em linhas ou fileiras. Cumaru, de 3 anos, com 5 m de altura. Bacuri, dende, pupunha e magaranduba. Nas proximidades do magnifico predio para a futura Escola de Agronomia, em construgSo por meio de subvengao da S. P. V. E. A., pudemos observar os terrenos de var/.ea, para cultura do arroz e outras. Parece-nos interessante assinalar que ha uma 1057 P. F. Souza: Aponlamcntos Florcstais 295 varzca alia, na margcm dircita do Rio Guamu c, outra, baixa. cntrc a alia c a terra firmc. Ambas ficam inundadas nas marcs cheias do equintrcio. As aguas barrcntas da rcgiao dcpositam ai sous dctritos, confcrindo a cssas var/eas uma grande fertilidade e conseqiiente aproveitamenlo generalizado nas culturas do subsistence. Prosscguindo na visita as planta^bes floreslais. anotamos a nova serie de ensaios, cm terra firmc, com varias especies. quase todas de 3 anos, plantadas cm fileiras ou linhas. no espa- gamento de 3 m cntrc as linhas c 1 m cntrc as plantas da mesnn fila. Piquia, com 2 m dc altura. Acapu — 1,2 m. Magaranduba — 1 m. Umiri — 4 m. (Produz boa manta de follias mortas). Tatajuba — 5 m. Pau-darco — 2 m. Jatai — 2,5 m. Castanheira-do-para — 3 m. Cupiuba — 2 m. Quaruba, cedro c ucuiiba — 1 m. Parapard — 5 a 6 m. Pinus caribaea — de 6 meses, com 20 cm de altura. Alem disso anotamos, ainda: Musa textil, que nao vai bem nas partes alagadas; dendc cruzado com caiauc; timbo, pimenta- do-rcino cm cstacas; bracaatinga do Rio Negro, para sombrea mento do cacaueiro; cumaru, mogno cm cultura sombreada; diversos pcs dc seringueira com algumas incisocs a I m dc al- tura, com callut c tijelinha dc zinco, suportada por arame, cm obscrvav'ao sobre o rendimento por arvorc, etc. Prcsentemcntc, o IAN esta sob a diregao do Agr.° RUBENS RODRIGUES LIMA. As scenes tccnicas sao as seguintes: Mclho- ramento dc plantas, botanica, litopatologia, zootccnia, quunica, jolos, entomologia, horticultura c silvicultura, tccnologia da bor racha c limnologia, alem tic Bibliotcca c Sccrctaria. Conta ainda 2 3 4 5 6 7 wu -L- j — i j_i 11 12 13 14 15 16 F 2!)<> A rq uivos do Scrvigo Florestal 11 com varias Estates Experimentais nos Estados do Para, do Amazonas e uma no Territdrio do Amapa, c mantem sob sua orientagao as Plantagdcs de Bcltcrra c Fordlfindia () IAN j;i publicou, cm seric, 33 bolctins tcenicos. alem tl-* lolhctos, circularcs c avulsos. Sen-arid do Sr. IRANCISCO FIN II FI HO CONIES Logo adiantc de Castanhal, no km K2 do novo trecho da es- trada de rodagem Bcl6m-Braganga, portanto cm plena mata, visi- tamos a serraria pertcnccnte ao Sr. FRANCISCO IMNHEIRO GOMES. O motor e da marca “Blackstone”, de 50 IIP, consumindo 200 a 300 litros de oleo cru por semana, isto c, cm seis dias de trabalho. Uma grande serra circular, de 120 cm de diametro, (dentes achatados) com carrinho para movimentagao da tora, consome aproximadamente 40 IIP. A serraria tern uma roda dagua que so trabalha na estagao das chuvas, com agua de uni agude cxistente ao lado da serraria, aliviando, assim, o motor, que fica destinado exclusivamentc a serra circular. Ha, ainda, duas plainas, uma serra de fita pequena e uma serra de balacim. As principals madciras que vimos na esplanada sao: acapu, umarclo, axuii, cedro, cupitiba, freijo, guarubatinga, louro-tama quare, louro-vermelho, magaranduba, pau-darco, sapucaia, su cupira, uxirana e outras de mcnor importancia. As madeiras mais comuns, nas matas da serraria, sao: acapu, cupiuba, louro-tamaquare, louro-vermelho e tatajuba. A area da propriedade c de 6 km* e esta dividida cm duas partes iguais: uma, pertencente ao Sr. FRANCISCO GOMES e outra, pertencente a 7 herdciros. A mata pode ser explorada ainda por muitos anos. 1957 P. F. Souza\ Apont ament os Florcstais 2!)7 Nos cortes trabalham 10 homcns; nos caniinhocs, para trails portc — 6 homcns; no arrasto. por mcio de bufalos — 3 homcns c na scrraria — 1 2 operarios. A madcira mais dura e o pau-darco. A mandioqucira e boa para assoalhos. O guajard so serve para lenha. As arvores muito grossas, como de piquiarana, sao derru- badas e roladas por meio de roladeiras, para fossos, feitos no chao e af serradas manualmente com serra de estaleiro. Esta scrraria fiea a 10 km de Castanhal. Em Castanhal visitamos o Campo Florestal, junto a cidade. mantido pela Inspetoria Florestal Regional de Belem. Em Santa Isabel a 60 km da capital paraense, visitamos t a in- born o Posto Florestal "JOAO COELHO”. Ambos tern por finalidade fazer trabalhos experimentais e preparar mudas, que alias vimos cm grande quantidade e varie dade, cm canteiros, para reflorestamento da regiao, que ja esta bastante desfaleada do seu priniitivo revestimento florestal e que eonhecemos “de visu”, ha uns 30 anos. Na viagem de regresso, cm Ananindeua, a 8 km de Belem, apesar da grande chuva que desabava no momento, visitamos ra- pidamente o Horto “GUSTAVO DUTRA”, do Fomento Federal. Vimos uma planta?ao de umiri. de 12 anos, com bom desen- volvimento e espessa eamada de manta. Ao lado, uinas andirobei- ras, antigas, cm pessimo estado de vegetagao — algumas ja mortas. Logo depois, uns pes de louro-puxuri, para perfume, de 1 1 anos, com 2 m de altura, cm baixo de umiri/.eiros, de 8 anos, com 6 a 7 m de altura. O aspecto do louro e desolador, por ser planta de igapo c nao de terra firme, conforme foi plantado. TERR1TORIO FEDERAL 1)0 AMAPA Logo apds a nossa chegada a Macapa, fizemos uma visita ile agradecimento ao Exmo. Sr. ( iovernador, que se fez represen- tar cm nosso desembarque pelo seu Secretario da Produi;ao. 2 3 4 5 6 7 ^ ^ -L- -I — I -I— I 11 12 13 14 15 16 F 298 Arquivos do Serving Florestal H Durante a agrad&vel conversa que mantivemos com S. Excia licamos a par das atividades do Governo clt> Territ6rio. nos sens mtiltiplos aspcctos: geral. econdmico, educacional, industrial, etc., c do progrania organ i/ado para os poucos dias do nossa permanfincia no extremo none do pais. No dia seguintc, pela manha, percorremos a regiao do ccr- rado que vai de Macapa a Porto Platon, nutna distancia dc I 10 km e. a seguir, rumamos 9 km ao sul, para a Coldnia Matapi. que e regiao tie mata, e anotamos as seguintes cssencias: acapu. acariquara, amapa. andiroba, angelim-branco, earapanauba. eumaru, cupiuba, envira, faveiro, jarana, louro, louro-vcrmclho. mayaranduba, maparajuba, maximbe, sucupira, tauari e umiri, a 16m de outras. Aqui nao cortam eumaru e angelim-pedra por serem cxees- sivamente duras. Elas scrao destrufdas pclo fogo das queimadas para royados. As arvores acima mencionadas sao de grande altura. No momento estao fazendo a derrubada, destocarnento parcial e limpeza do terreno com 2 tralores D8, de esteira, amontoando os toros num vale. Esses trabalhos estao sendo cxecutados na Granja da ICOMI (Industria e Comercio de Mincrios S. A.). Visitamos tambem o Campo de Fruticultura, a 7 km de Macapa, subordinado a Divisao da Produyao do Territorio. Percorremos as sementeiras com mudas de cacau, pimenta- do-reino, (por estaeas) e viveiros de citrus — cavalo de limao- galcgo, para lima, mexeriea, etc. Vimos etn jacazinhos: mudas de eafeeiro, eajueiro, pinha, goiabeira, mangueira, graviolas, guarana, dende, etc. As mudas de pc franco sao vendidas a Cr$ 3,00 e as enxer- tadas a C'r$ 3,50. C) eoqueiro anao 6 vendido a Cr$ 20.00. Os canteiros sao cobertos com pallia de bacaba. O earoyo de ayai, depois de decomposto, e considerado bom adubo. Os jacazinhos sao feitos com talas da haste de guaruma. Para a cobertura tie casas usam a folha de ubuyu. 1957 P. F. Souza: Apontamcntos Florcstals 299 Pcrcorrcmos tambem, ligeiranientc, o Scringal ‘‘JOAO CLEOFAS” no Posto Agro-Pccuario dc Macapa. depcndfincia da Divisao da Produgao do Tcrritorio. A plantagao foi fcita cm linlias afastadas dc 8 in c as plan- las cstao a 2 m nas linlias. Entrc as linlias, tine sfio muito afas- tadas, descnvolveu-sc uma pequena caapoeira, quo, com a sec a. pegou fogo, vindo do fora, por falta dc acciro. Muitas arvorcs cs caparam do fogo ou ficaram apenas sapeeadas. A causa do in ccndio ficou pcrfcitamcntc apurada: dois Pescadores atcaram fogo, junto dc um lago, para facilitar a pcscaria e o vento sc incumbiu do sen alastramento, quo queimou 6.000 scringuciras dc 6 anos dc idade. Passando pclo rccinto cm que sc rcaliza, anualmente, a cx- posigao dc Animais c Produtos Derivados, do Tcrritorio, trans- puzemos os marcos do cquador para um simples golpe dc vista na horta dos japoncses, que exportam scus variados produtos para Macapa c Belem. Na Estagao Experimental dc Mazagao, um dos 4 muniefpios do Tcrritorio, que alcangamos numa pequena embarcagao dc motor dc popa, vimos uma mimosacea para sombreamento dc cafe, dende sclccionado, feijao guandu, mudas dc guarana (na sombra), teca, ccdro-branco, ccdro-vcrmclho, etc. Na mata pro- ximal jatoba, magaranduba, pau-mulato, ucuuba; regeneragao natural dc pracuiiba; jatoba, com imensas sapopemas; mauba. pequena plantagao dc guarana eoberta dc pallia cm forma dc colmcia; parapara, caoba, tucuma, plantagao dc cacau, capim elefante, etc. A area da Estagao c dc 980 hectares c os trabalhos foram iniciados ha 3 anos. No regresso, apanhumos um violento temporal na boca do Amazonas, do qual escapamos por vcrdadciro milagrc. Nao podemos cnccrrar estes alinhavados apontamcntos sem uma ligeira refcrcncia ao futuro do Tcrritorio do Amapa, que 300 Arquivos do Servian Florcstal 11 surgiu cm conscqucnciu do Dccrcto-I.ci n.° 5.812, dc 13 do ou- tubro dc 1943, que criou os Tcrritdrios Fcderais. A sua superfieie c dc 135.908 km2 c foi de.wncmbrada do Eslado do Fara. O Governo do Territorio foi instalado cm 25 dc janeiro dc 1944, na cidadc dc Macapa, a margcm csqucrda do Rio Ama- zonas. Sua popula^ao, naqucla epoca, era dc 1 .200 almas. Hojc, a populagao dc Macapa c dc mais dc 20.000 habitantes. A po- pulaQao do Territorio esta calculada cm 50.000 almas. O dim. c equatorial. O futuro do Amapa esta intimamente ligado as suas imensas riquezas minerals, principalmentc o mangancs, cujas minas sc localizam cm plena selva, na Serra do Navio, a 200 km dc Ma- capa e ja sc acham cm franca explora^ao racional. O arrendamento das jazidas, mediante concorrencia, foi outorgado, cm 1947, a ICOMI, com sede cm Belo Horizonte. A concessao permite a exploragao, transporte e exportagao do minerio dc mangancs, da Serra do Navio. Faro isso a ICOMI cuidou da navegabilidade do Canal Norte do Rio Amazonas, do eais fixo, do cais flutuante, para atraca?ao dc navios para carregamento dc minerio e dos petro Iciros, para descarga dc combustivel. Mede 247 m dc compri- mento e c dotado do mais moderno equipamento, correias trans portadoras, divididas cm segdes dc 446 m dc extensao. podendo carregar 2.000 t por bora; patio ferroviario, tanque dc combus- tivel, depdsito dc agua; casa da forga, com 3 grupos diesel dc 600 kw cada um; alcm dc edificios, tais como: cscritorio, ofici- nas, almoxarifado, frigorifico, posto medico, carpintaria, cscolas, vilas residenciais, rcstaurante, clube, etc. A sua magnifica estrada dc ferro tem as seguintes caractc risticas: 193 km dc extensao, raio nu'nimo dc curva 382 m; bitola — 1,435 m; rampa maxima no sentido da exporta^ao — 0,35 %; numero dc dormentes — I .765 por km, 5 pontes, 3 lo- comotivas Ci. M. Dicscl-liletricas, 80 vagocs para transporte dc 1957 P. F. Souza: Apontamentos Florcslais 301 minerio, alem de outros tipos para passageiros, pranchus, tan- ques, lastro, inspc?ao, etc. Na construct) da estrada forum emprogados 468.679 dor- mentes de 2,60 x 0,17 x 0,23 m. Ja foram invertidos no projeto do Amapa c&rca de US$ 50.000.000.00. A exportagao programada e da ordem de 600/700.000 t de minerio por ano, podendo eleva la ate I .000.000 de toncladas. Na base dos pregos correntes no mer- cado internacional a IC'OMI pagara ao Territorio do Amapa, cm 1957, a importance de Cr$ 100.000.000,00. fisses numcros sao bastante significativos e dispensam co- mentarios, colocando o Amapfi como centra importantissimo da regiao amazonica. 1ST A IX) DO AMAZON AS Fomos recebidos no aeroporto de Manaus pelo Diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia, subordinado ao C. N. P., pelo Presidente da Associa^ao Comercial e pelo repre- sentante do Fomento Agricola Federal naquele Estado. No mesmo dia da chegada visitamos as recentes instula^oes e dependencias do Instituto, quo sera dotado de tudo quanto ha de mais moderno para as suas finalidades. O Instituto foi criado pelo Decreto n.° 31.672, de 29 de outubro de 1952, tendo como finalidade o estudo cientifico d>> meio flsico e das condigoes de vida da regiao amazonica. O Regimento do IN PA foi aprovado pelo Decreto n.° 35 . 1 33, de 1 ,° de mar?o de 1 954. Os trabalhos do Instituto so agora e que sc iniciam e o sen pessoal tecnico ainda nao foi completamente recrutado Visitamos, depois, a Reserva Florestal “DIJCKE”, de 100 knr, subordinada ao Instituto. Essa reserva fica a 29 km de Ma- naus na BR 17. 2 3 4 5 6 7 ^ ^ -L- -I — I -I— I 11 12 13 14 15 16 F 302 Arquivos do Serpigo Florcstal 11 Percorrendo as suas matas anotamos as scguintes esscncias: bacuri, cupiuba, cardeiro, pau-marfim, pau-mulatciro ou cscor- rega-macaco, tauari, etc. Observamos tambem uma pcquena area nu qual as palmei- ros estao sendo rctiradas para a introdugao, so possivel, de cspecies nobres — verdadeiro enriquecimcnto. Parccc-nos, poretn, que o ambiente cstd excessivamentc sombreado e que so as especies to- lerantes poderao ser tentadas nesta expcriencia, que obedece a orientagao de um fitopatologista. Numa pequena baixada estao sendo organizadas as semcn- teiras para a produgao de mudas nccessarias a expcriencia acima referida. Not am os que nesta mata nao ha arvores grandes como as que caracteri/am as de C’astanhal e do Amapa. O terreno e bastantc arenoso na varzea que percorremos. Na amazonia, em geral. o solo da varzea e l'ertil, conforme descrevemos, pela sediinentagao do material suspenso nas aguas barrentas. £ tambem considerado como terreno novo, instavel e muito importante para a agricultura. A terra firme e de terreno pobre, ostentando, em geral. flo resta de alto porte. O igapd c um terreno mais estavel que a varzea. Esta tende a elevar o nivel do sen ehao, enquanto o igapd apresenta uma tendencia oposta, into e, de abaixar o nivel do sen chao. Os terrenos da varzea e do igapd ficam inundados durante certo periodo do ano. A diferenga, porem, esta na permanencia das aguas, no igapd, durante mais tempo do que nas varzeas. De modo geral e de aedrdo com recentes analiscs, as terras da amazonia se caracteri/.am pela sua pobreza, o que parece um paradoxo diante do aspecto majestoso da floresta virgem, exubc- rante, frondosa e imponente. A pobreza dos solos amazdnicos, com suas caracterfsticas floras regionais, pode ser observada tambem na pobreza das aguas daquela imensa bacia hidrografica. 1957 I'. F. Souza : Ajwntamcntos Florcstais :io:i Como sabemos. as iguas dos rios amazbnicos, sao dc tics tipos: turva, limpa c transparcntc, quc sc rcprcscntam, rcspec tivamcntc, pclo Amazonas, Tapajos c Rio Negro quc passa cm Manaus. Neste ultimo tipo a sua cor e devida a agua do igapb, cm contato com grande quantidade dc material organ ico morto, portanto, dc acidcz elevada c conscqiientc pobreza cm sais cm dissolugao. As experiencias dc colonizagao tentadas cm diferentes pon- tos da amazonia, como na E. F. Braganga, Santarem, etc., dc- monstram quc depois da derrubada c queima da mata virgem a colhcita e regular no I .° ano, cscassa no 2.° c praticamcntc nula no 3.°. As plantas ai vivcm da materia organica acumulada du rantc sdculos. A derrubada c a queima dcstroem uma grande parte dessa materia organica. expondo o solo aos agentes cli- nuiticos rigorosos, tais como chuvas intensas. sol abrazador c a erosao, todos concorrcndo para o empobrecimento rapido do solo, porventura cultivado, quc sc torna, assim, quase estcril dentro dc pouco tempo de uso. Lamcntavclmente, a Schistosomiasis ja deu entrada na re gifio amazbnica, desdc 1 949, nas Plantagocs de Bclterra c Fordlandia, introdugao cssa devida, indiscutivelmente aos tra- balhadorcs do nordcstc, quc, como sabemos, c regiao dc alta i addenda. No Baixo Amazonas, a acidcz. dos igarapes impede, feliz- mentc, a propagagao e conseqUentemcnte a disseminagao dessa tern'vel molestia. Da regiao amazbnica. parece que Manaus reflete ate agora, com sulcos indclevcis no sen aspecto geral, principalinentc no setor cconbmico, o tremendo impacto sofrido com a queda da borracha. Os capitals inglescs e holandeses investidos na plantagfio dc seringueiras, no Oriente, transformaram complctamcnte a in- 304 Arguivos do Serving Florestal 11 dustria extrativa, criando a mais perfeita organizagao auricula do mundo. Num perfodo do poucos anos assistimos qua.se do bravos cru- zados ao mais surpreendonte desmoronamento eeonomico regis- irado na nossa liistoria, pcla produgao verdadciramcnte fan'astica das plantagdes do hcveas no Oricntc. O atual sistema de transportes motorizados rodoviarios, quo sc implantou cm quasc todos os paises do mundo, abriu novos horizontes para urn aumento consideravel da produgao de borr.i- cha necessaria para a fabricagiio de pneumaticos e outras apli canoes industrials. Li, por incrtvel que parega, ha no Brasil, neste momento. uma falta de borracha da ordem de 30.000 t para o nosso parque industrial, “deficit" esse que esta sendo coberto por uma discreta importagao a prego de ouro. Da grande ligao que reeebemos no comedo do seculo con- tinuamos a lamentar resignadamente a tremenda catastrofe oca- ,' ionada com a falcncia da nossa supremacia no mercado mundial da borracha. Conl'iamos , porem, na capacidade e no patriotismo da nova gerugiio tie nossos tccnicos para tirar proveito das perspectivas que se apresentam cm quasc todos os setores da atividade Hu- mana nesta cpoca da energia atomica e dos salctites artificiais. No setor florestal, porem. um progresso realmente marcante so podera ser alcangado com a criagao de uma Escola de Silvi- cultura, para a formagao de tecnicos altamentc especializados de que temos grande necessidade. Ao encerrarmos estes despretenciosos apontamentos. torna- dos cm tempo bastante exiguo e sempre apressadamente, deseja- mos agradcccr ao Sr. Diretor do Scrvigo Morestal, Dr. DAVID DE AZAMBUJA, a indicagao do nosso nome para acompanhai o Prof. AUBREVILLE nas suas viagens pclo interior do pafs. Desejamos tambem apresentar nossas desculpas se certos trechos destes apontamentos, resumidos tanto quanto possfvel, 1957 P. F. Souza: Apontarncntos Florestais 305 nao rcflctirem com prccisao o quo nos foi dado obscrvar on aim tar durante essa vcrdadcira pcrcgrina^ao. Finalmentc, os nossos agradecimentos a todos quo dircta ou indiretamcntc contribufram para o bom descmpenho da honrosa missao quc nos foi confiada. Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 1958 PAULO F. SOUZA AKi-6nomo-SllvicuItor RELAT6RIO DO SERVIQO FLORESTAL — 1957 — INTRODUgAO O presente relatoro obedccc a um planejaniento estabele- cido durante o periodo em que sc reuniram, no Rio, todos os responsaveis pelas dependencias do Servigo Florestal, no interior do Pat's. Nessa oportunidade, foram debatidas as diretrizes gerais de agao do Servigo Florestal e os progratnas de trabalho para o ano de 1957 estabeleccndo-se, inclusive, a maneira como deve- riam scr apresentados os respectivos relatorios. Mais tarde, foram remetidas instrugoes para os senhores Chefes de Inspetorias e Executores de Acordo, acompanhadas de formularios para cada setor de atividade, estabelecendo ti'tulos e subti'tulos que deveriam scr focalizados, visando a podroniza- gao dos relatorios e a inaior facilidade de apreciagfio por parte desta Diretoria. Desta forma, a cada setor de atividade corresponde, prat i- camcntc, um relatorio, encabegado por um resumo do Setor, em todo o territorio nacional e seguido dos relatorios parciais das dependencias do interior. Finalmente, como primeiro volume dos relatorios por se- tores, um resumo geral focalizando as principais atividades do Servigo Florestal, durante o ano de 1957. Com o prcsente sistema de relatorio, facil sera ao intercs- sado, partindo do resumo geral, atingir o setor de atividade e a dependencia do interior, sent maiores delongas. :?oa A rq uivos do Servian Florcstal 11 EDUCA(,’A() FLORESTAL A soluble) dos importantes problcmas florestais, agora cn- carados com resolugao polos Idenioos florestais c autoridades go- vernamentais, nao poderia obter reccptividadc descjavel o. por conscguinte, atingir suas finalidados, sem quo uina grando pro- paragfio, junto ao povo, fosse oxorcida. Tornou-so indispensdvol a criagao do uma Comissao, quo ostudasse o planojamonto o a organizagao do futuro orgao a quom incumbiria agir cm todo o territorio nacional, no sentido da difusao do prinefpios florestais o da cducagao da populagao. E, foi assiin quo, pola Portaria n.° 59 do 29-5-1956, do Dirotor do Servigo Florcstal, constituiu-se a Comissao encarregada do elaborar o planojamonto Nacional do Educagao Florcstal. Em 2 do junho do 1956 ora aprosontado o “Plano Coral da Campanha do Educagao Florcstal’’ sugerindo-se, inclusive, a constituigao do um 6rgao Executivo capaz do coordonar e por cm pratica os pianos da Campanha. Em 2 do julho do 1956, cm exposigao do motivos n.° 1.120 do Servigo Florcstal, ora o “Plano”, integralmonto aceito o apro- vado polo Exm.° Sr. Ministro da Agrioultura, conforme dospaoho da mesma data. Em 21 do setembro, “Dia da Arvore”, fez-so o lanrtante fonte dc divisas para o Pals”. O movimento de visitantes aos Paruues Nacionais crescc de ano para ano e sao uma demonstragao patente do interesse e do amor a natureza que vao se desenvolvendo cm nosso povo. Os 2 3 4 5 6 7 ^ ^ -L- -I — I -I— I 11 12 13 14 15 16 F Arquivos do Servian Flores t a l 11 314 mais procu ratios, tic Serra clos OrgSos c Itatiaia naturalmcntc por sua locali/.agao mais proxima dc grandcs ccntros populosos c maiorcs facilidadcs de accsso, apresentam numeros intcrcssantcs para o ano findo, a saber: PARQUE NACIONAL DO ITATIAIA Visitantes 42 . 746 Veiculos 6 . 302 Excursionistas alojados 486 Vsitantes nas hospedagens 389 PARQUE NACIONAL DA SERRA DOS ()RO aOS Visitantes S6de 120.231 Acampamento 13 dc Maio 581 Abrigo n.° 2 1.012 Abrigo n.o 3 226 Abrigo n.o 4 817 TOTAL 122.856 Veiculos Motociclctas 1.519 Automoveis 74.237 TOTAL 75.756 O numero redu/ido de Parques Nacionais — quatro apenas relativamentc a extensao territorial do Pais c sua importancia, nao so como reserva onde sc abrigam fauna c flora, religiosa- mente protegidas para a postcridadc, mas tambem como fontes dc turismo c rccreativismo, Icvaram a atual diregao do Servigo l lorcstal a reali/.ar cstudos, inclusive Icvantamcnto aerofotogra- mctrico, visando a criagao dc tres novos Parques Nacionais, a saber: 1 !)f>7 Relatdrio do Servian Florcstal 315 1 — Parque Nacional do Aparados da Serra, no Rio Grande do Sul, destinado a preservar as excepcionais bclezas da regiao, bom como os remanescentes da antiga flora do pinheiros, quo sera mais um dos motivos do atracao tu- rlstica do nosso Pais. 2 — Parque Nacional do Sao Joaquim, em Santa Catalina, quo i>ossibilitara a preservagao dc vastos i)inhclrals na- tivos, onde nascem os principals afluentes do Rio Uru- guai e onde a temperatura dcsce a vdrios graus abaixo de zero, dando formagiio a fortes nevadas anuais. 3 — Parque Naconal da gruta de Ubajara, no Ceard, para a protegao das matas residuals da encosta da Serra do Ibiapaba, tendo como motivo central a afamada gruta de Ubajara. FOMENTO As atividadcs dc fomento no Brasil, como tambem cm qualqucr pais dc economia florcstal dcsenvolvida, atingiriam o limite ideal quando os rcsultados dc sua agao sc traduzisscm cm cquili'brio cntrc o consumo c a produgiio madeircira. Essa situagao, entrctanto, jamais sera alcangada c a cxpcriencia indica que o grande “deficit" representado pclo consumo para fins in- dustrials teni dc scr contrabalangado pcla agao dircta do Go- verno, com base no Fundo Florcstal, atraves a criagao c admi nistragao das Florcstas Nacionais. Dcsta forma, o Pafs so tera aliccrgado sblidamcntc, sua economia florcstal, quando a polftica sc cncaminhar no sentido do Estado, sc tornar proprictario do “solo florcstal”. Nao obstante, as atividadcs dc fomento sao imprescindiveis como rcsponsavcis pcla manutengao do cquilfbrio, quer do mcio. restabclcccndo a cobcrtura minima, com todos os scus benefi- cios, quer economico, cntrc a produgao c o consumo dc madeira para fins locais c pequenas industrias domesticas. O fomento c a cducagao florcstais caminharao sempre lado a lado dcsenvolvendo, no povo, o sentimento dc amor a lirvorc, a conscifincia da preservagao dos rccursos naturais c da ncccssi dadc do rcflorcstamcnto, para que cada regiao mantenha sua quota minima dc cobcrtura. Sua agao, por conseguinte, csta pra- ticamcntc restrita as atividadcs dos proprietaries rurais, visando a protegao do solo, dos mananciais e a produgao dos produtos florcstais necessarios a gastt>s cm pequenas industrias locais. 1057 Relatdrio do Set t ico Florcstal 317 Nesse scntido, cmpcnha-se o Serviyo Florcstal na criacao dc novas Jnspctorias Florcstais, ale quo seja possivel contar com uma por Estado, a cada uma das quais ficarao subordinados os distritos florcstais, com tantos postos quantos sc fizerem ncces sarios. Essa organiza<;ao, estudada pela atual direyao do Servigo, csta sendo posta cm pratica sistematicamcntc, dentro das possi- bilidadcs administrativas c vcm trazendo vantagens, nao so pela ordem, hicrarquia c divisao do trabalho que veio cstabclcccr, mas lambein polos rcsultados praticos obtidos, do vcz quo o fomento c a assistencia tecnica vao ao cncontro do intcressado, na zona ondc cxcrcc sua agao. A prcocupa^ao inicial dcsta Dirctoria, logo ao scr empos- sada, foi rcorganizar o Servigo Florcstal sob moldcs praticos, do maneira a quo sous csforgos sc traduzissem na irriplantayao, no Pals, dc uma silvicultura racional, apta a progredir c sc colocar lado a lado com as dos paiscs mais adiantados. Iniciaram-sc, entao, os trabalhos dc divisao tccnico admi- nistrativa dos Estados, cm Distritos, dc acordo com as normas cstabclccidas polo 1. B. G. E. c as cxigcncias determinadas por fatorcs locais podcndo-sc adiantar quo a maioria das Inspetorias c Acordos Estaduais ja funciona dentro do novo sistema. Outra prcocupagiio da atual Dirctoria tern sido a obtengao dc areas, cm caratcr definitivo, cm locais pre-determinados para instala^ao dos postos permanentes. Dc uni modo gcral, tern sido boa a rcceptividadc a nova po- litica florcstal, por parte das Prefeituras, tanto assim que dos duzentos c dez postos existentes cm todo o territorio nacional setenta c um forarn instalados cm 1957, cm pequenas areas, muitas dclas, cedidas definitivamente pclos Muniefpios, a saber: Minas Gerais 7 Santa Catarina 22 Maranhao 2 Piaui 3 Rio Grande do Norte 5 318 11 Arguivos do Serving Florcstal Paraiba 1 Pernambuco 3 Bahia 4 Rio dc Janeiro 3 Dstrito Federal 1 Golds 9 Parand 1 Rio Grande do Sul 10 TOTAL 71 Os plantios efetuados polos proprios postos, cm suas areas, corrcspondem a 742 hectares, num total do cerca dc 700. 000 arvores. Alcm disso, tom sido estabclocidos campos dc cooperagao, a titulo precario, orn terrenos partioularcs ou das munioipalida dcs — postos temporarios — para a produgao dc mudas dc es- sences florestais dostinadas a formagao do macigos ou arboriza gao do logradouros piiblioos. () numero dc cooporados sc elevou a 75 (setenta c cinco), com uma area rcflorcstada dc 240 hecta res, corrcspondcntos a cerca do 300.000 mudas do essencias florestais. A produgao do mudas dos postos florestais nao sc limitou aos numeros acima citados, inumcros podidos isolados foram atendidos num total do cerca dc 6.300.000 mudas c possuem cm estoque, cerca do 7.500.000 mudas. (vide quadro n.° 1). Entretanto, a simples observagao dcssc quadro, demonstra o quanto sc tera dc rcalizar cm materia do oducagao florcstal para aumentar o intcresse c fazer sentir a importancia do problenia, florcstal, no Pais. Embora o Servigo Florestal tenha produzido 14.328.013 mudas so conscguiu aplioagao util para 7.303.505. conscrvando um estoque dc 7.520.564, ou seja, aproximada- mente 50% dc cxcmplarcs. Por outro lado. o que do pratico representa a distribuiga de 7.303 .505, cm todo o territorio nacional podc parccer a muitos irrisorio, pois, que corrcsponde a uma area igual a 1957 Relatdrio do Scrvigo Florcstal 319 ANO DE 1957 QUADRO COMP A RAT IV O DA PRODUQAO E DISTRIBUIQAO DE MU DAS S. F. — Seyao de Estatistica, Documentagao c Dlvulgagao i Setdr de Estatistica Prudu^do UnultuUs da Federat'd© do mudav DistribulgAo Muda.s do mudae ern e* toque Amazonas — — — PnrA 131.010 48.072 82.038 Marunh&o 134.218 54.304 70.014 Piaul 05 . 300 118.382 — CcarA 760.560 552.805 216.761 Rio Grande do Norte 56.457 118.561 — Paraibn 580.203 358.510 821.783 Pernambuco 161.755 330.300 131.365 Sergipc 508 . 300 20 . 725 487.575 Alogoas 324.608 324.608 — Bahia 208.780 204.770 4.001 Esplrlto Santo 715.208 213.208 502 . 000 Rio de Janeiro 1.307.827 721.452 586.375 Distrito Federal 55.120 10.105 44.025 Sfto Paulo 44 . 033 355 . 602 — PnranA 316.606 258.373 58.323 Santa Catarina 1.143.328 800.000 343,328 Rio Grande do Sul 282.048 282.048 Minns Gerais 7.031.220 2.406.646 4.534.583 Mato Grosso 30 OOO 21.360 8.640 Goiaz 130.548 12.405 118.053 Terri tdrlo do Acre — Rio Branco — — — AmnpA — — — RondAnia , . — *— — TOTAIS 14.328.013 7.303.505 7.520.564 OBSE1RVAQAO: No present* quadro, entende-se por produqilo de mudns, o nilmero de exemplares pronto* para plantlo on dlstrlbuicAo. 320 Arquivos do Semico Florcsful 11 0,00024% da superficic total do Pais. Hntretanto. para um infcio dc trabalho c num Pais onde a popula^ao rural ainda nao atingiu a um indicc, scqucr sofrivcl dc contpreensao dos problemas flo- restais, podc scr considcrada porccntugcm. apcnas, baixa. Adc- mais, nao dcvc scr atribuigao dc fomcnto cobrir todo o consumo dc madcira do Pais c sim equilibrar os pcquenos dcsbastcs fcitos cm propricdadcs turais agricolas visando, principalmcntc. a quota minima dc cobcrtura. O “deficit” resultantc dc cortcs macros para fins industrials constitui problema que so sera solucionado pelas proprias cm presas cxploradoras ou pelo Estado, quando forem criadas as florestas Nacionais, sujcitas a Icgislasao especial — CODIGO FLORESTAL — onde seja previsto — I'UNDO FLORESTAL. Convent chamar a atengao tambem para o fato dc que o Servigo Florestal ainda nao conta com dcpcndcncias no Amazo- nas c nos territorios do Acre, Rio Branco, Amapa e Rondonia, conforme quadro n.° 2 c que a soma dc suas fircas, faz baixar considcravclmcntc a porccn. agent dc area cobert. DEFESA As atividudcs de dcfesa c protegao do patrimonio florcsta! constitucm. scm duvida, a tarcfa mais diffcil c cspinhosa. a cargo do Servigo Florcstal. Dc um lado, os cncargos do fiscal i/.agao c dc fazcr cumprir as normas cstabclecidas no Codigo Florcstal, com todas as dificuldadcs decorrentcs da intcrferencia junto a particulares, nem semprc suficicntementc compreensfvcis. Do on Iro lado, os sorios problomas do protegao o conservagao dos rccursos naturais, atraves do modidas imodiatas do combato a in cendios, orosao, pragas e doengas alcm do trabalhos do manu rengao do mananciais o fixagao do dunas. E por domais conhccido o vulto scmprc crosccntc da exploragao florcstal, cm todos os rccantos do mundo, cm razao das inumcras aplicagoes dos pro dittos florestais, c no Brasil, dia a dia aumcnta seu consumo. \ instalagiio do novas sorrarias, as neccssidades cada voz maioros do dormcntes, a floroscente industria do contraplacados o do tiibuas do fibra o, finalmontc, a ja vitoriosa sidorurgia nacional exigent do ano para ano, quantidades cada voz maioros do madeira. So modidas urgontos do protegao, fiscaliza^ao o oriontagao nos mo todos do exploragao nao forom ostabolocidas, ostaremos cami- thando para o colapso total. Diantc dc uma tal situagao, as au toridados governamentais voltaram suas vistas para o sotor flo- rostal o, com grande scriodado, vcm encarando o probloma, dis- postos a situa-los cm sua verdadeira posigao. A organizagao do Sorvigo Florcstal prove, para brevo. a oriagao do novas Inspotorias, quo atingira numcro ideal quando. cm cada Estado, uma dessas dopcndcncias estiver em funciona- 1957 Relatorio do Scrviqo Florcstal 323 monto. For ora, existem apenas novc, naqucles ondc o problema florcstal exige niaior atcngao, c cada uma dclas cxcrcc suas ati vidadcs cm um. dois ou trcs Estados, atravcs dos distritos flores tais c do suas patrulhas volantcs. Apcsar dos 6timos resultados 'htidos com o prescntc sistcma poucas sao as Inspctorias quc ja contain com um scrvigo bcm organi/.ado, face aos reduzidos rccursos dc epic dispoc o Scrviqo Florcstal para esse setor dc suas atividadcs. Nao obstante, no ano dc 1957, a Polfcia Florcstal al angou grande dcscnvolvimcnto conscguindo nao so ampliar-sc nos Estados dc Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia c Rio Grande do Sul. mas tambem instalar-sc nos Estados dc Goias c Rio dc Janeiro, regularmcntc cquipada, inclusive com patrulhas volantcs organi/.adas c distribuidas cm Distritos Florcstais pclos Municipals, para as operagoes dc repressao a infratorcs. Somente no ultimo exereicio foram criadas 14 (quatorze) patrulhas volantcs compostas dc trcs guardas c um inspetor de- vidamente fardados, armados c cquipados com transportc, para atender ao cnorme raio dc a^ao, cm quc devem atuar, perfazendo um total dc 34 (trinta e quatro) patrulhas, cm funcionamcnto Rcssaltc-sc, todavia. quc esse numero csta longc dc satisfazer as nccessidadcs dc fiscaliza?ao c repressao, havendo zonas imen sas do territorio nacional totalmentc dcsguarnccidas. As atividadcs dcssas patrulhas, aldm daquclas quc sao no mais, como vistorias, avaliagoes dc dreas, esclarecimentos, etc podem scr resumidas no quadro abaixo: Intimagoes 1.243 Inqu6ritos j)oliciais 100 Prisoes em flagrantes 48 Dillgfinclas 1.960 Autorizagoes para desmatamento .... 3.910 Embargo de derrubada 114 Madeiras aprcendldas (m3) 2.750 Carvao apreendido (sacos) 450 Qull6metros j>ercorrido.s 265.714 324 11 Arquivos do Serving Florcstal A ngao vigilante das Inspetorias, atraves suas patrulhas vo- :antes. tern concorrido para urn mclhor conhccimento do Cddigo Florcstal e dc uina mclhor regulamcntagao dos cortes dc madcira. sujeitos sempre a vistoria e permissao da autoridadc compctcntc. Os numeros, acima, evidentemente. dentro das possibilidadcs atuais dc controle, sao uma demonstragao da mclhoria que sc vein alcangando nesse setor dc atividade, cm que so foram rc- gistrados I 14 (cento c quatorze) embargos, enquanto as auto rizagoes para desmatamento atingiram a 3.910 (tres mil novc- ccntos c dc/.). O rnimero dc inqueritos policiais. por outro lado, so atingiu a 100 (ccm), o quo vein demonstrar maior conheci- mento da lcgislagao rcguladora do assunto. Ncssc particular, constitui motivo dc regosijo o caso inedito vcrificado na judica- tura dc Minas Gerais, c do Brasil, cm que foi proferida sentenga eondenatoria a infrator florcstal rcsultantc dc proccsso regular instaurado pcla Inspetoria Florcstal. Casos como esse, a ldm de inccntivar o trabalho patriotico da Palicia Florestal, vein comprovar o alto nlvel dc compreensao do problema florcstal, ja dominantc na magistratura do Pais c o apoio dccidido que vein emprestando its autoridades florcstais. No Setor da protegao devem scr rcssaltados os csfor^os do Servigo Florestal cm preservar e rcstaurar a cobcrtura das regibes ilc mananciais c dc solos acidcntados. Os trabalhos dc prote$So rcalizados cm regime dc coopcrav'ao com Estados c Municipios tern alcangado scus objetivos com a guarda c fiscal izagao dc matas protetoras c o reflorestamento dc areas dc dcclividadc acentuada, consideradas improprias para a lavoura. Sob guarda e fiscalizagao direta do Servigo encontram-se as Florestas Protetoras da Uniao existentes no Estado do Rio dc Janeiro c no Distrito Federal, cujos mananciais abastecem de agua a Capital Federal e grande ntimero de cidades fluminenses. A vigilancia e fiscalizagao dcssas florestas c excrcida por guardas residentes na propria florcsta, para os quais foram cons truidas habitagocs cm pontos considcrados estrategicos. 1957 Rclatdrio do Serviqo Florcstal 525 A classificagao das florcstas protetoras do Pais constitui atribuigao do Minister io da Agricultura, de acordo com o art. 10 do dccrcto n.n 23.793 nao scndo cxclufda, cntretanto, a agao suplctiva ou subsidiaria das autoridadcs locais; desde que a clas- sifieagSo fiquc sujcita a revisao c aprovagao do Governo Federal. Assim. vein as autoridadcs fcdcrais e estaduais classifieando as florcstas do Pals atraves dc atos do poder cxccutivo, visand ' a preservagao definitiva dos mananciais abastecedores dc ligua e dos solos que nao devem scr trabalhados para a lavoura Conveni ressaltar. ncsse particular, a louvavcl iniciativa do cxccutivo paulista classifieando e declarando dc utilidade publica, para imediata desapropriagao, extensa regiao do Pontal-Parand Paranapanema, ondc devera instalar-se a primeira floresta d : rendimento do Estado. Apesar da grande celcuma Ievantada por correntcs dc opiniao contraria, viu-se concrctizada a medida. gragas ratificagao final exarada cm dcspacho do Exm.° Sr. Ministro da Agricultura que, uma vcz mais, demonstrou sen firme proposito de equacionar e solucionar o problema floresta! do Pals. O exemplo dado por Sao Paulo, nao resta a menor diivida, devera ser seguido por outras unidades da Federagao, em defesa de suas reservas florcstais e no preparo das futuras fontes de abastccimcnto da industria madeireira. Ao Governo Federal cabera a criagao das florcstas Nacio- nais de rendimento, em bases mais avangadas de adminitragao, quando for posslvel contar com recursos proprios — o Fundo Florestal — ja previsto no novo Codigo Florcstal, em estudos no Congresso Nacional. 'v vi ■.;* . \j 'jbuau o.7ii ■ uiioiuc ar.'.' ^ i * Oifjft Ci oiiV#\v* ■ ,* ^ r • » h PESQUISAS As pesquisas florcstais, no Brasil, sob rcsponsabilidade do Qoverno Federal, podem ser considcradas cm sua fase prepara- tory de cquacionamento. Sua importancia como base do desen volvimento industrial e sua imposigao definitiva como necessi- dadc improrrogavel no acelcramcnto do progresso do Pais, env bora irrefutaveis, nao puderani mcreccr das autoridades passadas a atengao e a situagao dcsejavel na escala dc prioridade de cm- preendimentos. Pais jo vein, cujos problemas se multiplicam por supcrficie superior a oito e meio milhoes de quilometros quadrados, o Bra- sil atingiu a fase cm que tera de equacionar c ordenar sen pro gresso, com base cm exploragao justa e racional do seu imenso poteneial economico. F, ja agora, emergindo de um periodo de trevas, cm que pontificavam uns poucos pesquisadores, labo- rando isoladamente c quase sempre com sacrificio pessoal, pel a falta de apoio e recursos, estabeleceram-se os primeiros progra- mas de pesquisas. No bienio 1956-1957, iniciaram-se os trabalhos de concate- nagao das pesquisas isoladas, nao so individuals, mas tambern de entidades publicas e particulars, visando um piano de ambito nacional com melhor aproveitamento tecnico e economico. Esse I'oi o caminho mais aconsclhavel, tendo cm vista a escassez de pessoal tecnico cspecializado e os reduzidos recursos com qu se pode contar. E de se frisar o empenho das autoridades florcstais na cria- gSo das Estagoes de Experimentagao Florestal planejando-se. ii: I Banos : •’.* 01 .tliJ O v: :j oS{fn . .. . ..i. ~?xh i. v:i;' bt’jb [(.■; !. . .a OvoO i . (,* M * ' ■ i • ■ i l!)f>7 Relatdrio do Servian Florcstal 327 para isso. transformur, dc acordo com suas caracterfsticas locais, alguns Hortos Florcstais cm centros dc pcsquisas basicas como partes dc uma grande rede dc experimentagao florcstal. Na Capital, a Segao dc Pcsquisas tern a seu cargo a eoncatenagao. a orientagao, a fiscalizayao c o planejamento para os diversos sctorcs dc pcsquisas florcstais. 0 programa dc trabalho estabelccido para 1957 foi exe- cutado, muito embora inumcras dificuldades sc apresentassem. 1'odas clas, entretanto, foram previstas c os esforgos cm solu ciona-las ja constituiram grande parte dcssc mesmo piano. Inumcras pcsquisas, principalmcntc sobre comportamcnto dc cssencias florcstais, foram reali/.adas nos Hortos Florcstais e os dados rcsultantes cstfio sendo cstudados para langamento cm fichas cadastrais padronizadas. Tiveram prosscgliimcnto, tambem, os estudos sobre metodos silviculturais. proccssos economicos dc rctirada da madcira cm cucaliptais, pragas c combates adc quados. A orienta^ao que sc procura dar a pesquisa florcstal, obe- dccc as normas cstabelccidas no futuro Regimento, cm vias dc aprova?ao e podc scr traduzida na criagao dos sctorcs: 1 — SETOR DE 1NVENTARIOS FLORESTA1S - com a finalidadc dc executar os mapas florcstais c, com base nesses mapas, plancjar os trabalhos dc fomento, protegao, conscrvagao c utilizagao racional das flo- rcstas. Entrosado com a F. A. (). (Food and Agriculture Organization), o Servigo Florcstal planeja, para 1958, a formagao dc urn nucleo dc treinamento para tecnicos cm inventarios florcstais, sob orientagao di- rcta do Or. 1 leijsdjk, engenheiro florcstal holandes, que vein sc distinguindo nos levantamentos acrofoto gramctricos florcstais, que sc realizam na Amazonia, sob o patroefnio do Instituto dc Pcsquisas da Ama z6nia (I. A. P.). .'128 A rq uivos do Scrviqo Florestal 11 2 — SETOR DE SILVICULTURA — com a finalidade dc cstabcleccr normas silviculturais nas difcrentes conduces do tcrritorio nacional climinando-sc dcssu forma, prcjufzos decorrcntcs dc praticas iniciais dcsa- conselhavcis. 3 — SETOR DE ECONOMIA FLORESTAL — ANA- IJSE DE TRABALHO — com a incumbencia dc pcsquisar os metodos mais econdmicos dc explora^ao das florcstas nacionais c, com absoluta prioridadc, do cucaiipto, tcndo cm vista quc o Brasil possuc os maiorcs cucaliptais plantados, no mundo c quc esses cucaliptais representam considered potcncial cco- nornico. 4 — SETOR DE PROTE^AO FLORESTAL — tem por finalidade rcalizar cstudos neccssarios aos conheci mento das causas c dos mcios, mdtodos c sistemas dc combater fogo, crosao, visando, atraves a protc^ao, o cquilfbrio entre o solo, fauna c flora. TECNOLOGIA Dando prosseguimento aos trabalhos dc pesquisas, relatives aos produtos florestais, vem o Servigo Florcstal, dentro de suas possibilidades de pessoal cspccializado, rcalizando estudos dc cspccies da flora brasileira. No exercicio l'indo, foram preparadas 1 .200 laminas his- tologicas de 26 espccies florestais, que se eneonlram eni estudos na Segao de Tecnologia. Paralelamente. foram realizados ensaios fisico-mecanicos dessas madeiras, visando determinar a resisten- cia aos diferentes esforgos a que estarao sujeitas, eni suas apli- cagdes pratieas. Esses trabalhos sao de grande importancia para o comercio e a industria e constituem a base indispensavel da exploragao e aplicagao racional dos recursos naturais. A preocupagao geral, em todo o mundo 6 nao esbanjar o que ainda existc de recursos naturais, dando-lhes aplicagao justa e parcimoniosa. Para isso, encentivam-se os trabalhos de pesqui sas tccnologicas, buscando novos processes de utilizagao eeo- nomica de todos os produtos florestais, a fim de que nada se perca. Desses esforgos tem surgido novas industrias e novos cam- pos de atividade sao abertos a economia brasileira, no setor flo- restal. Industria de plasticos, de “rayon”, de “nylon" de “brique- tes”, de tabuas de libras, de contraplacados e tantas outras vCnn pesando favoravelmente ao Pais, na balanga do comercio inter- naeional. 330 Arquivos do Scrvigo Florcstal 11 () Scrvigo Florcstal, cm contato pcrmancntc com outras ins- tituigdes especializadas do Brasil c dc paiscs amigos nao tern sc dcscurado da tccnologia desses produtos. Pesquisa proccssos de desdobramento dc toras c a maquinaria usada; cstuda c cstabclccc labclas dc sccagcm das diferentes madciras; determina os indices rclativos as propriedades fi'sicas c mccanicas c cmpcnha-sc na lassificagao dos produtos florcstais. Oltimamcntc, conscguiu o Scrvigo completar a instalagao dc suas duas estufas dc sccagcm, uma para ensaios experimentais c outra, com capacidade dc 6 m3, para a sccagcm cm eseala co- mcrcial. Aguarda-sc, para breve, a instalagao da camara dc pre- servagao, com capacidade para 1 1 m3, quando scrao ensaiados os proccssos ilc impregnagao dc preservatives, cm posies, dor mentes, mourdcs, cstacas c madciras cm geral. Dando maior divulgagao aos conheciinentos da tccnologia dc produtos florcstais vein a Segao dc Tccnologia proporcionando aos alunos do Centro Pan-Americano dc Rccursos Naturais c outros intcrcssados cstagios e cursos rapidos cm sens laboratories, ondc aprendem as tecnicas dc anatomia da madcira c sc famiJia- ri/am com o funcionamcnto das mdquinas dcstinadas it determi- nagao das porpricdadcs fi'sicas c mccanicas das madciras. Em sen intereambio com entidades do Pais e do estrangeiro, distribuiu I .040 amostras dc madcira, dc tamanho padronizado. cm atengao a trinta pedidos c rcalizou a identificagao dc 95 amostras dc madciras para o laboratorio dc Analises da Estrada dc Ferro Central do Brasil. Ncssa oportunidade, conccdcu auto- rizagao para que um dos tecnicos daqucla ferrovia fosse rcccbido conto cstagiario, a fim dc que adquirisse pratica na determinagao botanica das madciras. Cumprindo programa que visa aprimorar a qualidadc dos produtos dc exportagao, vein o Scrvigo Florcstal instalando, nos ccntros madcirciros do Pats, estufas para sccagcm dc madcira, cm eseala eomereial, alcrtando e demonstrando ao industrial, as 1957 Relatdrio do Servigo Florestal 331 vantagcns do lima tal pratica. No ano de 1957, com a instalagao da do Rio Grande do Sul, complctou a serie de quatro estufas, cm todo o territorio nacional, a saber: Para Pernambuco Santa Catarina Rio Grande do Sul. 2 3 4 5 6 7 V-' —I 1 — I J — I \ 11 12 13 14 15 16 OUTRAS ATIVIDADES A atual diregao do Servigo Florcstal, ao assumir suas ati vidades, no final dc 1956, viu-se a bravos com s6rios problcmas ilc ordem social, dccorrentes dc certas facilidadcs concedidas por administragocs passadas. Nesse particular, longc csta o espirito dc critica ou dc desa- provagiio ao intuito primordial que as lcvaram a cssas facilidadcs. seniio a mancira desordenada como foram feitas tais concessoes. O antigo c historico Ilorto da Gavea, hoje com atribuigocs dc um vcrdadciro Posto Permanente, encontrou-se, dc uma bora para outra, prejudicado cm suas finalidadcs c subtraido cm sens mais bclos rccantos paisagisticos, invadido que foi por uma infinidade dc pcquenas habitagocs, vcrdadciros “barracos", que lhc dcram o aspccto das ja tao conhccidas favclas dos morros cariocas. E ta! foi a auscncia dc planejamcnto c dc previsao das conscquencias chic podcriam advir para a admin istragao do Servigo, que as pro- prias Areas dc florcstas c da Sede foram invadidas, sem que ne- nhuma medida acautcladora fosse tomada. Por outro lado, a falta dc cerca cm scus limites com a Rua Pa- checo Leao, facilitava a pcnctragao dc intrusos c a conseqiicnte subtragao dc produtos florcstais, sem falar cm casos dc autenticos roubos, nas prdprias rasidcncias dc funcionarios. Diante dc uma tal situagao, sob todos os pontos dc vista con- sumada e lcvando cm considcragao a dirctriz altamcntc humanita- ria que segue o Governo do Pais, dc amparar c proporcionar ao povo todas as facilidadcs dc que sc laz mcrcccdor, rcsolvcu csta Dirctoria expor a Sua Excclcncia, o Sr. Ministro da Agricultura, 1957 Relatdrio do Servian Florestal 333 o problcnia c, ao incsmo tempo, sugcrir as medidas mais consen- taneas para o caso. Fcito o levantamcnto das habitagocs situadas cm locais im- proprios, chcgou esta Dirctoria a conclusao do quo cento c dez. famflias deveriam scr dcslocadas, algumas com urgcncia, a fim dc que o ja conhccido — Plano de Rccupcragiio do Antigo H6rto da Gavca — tivessc andamento normal. Numa epoca cm que o problcnia dc residencies, no Rio dc Janeiro, dia a dia sc torna mais dificil c cm que os vencimcntos dos funcionarios deixaram dc corrcspondcr ao custo das utilida- dcs, nenhuma medida drastica scria aconsclluivcl, mesmo porque fugiria as normas dc assistencia social preconizadas pclo Governo da Republica c tao bem seguidas por Institutes dc Previdcncia c entidades subvcncionadas pclos podcrcs publicos. A solugao cstaria, entao, dentro do proprio Servigo, com a escolha dc uma area apropriada, onde ordenada c sistematica- mente scriam construidas cases c, para ai, dcslocadas as families dc funcion&rios. Valcndo-sc das dotagoes orgamentarias, por um lado, sob administragao c responsabilidade da Divisao Obras dcstc Minis- tcrio e dc pcssoal especializado do quadro dcstc Servigo. foram iniciados os trabalhos, podcndo-sc enumcrar, durante o ano de 1957. as seguintes realizagbes : 1 . Construgao de cerca de arame farpado, com postes de concreto armado, com dez fios, em todo o llmlte do Horto com a Rua Pacheco Leao. 2. Restauragao da entrada do Posto da Gtlvea, no local de- nominado “Avenida Escura”, constante de: a) Construgao do jxirtao de entrada, em alvcnaria. b) Construgao da casa da guarda para contnile e fisca- lizagao da entrada. c) Construgao de uma ponte em concreto armado, s6- bre o Rio Macaco com capacldade para vinte e qua- tro toneladas, nas dimensdes de 5,40 x 5,60 onde 334 Arquiyos do Servigo Florestal 11 exlstira uma outra dc menor capacldadc, desmoro- nada no uno anterior. 3. Restauragao da cntradu principal do antigo H6rto da G&vca, ii Rua Pacheco Echo, 2.040, constantc dc: a) Levantamento do portao monumental, cm tudo se- melhante ao que fOra construldo no tempo do Imp6rio. b) Alargamento da ponte existcnte sobre o Rio Macaco cm suas margens. c) Construgao da casa da guarda, em continuagao ao portao monumental. 4. Preparo da area destinada a localizagao da Vila residencia. dos funcion&rios do Servigo Florestal, constante de: a) Servigo de terraplenagem, arruainento e demarca gao do lotes, em pouco mais de um tergo da area total prevista, ou seja, um e meio hectare. 5. Construgao de uma escola moderna, nos moldes estabele- cidos pela Prefeitura, para cducagao dos filhos de funcio- narios do Servigo Florestal. Essa escola recebeu o nome da pregenitora do Exmo. Sr. Presidente e foi lnaugurada por Sua Excia., no dia 9-2-1958. fi. Construgao de quatro casas residenciais para funciona- rios, dentro dsus normas estudadas {x*la diregao do Servigo, com todos os requlsitos de higiene, conforto e consequente demoligao dos barracas correspondentes. Essas foram, cm rcsumo, as atividades do Servigo Florestal, durante o anode 1957, valendo accntuar todas as dificuldades decorrentes da t'alta de pessoal especializado e da necessidade dc reorganizar o Servigo cm moldes racionais. Rio dc Janeiro. 3 dc Fevereiro dc 1958 DAVID DE AZAMBUJA Diretor Arguivos do Scrviqo Florcstal 11 LocallznQflo cle H6rtos Florcstals e Flores tna e Parquea Nnclonals no terrltdrio naclonal. Arquivos do Servigo Florestal 1 1 Aspecto panorftmlco da future Florcsta Naclonnl de Jaiba, no Vale do Rio Sflo Francisco, Minas Gerais. 0 11 12 13 14 15 16 1957 Relatdrio do ServlQo Florcstal 559 Denims geoldgico dn regifto inclulda »n Aren do futuro Parque Nnclonnl Aparadoa da Serin, Rio Grnnde do Sul, SciELO, ^ 12 13 15 16 SciELO'o 2 3 5 6 11 12 13 14 15 16 L cm 1957 Rclatdrio do Servigo Floreslal 34?, FUcaltzncfto feita pela Policia Floret tal has miqulnas (le estradas tie ferro, , em obedlfincla ao estabelecdo no C<5diKo Florestal, qrn* determlnn o uso obrlgntorio Hn ••Hptpntnr do falseas". SciELO ) 11 12 13 14 1957 Iiclatdrio do Serviqo Florcstal 345 Pollcla Florcstnl em n?fio, no Munlcfplo de Florlnndpolis, Snnta Catnrlnn. I) iTUbada dc mntn, embargftdn pel# Pollcin Florestnl, no Munlclplo de Andnrni, Bnhia. SciELO ) 11 12 13 14 SciELO'o 2 3 5 6 11 12 13 14 15 16 L cm 1057 Rclatdrio do ServiQo Florcstal DcpOslto dc cnrv&o, de orlgem llegnl. locnllzndo peln Policla Florestal, cm Minus Gerais. ML Baterln de carv&o clundestlnu locallznda pels Pollclu Florcstal, nu reglfto de Ctovernndor Vnlndiires, Minus Gerais. cm 2 3 4 7SciELO, 1:L 12 13 14 15 16 17 HabitnC6es antl-,hiKl*nlcas existences cm clnrciras abortus na mata o quo dovcrfto drsaparecer com os trabalhos do recuperocAo do antlRo Hfirto Florostal da QAvea Shis moradores serfto contemplado* com novas rcsldinclas, no miclco rcsldcnclal tm construgAo, cm local aproprlado. cm Ilabltagfies ontl-higlfnlcaa exlstonles em clnrclraa abertas na matn o s service* do terraplenagem e urruamento, como parte do* trabalhos de neuperacao do antlgo llorlo Florcstal da oaveu. SciELO'o ^ 12 13 cm 1957 Rclatdrio do ScrviQo Florcstal 353 RecupcraQ&o do antiffo H6rto Florcstal da G&vca. — Casas quo por sua local iza^Ao imprdpria, cm plenas matas protetoras do HCrtO, dcvcrAo scr dcmolldas. SciELO Arquivos do Serving F lores tal .'{54 0 11 12 13 14 15 16 350 Arquivos do Scrviqo Florcatal is> _ E -S Sa O ed to T3 1* e a •as 2 £ a n il 0 11 12 13 14 15 16 Casas pertencentes no Niicleo Reaidenclal do Scrvlco Floreatal, cm construcAo prdxJmo A Uuh Pacheco Lefto 1.235, como pasao Inlclul para a rccupcracAo do antigo H6rto da GAvca. Casas do miclco resldenclnl, cm vlas de conclusfto, como i)artc do programs do rccupcracAo do antigo HOrto Florestal da GAven. cm SciELO Arquivos do Service Florestal 358 0 11 12 13 14 15 16 Trnbalhos dc recuperacAo do antlgo HOrto Florestal dn GAvca. Dctalhe do por- tAo de entrada A Rua Pacheco LeAo, 1.235, vendo-sc a ponte do ace&so recona- trulda, bom coma o portAo monumental erguldo com lima guarita pnrn a guarda florestnl, A esquerdn. Trabalhoa de recuperncAo do nntlgo H6rto Florestal da GAvea. PortAo monu- mental de entrada A rua Pacheco LeAo 2.0-10, constnildo pela atual Dlregfio do Bervi?o Florestal, cm moldes ldentlcos no quo fOra erguldo por D, JoAo VI. A esquerdn, v6-Be n guarita. SciELO ) 11 12 13 14 360 Arquivos do Servico Florcstal 11 Vista (la "Escoln Julia KublUchek”’. com Jardlm c "play ground ”, construlda por lnlclatlva da atuol Dlretorln do Servico Florestal e- Inaugurada por Sun Excla., o Sr. Presldentr da Repiibllco, Dr. Juscellno Kubltschek, no dla 9-2-1058. SKKYigO ri-OKESTAT, 1)0 MINlSTftUIO I)A AGRICULTCRA D1RETOR: Kng. Agr, DAVID DIO AZAMBUJA Agr. SILVICUI/l’On. SECRETARIO: Eng. Agr BOLIVAR KIUEIRO PINTO HANDKIRA Agr. SILVICULTOR. ASSESSOR TECN1CO: Kng. Agr. JULIO FERREIRA DK AGUIAR Agr. SILVICULTOR. SJ-X.'AO A D Ml N I KTJ l ATI V A : FRANCISCO DK SOUZA. SKCAO DK BARQUES K FI.ORKSTAS NACIONAIS: Kng. Agr. OTAVI0 DA S ID V KIR A MR IX) Agr. SI&VICULTOR. PARQUK NACIONAI, DK ITATIA1A; Kng. Agr. MANOKK ALVES DK ALMEIDA. BARQUE NA< IONAL DA SKUHA DOS ORGAOS: Eng. Ayr. KKVOWADD Ci LADAS DK ODIVKIRA Agr. SILVICULTOR. PARQUK NAOIONAD DK IGUA<;U. Kng. Agr. MARIO PIMENTEL I>K CAMAKOO. PAJCQUK NACIONAI. DK PA l IX) AFONSO: JOSE MANOKK DK ALMEIDA KASPRZKOWB1U. FKORKSTA NACIONAI. ARARIPK-APODI: Kng. Agr. 1‘AUIXJ BOTELHO. SIX,'. VO DK DKl'RSA: Kng. Agr. KUJZ M1TTELMAN. SEC AO DK FOMKNTO: Eng. Agr. TIMOTHEO FRANKDIN — Agr. S1LV1- CULTOR. 1/ INSPKTORIA REGIONAL ( BELEM ) : Kng. Agr. VVADDKMAR CARDOSO. 2.' IN S PRIORI A RKOIONAK (FORTALEZA): Kng. Agr. JOAO GO- MKS DK MATOS NOGUK1RA. •J.’ lNSl'KTORIA REGIONAL (RECIFE) : Kng. Agr. ROQUK PAKS BARRETO. 4.* INSI'KTOIUA RKGIONAI. (SALVADOR): Kng. Agr. RKNATO BRAGA ARAGAO. 6. * INSPKTORIA REGIONAL (BEIXJ HORIZONTE): Kng. Agr, DUG CLOU DUARTE BRAGA. O ’ INSPKTORIA REGIONAL (GOIANIA) : Kng. Agr. IfUMBKRTO I)!. MIRANDA BASTOS Agr. sILVICULTOR. 7. ’ INSPKTORIA REGIONAL (CURITIBA): Kng. Agr. OHVAI. 1J01- TAO Agr. SILVICULTOR. 8. * INSPETOiUA REGIONAL (PORTO ALEGRE) : Kng. Agr. FRAN- CISCO ALVES DA ROCHA. !).* LNSPKIOR1A REGIONAL (NITKROI) : Kng. Agr. EDUARDO CUNILV Mj.LO. Agr. SILVICULTOR. SKCAO DK PIOSQUISAS: Kng. Agr. ALCKO MAGNANINI Naturalist a. I IORTO FLORESTAL DK ACO Kng. Agr. RAIMUNDO GIRARD BARKOS DA SILVA. HORTO FLORESTAL DK SOBRAL Kng. Agr. NELSON LIMA Agr. SILVICULTOR. HORTO FLORESTAL DK JOAO PESSOA Kng. Agr. QUINTiNO DOURADO DK ALBUQUERQUE M ARAN H AO. HORTO FLORESTAL DK SALT1N1IO Kng. Agr. HOMIIJJO FERREIRA DK CARVALHO. HORTO FLORESTAL DK IHURA Kng. Agr. ALUKKTO CAMPOS SILVA. HORTO FLORESTAL DK SANTA CRUZ Kng. Agr. MARIO XAVIER, HORTO FLORESTAL 1)K PAllAOPKBA - Kng. Agr. EZECHIAS PAULO HEIUNGKR — Agr. SILVICULTOR. HORTO FLORESTAL DK SILVANIA Kng. Agr. ROMAO LU1Z SOL. HORTO FLORESTAL DK LOKENA Kng. Agr. KPITACIO SANTIAGO — Agr. SILVICULTOR. HORTO FLORESTAL DK PELOTAS Kng. Agr. CARLOS ALBERTO BURNKTr. SKCAO DK TKCNOLOGIA: Kng. Agr. PAUIxj AGOSTINHO DK MATOS ARAUJO Agr. SILVICULTOR. SKCAO I )KD KSTATI8TICA K DOCI LM KNTACAO : Kng, Agr. ALTAMIRO BARBOSA PEREIRA Agr. SILVICULTOR. BIBLIOTKCA: RUTH PIA DK ASSIS TAVOUA. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 7 ARQUIVOS DO SERVigO FLORESTAL v COMISSAO DE REDAQAO: Eng. Agr. ALTAMIRO BARBOSA PEREIRA Eng. Agr. ALCEO MAGNANINI Eng. Agr. HONORIO DA COSTA MONTEIRO NETO 1NSTRUQOES AOS AUTORES 1 . T6du a correspondcncla dcvc ser envlada a Comlss&o dc Rcdagao dos Arqulvos do Scrvlgo Florcstal — Rua Jardlm Bot&nlco, 1.008 — Rio, I). F. 2. Os originals dcvcm ser datllografados cm cspago duplo, cm f61has nao transparcntcs, tamanho oficlo, cscrltas num s6 lado; acon- sclham-se aos autorcs, conscrvar cdplas em scu podcr. 3. Nao sc accltain cdplas cm papcl carbono. 4. Grdflcos c dcscnhos dcvcm ser feltos com tlnta nanqulm prcta; llustrag&c.s fotogrdflcas dcvcm ser aprcscntadas em papcl llso, brl- lhante, com a malor nttldez possivcl. Todas as flguras dcvcm pos- sulr lcgcndas curtas c lndlcagao da rcdugao que dcvem sofrer. 5. As notas, ao p6 da pdglna, dcvcm ser asslnaladas entre duas 11- nhas subllnhadas dcntro do tcxto c, logo apds, o slnal dc cha- mada. 0 Os mapas dcvem vlr soltos, na pdglna segulnte ao tcxto. 7. Recomcnda-sc quc o titulo scja breve c preclso. 8. Itecomenda-se subllnhar os nomes clentlflcos, subllnhar em llnha dupla os nomes prdprlos e subllnhar cm llnha dunla c cscrever cm lctras malusculas os titulos dc capitulos. 9. A Comlss&o dc Rcdagao, no scntldo de facllltar a boa apresenta- gao dos trabalhos, sugere scja segundo o esquema Ideal de arti- go. abalxo transcrlto: TITULO: Rrcvc, claro (sem abrevlaQoes) . NOME DO AUTOR (•). INTRODUQAO: Formula,,&o breve do problcma. REVISAO I3IBLIOORAFICA: An&llse, cvltando-se transcrlQoes e resumos. METODOS E MATERIAL: Dcscrlgocs do m&todo e t^cnlca ori- ginals; cltar publlcaQdcs donde se tlrou; lndlcar orlgem su- clnta do material obtldo. RESULTADOS OU DADOS: Forma clara e breve; quadro e grdfl- cos; evltar exageros; lndlcar sbmente exemplos mals caractc- ristlcos. DISCUSSAO: Pode lr Junto com o Item anterior. SUMARIO: Slntese dos pontos fundamentals (ocupando, no md- xlmo, uma pdglna datllografada, em espago duplo) . BIBLIOGRAFI A : Ao flm c padronlzada. 10. Os artlgos asslnados sao de Intelra rcsponsabllldade dos autorcs, restrlnglndo-se a Comlss&o do Redagao, apenas, ds corrlgendas tlpogrdflcas, dc aeArdo com os originals. (•) Titulo, cargo c repartlgao. I ARQUIVOS 1 DO SERVigO FLOREST, ^ L # VOL. 12 1957 ANAIS DA REUNIAO FLORESTAL DE IT ATI AI A INDICE Rcunlao Florcstal dc Itatlaia 1 Considcragoes gerais sobre a exportagao dc eucallpto do estado dc Siio Paulo *. 15 Plantlon experimental de conlferas no Interior do estado de Silo Paulo 19 A fotografia adrea nos planejamentos gco-economicos regio- nais 29 # Intcrprctagao de fotograflas adreas 33 Acrofotografias do Parque Nacional do Itatlaia 39 Infludnda da floresta no suprimento de agua 43 O Brasil c o papcl 53 Eucallptos para o Brasil 67 As atlvidades do Instituto Nacional do Plnlio 79 O Eucallpto 87 Estudos da fauna ictiologlca 93 Os ensaios florcstals da campanha 95 A cooperagao do munlclplo no setor da cducagao florcstal . . 99 Invcntdrios florcstals na amazonia 101 Pesquisas s6brc conlferas cm Siio Paulo 103 A administragao municipal e as ativldades florcstals 105 A situagao atual do Servigo Florcstal do Ministdrlo da Agri- cultura 107 A situagao dos trabalhos de pesquisas no Servigo Florcstal . . 111 Produgfio de dormentes ferrovidrlos 113 cm SciELO, 11 12 13 14 15 16 17 ARQUIVOS ' D O SERVigO FLORESTAL VOL. 12 1957 '8 ANAIS I)A REUNI AO FLORESTAL I)E ITATIAIA GRANDE ft XI TO DO CERTAMK REALIZADO DE 11 A 10 DE JUNIIO DE 1957. — PROGRAMA CUMPRIDO. — TEMARIO. — PAItTIC IP ANTES. — recomendacoes. A Reuniao Florestal do Itatiaia foi organizada com o fim dc proceder ao estudo de alguns problcmas florestais dc grande importancia do atual momento brasileiro, em especial, da bacia do Paraiba do Sul. Teve por objeto, ainda, iniciar as solenidades comemorativas do 20° anivers&rio do Parque Nacional do Ita- tiaia, criado pelo dccreto n." 1 713, de 14 de junho de 1937. bcm assim, servir como urn dos preparativos para os trabalhos do 2." Congresso Florestal Brasileiro, que o Instituto Nacional do Pinho deverd realizar em Manaus em 1958, e tendo em vista, igualmente, coordenar ideias, conhecimentos e valores para a nossa participagao do 5." Congresso Mondial de Silvicultura, que a FAO (Organizagao de Alimentagiio e Agricultura das Nagoes Unidas) promovcra em 1960. Promotores da Reuniao O certame, que desde o primeiro momento rccebeu o integral apoio do Ministro da Agricultura, dr. Mdrio Meneghetti, foi pro- movido pelo Servlgo Florestal. Divisao de Fomento da Produgao Vegetal e Parque Nacional do Itatiaia (Mlnistdrio da Agricultura) e Instituto Nacional do Pinho. Para o melhor fixito da parte social, cativante foi a colabora- gao prestada pelo Itatiaia Country Club, reprcsentado pelo scu presidente, o dr. Arnaldo Duarte, e a Prefeitura Municipal de Re- zende, representada pelo Prel'eito dr. Geraldo da Cunlm Rodrigues. X — 29 SOS cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 2 Arquii os do Servigo Florestal Vol. 12 ) Comiss&o Organizadora Os trabalhos preparatories da Reuniao estivcrnm a cargo do uma Comlssao constituida pelos srs. David de Azambuja, diretor do Servigo Florestal; Wandcrbllt Duarte dc Barros, diretor da Dlvlsao de Fomento da Producfio Vegetal, durante vdrios anos, admlnlstrador do Parque Naclonal do Itatlaia; Fiber Almeida, adminlstrador dfistc Parque; e Artur de Miranda Bastos, natu- rallsta do Jardim Botdnico. Aldm da claboragao do tcmdrio dos trabalhos, a Comlssao acimu se cncarrcgou da cxpcdigao dos convites a tdcnicos e autoridades e organizagao do programa social, estc essencialmente constitui- do por um jantar dc cento e vinte pcssoas, na noitc dc 15 de junho, oferccldo polo Itatlaia Country Club, c por um grande churrasco, no domingo 16, oferccldo pelo Prefelto de Rczcndc, em aprazlvel recanto do Itatlaia Country Club. Temario Os assuntos debatidos pela Reuniao, de acordo com o projeto da Comissao Organizadora, unanimemcnte aprovado na primeira sessao, foram os segulntcs: 1 . Problema de base das baclas hidrograficas. Aspectos das ba- cias do Paraiba e do Prata. As terras florestais altas das monta- nhas do Brasil Meridional e em especial, do Brasil Oriental. 2. Fungao dos Orgaos publicos na resolugao do problema flo- restal. A importancia do Munidplo na execugao da politica flo- restal e na fiscalizagao dos trabalhos de explotagao. O uso das terras florestais e o acesso legal Us mesmas. Reservas e Florestas Nacionals. 3. Pesquisas. florestamento e reflorcstamcnto: resultados dos trabalhos realizados no Brasil. Esp6cies e m6todos recomenddveis ou a ensalar. Ao serem instalados os trabalhos da Reuniao, na manha de 14 de junho, por proposta do dr. Paulo Indcio de Almeida, foram aclamados os seguintes nomes para dirigi-los: Presidente — Dr. David de Azambuja, Diretor do Servigo Florestal do Minlstdrio da Agrlcultura. 1. ° Vice-Presidente — Dr. Ismar Ramos, Diretor do Ser- vigo Florestal do Estado de Sao Paulo. 2. ° Vice-Presidente — Dr. Wandcrbilt Duarte de Barros, Di- retor da Divisao de Fomento da Produgao Vegetal. 1. ° Secretdrio — Dr. Artur de Miranda Bastos, do Jardim Botanico do Rio de Janeiro. 2. ° Secretdrio — Dr. Alceo Magnanini, Chefe da Segao de Pesquisas do Servigo Florestal do Minlstdrio da Agricul- ture. Anprcto da Reuni&o Floreatal leivida a fjeito tio Parquc Nacional do Itatlaia. Cumprindo a promessa que fizera dcsde o comdgo, ao tomar cifincia dos propbsitos da Reuniao, o Ministro da Agriculture, dr. Mario Meneghetti, comparcccu A sessao de encerramcnto, presi- dindoa e tomando parte ativa nas deliberagoes da mesma. Para maior comodidade dos estudos, ainda de acdrdo com a proposta do dr. Paulo Almeida, foram cscolhidos o dr. Eudoro Lins de Barros, do Instituto Nacional do Pinho, Philippe Cabral Westin de Vasconcelos e Armando Navarro Sampaio, respective- mente, para chefiar trds comissoes incumbidas de relatarem as decisoes do Plen&rio, segundo os tres itens constitutivos do Tem&rio. Programa A Reuniao funcionou durante tr£s dias, 14, 15, e 10 de Junho, mas na realidade suas atividades comegaram ao entardecer da quinta-feira 13, quando, ida do Rio de Janeiro ou de Silo Paulo, a maioria dos participantes chcgou A scde do Itatiaia Country Club indicada como local de concentragao c onde todos jantaram nesse dia. Por nimia gentileza do dr. Arnaldo Duarte, presidente do Country, uma parte dos convldados ai mesmo flcou hospedada. Os outros foram acomodados nos edlflcios do prdprio Parque, ou na Pensao Similo. cm SciELO | 4 Arquivos do Scrviqo Florcstal Vol. 12 ] Nn Integra, foi cumprldo o segulntc programa: Junho 13 (qulnta-felra) As 16 horas — Partlda das convldados, do Rio de Janeiro, cm | 6nlbus especlals, do cstaclonamcnto frontelro 6 sedc do Mlnistdrlo da Agrlcultura, 6 rua da j Mlscrlcdrdla . Dus 1!) us 22 — Jantar no Itatiaia Country Club 6 margem da horas rodovia Presldcntc Dutra, a 1 km da cstrada dc acesso ao Parque. Junho 14 (scxta-felra) I As 8 horas — Caf6. As 0 horas — Inlclo oflclal das comemoragoes do 20° aniver- sdrio da crlagao do Parque Naclonal do Itatiaia com o plantio de 6rvorcs, pelas principals auto- dades. c discurso alusivo pclo dirctor do Scrvigo Florcstal, dr. David dc Azambuja. | das 10 6s 12 — Sessao Inaugural da Rcuniao. As 12,30 — Almdgo. 1 das 14.30 6s 17,30 — 2a Sessao da Rcuniao. I As 10 horas — Jantar. j Junho 15 (sdbado) As 8 horas — Cafe. ' Das 1) 6s 12 — 3.a Sessao da Rcuniao. 1 As 12,30 — Almogo. Dus 14,30 6s 10,30 — 4.a Sessao da Rcuniao. As 17,30 — Visita ao Itatiaia Country Club, e jantar ofere- cido pclo rcspectivo Prcsidcntc, dr. Arnaldo Du- arte, aos participantes da Rcuniao, membros daqucla agremiagao e autorldades. Junho 16 (domingo) As 8 horas — Missa comemoratlva do 20° aniversdrio do Par- que Naclonal do Itatiaia, na sedc do mesmo. As 9 horas -- Sessao de cncerramento da Rcuniao, sob a pre- sidfincia do Ministro da Agrlcultura, dr. Mario Meneghctti, para leitura, discussao c aprova- gao dos rclatdrios das Comissoes . As 13 horas — Churrasco ao ar llvre, oferecido pclo Prefcito de Rczendc, dr. Geraldo da Cunha Rodrigues, com a colaboragao do Itatiaia Country Club. As 15 horas — Rcgresso dos convidados. 1 cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Anais da Rcunido Florcstal dc Itatiaia Rclaqao dos participant cs Atcndcndo ao convlte quo lhcs fol dlrlgldo, partlclparam dos trabalhos da reuniao os scgulntcs t6cnlcos e autoridadcs, por ordem alfabitlca: 1. Alberto Hanser Compnnhltt Melhoramentos dc Site Paulo Industrla dc Papcl (Chela do ScrvlQO Florcstal) Sao Paulo 2. Alceo Magnanini Servlgo Florcstal do Minlsterlo da Agricultura (Chore da Socquo dc Pcsqulsas) — Mcmbro do Consdho Florcstal Federal, Rio dc Janeiro 3. Aristides Largura Institute Naclonnl do Plnho (Presldente) Rio de Janeiro 4. Armando Navarro Sampalo ServlQo Florcstal da Companhla Paullstn dc Estradas de Ferro (Dlrctor) Rio Claro, Silo Paulo 5. Armando Ventura Scrvlgo Florcstal do Estado de Sao Paulo Sao Paulo 6. Artur de Miranda Bastos Jardlm Botftnlco do Rio de Janeiro Rio dc Janeiro 7. Azhyadi Salo Centro Panamcrlcano dc Rccursos Naturals Rio de Janeiro 8 Carlos Euginio Magarlnos Torres Lcvantnmcntos Aerofotograntetricos S.A, Rio de Janeiro 0. Cisar Seara Servlco de InformapAo Agrlcoln Mlnlsterio da Agricultura Rio dc Janeiro 10, David dc Azambuja Servlco Florcstal do Mlnisterlo da Agricultura Rio de Janeiro 11, Dimitri Sucre Centro Panamerlcano dc Rccursos Naturals Rio dc Janeiro cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 0 Arquivos do Servigo Florcstal Vol. 12 1 *' 12. Edvard Tclxclra l.citc Conselho Nacional de Economla Rio do Janeiro I * 13. Eduardo M. Sampaio ServlQO Florestal da Companhla Paullsta dc Estradas do Ferro Rio Claro, Silo Paulo 14. Eduardo Cunha Melo Servlgo Florcstal do MlnUtdrlo da Agrlcultura (Chefe da Inspetorla do Rio de Jnnelro) NltcrOl 15. Elber Almeida Servlgo Florcstal do Mlnlstdrlo da Agrlcultura (Admlnlstrador do Parque Nacional do Itatlala) Itatlala, E. do Rio * 10. Elio Gouvia Parque Nacional do Itatlala Itatlala, E. do Rio 17. Epltdcio Santiago ScrvlQo Florcstal do Mlnlst6rlo da Agrlcultura (Admlnlstrador do Horto Florestal de Lorcna) Lorcna, Sao Paulo 18. Ernesto Coup Fllho Jornallsta Rio de Janeiro 10. Eudoro II. Lins de Burros Instltuto Nacional do Plnho (Chefe da Dtvls&o de Florestamento e Reflorcstamento) Rio de Janeiro 20. Ezequtel Mala Fllho Servlco Florestal do MlnUt6rlo da AgNcultura (AcArdo de Santa Catarina) Florlandpolls, Santa Catarina 21. Francisco Solano Lugo Centro Panamerlcano de Recursos Naturals Rio de Janeiro 22. Francisco Xavier d' Alessandro Rio de Janeiro 23 Gauddnclo Flores Machado Centro Panamerlcano de Recursos Naturals Rio de Janeiro cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 /§i | 1957 Anais da Rcuniao Florcstal de Itatiaia 7 |od 1 24 E 25. Ocraldo Ooulart da Silveira Socicdadc Nacloniil dc Agriculture Rio do Janeiro Oilbcrto Ladlslau /§ i / Ui j / 6 o $ * 1 Servlco Florcstal da Companhla Paullsta dc Estradas do Ferro Rio Claro, Sao Paulo 1 Hasso Welszflog Companhla Molhoramcntos dc Sao Paulo Industrie de Papcl (Pre- sldente) Silo Paulo I 27 Hello Raposo Escrltdrio Tecnlco de Agriculture Brasil— Estados Unldos (ETA) Rio de Janeiro 28 Helmut Paulo Krug Servlco Florcstal do Estado dc S&o Paulo 20 . Henry Maksoud Centro Panamerlcano de Recursos Naturals (Professor) Rio de Janeiro 30. lsmar Ramos Servlco Florcstal do Estado de Sao Paulo (Dlretor) S5o Paulo 1 31. Jaime Vieira Pinhciro Servlco Florcstal da Companhla Paullsta de Estradas de Ferro Rio Claro, sao Paulo 32. Horacio Peres Sampaio dc Matos Escola Naclonal de Agronomla Km47. E. do Rio 33. Jair Santana Comlssao Permanente de Revenda de Materials, Mlnlstdrio da Agri- culture Rio de Janeiro 34. Jesus Canizares Fayas Centro Panamerlcano de Recursos Naturals Rio de Janeiro 35. Jorge Spanner Servlco Florestal do Ministdrlo da Agriculture (Parque Naclonal do Itatiaia) Itatiaia, E. do Rio 3fl. Josi Alfonso Sosa Centro Panamerlcano dc Recursos Naturals Rio de Janeiro cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 Arquivoa do Servigo Florestal Vol. 12 37. Jos6 Carlos llorta llarbosa Servigo Florestal do Mlnlstlrlo da Agrlcultura • municipals cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Auais da Rcunido Florcstal de llatiaia 11 2.a Comissao 1* Providcnclas lmedlatas devem scr tornados cm favor da crlagio dc cursos para a formagao dc Engenhelras Florcstais, assunto dc projcto dc Icl aprcscntado fi CAmnra dos Dcputndos cm 1053. 2“ Malorcs recursos flnancciros devem ser conccdldoa, pclo Govt'rno, ao Scrvlgo Florcstal do Mlnisttlo da Agriculture, a flm dc que o mesmo possa fazer face its inultlplas tarefas quo lhc cumpre rcallzar. 3. “ Consldcrando as resultados altamentc satlsfatbrlos i. MMU 8 Min. M«i. Midi. 8 Min. M»I. MAID 8 Rio CUro (31) 50 17# 137 35,49 01 S54 317 AH.AA 325 AAo 430 no Rio CUro (93) Ml 192 111 30,30 120 305 232 5#,fil 2 3o Mo m 07,37 Ainiorfa 44 135 K‘J 115 m 191 55,7 4 1 NO 40ft .Ida fto.dft KAo Carina M 159 115 22, AH 91 3«7 251 A7,uk 2&o #70 411 05,17 Guarani 70 133 97 14,71 73 1UU 142 39,93 no 405 332 75,40 RJ« CUro (21) in 57 3N 1,0# 74 170 no 30,#7 135 410 137 70,12 Km Claro (1*2) 24 57 43 7,07 53 II# 77 17,01 Oil 200 101 1 *. 1*. Aimori-s 17 4A 2H 2,04 au 124 71 10,03 111 353 313 AU, Ml Hi.) C.r|.» 17 02 70 1 4, HI Aft Aft 22(1 I Aft 43,7(1 — • Guarani . 33 77 AO 13,4 ft 4A UA 15* 5#, 30 cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 22 Arquivos do Serving Florcstal Vol. 12 IDADK 1 ANO IDADK 2 ANOS IDADK 3 ANOH IIOItTO A I turn «m cm Min. Mai. MM la 8 Min. Max. MMk H Min. Mat. Mfclia 8 IUo Ch.ro (31) 31 HI 00 20,17 6o 373 170 00,11 Hlo Cl»ro (03) . 83 HO 103 30,00 HU 2o:i I7H 41,57 310 515 331 09,70 \lmoH i 2 2 5.1 40 30,13 31 05 68 IMI — — — — - 1 . 31 70 00 13.80 50 DU 101 ■ — — — — (luArani 30 11H 7H m.to 48 m 101 29,00 llio Claro (31) 10 07 61 12.24 77 313 IAO 01,37 200 433 310 01,17 llio ('Urn (93) 41 102 00 10,00 77 201 117 .10,41 150 355 m 00,17 Guarani . 20 37 33 3,13 11 40 13 2,00 10 171 in 01,37 Kin Cl.ro (31) 23 70 13 4,88 25 155 75 35,05 40 3H3 183 58.50 lUoCb.ro (03) 30 68 12 8,30 .12 85 55 18.57 32 124 70 31,17 Alniorfa... 18 35 25 4.7D 27 .7 31 r.NO 2H HM 43 11,37 Hfto Carina 14 10 25 8, 70 15 81 41 12,08 30 110 70 31,48 Rio Clnro (21) 13 20 10 2.82 20 21 23 3,31 21 28 21 3.80 IUo Cl., ro (92) ... II 27 17 4,24 18 31 32 3.87 18 31 20 4,35 Almori ’ 4 27 10 8.40 19 0 18 5,00 10 10 21 20,37 Hflo Carl"* 7 20 12 1.70 N 30 17 0,29 II 82 21 13,07 ( la ii in! 10 20 14 3,87 ii 22 10 3,31 Hio Curo (21) 8 24 10 4,15 12 20 18 5.20 14 20 10 5,20 llio Claro (02) .... 0 10 11 3.18 8 22 14 4.21 12 40 21 8.01 Kin Cb.ro (31) 30 82 51 0,84 19 119 80 27,01 108 185 131 20.88 Hio Cb.ro (92) 21 14 ii 9,10 12 90 80 13,12 10 102 05 38,83 Rio < n no 01 221 148 20,13 370 400 373 52,15 MnorOa 48 110 78 31,11 60 280 168 58, 01 — • — * Hflo Carlot 10 110 71 27,40 43 .185 103 n, a — — Guarani 03 73 58 11,17 60 108 113 45,80 Hi,. 1 'Ur,. (21) .... 60 in 74 19,12 83 288 140 10,77 llio Claro (02). 60 117 70 10,40 1*8 271 168 02,17 — — Aimor/a 37 121 60 19,91 07 272 I2n 01,23 — — » — Hio Carina 33 139 on 13, HO 71 310 160 00.91 — — — — Guarani 18 73 17 li.iii 07 138 103 23.40 SciELO 1957 /Inals da Reunido Florcstal dc Itatiaia 23 ID ADR - 1 ANO IDADK 3 AN 08 IDADK - 3 AN08 HORTO Altur* cm cm Min. Mu. MAH. 8 Min. Mu. M.'li. H Min. Mu. Mf.ll. 8 Uo Quo ttl 1 HA 17# H.’l 40,42 38 374 101 00.00 mm — Hio Claro (02). ... .14 12# HI 27,00 102 31 N 1 HO 60,04 — * — • 33 102 A0 17, SO 74 180 110 33,27 “ 40 114 07 21,20 00 214 143 30,36 •— — * < ImmI 23 04 4A 17.00 20 147 00 38,52 Hio ( laro (21) 113 344 147 33,01 310 4 Cl.ro (31) 50 160 108 34.31 130 304 200 68,04 - - 44 100 127 30.38 114 374 270 74,37 200 010 4AU 104,14 Talu . ... 122 234 177 34.32 270 ,'.181 378 00,34 480 080 A0A 44,80 07 218 130 42,77 177 405 211 53,20 20(1 705 422 60,34 122 280 174 411,47 214 4(14 420 120,04 360 70(1 001 104,06 HcInmIuum 82 208 1 40 34,41 113 401 200 62,63 220 030 487 117,74 32 0A 40 14,73 71 314 152 38,13 72 400 318 74,03 Tala 27 60 43 10, AH 00 160 102 27,40 20 320 no 06,00 28 40 40 8,18 2 A 70 4 A 14,40 34 118 03 23,32 27 60 43 24,41 62 ioo 120 3A.27 1AH 380 247 104,00 lirlrtHlouM 33 68 43 6.10 A0 118 15 10.30 121 2AK 180 43,67 IHm Vial* 63 130 08 20,00 140 310 232 T.tu 30 120 04 17,66 70 230 23(1 — - •• ** 1 ■ 20 104 50 24,26 76 17U 110 - — — Hr**llu 20 142 A0 37,4(1 0A 3Ao 214 — — — — HcI’Moum 26 64 44 10,00 SciELO 15 16 24 Arquivos do Serviqo Florcstal Vol. 12 IIMDK 1 A NO IDA OK - 3 A NOS IIHDE 3 ANOH IIOIITO Allura • in r in Min. Mu. Midi* 8 Min. Mu. M/alia 8 Min. M/alia 8 Hn» V1.U IH 40 34 0.0ft 31 108 73 74 31" 148 41,00 Talti 24 Oft 43 10.30 fto 210 128 1(8) 3 AO 20? fttl.32 (!nrtwi|Ut) . Id 01 30 in, 711 17 120 40 31 101 70 14,71 Mrmllia , , 20 70 30 14.1 < 13 10ft 00 — 00 370 1*7 n7, on 3:1 r,x 40 13, M} 41 1*0 80 A0 3on 1.13 41,34 Catnaqul Mon Vint* * 37 14 4.74 7 30 17 8.12 14 74 31 18.08 •r.iu 13 2ft 18 1.47 17 28 21 ft.Oft 17 31 33 ft.Oft CamaquA II an 14 3,71 13 31 18 4.00 1ft 3ft 18 7,07 Hraailia 0 ai 11 3.87 13 34 20 1.00 12 03 23 11,00 H*b*louro 8 34 14 4.24 14 22 10 2.04 17 2ft 21 3.40 linn Vlutn fl8 147 87 20.00 194 300 2m 44.30 Tatu 40 120 02 .'0,41 130 3&0 242 47,74 — — — Carnaquil 81 41 08 7,07 i>i 211 141 37.30 - — — — Bn Ui 70 10ft 100 20,40 314 4311 302 a.ft.08 Boa Vmu SO !!4 73 21,40 lift 274 201 43.47 Tatu 3ft no 7ft 22.40 130 230 173 — «• ( 'amaquft 18 70 42 iajM> UI 202 112 20.30 1U5 38ft 28ft Hrmilia . , ft! 111 78 21,11 134 3*8) 218 40, Or — — SO.ftH HrbHmiro , . 23 (10 44 13,03 47 too 112 44.03 Him VUU ...... 21 120 7(1 21.01 120 336 201 I., In 30 140 73 33,48 8A 3(8. 104 - — — — ('umaquil Ih 70 40 12,70 40 203 112 123 114 274 77,11 llruflilia 30 107 02 39,44 ISO 3 Oft 238 — — — — H«l*on*i8 P. pinaster P. rigida P. silvestri* ... T. dintichum 430 327 310 103 21 1!) 131 4(H) 104 200 70 321 25 21 05 803 212 43 28 441 70 21 sri 1 1 1 1 E8PECIES HOHTO (Idado — 2 nnoa) Itio Claro Itio Claro Aimorfa 8. Carlo* Guarani (21) (cm) (02) (cm) (cm) (cm) (cm) P. montanimae 217 222 104 253 142 A. angustifolia 110 77 71 105 138 C. Ian coo lata 150 147 — — 43 P. halopcnda. .. . 75 55 33 41 — P. pinaster ... . 176 178 58 101 101 P. rigida 23 22 18 17 10 P. si 1 vest ri s . ... 18 14 — * — T. diatichum 80 00 — - — P. inaularia 373 — 108 103 132 P. ulliottii . . MO 108 120 100 103 P. taeda 101 18(1 110 143 00 P. radiata 350 241 170 227 110 P. patula 204 — — — — 1’. ooenrpa 200 E8PECIE8 HOHTO (Idadu — 1 ano) Itio Claro Itio Claro AimorAa 8. Carlo* Guarani CM) (cm) (02) (cm) (cm) (cm) (cm) P. montocumae 127 131 80 1)5 07 A. august ifolia 38 43 28 70 00 C. Ian ooo lata 04 05 — 32 P. halepensis. . . 42 42 20 20 — P. pinaster 00 102 40 50 78 P. rigida 10 17 15 12 14 1’. siivtmtris 15 11 — — — T. distiobum. 54 41 — P, inxularea. 148 — 78 71 50 P, elUottii. 74 75 00 50 47 P. tarda... 83 81 50 07 45 1’. radlAta 187 148 117 120 03 P. patula.. 85 — » — — — P. oocarpa. 108 SciELO 13 15 16 2(1 Arquivos do Scrviqo Florcstal Vol. 12 KHFECIKM IIOIITO (Made — • 3 niuw) Iloa Villa (cm) Tatu (om) CamaquA (••m) Brasilia (om) Bohodouro (cm) 1'. montoaumac •ir>ii 505 422 001 A. imuiiMifoliii 318 110 03 217 — 1’, Imi li'iM'iwm MS 202 70 1S7 — 1’. riKiilu :il 23 IS 23 — 1*. I'lliottil — — 284 a— 1’. taeda ..... 275 IIOIITO KSPKCIK (Idmlo — 2 anon) Boa Vixta Tatu CamaquA Brasilia Bebodou r<> (cm) (cm) (cm) (cm) (cm) l’. monUummao 270 378 211 •120 200 A. tuiKiixlifolin 152 102 46 120 85 1’. imkaxtcr 232 184 110 2 II — 1’. 73 12S 40 00 80 1’. linidu 17 23 IS 20 10 P. iiiMiibirU 264 252 Ml 302 — P. i'lliottil 201 173 132 218 — P. taoda 201 103 112 238 — P. radiata 368 208 M0 310 — P. ratula - — 131 — — P. oooarpa 134 IIOIITO IvSPKCI KS (Idudn — 1 aim) Boa Vixta Tatu CamaquA Braaflia Bobudouro (cm) (cm) (cm) (cm) (cm) P. montiigunuwi 127 177 130 170 140 P. nnKUhtiridia 10 43 40 43 40 P. plnaator 08 04 50 00 44 I‘. iialn|xmMH 35 53 30 30 40 P, ri«ida 15 IS M 14 14 P. inaularii N7 02 68 106 — P, lllliottii 73 75 52 78 45 P, taoda 70 73 46 02 02 P. radiata 220 137 73 14S 101 P, ratula — — 38 — — P. oooarpa 42 Cornell tArios Ald*m das esp6des que constam nos quadros, estao st-ndo ex- perimentadaa outras, quo nao contain alnda um ano de idadc. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 A >ui Is da Reunl&o Florestal de Itatiaia 27 No horto de CamaquA hA pcquono numcro de excmplares do P. clliottU com 12 anos dc ldadc. os quats produziram, date ano, semente cm numcro suflclente para sc obtor 2.000 mudas. No Horto dc Rio Claro, cxistcm 112 Arvorcs dc P. clliottU com 0 anos dc ldadc. Estas Arvorcs Ja dcram a prlmclra frutiflcagao cm 1956. Isto 6 auspicloso, porquc remove um dos ent raves para rc- florcstamcnto com quaiquer cssfincla, qual seja obter sementes cm quantldadc suficlcntc para formar as mudas. No Horto dc Jundial foram plantados, em terreno dc brejo, no ano dc 1935, 1953 p6s dc Taxodium dlstichum, dos quals cxis- tcm atualmente, portanto com 20 anos, 1 323, com o dlAmetro mddlo dc 22,23 mals mcnos 0,20 c amplitude de 3 a 52 cm. Neste mesmo Horto foi cortada uma plantagao dc Cuprcssus luzitanica, com 20 anos dc ldadc, a qual produzlu, cm mddia, um metro cublco dc madcira empllhada, por Arvorc. Note-sc que esta espdeie tem desenvolvlmcnto compcnsador c possui flbras longas adequadas ao fabrlco de celulose. Ainda no Horto dc Jundlai, estao Id para testemunhar os possivcls resultados do plantlo de Araucaria angustifolia, 303 pds, com 40 anos dc ldadc. Por ser ainda prematura quaiquer conclusao definltlva, per- mlto-me a dizer apenas, que, das cspdclcs cxpcrlmentadas recen- temente, apresentam resultados promlssores, as scgulntes: Pinus radiata, Pinus insularis, Pinus montezumae, Pinus ' taeda, Pinus clliotti, Pinus pinaster, Pinus oocarpa, Pinus patula, e Cunninghamia lunccolatu. Das espdeies anterlormente ensaladas por Navarro dc Andra- de, seria aconselhdvel plantar Taxodium dlstichum em terrenos alagadigos, Cuprcssus luzitanica e Araucaria angustifolia, em ou- tros tipos de solo. Com csta breve exposigfio termino o assunto deste trabalho muito suclnto, observando que, quando se tenha cm mira flo- restar e reflorestar, Incluam-se nos i)lanos as Conlferns, al6m de outras essenclas. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 A FOTOGRAFIA AfcREA NOS PLANEJAMENTOS GEO-ECONO- MICOS REGIONAIS LUIZ MARIANO PARS DE CARVALHO Da Levantamcntos AorofotORramtftrlcos 8. A. A imcnsa Area territorial do Brasil e os multiplos aspectos nela apresentados, bem como a pnbreza dc indicates preciosas sdbre os mesmos, vAm constltuindo um dos mala sArios empeci- lhos para a execugao de uma eflciente planiflcag&o do aproveita- mento dos seus recursos naturals. No setor florestal, essa situagao aprcsenta ainda outras fa- cetas, pois a natureza e a explotagao indiscriminada a que Asses recursos estiveram e ainda contlnuam a ser submetidos, agra- varam tao intonsainente o equilibrio natural, que as conseqlifin- cias danosas deste processo jA constitucm uma dura roalidade. O Vale do Paraiba, por exemplo, que JA percorrcu t6das as fa- zes dessa cvolugao e cujos problemas sao agora motlvo de in- tensivos debates — dada a poslgao estratAgica que ocupa na economia nacional — tem sofrido prejuizos irrecuperAveis como resultado da imprevisao que prcsidlu ao aproveitamento de suas riquezas naturals. Insuspeitas autoridades atribuem As mesmas — uma ori- gem comum: o desmatamento anArquico. E assim vao se multi- plicando essas dolorosas ocorrAnclas, que alAm do aspecto humano, encerram ainda uma trAglca para os que tAm a responaa- bilidade de oriental- o uso de um patrimonio muito caro, que pre- cisa ser preservado para as geragoes vindouras. Mas a boa vontade e a capacidade de tAcnleos e dirigentes responsAvels pela solu^ao di'sses problemas esbarram na falta ou imprecisilo dos dados exlstentes, quundo procuram conhecer SciELO 11 12 13 14 15 16 17 Arquivos do Serving Florestal Vol. 12 u rcalldado flslcn e econdmlca IndlspcnsAvcl A formulagao ck* pianos uccrtados do trabalho. Impossivel 6 obter umn vlsdo geral quo permlta comprecnder a Justa proporclonalidadc das parcelas lntegrantcs, bem como a lmportAncla rclatlva do cada uma do- lus, para quo sc tenha mnlor seguranga no cstabclcclmcnto das dlretrizos de qualqucr plnno do doscnvolvimcnto oconbmlco re- gional . A Case grave obstAculo contrapdc-sc, fellzmente, a cxlstdncla das proporclonadas pela fotogrnfin adrea para urn pronto, ccon6- mlco e perfolto conhcclmonto das regides a cstudnr. A fotografla 6 o lnstrumcnto bAslco do qual sc servem a Fotogrnmctrla c a Fotoanallsc para proporclonar o conhcclmcnto dn . pi lnclpal .i ipeto i fl Ico i e ( con6m i uma ri que interferem no cquacionamento do problcma c dc sua adequada solugao, sem que os cxccssos do dotnlhcs, do dlnhciro c dc tempo nccessdrio A sua obtengao, compromctam o prbprlo programa. Sao tao varlndos e mlnuclosos os elementos fornecldos A con- sldcragao c aos estudos nos setores gcolbgicos, hidrolbglcos, pedo- lbglcos, cdafol6glcos, fltogcogrdflcos, florestals c outros, que a solugao lndlcada 6, nao sbmente a mals prdtlca c complcta, como tambdm, a mals pcrfelta, rdplda e econdmlca. Asslm, pela preclsao c natureza das Indlcagoes — postas ao dlspdr do tecnico, a prcvlsao quo o mesmo fizer do descnvolvl- mento complcto dc um empreendimento deixa de ter o aspecto alcatdrlo que tern domlnado tala trabalhos, jd que, para roall- zd-los, nao 6 posslvcl doixar de computar certos dados, tantas e tantas vGzcs fornecldos quase que graciosamente, embora o costume de ouvl-los e manejd-los venha emprcstar-lhes uma condlgao de aparente fidcdlgnldade. A comprcensao da ImportAncia dn Fotolntcrpretagao, nos mals dlvcrsos setores, jd se val fazendo sentir entre nos, em vista do numero crescente de lnteressados, de tdcnlcos e do trabalhos fellas no pals c no estrangelro. No Vale do Paralba, na Fazenda Experimental dc Santa Mdnlca, do Ministdrlo da Agrlcultura, um simples mosalco acro- fotogrdflco forneceu auxllio declslvo para a recuperagao das ter- ras da mesma, pelo combate d erosao o eflciente partllha das pastagi'ns, posslbllltando uma consecugao melhor das finalidades daqueie estaboleclmonto. Esse trabalho, que mostrou a solugfio adequada dum probloma complexo, fol testemunhado, inclusive, por um antigo admlnlstrador dessa Fazenda que all trabalhara por vdrios lustros e cujas declaragoes provaram o desconheci- mento, atd entao, de multos aspectos e correlagoes quo s6 a fotografla adrea podia proporclonar em conjunto. Em vdrlas oportunidades temos constatado situagoes em que, apesar das dlsponibllldndes em recursos materials e tdenlcos, faltavam, todavia, dados aparentemente muito simples, mas que, com efelto, eram essenclais para a prcvlsao da marcha do trabalho. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Aiiais da Reunldo Florestal de Itatiala 31 Alnda ha pouco, uma lniclatlva do alia cnvergadura quasc fol torpedcada por objegocs quo, scm malor exame, parcclam pon- derAvcis: o aproveitamento hidrelAtrlco do reservatorlo dc Furnas — parte integrants e vital dc uni complexo programa do apro- veitamento succssivo e questao vital para apolo do ritmo do progresso industrial dc uma vasta regiao — dctcrminnrla, para fins de represamento, a lnundag&o dc uma grande Area ondc se dcscnvolvium atividades divcrsas, e com isso, o conseqdente des- locamcnto da respcctiva populngao. A incertcza quanto ao valor, extensao e imporlAncia das terras quo ficarlam submersas, bem como o vulto da populaoao somovonlo a sor doslooada. outre nil tras lnc6gnitas, cstava dando motivo As mais disparos conjoturas. Afirmava-se, por exemplo, quo as melhores terras para agri- culture iriam desaparecer; quo uma populaoao dc 100.000 pcs- soas devcria ser deslocada; que a produgno agricola sofreria um grande impacto com a pcrda das melhores terras dc culture, fl- cando somente Areas ImprestAveis, sem expressao econdmica. O estudo geo-economico da regiao, A base de foto-anAlises, procedldo nos 29 municipios intercssados no piano, mostrou: Que para a primeira altcrnativa do projeto — corrcspondento A cota de 750 metros — as Areas inundadas, a populaoao dcsloca- da, o valor econOmico da produgao, etc. ropresentavam indices, respect ivamente, da ordem 0,9%, 2 ( tc relativamente a regiao e ao Estado, evidcnciando quao ridiculas cram ns afirma- gocs propaladas. Que pare a segunda altcrnativa — correspondents A cota dc 770 metros — os indices, embora ligeiramente superiores 2,6' ; , 8,79; . 8,6'.' , etc. — o trabalho era tambAm cxequivel tAcnicamen- te. e desejAvel, cm fungao do elevado potencial cnergAtico que pro- porcionaria . No que concerne A utilizagao dus terras, mostrou ainda, a foto-anAlise, que a utilizagao da Area A predominnntemcnte pas- toril; que a distribuigao dns cultures permanentes, que represen* tam 4,8r; sfibre o total do Estado, nas Arens inundadas tern vn- lorcs reduzidos, de 0,3% e 0,4';,'., respectivamente, para enda nl- ternativa . Muitos outros informes foram pesquisudos, mas seu relato alongaria esta comunicagao. Noutra regiao, 0 Poligono dns SAcas, estudos levados a cfeito para o aproveitamento hldrclAtrlco de um curso d’Agua focn- llzaram asjiectos nao prAprlamente inerentes no objeto do es- tudo, mas que viriam permitlr o aproveitamento integral dos seus escassos recur sos hidrlcos jiara n irrlgagfio e usos clvis de capital importAnda econflmica e social para a regiao sem que a utilizngao imedlnta do seu potencial vlesse a provocar como soi ncontecer, Interferfincias graves e atA prejudicials a nprovel- tnmentos futuros. 22 Arouivos do Serviqo Florcstal Vol. 12 E posslvel quo a quasc InexisUmcla do publlcldudo s6bre ftste tlpo do trubalho tcnbu contrlbuldo para manter lmportnntcs so- torr.s da vida publico nu privada. mtcrc: ,ado ; na pmducuo o dr senvolvlmcnto do pais, no dosconhcolmcnto dos vordadelros rc- cursos c possibilldades da foto-lntcrprctagao. Isto no cntanto, nao impedlrd que, para realgar o papel da foto-andlise, focalizcmos o fate do ter o Presidents Elsenhower baseado sua politico de paz com a Russia na llberdadc de sc dclxarem niutuamentc fotogrofar. Dlantc de scmclhante proposlgao, nao hd lugar para duas teses. Ou o Prcsldentc dos Estados Unldos 6 urn irresponsdvcl ou a topografia a6rca responde, realmente, a tddas as questocs tdtlcas e cstratdglcas capazes do garantircin que nenhuma gran- de moblllzagao de rccursos poderd passar desapcrccbida d mesma, qualsquer que fdrem as clrcunstancias. As conclusoes sao 6bvias. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 INTERPRETA^AO DE FOTOGRAFIAS AEREAS ESCRIT6RIO TfiCNICO ALEJANDRO SOLARI — RIO I. Intcprctnguo: A fotografia a6rca registra, alem dos fenomenos do solo, tam- b6m multos do sub-solo, dependendo sua idontificagao dc t6da uma s6rie de fatores, tais como: a natureza da zona estudada, o pro- blcma cm questao, a escala da fotografia, a experifincia e capa- cidadc do Interpret*, etc. Quando estas fotograflas sao observadas cm pares, tem-se a vlsao estereoscoplca da irea comum a ambas, c a imagcm de um modulo iddntlco ao do terreno fotografado (nas llnhas de v6o cada foto superpoc-se aproxlmadamentc 00';! com a fotogra- fia anterior). £ csta uma reprodUQfio exata c eat&tica do quo um 61ho ideal cm avlao poderla observer, o quo nenhum mapa to- pogrdfico pode oferecer. Estudando as fotograflas adreas com um eatereoscdplo, exa- gera-se a dimensao vertical, o que acentua as formas fisiogrli- ficas e os sinais que a crosao produz sobre os terrenos. Estes indi- cios juntamente com outros relatlvos aos tons de edres presentes na fotografia, o sistema de drenagem que caracteriza uma re- glao, aos tipos de vegetagao existentes, a ocupagno humana e v&rios outros mats, permitem a um interpret^ exporlmentado, com as devidas limitagoes, reallzar reconheclmentos das segulntes naturezas: Rocha matrlz Tipos de solos residuals e trnnsportados Espessura de solos e sua granulometria 3 — as so* cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 34 Arguivos do Serving Floreatal Vol. 12 Afloramentos rochosos Geomorfologlu regional Profundidade do lcngol frcAtico Upo c classe d« vegetagao, etc., etc. Multos detalhcs que pussum desporccbldos no terreno, sao rcglstrados nas fotograflas, permltlndo sua ldentlflcagao lmcdlata. As fotograflas aAreas utllizadas para interpretagao sao as mesmas que sc empregam para os levantamentos fotogramAtrlcos. Quando cxlstem os ncgatlvos, o prego dos materials necessArlos para um trabalho do foto-lnterprctagao A mlnimo, reduzindo-se apenos As despesas de reprodugao fotogrAfica. Sc a fotografia nao existe, ou tratando-se de projetos especlals, que requerem Asse material cm outras escalas ou condigocs, as fotos aAreas devem scr tomadas espcclalmente para Asse fim. £ notAvel a ccleridadc com que se realizam os trabalbos de foto-lnterpretagao. Uma foto em escula 1:25.000 de 23 cm por 23 cm, abrange uma Area aproxlmnda de 31 km2, (3 100 ha.). Scu cstudo no terreno demoraria de semanas a meses de trabalho; para obter os mesmos resultudos a foto-intepretagao rcqucrcrla, de um analisador cxperlmcntado, apenas mlnutos a boras. Durante as etapas do estudo de qualqucr projeto, a foto-in- terpretagao permlte o planejamento completo dos trabalhos que sc deverao reallzar postcriormcntc, no terreno, e a previsao de problemas que surglrfio durante o transcurso das obras. A foto-lnterpretagao tende a ellminar, tambAm, uma grande dlspersao do csforgos e a conccntrar os cstudos dos tecnlcas e especlallstas nos sltios onde seus trabalhos e estudos suo real- mentc necessArlos c slgnlflcatlvos. Isto nao slgnlflca que os trabalhos de campo sao elimtnados: ao contrArlo, sao realizados onde realmente se fazem necessArlos, para que seus resultados se possam estender a Areas maiores. A tAcnlca da coleta de amostras, estatistlcamente qualiflcadas, com- plementarao as vantagens da foto-lnterpretagao. Sao, em resumo, tAcnlcas cuja fungao primordial 6 auxillar, rApida e economlca- mente, a todas as ciAncias que as utiltzam. Em Areas remotas e de diflcil acesso, a interpretagao das fotograflas aereas 6 de enorme utllidade e oferece grandes van- tagens, comparando com qualquer mAtodo terrestre de inves- tigagao . A utllidade da interpretagao se traduz em economia de tem- po e dlnheiro. Em algum dos trabalhos realizados, o tempo para completA-los tern sido da ordem de um dAcimo do que seria necessArio segulndo mAtodos tradlclonals (trabalhos de selegao dos sltios para a Nova Capital do Brasil, projeto realizado no prazo de dez meses) . Lbgieamente, todas estas economtas se cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 A nais da Rcuni&o Florcstal de llatiaia 36 traduzem cm menorcs gustos orgamentArlos, sernlo 6s to urn dos fatdres dcclslvos do impulso dcsta tAcnica, que cada dla vein pres- tando maior colaboraguo na solugao dc dlstintoa problemas rela- tives ao reconhccimcnto dc Areas, ao plancjamcnto urbano c re- gional, c dos problemas vlnculados A engenharla, A agrlcultura, A gcologla, a ci6ncia florcstal, A arqucologla c A nrtc mill tar, para lembrar algumas das suas apllcagoes. II lltilidade da foto-interpretagao: Dentro das Lnumeras apllcagoes dcsta tccnlca cujas Investl- gagocs estamos posslbilltados a reullzar, anotamos, entre as mats utllizadas, as segulntes: 1. LocalizagAo dc materials dc construgAo: Argllas, arcials, selxos rolados, pedra para construgAo, granulometria, problemns assoclados ao transports mo- vlmcnto dc terra, etc. 2. Selegao dc tragados: Para estradas dc rodagem, estradas dc ferro, dutos para agua. gas. petrAleo, etc., llnhas de transmissAo, ca- nals, etc. 3. Acroportos: Sltios aproprlados para construgAo de acroportos. Capa- cidadc de sustentagAo dos terrenos. 4. Escoamcnto e drenagem: Estudo integral dc escoamcnto superficial e subtcrrAneo, drenagem de uma Area dctcrmlnada; delimitagao de bn- clas; ZOnas inundaveis; problemas sanitArios. 5. ConstrugAo de agudes: SelcgAo de sltios favorAvels, DeltmitugAo de Area inun- dAvel e volume dAgua. Bacia hldrogrAfica. Perdns de Agua. SedimcntagAo. Materials aproveitAvcls na constru- gAo. Gcologla. Problemas de fundagoes. 6. Classificagao das solos para engenharla: Mapas de Areas com referenda a diver 80s problemas de engenharla, Classificagao dos solos com relagao aas problemas de transports, materials de construgAo, pro- fundidade do lengol freAtlco. Desmoronamento. 7. ClassificagAo dos solos para agricultural Classificagao em grandcs grupos, sArles e fuses. Mapas agrolAglcas. Valor atual e potcncial. Erosao. Conserva- gao. Utilizaguo anterior dos solos. Alcalinidado e salinl- dnde. Jazidas de adubos e corretivas. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 36 Arquivos do Servigo Floreatal Vol. 12 8. Uso e ocupagao do solo: Classlflcagao c uso. Uso atual c potcnclal. Rcconhcci- mcnto c niedlgao dc Arons cultlvadas. Invcntdrio. Ava- llagao da terra. Problemas do desaproprlagao c contrl- butgao territorial. Reconhcclmento dc pragas. 0. Irrlgngao: Dellmltac&o dc Areas lrrlgAvcla. Classlficaguo dos solos. Fontos dAgua. Planojarncnto dc obras auxlllnrcs. Cnnals do oscoamonto c drenagem. 10. Problemas hldrAulicos apllcados em: Locnllzagao c cstlmatlva de Agua potAvcl e para lrri- gagao Potcnclal hidroelAtrlco dc baclas. Navcgagao dc rlos c canais . 1 1 . Corrosao : Problemas dc corrosao associados a cstruturas metAllcas; oleodutos e gasodutos dc aedrdo com o seu tragado no terreno. 12. Gcologla: Goologla superficial. Reconhecimcnto. Diregao e mergu- lho. Rocha matriz. Gcologla estrutural. Falhas, fraturas, dobras, etc. Problema de fundagao. CalcAreos. Gcologla apllcada A engenharia. Gcologia petroleira. 13. Lcvantamcntos magnAtlcos o clntllomAtrlcos: Reconhecimcnto com magnotometros c clntllometros apllcado A oxplotagao de minerals, inclusive petrAlco. Minerals radloatlvos. Prospecgoos aAreas. Reconhocimen- tos complementarcs e lntlmamente vinculados A inter- pretagao de fotograflas aAreas. 14. Prospegao de minerals: Localizagao de zonas mineralizadas. Contatos. DepAsl- tos. Recursos metAllcas e nao metAlicos. If). Recursos florestals: Clnssificagao e InventArio das florestas. Volume de ma- delra comerclal. Exploragao e plancjamento. Engenharia florestal. Solos florestals. Contrdle de pragas e incendios. 10. Selegfio de sltios para ocupagao polo homem. Sltlos aproprlados para a construgao de cidades, po- voados, estabelecimentos industrials, centres industrials e clvicas, Unidndes agricolas, etc. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Aiiais da Rcuniao Florcstal dc Itatiaia 37 17. Estudos dc Areas urbanas c rurais. Uso atual do solo. Vivcndns c sua classificagfio. Zo- neamento. Avaliagao da terra. Amostra c distrlbuiguo da populagao. Pianos de urbanizngao. Plancjamento urbano c regional. 18. Estudo dc trufego: Estudo de trAfcgo em Areas urbanas. Zones de conges- tlonamcnto. Estacionamento. 19. TAcnlca de amostragem: Selegao dos pontos mais significativos para seu conhcci- mento e nvaliagao. Extcnsao e limitagao dAsscs rcsulta- dos. Intcnsidadc de amostragem. 20. Culturas antigas do homem: Arqueologia. Localizagao de antigas culturas. Historla. 21. DinAmlca: Estudos comparativos com fotografias tom ad as em 6po- cas distintas. A fotografia como documento real das condigoes cxistentes em determinadas Apocas. Proble- mas de evolugao. 22. Diversos: A fotografia como elemento publico para fins de estudo da desapropriagao, evitando especulagao e perturbagao. 23. Rstudo integral de regloes: Bacias hidrAulicas. Plancjamento social-ceonomlco e de desenvolvimento. Regiocs de desenvolvimento. Projeto de seus recursos naturais e planificagao regional. Evolugao dos recursos naturals de Areas em estudo. Ill .Material ncccssdrlo: Aos efeltos de qualquer dAstes trabalnos silo necessArias us fotografias aAreas. Aerofotos cm cscalas atA 1:20.000 se- riam ideals; entretanto, poderao ser alnda aproveltadas atA a cscala dc 1:40.000. Para eada tipo de projeto e para 1 cada etapa do mesmo, a cscala das fotografias mais conve- 1 nlcnte para sua interpretagao, podc variar. 1 Sdmente para um problema concrcto poderla scr elabo* 1 rado um orgamcnto, pois os elcmentos a considerar varlam 1 com a espAcie do scrvigo e a malor ou menor quantldade do 1 trabalho de campo necessArlo. 1 cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 AEROFOTOGRAFIAS DO PAIIQUE NACIONAL DO ITATIAIA W. DUARTE DE BARROS As possibilidades do uso da fotografia acrca, permltindo a idcntlficaguo, anAlise e Interpretagao do Areas, fazem-na a tAcnica efetivamente mais cconomica quando sc pretende ofotuar reco- nhecimontos de recursos naturals. Tornaram-so incontestAveis em todas as partes os resultados obtidos pela prospeegao aerofotogramAtrica, pols, a despolto da relativamentc eurta idado de tao oxtraordlnarla auxlllar do le- vantamentos flsicos, o no quo peso a caracterfstlca rapidez do tal labor, a seguranga o a objetlvidado obtldas em sorvigos dossa ordem credonciam-nos a pnorldade no uso quando hA plnncja- mento local, regional ou naotonal em marcha. As vantagens excepclonais do revoluelonArio mAtodo repon- tarn nos estudos que sao efetuados sem dlstlngao, ou sem tomar om conta a modalidade do rolevo. Tao singular poslgao foi dcsta- cada na 18. monsagom de Natal do Pio XII, cuja Idontiflcagao com as mals profundas o complexas conquistas clentiflcas o t6m elovado no consenso do niundo culto. Roforlndo-se, naquelo do- cumento magnlflco, As facilidados quo as aorofotograflas pdom ao alcance dos conhecimontos atuals, dlsso o Sumo Pontiflce: "Roalmente 6 algo prodlgloso o que a tAcnlca conse- gulu alcangar neste campo. Dlspondo, pols, do objettvas do suflciente abortura angular o luminosidade, so po- dem agora fotografar desde muitos quilomotros do al- tura com riqueza de detalhes, objotos encontrados na su- porflcie da terra. O progrosso clontifico, a modorna tAcnl- cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 40 Arquivos do Serving Florestal Vol. 12 cu mccAnlca c fotogrAfica tdm conscguldu construlr mA- qulnas fotogrAflcas cxtraordlnArlamentc pcrfeltus cm to- dos os scus aspcctos; por sua vc z, as pcliculas tfim sldo profundamentc aperfeigoadas, quunto ao grnu de sen- slbilldade c flnura do grau, atd permltlrem ampliagocs dc ccm ou mals vdzes. Tals maqulnas, colocadas cm avides que dcscnvolvcm vclocldadcs que se chcgam A vclocldade do som, podem tomar, automAtlcamcntc, mi- 1 hares do fotograflas, dc tal manelra que centonas dc ml- Ihares dc quilOmetros quadrados chcgam a scr cxplora- dos cm tempo rclativamcntc breve" . “As cxpcriOnclas fcltas ncstc campo oferecem resul- tados excepclonals, permltlndo cvldcnclar fabricagoes, mAqulnas, pcssoas e objetos situados no solo e, at£ mes- mo, ao mcnos indlretamcnte, sob a terra". As lllmltadas pcrspcctivas ddssc Instrumental moderno de pcsqulsa cncontram alnda alguns dbiccs c a dcspelto da rapidez f do cuato final relat lvo e absolutamente balxo i, hA dadc que nao pode scr olvldada: a falta dc pcssoal capacltado para entender o alcamv dcssa tdruira, o numrro reduzido de foto- Idcntlflcadorcs, anallstas ou interprctadorcs, coincide justamente com o aumento da quantidadc dc Areas que melhor sc bcneflci- arlam dos trabalhos bascados com aerofotas. Nas regioes de sub- -descnvolvimcnto, ou naquelas cm que o processo de lntcgragao econdmlca se efetua com vagar, lsto 6, no caso das zonas equa- torlals ou das tropicals, ondc sc acham hoje, ainda, obices quasc lntransponivcls ao acesso, o enormc volume dc dados conseguidos, a objetlvldade da pcsqulsa e a celcridadc para a formulagao de pianos globais de grande vulto ou dc tarefas seccionais progres- slvas a screm reallzadas por diregao langada sob calenddrios defi- nldos, tornam o labor auxllladas por diregao langada sob calen- ddrios deflnldos, tornam o labor auxlllado pela aerofotografia multo dlsputado. As comprovagoes do valor da fotografia adrea, para o re- conhccimento das florestas, permltem que se lhes dem preferen- cias dasdnomos (!<• todo o mundo. Qualquer que seja a natureza e a constituigao da massa, a aerofoto e a ferramenta mais moderna, preferlda cada vez mals. Tomando-se na devlda conta as vanta- gens apontadas, deckli-me, hd anos, como ponto do piano diretor que estabeleei na Dlregao do Parque Nacional do Itatiaia, levantar a Area da Floresta Protetora do Itatiaia (superficie florestal de mais ou menos 00 000 1m que circunscreve os terrenos do Parque Nacional do Itatiaia, com a Area de 12 000 ha) sob os elementos da fotografia adren. Independentemcnte desse fato (que nos porla logo cm muos o remanescente florestal da serra do Itatiaia — cuja Import&ncla t enorme sob qualquei um dos Angulos em que se o examine para a vlda da terra e da gente dos Estados do Rio, Sao Paulo c Minas Gerais) fariamos a fixagao dos Umltes da su- perficie do Parque por um levantamcnto topogrAfico, inieialmen- cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1057 /Inals da ReuniSo Florestal dc Itatiaia 41 tc, objctlvando a protcgdo da Area pola amarrugao dc pontos-base, nos quals sc apolaria a fotogrametria; aberturu de acciros, cons- truguo dc cfircas e casas dc guardas, bosques, postos dc observa- giio dc IncAndlos, alem dc outras atlvldadcs programdticas da Reserva . O servigo foi efetuado cm 1950, ap6s longas "demarches" dc natureza adminlstratlva, quando enfrentdmos e Iranspuzemos vdrios obstdculos. A operagao fol contratada pelu Dlvisdo dc Obras do Ministdrlo da Agricultura, atendendo a razoes da cxposlg&o dc motlvos que lhc enderegamos cm 1054. As caracteristicas que pcdlmos c que foram adotadas pcla Levantamentos Aerofotogranidtricos S. A., do Rio dc Janeiro, fo- ram as seguintes: Fotografias verticals de 9x9 cm, tomadas com c&mara Fairchild e F, 153 mm Superposigao longitudinal dc 00% Superposigao lateral de 30% A eseala planfmetrica pedida foi dc 1:5 000, tendo sldo, alnda, espccificadas condigocs rcfcrcntcs A trlangulagao para base do terreno. Exigiu-sc. tambdm, uma planta restituida com curvas dc nivel dc 5 cm 5 metros, tambdm na mesma eseala dc 1:5 000, e uma outra, com a mesma espccificagao da eseala, tendo assina- lamentos dos marcos da trlangulagao. O foto-lndice, uma eolegao dc fotografias foram pedidos c fornecidos para o arquivo do Parque. De posse dos elementos supracitados, construlmos mosdicos na eseala 1:5 000 e iniciamos estudos, com o pcssoal do prdprio Parque Nacional do Itatiaia, para a montagem dc overlays refe- nfc A ■: |a< < o; b) drenagem; c) blp ometi la; d ) geo iogia; e) uso da terra; f) classificagiio florestal, dcstacando Areas dc pastos, dc campos, dc florestas naturals, primitlvas, se- cunddrlas c artificials. Como parte df'ssc longo programa do atividades, os tdcnicos Jorge Spanner e Elio Gouv6a, sob a supcrvlsao do autor, rcaliza- ram o inventdrio da area dc ocorrfmcia natural do plnho do Pa- rand, do que darao nota especial por oensiao do final do trabalho. A tarefa, jd concluida no campo, foi feita com base na fotografia da drea acima referida cm todos os momentos para efeito de teste e de operagao. Espero poder concluir e oferecer pois, cm breve, um trabalho ainda nao realizado no Servigo Florestal do pais. A andlise, a identificagao c a interpretagao das aerofotos permitirao aos flo- restais do Brasil grandes exitos certos. Com base em nossa expcrl- dneia, podemos dlzer que, efetiva, nocessdria e inadidvelmente, esta c a maia revoluclon&ria das tAcnlcas do que so podem servlr as proflssoes de homens que, como as desdnomos, precisam reconhe- cer, plsando e olhando, a terra em que planejam sens trabalhos — que sao, na mnior parte tarefus longas, drduas e de colheltas rc- cundns peln exiguidade de recursos u longos periodos. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 INFLUfiNCIA DA FLORESTA NO SUI’RIMENTO DE AGUA OCTAVIO DO AMAHAL OUROEL FILHO fl HELMUT PAULO KRUG No intuito dc responder aos quesitos formuludos polo nobre Deputado Cid Franco, relativamente i\s rcscrvas naturals dc &gua e ao comportamento dc determlnada esp6cle florestal, tornam-se necessarias c lmpresclndlvels algumas conslderagocs dc funbito geral, a fim do situar o problema, ou melhor, a flm dc determinar o papel que a florcsta ou quo o revestimento vegetal, especificu- mente, cxerce sobre aquelas mesmas rcscrvas. Dcssa maneira, apos a apreciagao dos dados meteoroldgicos. sao abordados, & luz dos conhecimcntos existentes, os dlversos itens ligados ao ciclo da dgua na natureza, compreendendo a lnfiltragao e o escoamento das aguas pluviais, a importancia c a fung&o dos rcvest.lpientos vegctals, a evaporagiio do solo e a transplragao vegetal, o abaste- cimcnto dos mananclals, enflm, o balango dc itgua da regifio. Dados mctcorolbgicos Segundo dados meteorolbgicos conscguldos atravks do Minis- t6rio da Agrlcultura, a queda pluviomdtrica total na redondeza da Capital de Sao Paulo mudou senslvelmente nos ultimos anos. Ela sc mantdm mais ou mcnos prdxima das madias mcnsals, cm mm dc chuva, na Capital (Estagao dc Luz) : Janeiro 222,6 Julho 28,9 Feverciro 191,8 Ag6sto 51,0 Margo 148,1 Setcmbro 76,2 Abril 63,9 Outubro 1 1 1 ,2 Maio 64,7 Novcmbro 135,9 Junho 61,1 Dezembro 180,9 cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 44 Arqu ivos do Scrvigo Florestal Vol. 12 A bacla dc captagfto que lntcrcssa a economla de dgua da Capital 6 comprccndlda pclo rlo Tlctd c scus aflucntcs, atd a embocadura do rlo Cotia. Esta baola roprcscnta aproxlmadamcnte 4.500 Km2 Ncla cucm unualmentr, dc arbrdo com os dado; mctcorol6glcos aclma rcfcrldos, 5.850.000.000 m3 dc dgua, consl- dcrando umu qucda pluvlomdtrlca mddla dc 1.300 mm. Apcnas como llustragno, podnmos lndlcar alnda quc os malo- res consumldon s de dgua na bacla rcfcrlda sao a Light, com 05 m/3 scg, c o Dcpartamcnto dc Aguas c Esgotos, com 5 m3/seg fistc consumo soma, por ano, 2.207.520.000 m3, o que rcprcsenta aproxlmadamcnte 38'.' da prcclpitagiio pluvlomdtrlca. Como sc podc verificar pclo exame dos dados aclma, hd uma cnormc varlagao na pluvlomctrla, quando sao comparados as diversos mfiscs do ano. Cbvlamcntc, fistc ponto 6 dc grande lmpor- tdncla no oaso especial da cldadc dc Sao Paulo. Dcstino da dgua proveniente das chuvas A cobcrtura vegetal do terreno, como 6 sabido, tern marcada lnflufincla sdbre o destlno das dguas provenlcntcs das chuvas. Dclxando dc discutlr n influencla do rccobrimento arbdreo do terreno s6bre a radlagao e luz solar, sdbre a temperatura e o estado higromdtrico do ar e do solo, etc., limitaremos a dlgrcssao dqucles pontos julgados lndlspensdvcls. A dgua que se prcclpita sob a forma de chuva, de aefirdo com o que 6 geralmente reconhecido, torn destlnos diversos, varlan- do cm fungito da cobcrtura florestal. Asslm sendo, podem ser dlstlnguidos duas modalidades: 1 — Aqua interceptada pela cobcrtura vegetal A tntcrcepgao das precipltagoes pelo docel florestal, ou pelo copado das drvorcs, dependo de dlversas fatores, como a dcnsldade do povoamento, o tlpo morfoldgico a lntensldade e duragao da chuva , etc., Apcsar da multipllcldade de fatores que podem intervlr na intcrceptagao das chuvas pelo dossel florestal, os autores, de um modo geral, admltem que tal interccpgao pode alcangar at6 20V? da precipitagao total. Forgoso 6 reconhecer, por6m, que uma boa parte da dgua rctlda pelo copado vcni alcnngar o solo, quer median- te cscoamento jjelo tronco, quer pelos respingos das folhas, enquan- to outra 6 evaporada. Por outro lado, as conlferas, e entre elfts, prlnclpalmente, as aclculas flnas, evaporam em mf-dia edrea de nr ( dn total retido. 2 — Aqua quc ulcanqa o solo a) O cscoamento superficial — O papel que ns florestas exer- cem sobre as glebas por elas revestidas, concorrendo para obstar ou dlmlnulr slgnlflcatlvamente o cscoamento superficial, t • de molde a despertar grande Interesse. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Anaia da Reuni&o Florestal de Hatiaia 45 A ocorrdncla do cscoamcnto superficial estd llgada a fatores dc ordens dlversas, como a decllvldade do terreno; a intensldude c duragao da preclpltagfio; a constltulgao da floresta; a exisWncia da manta florestal; a cxploragao da floresta; o pisotolo da manta; etc. Segundo os autores, as gramfneas ou as pequenas drvores, ou a vegetagao que sc segue ao cortc da floresta. podem ser tao efetl- vas quanto a floresta cm obstar o cscoamcnto superficial, imin vez que os horizontes A„ e A, do solo nuo cstejam prejudlcados. Nos solos sem manta vegetal, o cscoamcnto superficial atinge muitas vezes proposes conslderdvcls, resultando na erosao do solo. A realldade ddstc fator, de grande importdncla na bacla do Tletd, poderd ser verlficada pelo colorido das dguas ddste rlo, nos meses de dezembro, janelio e fcverclro. O armazenamento no solo dessa dgua pluvial 6 de grande lnterdsse porquanto lria nbasteccr lentamente os pcquenos vcios ddgua, resultando um fluxo mals uniforme. b) A infiltragao no solo — Entrc os vdrlos fatores que inter- ferem na infiltragao — o armnzenamento de dgua cm depress oes, o grdu de declividade, a irregularidadc e extensiio da superflcie, a existdneia de canals de cscoamcnto, a porosldade, a absorgdo — sem duvida os dois ultimos suo dc marcante importdncia. Ainda cm relagiio d infiltragao, hd a assinalar que o solo florestal tlpico apresenta-sc revestido da manta ou serrapilheira "florest floor” cuja carncterlstlcn de higroscoplcidude c proprieda- des, flsicas da camada humifera dotam aquela de grande capaci- dade de embeblgao. , Em rclagao d dgua que se infiltra no solo, podem ser feltas as seguintes considcragoes: I — Agua evaporada pela superflcie do solo II — Agua transpirnda pelas plantas III — Agua que alimenta os nianancials O Item I cnvolve fatdres de ordem climdtica e eddflca, de sorte que pouca influencia pode ser exercida pelo homem. To- davia, 6 interessante recordar que experidneias bem conduzidas por parte de autores europeus, demonstraram que a cobertura do solo por uma camada de musgo de 5 cm de espessura fdz. baixar a evaporagao para menos da metade daquela apresentada iiclo solo nu. A quantidade de dgua transplrada pelas plantas — Item II — depende dc uma sdrle de fatores, tais como: a densidade do povoamento, as proporgoes da vegetngao, o tipo morfoldgico, a profundldade do slstema radicular, a intcnsldadc do cresclmento, a temperatura, os ventos, etc. Em primeiro lugar, tleve ser eonslderada a Infludncia do tipo morfoldgico . £ sabido que, cm geral, as folhosas em cujo grupo estd cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 4(5 Arquivos dn Serving Florestal Vol. 12 lncluidn a quasc totalidadc das cssOnclas Indigenas, sao do grande consumo do dgua pcla transplruguo, conformc os dados ex- perimentals exlstontes. Dentro de certos li mites, tddas as plantas podem se adapter ds reserves dc dgua do solo, consumlndo malores quantldades quando cla cxlstc em abundftncla. As espd- cles de fdlhus caducas, nccessdrlamente, consomcm malores quantldades de dgua nas epocas que cstao enfolhadas, porque sao as fdlhas os principals 6rgaos de evaporaguo. Outro fator de Importdncla e a temperature relnantc du- rante o dla. As f 61 has absorvem grande quantldade dc ralos so- lares, c em conseqiiencla, a temperatura interna da planta se eleva; o abalxamcnto dcssa temperatura sera conscguldo medi- ante a transplragdo. Do mesrno modo, a temperatura do amblcntc tern grande infludncla, elevando-sc a evaporagno da dgua paralelamente d temperatura, atd certo ponto. Nesta altura, deve scr lembrado que, no segundo semestre, ocorrcm em Sao Paulo multos dlas de temperatures elevadas c ainda sem chuvas. As plantas, ncstas con- dlgoes, consomcm forgosamente malores quantldades de dgua, atacando as reserves exlstentes no solo. A intensldadc de luz c o comprlmcnto dos dlas tern, de scu lado, forte importdncia, c a sua lnflufincia sc faz por vdrios modos. A dgua transplrada pela vegetagao 6 conseqiiencia da super- ficle evaporatdria. Asslm, a florcsta com multos andarcs de copas ofcrecc uma superffcle foliar total evaporatoria extremamente grande. Por conscgulntc, quanto mais rica a vegetagao, tanto malor o consumo dc dgua. Nessa ordem de iddlas, a floresta devc- rd transplrar mals do que o cerrado e dste mals do quo o campo. A dgua que allmenta os mananclals e os lengdls de grande profundldade — Item III — 6 a resultante das dguas pluviais que se lnflltram no solo. Em alguns palses da Europa, observou-se c|ue a quantldade total desta dgua pode oscilar entre os Umltes de 5 a 110% da queda pluvlomdtrlca; todavla, tals limites nao po- dem ser rigldos, em virtude dc cstarem sujeltos a multos fatores, como por exemplo, a natureza du cobertura do solo, a porosldade dfiste, a exlstdncla de manta florestal, a dcnsldade do povoamento, a condlgao do povoamento florestal — establlizado ou em cres- clmcnto, etc. Segundo dados experlmentais conseguidos polos pesquisado- rcs norte-amcrlcanos, na Cowecta Hydrological Laboratory, perto de Franklin, no Estado da Carolina do Norte, as conclusoes ad- vlndas relativamente d Importdncia da cobertura vegetal, sao as que se seguem: 1 — A cobertura com matas uniformlaa a vasao, mas baixa o total da dgua no manancial, mormente quando n associagao vegetal nao estd bem estabelecida . 2 — Solos sem vegetagao favorecem grandemente a erosao, mas proporclonam malor rcndlmento nos mananclals, uma vez SciELO 11 12 13 14 15 16 1957 Anais da ReuniSo Florestal dc Itatiaia 47 quo se reglstre boa inflltraguo. Por outro Iado, os llmites do vn- riagao da vasao sao grandes. 3 — A cobertura vegetal raatelra aumentu a vasao, mas tum- bem, as variagoes desta. As pastagens plsoteadas lgualmente de- terminam extremos aeentuados dc vasao e ocorrAncla de erosuo. 4 — O corte de t6da a vcgctuguo urboreu cm falxa ao longo dos pequenos cursos ddgua, chega a aumcntar a vasao de 25'., mas, lgualmente, aumcnta a velocidade de cscoamento das aguas. De IdCntica maneira, o corte dc toda a vegctag&o arborea da bacla rcceptora aumcnta senslvelmente a vasiio pelo menos de inl- cio, cnquanto ocorrem duas clrcunstAncias: a) desnudamento da mesma c nfio exigAncia de dgua por parte das plantas (restrigao tempordria ou permanente da transpiraguo, em vlrtude do des- nudamento do solo); 6) manutengao do solo com boa capacl- dade de infiltragao. 5 — Os arbustos exlstentes na mata. em forma de sub-bosque, nao tAm influAncia slgnificatlva s6bre a evasao total . Estas observagoes, sendo de ordem geral, c descnvolvendo-se sob condigoes de solo e clima semclhantes ao dAste Estado, pode- rao ter apllcagao em nosso meio. Dtante do que acaba de ser exposto, podem ser mats ficll- mentc respondldos os quesitos apresentados: a) O ‘‘balxo nlvel de Agua dos reservatdrios" poderd ser expllcado como a resultante de urn complexo de fntfires contln- gentes da bacla de recepgao, sobressaindo entre outros os que sc seguem: l.° — o sensivel aumento no consumo de dgua da cldade de Sao Paulo; 2.° — a exlstdncia de culturns de eucallptos e de outras assoclagoes florestals naturals, ante o consumo de dgua para atender ds nccessldades proprins da transpiragao; 3.** — o rdpldo cscoamento superficial que ocorre nos terrenos desprotegldos . l.o — Aumento do consumo dc agna — E forgoso pondcrar que enquanto se registrou um aumento extraordindrio na popu- lagao da Capital (nao obstante s6 60% aproximadamente das re- sidencias se encontre recebendo dgua fornecida pelo Departnmen- to de Aguas e Esgdtos, com o resultante consumo de dgua pare atender as finalidades domdstlcns e industrials, os manancials, embora melhor aproveitados, continuum estabilizados na produ- gao. Assim sendo, 6 6bvlo que cada vez mals se faga sentir a precariedade da capacidadc dos manancials. E conveniente lem- brar que a cldade de Sao Paulo se situa d altitude de 750 metros aproximadamente, tendo, por conseguinte, a montante, uma bu- cia de recepgao limitada; ndste particular, 6 oportuno recordnr que grundcs capitals de outros paiscs tdm uma sltuagao mals favordvel sob dste aspecto. 2.° — A .s. soda goes jlorestais — Nao se conhece a grandeza dns Areas ocupadns por eucaliptais ou por outras mntns na rc- cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 48 Arquivos do Scrviqo Florcstal Vol. 12 glao quc abasteco os mananclals das rcscrvatbrlas, mas dcvc-se admlttr quc as florcstas scjam bcm cxtensas. Sdmcnte um lcvan- tamcnto aerofotogramdtrlco dcssa rcglao poderla dcmonstrar a da ■ mata e a dl km iminaeao (la n • Ilia Snlur U ('ll callpto nao cxistcm multos dados flslol6gicos, mas como grande produtor dc mntdrla sdea (material lenhoso) deve scr tambdm um grande consumldor dc (igua. Com cfclto, conforme os dados flsloldglcos apresentados por Coarncl Morals Franco, a transplragiio dos eucaliptos 6 muito intensa, podendo mesmo ultrapassar a queda pluvlomdtrlca. Rcsta saber cm que amblcntes foram obtidos 6stcs dados, files concor- dam, por 6m, com o gcralmcntc admltido, dc quc cssa cssdncia real- mente consomc grandes quantldadcs de dgua. Acontccc que outras cssfinclas florestals, autdetones do Es- tado, multas vdzes com rendimentos menores em madclra, tam- bdm sao fortes consumidorcs de dgua. Uma dclas, o cedro bra- sllclro (jd fol estudada ndstc sentldo pelo Prof. Mario Guimaraes Fcrrl) nao obstante apresente a vantagem dc sc manter desplda dc folhas durante parte do perlodo sdco. revclou-sc essdncla de consumo ddgua muito superior ao do proprio cucalipto. 3° — Escoainento superficial — As grandes areas desprote- gidas de vegetagao, representadaa por lotcamentos, construgoes, calgamentos, etc., detcrmlnam o rdpldo escoamento superficial das dguas pluvials. Apcsar do argumento dc quc a dgua escoada seja contida pelas reprdsas, haverd sempre perdas, ao passo que se se registrassem infiltragocs no solo, a dgua Iria sendo ccdida gradativamente ds camadas mais profundas, o que cm ultima andllse signlficarla a uniformidade dc vasao dos manancials. Convem recordar que os reservatdrios exlstentes sao alimentados nao s6 pclos mananclais da cabeceira, mas tambem polos bom- beamentos dc dgua retlrada do proprio rlo Tietd. b — "O desflorcstamento na perlferla da Capital" polo que jd fol exposto, sob determlnado dngulo da questuo, poderla ser bendflco sobre a vasao total dos mananclais. fiste serla um efei- to lmedlato; todavla, posterlormente, ocorreriam alteragoes im- prevlslvels, que bastarlam para desaconselhar tal prdtiea. Alem dlsso, motlvos economlcos e estdticos, e sobretudo, razoes ecold- gicas e silviculturals — jd que o desnudamento efetuado sem os mdtodos de conservagao do solo e da manta florcstal, agravaria, de manelra extrema, o problema exlstcnte — afastam em defi- nltivo tal medida. Por outro lado, nao 6 provdvcl que estc desflorcstamento te- nha lnfluencla sdbre a mudanga do regime das chuvas. A drea devastada representa pouco quando se compara com o conjunto do pals ou do continente. Em outros palses da Europa e da Amd- rlca do Norte, ns mudnngas de clima tambem estao sendo nota- das e provdvelmente fazem parte de um ciclo maior. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Anais da Reunido Floreatal dc llaliaia 49 c — Nao s6 "o plantlo dc eucaliptos nus proxlmades de mananciais” como o dc multaa outras essdnclos" 6 contra-lndlcudo quando sc dcseja obtcr maior vasao dc ugua. Os dados expcrlmen- tals, conforms Jd refcrldo, mostraram quo 6 convcnlcntc mantor as raizes das plantas arbdreas longc dos pequenos cursos dagua c mesmo dc lengdis prdxlmos d superficie, para obtcr maior rendl- mento em dgua. d — O “florcstamcnto parcial das fazendas" com eucaliptos 6 hoje uma necessldade. Ele contrlbui poderosamente para a cco- nomla, com a produgiio de madcira e dc lenha, sendo csta ainda o combustivcl mais importante do Estado. Se esta espdeie florestal nao existlsse entre n6a, as matas naturais Jd tcriam sido totalmente consumldas; todavia d mcdl- da que a lenha vem sendo substituida por outros combustivcis, sera convcnlcntc pens&r n«» plantlo dc outras espeeies. talvez mais lentas no scu dcscnvolvimento, pordm intrinsccamcnte muls valiosas. Diante da nossa situagao atual, tornu-se dificll "so per- mltir o plantlo dc eucaliptos cm terras sdcas”, o que alids serla contra-indicado. A maioria das terras situadas dentro da bacia do Tiete, na parte que interessa d captagao dc dgua, 6 do dominlo particular. O proprletario particular dispoe atualmente de liber- dadc na plantagao, usando as essdneias que mais lhe convfim. e — E pouco provdvcl quo seja o eucalipto “inlmigo da composigao natural das florestas". Os proprietdrios agricolas plan- tarn o eucalipto para rendimento de madeira, nao permitindo nos primeiros estdgios do crescimento, competigao de outras cs- pdcies. Dessa forma d o homem — por fdrga das clrcunstdncias de ordem econdmica e silvicultural — o principal inimigo da com- posigao vegetal natural. Em eucaliptais establlizados, multas ou- tras espdeies aparecem em consociagao, sendo frcqliente a ocor- rdneia de espdeie arbustivas indigenas como sub-bosque. f — Qualquer essencia poderia ser chamnda de "ressecadora da terra". Numa mata, na regiao das raizes, a terra d cm gcral mais sdea do que fora ddste ambiente. Ainda mais, as consc- qiiencias da maior absorgao das florestas sc cvidcnciam no abai- xamento do lengol subterr&neo da dgua. Quando as florestas silo cortadas, mesmo eucaliptais, o terreno volta cm pouco tempo ao estado higromdtrico existente antes do plantio das drvorcs. g — Nenhuma cssdncia em particular poderii ser chamada de "absorvedor da umidade dos mananciais". Como jd foi salicn- tado, umas o silo mats do que outras. Mesmo certas essdneias, como o ingd, por vdzes recomcndadu, se plantadns imediatamente ao lado dc nascentes ou em pequenos cursos ddgua, deverao dl- minuir a vasao d 6s tea, porque a transpiragao e um fenomcno na- tural das plantas. h — Ainda nao csta provado que o eucalipto "impede a for- magao de ambiente das matas naturals". Em gcral, as florestas de eucaliptos silo de extensuo r^duzlda para que Isso acontcga, 4 20 M 50 Arquivos do Serving Flores tal Vol. 12 aendo ccrto quo grande numcro dc animals sllvcstrcs sc abriga nos cucallptals. O oucallpto 6 uma planta exdtlca (orlglndria da Auatrdlla) c com relogdo d vegetng&o natural, o homcm Interfere freqdcntemente, ellmlnando t6da a concorrt'ncla. 1 — As nossas matas naturals sao dc fato "dc vegetaguo va- rlada" — o quo, adds, lhcs dlmlnui o valor ccondmlco — c por lsso meamo "proplclas d proliferagao dos animals sllvcstrcs". £ quo, cm amblcntcs naturals, plantas c animals sao interdependen- tes. Como Jd dlsscmos, o cucalipto nao podc scr chamado dc "hostil d fauna alada", porque multas cspdeles dc pdssaros Jd puderam scr cncontradas nos eucaliptais. Sc das ai procrlam, 6 problema que devoid scr respondldo pjr ornltologlsta . J — O Servlgo Florcstal nao podc Intcrferlr no “plantlo de cucallptos nas proxlmldadcs dos mananciats", dado o fato dc que as terras sc cncontram cm maos dc particulars, nao existindo lels capazes dc obrigd-los a dctcrmlnado proccdimento. Para sc consegulr csta flnalldadc, s6 sc poderd fazer recomcndagocs aos part lculares proprletdrioa das terras, ou tomar provlddnclas fl cat Dc aedrdo com o que fol exposto aclma cm rclagao d vasao dos pequenos cursos ddgua, cxistcm de fato situagocs cm que as florcstas podcrao proporcionar o mdxlmo dc bcneflclos sem apre- sentar grandcs desvantagens. Essas sltuagoes sao multo scmclhan- tes dquclas que sc recomendam para os bons pianos conserva- clonlstas. Uma localizaguo adequada e alnda mals importantc para as florcstas constltuldas por cucallptos, que sao, cm virtude de grandcs produtores de material lenhoso, tambdm grandcs consu- midorcs dc dgua. Vantagcns e desvantagens dos cucallptos para .» reflorcstamento do Estado O cucalipto fol no passado c alnda estd sendo uma salva- gao para as florcstas naturals; sem a sua presenga os nossas re- curaa i floreetale teriam desaparecldo O consumo de lenha 6 enorme; todavla, d medlda que a le- nha vcm sendo substitulda por outros combustivels, sera con- venlentc pensar no plantlo de outras espdcles florestals fornece- doras dc matdrlas-primas dc malor valor c de flnalldadc dlver- 11 lcada A grande cxlgfincla cm agua constatada para o eucalito, nao deve constltulr razfio necessdria e motlvo suflclente d condcnagao c multo menos, ao banlmento da sua cultura no Estado. Como jd fol menclonado, o ccdro brasileiro tambdm apresenta grande capacldade transpiratdrla, embora com menor rendlmento fun- clonal mu matdi la 6ca Para contornar as desvantagens apresentadas pclos jK)voamen- tos florestals artificials puros, de cucallptos ou nao, cm relagao aos mananclals, rcsta enquadrd-los em planejamentos, cujas sl- cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Atiais da Reunido Florestal dc Itatiaia 51 tuagoes dc local izag&o nfio prcjudlqucm a prfiprla vasfio. Alndn mats a localizagfio da cultura florestal proximo a mananciais nfio 6 um problcma cspcdfico para o cucalipto, porque se estende a todas as associates vcgctals, pols, como Jfi fol dlto, a trails- plragfio 6 um fenfimeno natural das plantas. Quando se examinam os cfeitos e desvantagens das matas artificials puras de eucallptos s6bre a proliferugfio dos animals sllvcstres e da faunn alnda, fi justo admltlr ciue, por certo, qual- quer outro povoamento puro determine efeitos semelhantes. Na realidade, nfio existem elementos para ser estabeleclda a coni- paragfio do comportamento do povoamento puro ocorrentc, com a niata prlmitiva. De fato, a questfio 6 unilateral, pols s6 se pode aprcciar o povoamento puro cm vlrtude da ausfincla daqucla. Os animals silvestres entfio existentes jfi se extinguiram ou sc refu- glaram cm outros locals mais dlstantcs da civlllzagfio. Finalmentc, a composigao natural das florcstas nfio podc se coadunar com o conceito de lloresta de rendlmento. A explot&gfio economica dos povoamentos s6 6 intercssantc quando liaja exclu- slvidade ou predominfincia acentuada de uma espficie; por outro lado, a formagfio de sub-bosques sob matas cstabilizadas puras de eucaliptos pode ser constatada, dependendo, como 6 natural, das condigoes do ambientc. I'ossihilidadcs para aumentar os rccursos dc figua pelo emprogo dc metodos rucionufs na rogiao rural 1 — Dcve-se permitlr a exlstfincia de floresta e firvorcs iso- ladas apenas longe dos mananciais c dos pequenos cursos dfigua, Um tratamento desta natureza, ao lado de prfiticas conscrvacionls- tas do solo e metodos c providenclas que propicicm a inflltragfio da figua, poderfi a longo prazo, aumentar os recursos da vasfio de atfi 25%, nfio obstante a cultura florestal, dc lnlcio, determi- nar uma dlminuigfio dessa mesma vasfio. 2 — As florcstas devern ser enquadradas dentro de um pia- no de conservagfio do solo. As florcstas devern cxlstir cm sltuagocs que favoregam a inflltragfio da figua das chuvas e que nfio inter- firam com os mananciais. Desta forma scrvlrfio alnda para re- gular a vasfio dos cursos dfigua. 3 — Os plantios devern ser feitos cm faixas ou terragos, para favorccer uma inflltragfio mfixima da figua da chuva. Um bom armazenamento dc figua no solo tambfim regularize a vasfio dos pequenos cursos, que, somados, tfim grande importfincin no qua- dro geral. 4 — Deve ser mantida a vegetagfio rastelra, de prefertneia gramlnea (com as cautelas contra o pastorelro excessivo) nns faixas laterals dos pequenos cursos dfigua e favorecida a Insta- lagfio de liortas nestas terras. A vnsfio aumentarfi com fiste tra- 52 Arqu loos do Serving Florestal Vol. 12 tamento. Tul pr&tica — da manutengdo da vegetagao rastelra — poderd scr uconselhuda para aumentar a dgua dos mananclala representados por fontes e nascentes. 5 — Dove scr ellmlnada, dontro do posaivel, a vegetagao aqudtlca composta do tabda o outran plantaa, muitus das quals consomem multa agua. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 C) BRASIL E <> PAPEL J. L. RY8 Superintendents «cral das Indiistrlas Klnbln do Parand de Celulase 8A Consldera-se, cm regra, o consumo de papel c dc sabao como um indice dc adiantamento dc um povo. Nao d, alias, apcnas o aumento do numero dc habltantes que traz elcvagdo do consumo de papel; 6 tambdm o progresso e o grau de industrial izagao do pais. Na America do Sul o cres- clmento 6 o dobro do reglstrado no resto do mundo, sendo digno dc reglstro o fato dc que o desenvolvimento da industria de papel foi de cfirca de 50 por cento nos ultimos dez anos. Essa verdade d, especialmente real no Brasil, tendo dado como conseqiidncia que o potcncial produtivo, "per capita" d ainda rclativamentc balxo, o que faz sentir certas dlficuldades quanto d independencia agronomica da Na^iio. Importa-se, hoje, do exterior, quantidades bastantc elevadas dc celulose e papel, prejudicando ainda mais a situagao cconflml* ca do Pais. Torna-se necessdria a industria de papel, para satis- fazer as exigdneias do futuro. Em que extensao crescerd o consumo de papel no ltrasil? O consumo de papel no Brasil, especialmente depots de 1045, crescou muito rapidamente. Pode-se supor com bastantc clareza que, para cada periodo futuro de 5 anos, o aumento de consumo serd de, pelo menos, 100 000 toneladas. Podemos, entao, contar com uma necessidade de aumento da produc&o, atd 1005, de 400 000 tonelndas, cm que estfio incluldas as 200 000 toneladas de celu- lose e papel que atualmente importamos, e que deverao ser su- bstituidus por produtos nacionals. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 r>4 Arquivos do Serving Florcstal Vol. 12 Nix prdtlca, Isto slgnlflca a construgfto dc, pclo mcnos, 0 fd- bricas aid 1905, do vullo das industries Kublln do Parand, atual- mentc cm funclonamento. Co ns u in o de papel no Brasil As razoes ddssc cresclmcnto do consumo de papel s&O as scgulntes: o consumo mddlo de papdls por habltante no Brasil I'M, ate agora, de (5 a 7 quilo:;, o qur c K'latlV&mente balXO, '’'Mil parado ao consumo na Europa dc prd-guerra, quo era de 22 quiloa. Como Jd menclonamos, a industrializagfio do Pals 6 bastante rdpida. Tendo sldo o aumento da populagao da Amdrlca do Sul de 30% durante os ultimos dez anos, 6 posslvcl, mesmo, que as conjeturas aclma a respclto do futuro consumo de papdis alnda sc mostrem balxas. Supondo que a populagao do Brusil, nos prdxlmos dez anos, suba a 70 milhoes, c que o consumo de entao seja de 15 quilos por habltante, teremos um consumo anual de 1 000 000 de tonola- das de papel, em rclagao ao consumo atual anual de 300 000 to- ncladas. Isto signlflcarla um aumento dc 640 000 toneladas em 10 anos, o que represent a a produgao de 10 fdbrlcas de vulto, como a jd cltada fabrica Klabin. A importaucia da produgao de papel para a cconomia do Kstado No Brasil, produzem-sc atualmcntc, por ano, 360 000 tonela- das de papel, pordm, com o auxlllo de 130 000 toneladas de celu- lose lmportada. A importagao total de celulose e papdls d, atual- mente, pouco mats de 200 000 toneladas, que, estlmadas a um prego mddio de CrS3,00 por quilo, important em uma despesa para a Nagao de CrS 600.000.000,00, ou sejant ao edmbio oflclal, 30 000 000 de dolares. (No ano de 1951, sdmente a importagao de celulose atingiu a clfra de 841 milhoes de cruzeiros). Poder-se-la, com Osses 30 milhoes de ddlares, construir fol- gadamente uma Industrie de papel com capacidade para 100 000 toneladas anuals. Com o dinheiro que gastamos anualmente com as importa- goes de papel e celulose poderlamos construir uma fdbrlca que, dentro de um ano, compensarla metade do valor do equljjamento ou ate mesmo mais, considerando que nao serla necessdrio im- portar toda a maqulnarla, uma vez que parte da mesma pode scr consegulda no Pals, em moeda nacional. E verdade que 6stes ciilculos valent para a sltuagao atual, e, como jd dlssemos, o consumo lrd aumentando com o decorrer do tempo, de modo que a cllmlnagao da importagao e desenvolvi- mento da produgao Interna se tornarao ainda mais prementes. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Anais da Rcuniao Florestal dc Itatiaia 55 Compurafilo entrc » Brasil e os Estados Unidos Consldcra-sc cm gcral, o dcscnvolvlmento Industrial do Brusil compardvcl no dos Estndos Unidos dc 50 a 70 anos atr&s. O consumo dc papel nos Estndos Unidos no ano dc 1902, era dc 05 libras, i to 6 SO qullos por ano e por habltante; durante o ano dc 1951, foi dc 390 libras ‘‘per capita”, ou scja, umas sctc vfizcs mais. Estima-se, ninda, um aumcnto dc 13,5'.' at6 o ano dc 1955, o quc signlfica, para os Estados Unidos, 2 300 000. Destc total, cfirca da mctade 6 constituida dc pupclao c a outra mctadc dc papel. Os novos investimentos, dc 1952 a 1954, sao estlmados cm 000 milhocs dc ddlarcs, sendo quc a mctadc desta quantla, ou scja 300 milhocs dc ddlares, scrao aplicndos nas rcgiocs do Sul dos Estados Unidos, com a intcngao dc tamb6ni aproveitar madeiras dc folhosas. £ considcrado bom o rendlmento da industria dc papel nos Estados Unidos, calculando-se um lucro dc 15-20'.' ap6s a dc- dugao de tddas as taxas e impostos (50-70' .' dc lucro) . As oplnioes sdbre o futuro da industria sao em gernl, bastnntc otimistas, por- que, com muita razao, sc admitc quc nao 6 possivcl a existCncia do com6rcio c dos negdeios em gcral sem o papel c quc, at6 agora, nao se encontrou e nao h& esperanga dc encontrar-se cm futuro prdximo, qualquer substitute ccondmico para file. A utilizagao das madeiras de folhosas para a produgfio das celuloses chamadas semi-quimicas numentou considerftvclmente nestes ultimos anos, como se podc verlficnr pclas cifras abaixo sfibre a produ<;ao dessas celuloses em t/din: 1940 464 1947 1.490 1951 2.750 Fim de 1952 3.500 O consumo de madeiras de folhosas ou duras para a industria dc papel 6 avallado, atualmcnte, em 2 500 000 metros cublcos. Na earSncia das madeiras de coniferas cstA a razao da utili- zag&o, cada vez malor, das madeiras de folhosas, considerando aln- da que os pregos das ultimas sao bem inferiores aos da madeira de coniferas. A16m disso, melhoraram bastante as processos tee- noldgicas para o tratamento das madeiras de folhosas, nestes Ultimos anos. Dc quc niatcrias-prinias o Brasil pndera obter cclulosc? Dc um modo geral, o papel podc ser produzldo dc (jualqucr materia vegetal quc sntisfaga ns scgulntes exigi'ncias: 1) Suprimento constante de matArla-prima bn rata, cm lu- gar acessivcl uo transporte; 2) Capacidade de as mat£rlas-primas se adaptarem a pro- cessos Wcnicos econOmicnmcntc vantajosos; 3) Propricdades satisfatdrlas das fibras. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 50 A rq iiivos do Scrviqo Florcstal Vol. 12 A tabela segulnte nos chi unin id61a s6bre as mat6rias-primas corrcntes, excctuando-sc certas cspecialldadcs: DIMENSOKH DM mm HKNDIMKNTO COMPIUMDNTO D.\ mm 1 .» r Ktira cm miMximo iln mm 2 § I’axtn Xoliii- (|ulmicn I'nxtn miicAnirn 1. (’nt)inx o piilliui ill- lri«i) 1’iillm tin nrroi 1,1-1, 6 0-13 30-40 50-00 I 2. 1,8 8,5 20,0 30-40 50 05 Nlii tpnH :i Iliiltii tin tlcxnmpomlo. 1.7 35-50 00-75 priminx i Hiuiilui 3, 0-4,0 1 1.0 35-50 00-75 ) 5. Madcirax i In ron(ft-rr.x 2,7 8,0 20-10 45-50 05-80 110 -50 ii Mnilcirnx folhoNix ilf cli- max frioM 0, 7-1,0 20-10 45-50 05-80 00-05 7. Mwlcirax iId folhiiHiki t ri »- picalx ii xuhtropicuix 0, 7-2,5 12-40 45-50 05-80 00-05 Observando csta tabela, torna-se f&cil verificar o motivo porque a madcira das coniferas e a inatdria-prima prcferlda para a fabricagao de papel. Ela possui as melhores fibras, adapta-se a todos os processos tdcnlcos de tratamento, dd um bom rendlmen- to c crcsce abundantemente cm aglomerados intercomunicados. O fato de as pastas mecdnicas de coniferas permitirem fa- bricagao de papdis baratos 6 de extrema importdncia. No Brasil, sdmcnte a Araucaria aiicjustifolia (pinho brasi- leiro ou pinho do Parand) se assemellm as coniferas norte-ame- ricanas e exJste formando florestas virgens. Dispomcs, porem, do extensoes relatlvamente llmitadas dessas florestas; mesmo as- slm, o plnheiro brasileiro 6, ate lioje, a matdria-prima mais importante das industrias de papel no Pais. Os rejeltos de lavouras, como os bagagos e as palhas, nao podcm scr considerados, prdpriamentc, como materias-primas indc- pendentea, pois nao so podo utilizd-las economlcamente para to- dos os tlpos de papel A utilizagao ddsses materials depende ainda da possibllidade dt obtengao de quantldades dos mesmos bastante grandes. A16m dlsto, seu prego se bem que baixissimo nos locals das colhcltas, pode, fdcilmente, ultrapassar o das ma- delras, devido is despesas de manipulngao, transporte e dificul- dades de armazcnamento. Mesmo nos paises que possuem uma agriculture bastante avangada existe, geralmente, a dificuldade de se obter quantldades de palhas convenicntes e suficlentes a uma Industrie grande e racional. O bagago de cana de agucar oferece possibilidades algo me- lhores, uma vez que o custo do transporte pode scr compensado pelo agucar produzido. Em 1951 o Brasil produziu cfirca de ... 2 000 000 de toneladas de bagago de cana. Se ffisse passivcl ties- cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Anais da Reuni&o Florcstal dc Itatiaia 57 vlar 30% tlC'ssc bagago para a produgfio de papel c celulosc, ao invta dc queimd-lo nas caldelras, podcr-sc-la produzir papel c colulosc cm quantidadc cqulvnlcntc d importagao atual. Essa probabilidadc, pordm, ainda pennancce no campo da tcoria. pots ainda nao foi possivcl obtcr, por cxcmplo, uni papel Jornal bara- to d base desse bagago. A16m dlsto, as uslnas de agticar existen- tes nao sao suflclcntemcntc grandes para libertar as quantida- des de bagago neccssdrias para uma produgao de papel cm escala grande e racional. Apesar de nao ser o bambu uma materia-prlma independen- tc para a fabrlcagao de papel, 6ste material 6 de grande interCssc para o Brasil, pclo fato dc poder substituir, totalmente, a cclulose kraft, atualmente lmportada, a qual 6 indlspcnsdvel, por exem- plo, para a confccgao dc sacos de cimento. A16m disso, com ex- eegao do pinho, o Pais nao possul cm quantidades suficlentes, outras materias-primas com fibras longas, para esta finalldadc. Existem, atualmente, cm todo o mundo, uns 4 bilboes de hectares de florestas, sendo quo, ddstes, 45'. se compocm de florestas tropicais. Dcstas ultimas, o continente africano pos- sui, aproximadamente, 800 milhoes de hectares, c o continente sul-americano 600 milhoes, dos quais, na bacia do rio Amazonas, 170 milhoes de hectares. Em ccrtos paiscs se faz sentir uma carencia de coniferas. Os liaises escandinavos, por exemplo, ja nao podem mais aumentar a sua produgao de pap6is, dependentes que sfto dessas madciras que ja nao existem em quantidade suficlentes. Apenas, a Russia e o Canada ainda possuem excessos dessas florestas. Nos Estados Unidos ainda existem reservas considerdveis no setor da costa ocidental. Atualmente, as industrlas do NordcsU* amcricano passaram a construir fdbrlcas no Canada ou, entao, tentam aproveltar madciras duras, espeelalmente Alamos; ou, ainda, constroem fdbrlcas no Sul do Pais, aproveitnndo cssas especies e as sulinas. A celulosc das madciras duras jk estii mesmo sendo aproveitada para ulteriores processos quimicos (viscose etc.) . A Franga, que nao possul recursos florestals in ter nos sufi- cientes, esta estudando, com intensidade, processos para apro- veitamento das florestas tropicais situadas nns suus colonias na Africa. Na Alemanha, jd antes da guerra haviam sido feitos estudos extensivos sobre a tecnologia dn fabrlcagao de celulosc de madeiras tropicais. Nos ultimos dois anos a FAO convocou duus importantes conferfincias (uma nos Estados Unidos e outra na Itdlla), onde forum debatidos os jiroblemas de aproveitamento das madciras tropicais no preparo da celulosc. O Brasil possul grandes exten- soes de florestas tropicais e sub-tropicuis e conta, atd mesmo, com facilidades de transposes fluvlais (Amazonas), o que Imphe vdrios problemas . cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 58 An/uivos do Semen Flore:,! al Vol. 12 A possibilidade dc adaptagao das madciras de orlgcm tropical c sub-tropical Ji nfio ha duvida quanto i possibilidade de aproveitamento das madciras tropicals c sub-troplcais, do ponto dc vista tdcnico. Podc-sc trabalhar, com quasc todos os tlpos dc madciras, com cxccgio daquclas demasiadamente duras, normalmcntc com um pfiso cspcciflco superior a 0,8. As experifinclaa industrials francisas com os madciras lo- cals do Brasil, demonstram o seguinte: a) Podc-sc conscguir bons rcsultados, mesmo utillzando misturas dc diferentes espicles de madciras; b) O proccsso mais adequado para a produgao dc celulose com fisscs materials 6 o sulfato.cujo produto tambim 6 suscetivel dc alvejamcnto; c) Obt6m-se produtos cqulvalontes is ccluloses sulfito alve- jadas, dc conifcras; d) Podc-sc, tambim, obter celulose propria para ulterior tratamento quimico (raion, etc.) . c) As madciras tropicais sao, cspecialmente, suscetiveis aos chamados tratamentos seml-quimicos, podendo substituir a maior l>arte da celulose kraft; f) Algumas das madciras que tern por natureza uma cor clara podem, mesmo, fornecer pasta mecinica para papel jornal. Cogita-sc, no Peru, de estabelecer uma industria is margens do Amazonas, aproveitando-sc para a madeira do citico, que corres- ponde i nossa imbauba. Podcmos, portanto, admltir que tambim se poderao resolver quaisquer problomas ticnicos que ainda possam surgir numa grande industria, em face dos conhecimentos tecnologicos atuais e de uma pesquisa bem dirigida. As maiores dificuldades no trabalho com as madciras tro- picais sao dc car&ter gcral, a saber: a) A manipulagao das madciras c o seu tratamento at4 as fabricas; b) Evitar que as madciras sejam daniflcadas durante o transporte e, principalmentc, evitar o apodrecimento durante a armazenagem. A solugao dfistes problemas depende, sobretudo, das condi- goes locals da industria c das instalagoes disponiveis. Quando os transportes dependerem do uso de caminhoes, e preciso co- nhccer e considerar as ipocas das chuvas, em que este tipo de transporte se torna, muitas vezes, quase impossivcl. O transporte fluvial de madciras em forma de jangadas 6 dificultado pelo fato de que muitas dessas madciras sao dema- sladamentc pesadas para flutuarem, porque hi a considerar o problema da obtengao de maquinaria e dc pessoal treinado. SciELO 11 12 13 14 15 16 1957 Atiais da Reuni&o Florestal dc ltatiaia 59 Devc-sc alnda estudar atd quo ponto a manipulate) das madclras deverd scr cxecutada a miio ou mccftnicamcntc. Para tals calculos, tambdm sc deverd lcvar em consldcruguo a rcsponsabllldadc que acarrcta um pcssoal numeroso, distrlbuido pclas matas. Por cxcmplo, uma fdbrica para 500 toneladas de produgft0 dldrla, com um consumo, portanto, dc 1 000 000 m dc madeira, ncccssita, para a manipulate manual dGssc material, dc, pclo mcnos . . . 2 000 homens na mata, cujo bem ostar estard a cargo da fdbrica. Com uma mccanlzato bem organizada c orlcntada, serd ncccs- sdrla, provdvclmentc, apenas uma quarta parte ddstc pcssoal. A soluto adequada do problema dctcrmlna o custo da madclra, que e parte importantc do custo da produgao. Matcrias-primns e limites cconomicos do vulto da instalat° As principals materias-primas para a fabricate da cclulose sulfato sao: madeira, dgua, hldroxido dc sodlo, enxofrc ou sul- fato de sodlo, combustlvcl c energia. A madeira representa o componcntc maior do custo du pro- dugdo, variando, conforme as condlgoes, dc 35 a 50% ddste. Con- forme as estatlsticas americanas, estas cifras sao representadas, aproximadamente, como segue (nos Estados Unidos) : 1931 45% 1942 50% 1946 60% O prego mddlo da madeira para celulose subiu, de US$7,82 em 1939 para USS 17,83 em 1947, por corda (aproximadamente 2,5 ms) ou seja de US$3,10 atd USS 7,00 por m3. As madeiras duras sao circa de 30r;.' mais baratas, custando USS 5,00 o metro, posto na fdbrica. Necessitando-se de 6 m1 de madeira para 1 tonelada de celu- lose produzida, o custo daquela serla, entao, para csta tonelada de celulose, de US$30,00. Calculando a um edmbio de Cr$ 20,00 por ddlar, seriam Cr$ 600,00. Se uma fdbrica brasileira conseguisse obter a madeira pela include do custo medio nos Estados Unidos. isto 6, por CrS 50,00 Por m‘, tal fdbrica, com uma produgao de 400 toneladas economi- zaria 2 milhoes de dolares por ano e, com uma produgao de 600 toneladas didrias, 3 milhoes. Estas economies, entretanto, sao rapidamente anuladas por outros fatdres. Quase todas as denials matdrias-primas sao aqui bem mais caras do que nos Estados Unidos. O mesmo se dd com a maquinaria e as pegas, elevando-se, do mesmo modo, n taxa de depreciagao . cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 00 Arguivus do Serviqo Florestal Vol. 12 TambAm os lnvestlmentos sobem, devido A necessldade da cons- trugfio de instalagoes auxillares, dcstlnadas A produgao de certas matArias-prlmas quc, como por cxcmplo o cloro, nao 86 podem obtcr aqul a prego rnzoAvcl. Os lnvestlmentos sao alnda aumenta- dos pelas dcspesas do construgao do vilas, hospitals, etc Estas dcspesas nao dependem tanto do tamanho da lndustrla, mas sao acrcscidas pela necessldade de uma conscrvagao que, anu- almcntc, podc ser avallada em um mlnlmo do USS 1 ooo 000,00 para uma lnstalagao mAdia (200 toneladas do celulose diArlas), o que lmporta num aumento de Cr$ 0,30 atA 0,50, no quilo do produto. A produgao sendo pequena, parte das dcspesas crcsce pro- porclonalmentc, podendo-sc conclulr que as instalagoes peque- nas nao podem ser rendosas nas regioes pouco civilizadas. FA- brlcas menores s6 podem existlr cm tcrritdrlos JA habltados, que possuam uma rfide dc comuntcagdes suflclentc c um mercado prdxlmo para os sous produtos, asslm mosmo, com a condigao dc dltas fAbricas dlsporem dc matArlas-primas e f6rga baratas, e Agua suflclentc. Essas fAbricas pcquenas deverao produzir produ- tos dc relativamentc pouco consumo, mas de bons pregos, ou a in- dustrlallzacao de papAis usados. Do ponto-de-vista economlco na- cional, serao empresas dc ImportAncla apenas sccundAria. O Brasil necesslta, prlnclpalmente, do uma lndustrla de vul- to, que construa para cada perlodo do 5 anos uma fAbrica que produza, pclo monos, 300 a 400 toneladas diArlas, a fim dc poder cobrlr as suas necessldades, cada vez malores. As 53 fAbricas do papcl cxlstentcs no Brasil produzem, em conjunto, mcnos de 1 000 toneladas diArlas. Dessas fAbricas, ape- nas duas produzem mais de 30 toneladas; 2 produzem quaso a metadc — mcnos de 20 toneladas — por dla. fi evidente que tais fAbricas nao poderuo suprir o que serA em breve exigldo da lndustrla papeleira nacional. Pode-se mes- mo supor que certo numero dessas fAbricas pcquenas tendcrA a desaparecer com o tempo, A semclhanga do que se tern verifieado em outros paises. Como JA flzemos sentir, somente poderA evitar a Importagao presente c futura a montagem de fAbricas gran- des, mstaladas em pontos convenlentes e que trabalhem ra- cionalmcnte. Instalagoes dessa ImportAncla devem ser baseadas no apro- veltamento das florestas tropicals, que sao, sem duvida, con- forme jA tern sldo prevlsto com frequAncia, a materia-prlma prin- cipal da lndustrla do papel do futuro. Apesar de os custos de pnxlugAo de papel no Brasil se aclm- rem sobrecarregados com dcspesas que, em outros paises, cos- tumam ser menores, nao e de todo imposslvel nlvelar os nossos custos de fabrlcagao em relagao aos estrangclros, especialmente os amerlcanos, aprovcltando os custos inferiores das madelras e Impostos menos pesados. Isto, com a condigao de obtermos aqul cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 A fiais da Rcunido Florestal dc Itatiaia (11 um produto cquivalcnte uos denials. Se a Su6cla cxporta celulosc sulfnto de bdtula. nuo hd razdo para quc o Brasil nfio possa cxportar, futuramentc, celulosc, sulfato de madeirus tropicals, passando a ganhar divisas onde antes gastavu. Os tipos de papel que » Brasil ncccssita O Brasil consomc, atualmentc, quasc 400 000 tonelados de papel, scndo uma ten; a jiarte, de papel de lmprensa, c os dols tfirgos restantes constituidos cm partes iguais, de papel para em- balagem e papeis diversos. Quase a metade dOsse papel con- sumido 6 importado, prlncipalmente em forma de papel jornal (70-80 000 toneladas por ano) e cclulose (130 000 toneladas por ano) . O problema mais melindroso 6 o aumento da produgao de papel jornal e isto, devido a motivos t6cnicos e cconomicos. Sendo a lmportagao dfiste tipo dc papel isenta de direitos alfan- degdrios, o nosso produto precisa poder concorrer vantajosamen- te com os produtos estrangelros, Por 6s te motivo, mlo se pode fabricar 6ste tipo de papel cm pequena escala, e de muUulas re- lativamente caras. Ainda nao fol possivel produzlr no Brasil papel jornal com eucaliptos. como se faz na Australia, pols um papel assim tern uma reslstdncia mec&nica consideritvelmentc in- ferior A convencional, nao podendo, portanto, ser vcndido. A unica matdria-prima aceitdvel para papdls de imprensu 6 o pinhelro brasileiro, que desfibrado mecAnicnmcnte, fornece uma pasta de fibras longas com uma c6r razodvelmente aceltdvel. Uma nova fdbrica destas s6 poderd ser construida em uma unica regiao do Brasil, isto 6, no sul do Parana, nos arredorcs de Cleveldndia e Laranjeiras onde, de acordo com as estatis- ticas, ainda exlstem 25 000 000 de plnheiros. Essa fdbrica deveria ter uma concessao garantlda de 10 000 000 de plnheiros ra- zodvelmcnte prbximos e poderia produzlr umas 70-80 000 tonela- das de papel jornal por ano, e al6m disto, celulosc sulfato de pinheiro e madeiras duras, d razdo de 30-60 000 toneladas por ano ou, diretamente, pap6is kraft, na mesma proporgao. A obtcngao de papel jornal a partir das madeiras duras ou folhosas 0 um problema que ainda nao foi bem esclarecido tdcnicamente e, ainda menos, experimentado na prdtica. Conhecem-se, renlmente, processos para a obtengdo de pas- tas mecftnlcas ou substitutos destas a partir de madeiras duras, de boa aparencia e resist6ncla satlsfatOria, pordm, com o auxi- lio de tratamentos qulmlcos e de alvejamentos, que t6m influ- 6ncia muito prejudicial s6bre os eustos de fabricagao. Nils matas virgens tropicals, se bem que existam drvores com fibras suficientemente longas e edres aceitdvels, torna-se di- ficll escolhe-las e separd-las em quantidade suficiente. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 02 Arquivos do Serviqo Florestal Vol. 12 O pro)ctn do Peru sdmente (' posslvel por contar com gran- des aglomcrados lnterdependcntcs dc drvores do cdtlco no local (alto Amazonas) escolhldo para a construgfio do uma fiibrlca de papel Jornal. Nada poderla scr mats interessante para o Brasil do que construlr uma dcssas fdbrlcas nas florcstas do vale do Amazonas, cm ponto acesslvcl ao transporte fluvial e marltlmo, aproveltando as madelras de lei para a lndustrla de serraria e as madelras claras c dc fibras longas para papel Jornnl, e as de- nials, para cclulose sulfato alvejada ou para a lndustrla qulmlca. O problema da uuto-suficlOncla quanto ao papel jornal 6 dc grande lmport&ncla, mesmo porque as capacldades de expor- tagio, tanto da Europa (exclulda a Russia) como dos Estados Unldos c do Canadd, dlmlnuirao devldo ds limitagoes das expor- tugoes da Europa, d cardncla das madelras e o conjunto cresccntc nos Estados Unldos e no Canadd. Ncstcs ultimos dez anos a exportagao de papel jornal caiu dc 13'. para 8 % da produgao total nao obstante a produgao ter aumentado ncstes dols palses durante o mesmo perlodo, de 4.800.000 toneladas para 6.800.000 toneladas anuals, ou seja de 30% o que slgnifica uma elevagao dc 2.000.000 toneladas, para edrea dc 100.000.000, de consumido- rcs dlrctos. Se calcularmos com csta proporgao no Brasil, admitindo 15 mllhocs dc consumidorcs diretos (apenas uma quarta parte da populagao), tcriamos um aumento de consumo tedrlco de 3.000 toneladas por ano; se, porem, a lntensidade da industrlali- zagao no Brasil f6r apenas a metade da dos Estados Unldos, tcrlamos um acrdsclmo anual dc, no mlnlmo, 15.000 toneladas que terao de ser Importadas ou produzldas. Alnda nao fol posslvel apcrfelgoar a tecnologla da obtengao de papel jornal a partlr de capins, pnlhas e bagagos, apesar dos esforgos, pols os produtos fabrlcados dessas mat6rias ainda nao possucm, satisfatdrlamente, as proprlcdadcs qualificativas exlgldas. As mat6rlas-primas aclma podem ser aproveltadas para a produgao de uma parte de cclulose e para papels melhores de impressao, papel para escrcver. para embrulho, e cartollna, sen- do que as mesmas devem ser utilizadas no prdprlo local da produgao. Nao podem, por6m, compensar toda a lmportagao de cclulose. Apenas, a cclulose sulflto importada poderla ser substl- tulda quase Integralmente pelas pastas branqueadas, ao sulfato, de folhosas, de eucallptos, por exemplo, de que hd projeto de utilizagao, em Sao Paulo. Problema mais dificil de veneer, se bem que nao lmposslvel, 6 a substituigilo das ccluloses kraft Importadas. A cclulose kraft, que se usa hoje em todo o mundo para papdls de embrulho fortes, para saeos de cimento, agucar, etc, tern fibras longas, rcslstentes, e outras proprledades Importantes para a fabrlcagao de embala- gens fortes. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Anais da Rcuni&o Florcstal dc Itatiaia 63 A cclulosc kraft obtlda das folhagens tropicals, cujas fibras tcm comprlmento medio menor quo o das conifcras, podo, cm detcrminados casos, at6 substitute totalmcntc o produto impor- tado (por excmplo para papelfio ondulado). Em outros, s6 servlrd parclalmente, por excmplo, s6 50/70'.' . As possibllldudes dc substiluiguo, naturalmente, tambdm dc- pendem das especiflcagdes do consumidor c dc sua boa vontadc cm sc adaptar As novas condigocs impostas por um produto diferente. A cclulosc kraft obtlda do plnho brasilciro, sem duvlda, corrcsnondc a t6das as exlgdnclas, por 6m, como Jd dlsscmos, cssa madclra somen- tc 6 disponlvel cm quantldadcs llmltadas. £ posslvel tambem que algumas cspdclcs dc folhosas tropicals possuam fibras com as qualldadcs ncccssdrins para uma substltul- gilo total da celulose kraft importada, mas ate hojc fultam os dados tecnoldglcos necessdrios, como tamb6m o conhecimento s6brc o plantio e cuidados cxigidos por cssa espdcle. Da mesma mancira, ainda faltam conhecimentos s6brc planta- coes e processos para a utlllzagao dc vdrlas plantas como o llrio do brejo, bananeira, etc, nuo sendo impossivel que surjam surpresas nessc campo. Econo 111 In florestnl c indtistrln dc papcl Os malores consumidorcs dc madclra sao ns serrarias c a indus- tria dc papcl, nao lcvando cm considcragao a madclra uttliznda como combustlvcl. Nos palscs que jxissucm uma organlzagao florcstal cxcclcnte, calcula-se que a madclra e valorizada ao dobro nos processos meeft- nlcos das serrarias, quatro v6zcs na fabricagao dc celulasc c seis vdzes, no mlnimo, no do papcl . No Brasil, possivelmcnte, 6ste cdlculo s6 vale para o caso do plnho, nao para as madeiras tropicals, cujo prego prAtlcamcnte, 6 o da manipulagilo c dos transportes. Todo o Elstado bem como ns cmprftsas partlculares devem cstar intcrcssados no aprovcitamcnto ao m&idmo das mnt6rias prlmas. No caso das madeiras, hA ainda a neccssldade dc compen- sar os gastos mediantc rcflorescimcnto. Alids, para o Estado, a construgao de importantes fdbricas dc cclulosc c dc papcl 6 a mclhor mancira e a mais bnrata dc evitnr o dcsnpnrccimcnto das cspdclcs liteis, como o pinhelro. Nao sc constrdl uma grande uslna apenas para alguns anos. E prcciso ter cm mentc o replnntio das florcstas, atlvidadc fdcilmente controldvcl. Quando uma fabrica funciona com uma combinngao dc proces- sos mec&nicos e quimicos, os rcslduos c as madeiras dc valor inferior podem scr totalmcntc aprovcitados. Mas sdmente uma organlzagao dc vulto podc e deve dar-sc no luxo dc efetuar dlspendiosas expe- ridneios c pesqulsas, tanto no campo da tccnologla como no da organlzagao florcstal, pain assegurar seu futuro. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 04 Arquivoa do Servian Flores tal Vol. 12 Uma emprtsa nessas condigdes nfio sc torna util apenas para produzlr as matdrlas ncccss&rias ao consumo dc um pals; 6, ao mesmo tempo, um conservador das florcstas c um plonclro da cultura c da clvillzagao. Enquanto lsso, uma pequena scrrarla ndmadc, com uma conccss&o sem llmlte dc terrltorto, sacriflca as drvores nos scus arredorcs, conforme podc c ncccssitn, para sc dcslocar alguns anos para outras paragons, sem conslderar a ncccs- sldadc de reflorestamento das matas derrubadas. A solugao corrctn do problcma da prcvlsao dc madclra c assegu- rar as quantldadcs neccssarias & produgao cm grande eseala 6, hojc, com certeza, bem mals complexo no Brasil do que, por cxcmplo, no Cunudd, e cxigc alnda multos cstudos c cxpcrlmcntos, A posslbllidadc dc solugao ddstes problcmas Jd cstd comprovada na prdtlca. Em todo caso, depende das condigdes partlculares do local, climdticas c gcol6gicas, das posslbllidades dc transporte e outros fatorcs. Do ponto dc vista tdcnoldglco, Jd 6 um bom argumcn- to sabermos que 6 posslvcl o trabalho com mlsturas de dlversas cspdcics de madclras tropicals, motlvo porque a utillzagao das folho- sas tropicals c sub-troplcais das florcstas vlrgens alcangou impor- tdneia cxtraordlndrla. A urgcncia da cooperagao e das pesquisas Nao ha duvida que as mat6rias primas fibrosas do Brasil dlfe- rem multas v&zcs, na sua composigao, das madclras mals conhe- cldas, dos paises frios, dc modo a multas vt'zes nao se lhcs poder apllcar inteiramente os atuais conheclmentos ticnolbgicos e cienti- ficos para a sua industrializagao. Nao serd de espantar, portanto, sc algumas das matdrias primas brasileiras. ap6s cstudos e pesquisas iu tivos, te revelarem de mac: valor do que as conhecldas ati entao no exterior . Quando, por xcmplo, comparamos o Brasil com a India, que apenas possul 18 fdbrlcas de papel, cuja produgao 6 apenas metade da nossa c que, certamente, nao podc ser considcrada mals dcsen- volvida do que o Brasil, verificamos quo existem Id um Laboratdrlo dc Produtos Florestals cm plena atividade, e outras instltuigoes estatais que, pelas suas publicagdcs jd gozam dc reputagao mundlal, e cujos engenheiros Jd demonstraram as suas atlvidades cm t6das as conferenclas especial lzadas. Neste ponto, o Brasil estd alnda bastante atrazado. A cooperagao das verdadeiras fdbricas de papel no Brasil e prdtlcamente nula, apesar de que, justamente entre n6s, seria a mesma multo necessdria, vlsto termos muitas emprdsas mcnores, que nao podem suportar sdzinhas servigos dc pesquisas sempre dlspendiosos. A lndustria papeleira do Brasil nao possul uma asso- clagdo tecnlca, em cujas reunioes seria possibilitado aos tdcnicos uma troea de ideias e, com isto, uma expansao barata do saber e dos aperfelgoamentos, que trarlam progresso d tecnlca das fdbricas. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1 !)f>7 Ariais da Rcuni&o Florestal dc Itatiala 85 A Australia, apesar dc ainda s6 estar ocupada pela metade, Ja retornou as suas atlvidades nesse sentido, as quals Ji'i cram bom conhccidas antes da guerra. As despesas relatlvamente baixas para uma tal atlvidade no Brasil serlam rccompcnsadas muitas vezes pcla elevagao conscquen- tc do padrao clcntifico do pcssoal t6cnico. Alcm dlsto, nao devemos csqueccr que uma pesqutsa bem funded a e bem dlriglda tem uma import&ncia Intrinscca malor no Brasil, do quo outros palscs. A madeira, que aqui cresce r&pldamentc c se renova constante- mente, 6 quasc o linlco substitute para materias primes ricas cm carbono, tao nccess&rias para outras industries qulmicas, quando no Brasil cxistc tao pouco carvao e pouco petrdleo. Espcramos que, tambem, neste sentido, o futuro nos traga melhoramentos . EUCALIPTOS PARA () BRASIL l ARMANDO NAVARRO 8AMPAIO Chefe do ServlQO Plorcstnl du Compnnhla Pnulista de Estradas de Ferro. Sabido como 6, que os euenliptos podern desenvolver-se satisfatd- riamente nas mais diforentes condi<;6cs climatoldgicas, como atesta a sua exlstfincia cm quasc todo o vasto terriWrlo australlano, Julga- mos dc grande utilidade cstabeloccr uma norma comparativa do rcgiocs do origem das espdclcs cuja similitude de caracteristicas ecoldgicas justifiquem a realiza^ao de ensaios racionals de compor- tamento em diforentes partes do nosso pais. A Australia, que se encontra do outro lado do mundo, mas na nossa mesnm latitude, possui climas, solos e precipitates que muito se asscmelham aos nossns, o que aconselha tal experimentagao. que ]A devla ter sido inlciada em ccrtas regloes nossas. necossltadas de reflorestamento econdmieo. Escusado seria dizer que somos os primeiros, como velho silvicultor, a desaconselluir quaiquer explotaQao do mala natural em sitios onde a Naturcza sdbiamente a colocou para prestar scus reals beneficios, para substitui-la por floresta artificial, quaiquer que seja a essdneia escolhida. Existem, no entanto, as terras fracas, de ccrrados balxos e de campos, onde dove, exatamente, situar-se o fiorestamento economieo. A escolha da espdcle a plantar devoid ser sempre precedida de um pequeno ensaio de comportamento de generos e espdeies de plantas oriundas de situates ecoldgloas semelhantes. Assim, por exemplo, se a locallzagao for em clima temperado, a altitudes acima de 1.000 metros e com inverno rigoroso, nao iremos aconse- lhar eucaliptos, porque ai serd ideal para a culture de coniferas. SciELO 11 12 13 14 15 16 17 08 Arquivos do Servian Florcstal Vol. 12 gfincro de plantas arbfireas cujos representantes possucm madelra de dtimas caracterlstleas para ns mcrcados cm genii . No caso, por6m, de cllmas tropicals c sub-tropleals, onde as chuvas colnclalrcm com a estagao mats quente, o verao, nao duvlda- remos cm aconsclhar o florestamento com o rlco c utlllsslmo gfinero Eucalyptus. As espficles econfimicas dc cucallptos, ocorrem na Australia desde o nlvel do mar ate cfirca dc 2.000 metros dc latitude sul. Nas regloes ondc o calor fi mals ou menos unlformc c 6 sempre grande a umldade atmosffirlca, clas nao sao aconsclhdveis quando a flna- lidadc 6 a produgiio dc madelra. Oeralmente, tfim os cucallptos ncccssidadc dc um perlodo dc repouso, seja pclo abaixamento da temperatura, seja por uma esta- gfio sfica. Em regloes ondc files sao subnictldos a vegetagao atlva durante todo o ano (cxceto algumas espficles arbustlvas e dc pouco valor cconflmlco, orlundas das regloes do nortc da Australia) , o seu dcscnvolvimcnto inlclal parcce contrariar o que cstamos aflrmando pols 6 de fato ncclerado. Em poucos anos, porfim, as Arvores vao definhando c o seu clclo dc vlda reduz-se consIderAvelmente; a madelra traz na sua constltulgao graves defeitos, sendo a sua medula pouco consistcnte, esponjosa, c suas cfilulas, saturadas dc umldade, produzem durante a sccagcm, o fenomeno dcnomlnado “colapso", que Impede quase totalmcnte o aproveltamento economi- co da madelra, pelo seu excesslvo fendllhamento. Nas regloes tropicals e sub-troplcais. onde a altitude compense a latitude, como no caso do Estado de Sao Paulo, tom os eucaliptos sua maior apllcagiio. Nao quer lsto dlzcr que, num gfinero dc plantas com mals de 700 espficles e variedades bojc elasslflcadas, nao haja algumas que suportem malores extremos dc temperatura; apenas, fi que hd poucas espficles economicas para tentar cm tais regloes. Aproveltando a grande experlfincla de Navarro de Andrade continuada por n6s e pelo corpo tficnico dc Servlgo Florcstal da Companhla Paulista de Estradas de Ferro, e, tambfim, depols de haver demoradamente vlsltado a Austrdlia — pdtrla dos eucaliptos — percorrendo seu vasto territfirlo e veriflcando suas dlferentes condlgoes cllmatfirlcas, classiflcaremos da forma seguinte os euca- liptos de valor cconomico que julgamos devam ser ensalados em nosso pals. Espectes para regloes tropicals c sub-tropicals ulba, botryoides, camaldulensis, calophylla, cltrlodora, creba, exserta, grandls, gummifera, maculata, resinifera, umbellata, pa- niculata, scabra, microcorys, pilularis, bosistoana, saligna, lindle- yana, melliodora cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 An a is da Rcunido Flnrcstal de Italiuia 0!) Espdcics para repines temperadas trlantha, capitellata, globulus, gonlocalyx, propinqua, puncta- ta, robusta, umbra, maldcnl, blcostata, lcucoxylon, mucllcrlana. Espdcics para repines frias globulus, gigantea, regnans, obllqua, gunniis, longlfolla, ovata, dalrymplcana, pauciflora. Espdcics sensivcis d scca citriodora, globulus, obliqua, saligna. Espdeies resistentes a sdea angulosa, albens, cladocalyx, rcslnifera, camaldulensls. Espdcics para repines secas c aridas oleosa, dundasi, brockwayi, astrlngens gardneri, le-Souelll. Utilizaqocs dos cucaliptos De aedrdo com as propriedades das respective madelras e suas utilizagdes, assim classificamos ess os especics: ALBA Lenha, carvao, postes, estacas, moiroes, celulose. ALBENS Obras de responsabilldade, moiroes de cfircas, lenha, carvfto. ANGULOSA Quebra-ventos, drvores de sombra. ASTRINGENS Tanlno (40%), postes. BOSISTOANA Dormentes, moiroes de cfircas, obras de responsabilldade. BOTRYOIDES Marcenarla, madelras para obras Interlores, assoalhos, for- ros, etc. BROCKWAYI Galerias de mine, lenha, carvao. 70 Arqnivos do Serving Florestul Vol. 12 CALOPHYLLA Marcenarla. CAMALDULENSIS Construgao civil, postes, dormentes, calxas, carvao. lcnha. CAPITELLATA Lcnha, postes, dormentes. CITRIODORA Dormentes, postes, vlgas para pontes, carrogaria, 61eos. CREBA Obras de responsabllldade, vlgas do pontes, dormentes, postes. DALRYMPLEANA Assoalhos, vlgas de pontes, marcenarla, cabos de ferramentas, calxas, cabldes. DUNDASI Oalerla de mlnas, lenha, carvao. EXSERTA Construgao civil, postes. GLADOCALYX Quebra-ventos, drvores de sombra, aplcultura. GARDNERI Postes, construgao civil, tanino. GIGANTEA Celulose, calxas, marcenarla. GLOBULUS Obras de responsabllldade, dormentes, postes, celulose, lenha, carvao. GONIOCALYX Lenha, moirdes de cfircas, postes, dormentes. SciELO ) 11 12 13 14 15 72 A r q uivos do Servian Florcstal Vol. 12 OBLIQUA Cclulosc, dormentes, marcenarla. OLEOSA Quebrn-ventos, protcgao i\ erosao. OVATA Molroes dc cfircas, lcnha. PANICULATA Vlgas dc pontes, postes, dormcntes, obras dc rcsponsabllidadc. PAUCIFLORA Lcnha, carvao. PILULARIS Assoalhos, construgao civil, dormcntes, postes. PROPINQUA Assoalhos, tacos, dormcntes, pontes, molroes dc cfircas. pos* tes, obras dc responsabilidade. PUNCTATA Molroes dc cfircas, pontes, dormcntes, assoalhos, carrogaria. REGNANS Cclulosc, calxas, marcenarla. RESINIFERA Obras Internas, marcenarla, assoalhos, pontes, lenna, carvao. ROBUSTA Raios dc rodas, obras Internas, postes. SALIGNA Lcnha, carvao, celulose, caixas, carrogarla, assoalhos. SCABRA Pastes, dormcntes. Dormcntes, postes. TRIANTHA 1957 A 7i (t is da Rcunido Florcstal de Itatiaia 73 UMBELLATA — Tercticortiis Lenha, carvao, postcs, dormcntes, vlgas tic pontes, obras da responsabilldade . UMBRA Postcs, dormcntes, moirocs de cercas. Idades midlas para as diferentes utilizaqdcs dos eucaliptos Lenha e carvao vegetal 7a 8 anos Estacas c moiroes de edreas 10 a 12 anos 15 a 18 anos Dormcntes 25 a 35 anos Toras Mals de 35 anos \ 2 3 4 5 6 7 _l 1 — I J — I \ 11 12 13 14 15 16 QUADIIO 1 Adaptabllidadc da EucaUptos a solos KHl’KOIKH .Him. *11*... ......... *11*1* algtri*fttl« AtuplifoliA ..... ntiKultMA l> kill . kit > iukrri.. tricolor IxmiiitoAn* ....... Uilryolilrf . tloj . i . CAiurtliluIrniin OftllllmiPAItA , . . . . camphor* rapilrlUU ...... finpfr* citrlodora eonxldcniArtA. . .. oornuU ewy tnlxwa cUdoculyx rrcl.r* dmlluU. drancl divcndcolor. illvm rxlmi* filUltlculoM itiioiii ' ' . lloliului Uiiinphorpl.li aU . Kotiioralyx irandi* harmA»lon* , , . . • btmlphloU . .. IlirnuHtalA. ...... k rUm u . Ucvopint* Inuroiy Ion lindlrvan* loXOpliM* mAemrrhynchA. macuUu . ...... tunrtilona niAidrni mariinAU . . . . inrUnophlotA . . . mirror* If v • . . . micmthrrA , ■ . , . . i orriilriiUlm .... OchophloiA . . . . . odor*U OVtttA... panicuUU PAtH»» piluLri* planrhonUiiA . . plptrlt » polymilliriuiw . popolifoll* pro(iini|UA punrUU . rwlunea rcniirifrra rot Hie la rwdix Anlif it* ........ ■alithrU ...... m Al.ru »ii|rrophlol« xirirrnx) Ion .... • i « I * r i * it a ■ . , , • R.|UAMtn*A ..... i ftrlluUU I RtUArtUliA . . . . . teretironiU ... In |H||| . umbra uiicUiiaU .... vmimdw .... WiooUUrut 1 I 1 !| li 8 ~'i 1 1 1 ■l s -8 1 1 1 i 1 II •1 I § -1 1 •1 3 •3 I •3 l <3 l r l <3 l l 1 l l w X X % % X X X X X X X X X X X X X X (3) X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X (4) X X X X X X X X X X X X X X (3) X X X X X X X <«) (7 X X X X X X X 1 w X X X X X X X X X X X (0) X X X X (10) X X X X an X (12) X X X X X X X X X X, X X X X X X X (13) X X X X X X X X X (M) X X X X (li) X X X X X X I X X X X 1957 Anais da Rcuniao Florcstal die Itatiaia 75 QUADRO 2 AdaptablUdadc do cuculiptos a condlgdes cltmdticas Vtot I'm Hit IUil*Unt« Multo nlUv PoilPO ttfcv Kg roe IKS rlimaa dim** rlimiM rrftiatentra -realatentea •realatenlea troploals (eniiwradoa frtoa k afe a a frlo e Krai la . friM r ' M 1 inula (1) (i) (») «) (»> {«) 0) (») ftffinia alln ■nfuloM . . . k IkHUIoaMA k camrldulmaia k k k k mpiMbto.. . tiomi . k k ciUi»xIor»..., CoCvifrm k i k k k globulua k k fonifxAlvx k cuannii i k lonci folia t k mrUno|4(l<»u matiiodom ... . . i I > pUtirlionuna i Iimpinqua . . . |«llvrnil< nl4 l k \ puneUU 1 rmnifm k k k rolnuta t rubi 353SrfS?25:252553a3::-3233a;»5S 2 233 auaRassRsn^SKrujsstasssaiiftavg - r:an BSrS282355IB5l3JSS5ifC-5BaSlii2 £ 8*8 25335aSI§S*=l*85l£l2*H§222£~8 s £':*& ! 8|l 3S5S55SS5553B5SS5555353355SS535SESS !5555555«5S!S5S5SSH35SS5SS3JSSaM 32333»»3S53J5Sn33232S33S332233SM»53 ill S88S3832S5&GXS88SlH888S58K9SB3Sg3g - . ... gggggatiigssgggrgsargaagggggggsggasga 58S3SaS5SGS*l=§SS5S5E3IS3gSS?tnSRSESG*a >•:■■■:■ ■ : ; • ; ■ ■ • 85g3ggSg2S~5£323ggg23gg3g;g«gggg;gg aaa8asssav;RKRt;v!i;/iRn-a«S£«3ai'.Kaau8»n 2=§I3SG2 S8BI2SB8BSI!8§ES3SSBS8BSI5§ ~al=2SiliSl!2H:-:§i2Bi8§2SB3SS8S82S8imS mm sssssssssasir-i-ssMssRMsssssassftsss Mm 32333333333323v23333332333333i-33333 £3S8SSg6SSSS3i836£8S3S33S3B3S9SI383 2383iGiS3388g^333ilSSG8;G2SSBBaSaSS ib'm »»53S9333S539S3SSS»5S9S3»SSS899 V, ff4 ** b * ji 3»Sa33»3S?3SSSaK33i»»K3»S32 ! • ■4* -* ft* 41 2 « a • U 1 U2S35332323S333.33333223.233325223332 3 *twN »s$aassssss»ss»asss»HHH5 cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 78 Arquivos do Scrviqo Florcstal Vol . 12 Hlbllografiu 1930 — Andrade, Eomundo Navarro de O Eucalipto Chftcaras e Quintals Suo Paulo 1047 — Anderson It. H. The Trees ol New South Wales Thomas Henry Tennant Sydney — Australia 1040 — MtTRo, A. L'Ecologle dcs Eucalyptus Mcmolrc do la Society des Sciences Naturclles du Maroc — N.° XLIX Janson ct Sons — Lon d res 1050 — Manager, H. Voyages d’Etudcs Forcstldres it Agricoles dans l’Hemlsph6re Suo Im prim 6 res Dclmae Bordeaux, — Franca 1055 — Blakely, W. F. A key to the Eucalypts Forestry and Timber Bureau Canberra, — Austr&lla 1055 — Jacobs, M. R. Growth Habits of the Eucalypts Forestry and Timber Bureau Canberra, — Australia SciELO, 11 12 13 15 16 AS ATIVJDADES DO INSTITUTO NACIONAL DO PINIIO EUDORO HAECKEL LINS DE BARROS O Institute) Nacional do Pinho tern seu ambito principal de agao no sul do Brasil, seja nos Estados do Parana, Santa Cata- rina e Rio Grande do Sul, bem assim, no de Sao Paulo. Nestes Estados 6 que, por enquanto, a autarquia concentra a agao de sua politica florestal, atraves do reflorestamcnto sistema- tico em dreas de sua proprledade, a manutengdo de acordos com os governas locals e a prestagao de assistdneia tecnica e distri- buigao de sementes e mudas aos interessados no plantio de suas terras . Dispoe o I.N.P. atualmentc, de 15 000 hectares em glebas chamadas Parques Florestais, cuja localizagao d demonstrada no quadro I, em anexo. O maior coeficiente de plantio e representado pela Araucaria angustifolia, obedecendo a diferentes prdticas de preparo de ter- ras, distanciamentos e tratos culturais. Podemos distinguir duas etapas nos nossos trabalhos de plan- tio, a primeira compreendida de 1944 a 1951 e a segunda a par- tir de 1952. No inicio langou-se o I.N.P. na faina de reflorestar com pi- nheiros, sem outra orientagao que a de observances fellas nas raras plantagoes entao existentes, tendo ainda que empregar sous limitados rccursos na aquislgao de dreas para dar expansao ao reflorestamcnto, em vista de nao ter cncontrado eco ao apdlo feito aos Estados e Municipios no sentido de lhe serem doadas terras para o fim a que se propunha. As dlficuldades surgldas com a segunda guerra mundial im- possibilitando a aquisigao de tratores e implementos, obrigaram o 82SS8 8 S 5 : 8 s' at « n « o « • i * ¥* «sH§ Bald O 3 w B o K a 55ipl“ s5»s‘ aa ra'a •j «i «i « H B cm SciELO 1957 Anais da Iicuni&o Florcstal de Itatiaia 83 Instituto a efctuar os plantios cm terras aradas por animals, quando o cram, c posterior men te, a fazer os tratos culturais a enxada. Tratos culturais dcssa natureza, nao podiam, como 6 16glco, mantel- limpas as plantagocs no ritmo requerido. Dai porque, a contagcm levada a efeito cm 1952, acusou uma sobre- vivtincia de oito milhoes de pinheiros, dos vintc c dola milhoes plantados, entre 1944 c 1950. A falta de tratos adequados, devemos ainda acrcsccntar aci- dentes incvitAvcis, como geadas, incAndios, sAcas c pragas, desdc a formiga A lagarta predadora, que infllngem aos plantios perdas considcrAveis . Na segunda etapa, a partir de 1952, a expcriAnclu adquirida e a disponibilidadc de recursas de maior vulto, cm vista de jd se acharem concluidas quase na sua totalidade, as instalagoes dos Parques, permitiram a aquisigao de tratorcs c implementos, quo de- ram novo impulso ao plantio e aos tratos culturais, reduzindo os custos dessas operates. O preparo de terras e limpas mccdnicas, modificaram, cm parte, os distanciamcntos que passaram a scr aquAlcs capazes de permitir as limpas entre linhas. Embora nao possua o I.N.P. as mdquinas mais adequadas, pois estamos empregando algumas ape- nas adaptadas, podemos assegurar que o sucesso dos tratos cultu- ral . eatfi mi mecanizagfio, que toma dsse trabalho mais rdpido e cconfimico. Os anos de 1951 e 1952 foram destinados a reformas e re- plantio de talhoes e experiAncias com os tratores. De 1953 cm diante, rccomegou o reflorestamento, cm bases mais racionais e seguras, atingindo uma media de plantio de, no minimo dois milhoes de covas, anualmente, cm cfirca de 300 hecta- res, o que cstA demonstrado nos quadros III, IV e V. O piano de plantio para 1957 estA previsto cm 3 500 000 covas. t Sobrevivencin Simultaneamente com as observagoes sobre o comportamento do pinheiro cm diversos talhoes, iniciamos estudos sdbre o coefi- ciente de sobrevivAncia, partindo de plantios efetuados em 1953. fisse levantamento, ainda nao concluido, permite-nos, toda- via, dizer que a mortalidade de individuos, em talhoes devidamente limpos, alcanna uma m6dla de 30 a 40?? nos tr6s prime lros anos, o que nos darA urn saldo provAvel de 00 a 70% de sobreviventes, que passarao a competir, sem intervenQfio do homcm at6 aos 10 e 12 anos. Nessa oportunidade, serA neeessArio levar a efeito os dcs- bastes de formagao e, posteriormente, os de explotagao. Quanto A quantidade final de Arvores, por talhao, ap6s os desbastes, pouco se poderA dizer, uma vez que Asse mimero de- pended, entre muitos fatores, da finalidade industrial a que se cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 H4 Arquivos do Serviqo Florestal Vol. 12 destinin' o plantlo: — pasta mec&nica ou celulose, madcira para obras c uplleagbes outras, ainda nao dcfinidas. Desbastes Nos Parquea Fiorestais do I.N.P. ainda nao foram inlcladas us operugocs de desbastes, nao s6 por conslderarmos nossas planta- goes relatlvamente Jovcns. — as mats am:-... tAn a] na i de 10 a 13 anos — como, tambem, por nao dlspormos dc dados scguros quo nos permltum estabelecer, dcsde jA, os mAtodos mats indica- dos para Aste ou uqucle distanclnmcnto, entrc os vArios emprc- gados pclo I.N.P. no pluntio da Araucaria. A Astcs fatores, acrcs- centamos, ainda, as condlgoes dc clima e solo, diversas cm cada Area reflorcstada . Temos efctuado, tao 'omcnte, desbastes por cova, scmpre quc necessArio, c em alguns casos isolados, clarcamcntos, que ainda niio nos pcrmitiram oferecer rcsultados mals positivos. Nao nos sentlmos, por enquanto, autorizados a dizer com toda a seguranga qual o mAtodo aconsclhAvel, gcral ou particula- rlzudo, para cada distanciamento adotado no plantlo da Arauca- ria angustifolia, c muito monos com relagao A Area basal requeri- da para um perfeito desenvolvlmcnto dcsta espAcie florestal. Outras esse nc las O I.N.P. tern rcalizado plantlos experlmentals com outras es- sAncias quc nao o plnheiro brasileiro, sallentando-se a Imbuia, o Podocarpus, o cedro, euoaliptos diversos, espAcies do gAnero Pi- nus, c, mats reccntemcntc com hibridos dc Alamos. Se bem que em pequena escala, estas plantagoes poderao ser- vlr dc orientagao para as regloes llmltrofcs aos nossos Parques Fiorestais. Gustos Um dos nossos objetlvos, tao logo assumimos a diregao da Divisao de Florestamento e Reflorestamento, foi o de proceder a um levantamento dos custos de preparo de terras, plantlo, tratos cultu- ral e outras operagoes, por talhao, tanto para a Araucaria como para outras espAcles fiorestais. Foi, entao, criada umn ficha de controle, na qual, semestral- mente, sfio apontados os custos diversos, durante cinco anos. Findo esse periodo, serao tais custos acrescidos das despesas que a cada talhao couber, na conscrvagao de acelros e estradas, combate a pragas, bem como despesas de administragao. Acordos MantAm o Instituto Nacional do Pinho acordos com os go- vernos dos Estados de Sao Paulo, ParanA, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, visando nao so o reflorestamento, como pesquisas, observagbes e preservagao das nossas reserves fiorestais. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 8 2 2 «3 5 a Z3 6 •a .. I | s | e ■a - 5 5 8 1 £ 8 O' § k» CJ a, «o C o > .c c V •O £ 5 a. **! «a&R*x= .- sa-aa^-stf a •r •ij "2§8§§2§ £ « — n K 22 < H j 80*85528 S e • 5 8S522285 a § j *5 ( 508*5 8 i ,3,§S3Ss a — n & j SjjjSsjjSS* 8 " . £ ,5,558*3 3 « I “* j ^SggRRS g j ^jSSBSI 1 h J : ,««,!,», i a .1 1 ,5,5888* 1 | J i^iiiii * “ i l ,3135,5, J 3 * 1 1 1 1 1 1 1 1 1 i*Vi,i » J 1 1 1 1 1 1 1 1 1 i i^i i i i i * _S gi5 §f *■! ||g| j 1 I i § IS h •* ij II '§8 ;1 s& a | i-S 11 1 8 i w % •§ n i o K B a g 5 & 3 o § ■ o k- B a. i i s. ■8 £ * - B 5 a. ill! 0 1 (Vi 1 J §8 88g 8, £ j^cjisagisi § 1 §8 §§§ 2 8 8|iiM>5i s i j 8.8,888888 8 I 2823588 g i 38 838581 8 S3 1 f=S*«Bi 3 M i 8.8 ,88 ,,88 8 2 V f a 88 31 83 3 85'=?"s3 3 i j 8888.8,8,, 8 8Ss3s 1 - 1 1 J :- O' % § 55515 is ii § cm i 11 12 13 14 15 16 17 O E U C A L I P T () TABELAS DE CRESCIMENTO PAKA A ECONOMIA RACIONAL Eng. florestal WOLFGANG HERZOG Do Servlco Florostnl do Mlnlst6rlo dn Agrlculturn Uso das tabclas 1 . ) Dar conhecimento do crescimento do eucalipto nas diver- sas condlgoes. 2. ) Demonstrar ao propriet&rio como pode conhecer a produ- gao de madeira cm todos periodOB d e idade. 3. ) Demonstrar ao proprletario como pode saber as quantida- ' des anuais de madeira possivel pelo desbastes e as quanti- dade finais. 4. ) Demonstrar ao proprletario como pode contar com lucros permancntes e crescentes, ano por ano. 5. ) Permitir uma exploragao racional das florestas sem pre- juizos, conforme dcmonstram os exemplos de todos os paises, com explotagiio florestal adiantada. Uso das tabelas 1 . ) As tabelas sao dlvididas em 5 classes de crescimento (I: me- lhor, III: medio, V: menor). 2. ) Determinagao das classes de crescimento na tabela C. Os fatdres necessfirios sao a idade e a altura m6dia do euea- calipto. cm 7SciELO, 2.1 12 13 14 15 16 17 88 Arquitm do Scrvlgo Florcstal Vol. 12 Exemplo: Com u Idade dc 17 unos e a altura de 32 metros, a n clusse do crescimento 6 II. Com a mesmu ldadc e uma altura dc 29 metros a classe de crcsclmento 6 III. 3. ) A coluna n.° 3 mostra ns parcelas dc madcirn cm m\ cm fungao das respectlvas ldadcs da coluna n.° 1 . Exemplo: Na classc do crcsclmento II, com a idade dc 17 anos, cxistc uma quantidadc de 1 327 m '. 4 . ) As quantldades dc dcsbastc (coluna n.° 4) sao aquelas que o proprlet&rlo podc tirar da entao cxistcnte (colunn n.°3). Exemplo: Na classe dc crcsclmento II, com a idude de 17 anos. o dcsbastc 6 de 172 m:l por ha. 5. ) A produgao total (coluna n.° 5) e a soma da quantidadc cxistcnte e das que foram tlradas cm diversos perlodos do dcsbastc. Exemplo: Na classc dc crescimento II, com a idade de 17 anos, a produgao total c 1710 m' por ha. 6. ) A tabcla de crescimento anual corrente mostra o mclhor prazo da explotagao racional com corte final entre 20 c 35 anos. Uma explotagao com cortes razos entre 5 e 20 anos 6 absolutamente errada e tern grandes desvantagens c pre- julzos para o propriet&rio. 7. ) O crescimento anual total cm mddia (coluna n.° 11) e a produgao anual para os diversos prazos e mostra a possibi- lidade duma explotagao racional com um prazo maior de 40 anas. 8. ) As tabelas de crescimento sao feitas para o prazo de 40 anas. O corte final 6 dlvldido em dims partes, com a ida- de de 40 e de 45 anos. 9. ) A unidade d 1 ha. 10) Todos os dados sao mddios. 11) Nao foram conslderadas, nestas tabelas, as eventuais fa- Iha Observagao: As tabelas sao baseudas nos resultados dos meus estudos c elaboragao, junto com os dados publicados por Navarro de Andrade, Navarro Sampaio, Monsueto E. Kn.scin.sk, Djalma Guilhormc de Almeida e outros autores. SciELO 11 12 13 14 15 16 1957 Anais da Reunido Florestal dc Itatiaia 89 TABELA A Classc dc crcscimcnto 1 1 2 3 4 ft Itliulu Alt urn QunnluliuloN oxiHtontcx Drabutai n fnicr ProducAo fntjij tUlOB ni Em |>£» Km m3 Em i»Am Km m3 m3 r. 18 2 OtM) 300 250 30 300 8 23 1 7V) 021 225 88 01 1 II 28, ft 1 ft2ft 1 005 2 740 0.18 I 1113 I 32ft I 404 1 017 I 711 I SO I I 020 4 . 5)0 Arquivos do Scrviqo Floreatal Vol. 12 | Clause dc crcsctmcnto V 1 2 3 4 5 Idado Altura QimntidadcH cxiatonto* Dt-nluutlvN ft (tutor l’rodugflo IIUON in Km isV Km m3 Km |m!h Km m3 m3 8 17 1 760 387 225 60 407 II 20 1 626 610 2(H) 72 010 14 22 1 326 060 176 87 708 17 24 1 160 731 160 1HI 000 20 24,6 1 (HX) 717 125 03 1 072 20 226 H76 700 1(H) 88 1 187 so 26 776 7KS 75 75 1 204 36 26,6 700 810 60 68 1 307 10 2(1 (160 868 260 330 1 497 46 2(1 100 602 •1(H) 502 1 601 TABELA B Classe dc crcsclmento l II 7 8 0 10 11 DiAnuitro Acr&tcimo anual Acrdscimo Idado Altura (itlt urn do linxul cor rente anual anoa 111 poito) total cm (cm) m2 m3 trf /o im'dilk m3 6 IS It 32,00 00 3(H) 00 S 23 20 64,26 117 118 82 II 28,6 26 71,73 170 81 107 II 32,6 28 ' 87,46 165 42 120 17 31,6 31 02, (X) 118 21 120 20 311 31 03,00 08 14 11(1 26 311 37,6 07,13 67 12 104 :«> 30,6 10,6 100,76 57 11 (HI 78,6 -II 100,10 57 10 01 •10 37 •1(1 107,00 30 0 84 •16 37 •17 00,30 10 •} 70 Classe dc cresclmento II 6 17 II 32,00 56 275 56 s 22 20 62,80 100 120 75 11 27 24 08,72 144 71 24 14 30 28 79,80 127 37 101 17 32 31,6 82,00 07 21 1(H) 20 33 ' 33,6 86,40 78 12 07 26 33 3(1 87,60 •17 12 87 30 33,6 38,6 (Ml, 70 •17 II 80 36 31 •11 03, (X) 46 0 75 10 31 13,6 08,80 10 7 71 16 34,8 46 (12, (X) 0 1 (11 cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Anais da Rcunido Florcstal dc Itatiaia 91 TABELA B Classc dc trcscimcnto III 0 7 8 0 10 it Idndo Alt urn in Diimotro (ult uni do pclto) (cm) Aren biuuil AcrAncimo hiiuhI oormnta AcriWimo nnunl total cm ■n6din m3 m2 m3 % 5 17 14 32,00 65 275 65 8 22 20 52,60 100 120 75 75 27 24 08,72 144 71 01 14 30 28 70,50 127 37 101 17 32 31,6 82, IK) 07 21 100 20 33 33,5 85,40 78 12 07 25 33 30 87,50 47 12 87 30 33,6 38,5 00,70 47 11 80 35 31 It 03,00 45 0 75 40 34 43,5 08,80 40 7 71 45 34,6 45 02,00 0 i 04 Classc dc crcsclmcnto IV 5 14 14 32,00 44 220 44 8 10 10 50,50 1)3 127 02 11 23 22 58,30 80 48 07 14 20 25 01,60 73 30 08 17 27 27 00,00 OH 21 08 20 28 20 07,50 54 14 00 25 28,5 32 00,80 34 12 00 SO 28,5 34 70,50 25 8 54 35 20 30 72,70 , 25 8 50 40 20 38 75,20 24 7 40 45 20,5 40 40,20 11 2 44 Classc dc crcscimcnto V 5 12 14 32,00 10 200 40 8 17 18 45,50 ou 103 51 11 20 21 54,00 71 52 50 14 22 24 50,00 00 21) 57 17 24 20 00,00 54 20 60 20 24,5 27,5 61,00 37 12 54 25 25 20 01,50 23 11 47 30 25 32 03,00 21 l) 43 35 25,5 34 04,00 21 8 40 40 20 30 00,00 20 7 37 45 20 38 45,60 12 4 34 ESTUDOS DA FAUNA ICTIOL0GICA NUNES PEREIRA Da Divisao dc Caga e Pesca Pcsquisas realizadas na Amazonia, para o conhecimento da sua fauna ictiologica, principalmcnte, me levaram a verificar, comb tbcnico da Divisao de Ca<;a e Pesca, que vbrias especies de peixes, peculiares hs aguas dos rios daquela regiao, sao eminen- temente herbivoras, frugivoras ou fitofagas. O exame do contcudo estomacal dessas especies de peixes revelava o tipo de alimento que elegiam, preferencialmcnte. Co- letel, por essa razao, capins flutuantes ou submersos, bem como ramos, fibres e frutos de individuos vegetais que constituem a chamada niata ciliar, das margens dos rios e dos lagos, onde so encontram os peixes que me interessava conhecer. Todo o material botanico foi determinado pelo Dr. Adolfo Duck, por botanicos do Instituto Agronomico do Norte, cm Bc- lbm, e tambem, por outros especialistas, do Jardim Botfmico do Rio de Janeiro, mais recentemente . As exsicatas provinham dos rios Uaupbs, Papori, Tiquib, Negro, Branco, Madeira, Javari, Solimocs, Purus e Urubu, bem como de numerosos lagos formados pelos rios aqui referidos. As dificuldades por mini encontradas para coleta desse ma- terial bot&nico e, posteriormente, para sua determlnaQfio, me le- varam a verificar a necessidade de scr confiado a inn teenico flo- restal ou a um botanico a tarefa de colaborar com o tbcnlco da Divisao de Cagn e Pesca no cstudo do valor de inumeros vege- tais de tamanha importancla para o regime alimentar dos pei- xes e de outros seres comuns aos rios e lngos amazbnicos. 94 Argutvos do Serving Florcstal Vol. 12 Mcu contacto com clcntlatas (naturallstas e blologistas) do Urugual, Argentina Peru, Colombia e Bolivia — durante as vl- agens dc cstudos que empreendl, por proposta do Dr. Asc&nlo Faria, Diretor da Dlvlsao dc Caga (' Pcsca, que reprcsento nesta RcunlOo — me pcrmltiu conhecer a opiniao dftles a rcspclto de problcmas que sc Ilgam it utilizagiio das dguas limitrofes (de rlos c lagos) dos cltados paiscs c do Equador, da Venezuela e das Gulanas, nuo sOmente com a Rcgiao AmazOnica, mas com as falxas frontelrigas dos Estados de Mato Grosso, Parand c Rio Grande. Admitem, unftnlmemcnte, aqueles naturallstas e blologistas sul-amerlcanos que 0 imperioso um entcndlmento reclproco, do qual partlclparlam scus eolegas do Brasil, de maneira a contra- riar-sc a introdugao dc espdclcs cxOtlcas de peixes e out i aqudticos nas baclas fluvlais c lacustres, sem um rlgoroso es- tudo dos sous hdbitos e valor cconomico, bem asslm evitar-se a poluigao das dguas limitrofes pclos reslduos e substdnclas ictio- -toxicas, procedentes de fdbricas que Hies sejam sltuadas Os mar- gens. Uma reuniao, efetuada em 1954, na Estagao de Pisclcultura de Chucuito, no Departamento de Puno, na Rcpiibllca do Peru, e da qual partlciparam naturallstas, blologistas e tdcnicos em caga e pesca da Argentina, Chile, Peru e Bolivia, considerou a im- portdncia dOsse e de outros problcmas, interllgadas 0 exploragao e utilizagao das dguas limitrofes, sendo de notar-se que o nome do Brasil nao foi esquecido. Tcnho comigo as atas dcssa reuniao, de lndiscutivel impor- tdneia, dc cujo texto sA nude ter conhccimento em mlnha ultima viagem ao Peru e 0 Bolivia. Dal a proposta que encaminho 0 considcraguo dos particl* pantes desta Reuniao Florcstal, nos seguintes termos: a) Os cstudos dos peixes peculiares Os dguas dos palses limitrofes do Brasil tfim de ser realizados conjuntamente por cl- entistas e tdcnicos, ao lado dos especialistas em silvicultura; b) A introdugao de espdeies exdtlcas, em dguas que lhes sao comuns (a Osses palses) deve ser apreciada por blologistas oflcials e a critdrlo dos organismos de que dependem; c) Haverd necessidade de, 0 base dos cstudos dOsses biolo- gistas, princlpalmente, se incumbirem juristas, atuando no contlnente sul-americano, da elaboragao de leis de represessao Os atlvldades pesqueiras e poluigoes crlminosas que importem na rodugao ou extingao da fauna aqulcola nos cursos d’dgua e nos lagos extremando com fistes ou aqueles palses limitrofes do Brasil SciELO 11 12 13 14 15 16 OS ENSAIOS FLORESTAIS DA CAMI'ANHA HASSE WEISZFLEO Presldente da Companhla Melhoramentos de S&o Paulo, Industrla de Papel A Companhia Melhoramentos de Sao Paulo, Industrla dc Papel, vem ensaiando, desde 1920, em uma propriedade de 3 000 alqueires, situada em Caieiras, proximidades da capital do Esta- do, a cultura de diversas essftnclas, sobretudo conlferas, com o objetlvo de ter matdria-prima para a fabricagao de pasta me- c&nica e celulose. Mais de duzentos ensaios levaram A obtengao de dlversos dados de grande interfisse, dentre os quals se destacam os re- lativos ao crescimento da Araucaria angustifolia nas condigocs de Caieiras, trabalho de quo se encarregou o Instituto Nacional do Pinho, atravds do dr. I. Klssin, e ao qual prestamos t6da a colaboragao possivel . De acordo com as mensuragoes efetuadas, nossas planta- goes de araucaria tiveram um crescimento m6dio anual de 15, 11 e 8 metros cubicos de madeira por hectare, em plnntagoes de 20 anos, segundo se trate de arvores de classe de solo I, II ou HI. Obedecendo ao que aprendemos com esses ensaios, estamos hoje derrubando alguns talhoes de arauc&ria e substltuindo-os por outras essencias mais adequadas uos tii)os de solo menos favordveis . Somam 1 000 hectares as plantagoes de pinhelros . E estamos aumentando-as, mas em solos selecionados. Esclarego que, a partlr de 1942, estamos plantando pinhelro niio s6 em (•) Condensagiio do comunirado feito em uma das sessfles da Rcunlfto. 90 Arquivoa do Scrvigo Florcstal Vol. 12 Caleras como cm Camanducala, uma outra proprlcdade, um pouco malor, adqulrlda depots, na serra da Mantlquelra, Estado do Minas Oerals. As duas fazendas dlfcrem conslder&velmente entre si, quanto aas solos, topografla e cltma. A16m dc plnheiro brasllclro, consideramos dc grundc valor para trabalhos de reflorcstamcnto vlsando a produgao dc ma- dclras dc flbra longa, a Cryptomcria japonica, a Cuprcssus lusi- tanica c a Cunning It amia lanccolata. A Cryptomcria japonica 6 o quo poderemos chamar de ”pau para t6da obra”. Sua cultura nao apresenta problemas. O rendi- mento cm madclra 6 da ordem dc 15 metros cubicos por hccta- re-ano. O Cuprcssus lusitanica crcsce bem cm solos rasos c de qua- lidade inferior, fornccendo cxcelente madclra branca. Seu cres- cimcnto lnicial 6 muito rapldo, o que, reduzlndo as operagocs de llmpeza, torna a sua cultura relativamentc barata. O rendimen- to e de efirea de 18 metros cubicos por hectarc-ano. A respeito da Cuntlinghamia lanccolata os resultados sao os mais favor&veis. Em talhoes de 26-27 anos de idade, temos apu- rado rendimentos de atd 30 metros cubicos dc madclra por hec- tare-ano. Trata-se de uma espdcic de crcscimcnto dtimo, boa for- magao e llmpeza de fuste, abundantc c vigorosa brotagiio dos cc- pos, 6tima formadora de humus. Aldm de obscrvagocs sobre o crcscimcnto de diversas espd- cles florcstais, temos feito tambdm outras, nao menos Importan- tes, s6brc os perigos do fogo nas plantagocs. Calelras 6 cortada por inumeras cstradas publicas c cercada de vizlnhos, o que au- menta as posslbilidades de lncfindios. S6 em 1955 tlvcmos 44 alarmas para combater fogo. Este problema 6, de um modo ge- ral, tao grave, que sugcre um estudo especial, para o estabele- clmento dc medldas que protejam com eflcl^ncia as terras do pais contra as devastagocs do fogo. A Melhoramentos torn todo o prazor em por a disposlgao do Servigo Florcstal todos os dados a respeito dos seus ensaios. Com o propbsito de contribuir para a formagao de tecnicos em silvtcultura, ofercce, tambtm, anualmente, uma bolsa de es- tudos com a duragao de um ano ao melhor aluno da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Piracicaba) nessa ma- teria, segundo as condlgoes scgulntes: 1 . A "I3olsa de Estudos Melhoramentos” destina-se a propi- ciar estdgio de um ano a aluno da Escola Superior de Agri- cultura Lutz de Queiroz, que por aprecidvcl tendencia vo- cacional, se proponha a se especiallzar em silvieultura. 2. O est&glo sera feito no Parque Agro-Industrial da Insti- tuldora, em Calelras, Estado de Sao Paulo, ondc se acham as plantagocs dc coniferas de sua proprlcdade. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1 957 Anais da Reunido Florestal dc Itatiaia 97 3 . A instituldora garantird ao bolsista alojamento condigno, dc card ter pcssoal, bom como as refelgoes dldrtas no re- fcltdrlo utlllzado polos chefcs da organlzagao. Asscgura- rd alnda, ao bolsista, lima verba mcnsal, para despesas dc represontagao, no valor de CrS 3 000,00, 4. O bolsista assumird, perante a Dlrctorla da Escola e da instituldora, o compromisso solcne de pcrmaneccr no es- tfigio durante doze mosos <• de se aubordinar & diregfio e orientagao da chef la da Scgao Florestal da instituldora, cumprindo, no que lhe f6r aplicdvel, as normas de tra- balho vigorante na empresa. A COOPEIIAQAO DO MUNIClPIO NO SKTOR DA EDUCAgAO FLORESTAL SUAVITA MARTINO Instltuto N. do Plnho Sempre que tdcnicos florcstais brasilciros so reuncm, um tenia surge, obrigatoria, inevitdvelmente — a devastagao sistemdtica que lid tantos anos vem sofrendo as nossas florestas. E, divergln- do embora, quanto d melhor fdrmula ou quais os mdtodos niais prdtlcos para resolver o problema, nuni ponto estao acordes, e unanime d o pensamento de todos: lid ncccssidade do ref lores* tar essas drcas devastadas, de imediato. Problenias dessa naturezn, envolvendo rccursos naturals do pals, tdm o condao de atrair o interesse de quantos, tdcnicos ou nao, dlreta ou indirctamente, a dies estao ligados. Dal o desejo de deixarmos expresso o nosso pensamento, mes- mo nao tendo em abono das nossas palavras senao boa vontadc em colaborar, oferecendo subsldios qua, por nulls niodestos — essa a nossa esperanga — possam merecer a atengao dos que so eni- penliani na solugao de tao grave problema. Nenhuma canipanlia de reflorestamento, a nosso ver, por nie- lhor fundainentada, por niais objetiva, por niais cuidndosamente estudada, poderd oferecer resultados concretos so nela nao pudor- mos interessar todos os brasileiros, reerutando-os para essa bata- Iha, em massa, em t6das as camadas socials e muito princpal- mente, o homem do campo, aquele patricio simples e dbcil, que mora mal porque ainda nao Hie demos moradia condigna, que se alimenta mnl porque ainda nao lhe ensindmos a comer, e que morre, niuitas vezes, d mingua de recursas, porque nao Die 100 Arquivoa do Scrvlqo F lores tal Vol. 12 dumos mddlco, mas, que sobrevive porque, aclma do tudo, ama a terra quo o sustenta . Num pals como o nosso, sem uma naclonalldade perfeita- mente deflnida, pola us corrcntcs Imlgratdrias da sua formagao silo as mals varladas, nao sc podem cstabeleccr normas educa- clonals padronlzadas. De outro lado, os melos de comunlcagao — forgoso 6 reco- nhccO-lo — alnda prcc&rlos cm rclaguo A extensao geogrdflca do pais, nao permitem a pcnctragiio at6 os mals rccbndltos nuclcos de populagfio, aqullo a que pomposamentc chamamos de Clvlll- zagiio c que nada mals 6 do que cultura. E prlnclplo soclol6glco por dcmals conhecldo que os ccntros povoados vlzlnhos i\s grandcs cldades, gragas & permuta de conhe- clmentos de ordem geral, mals rdpidamentc apreendem c asslmi- lam Osses conhcclmcntos, c, clevado o seu nlvcl cultural, evoluem na eseala social como o mals clvlllzado, ao passo que aqufiles vi- vendo cm centros mals dlstantcs, em razao dfissc pr6prlo afasta- mento, dlstanclam-se da cultura e da Civlllzagao. E aqul entra a cooperagao do munlclplo, tal como a entende- mas, porque nao acrcditamos nos resultados das campanhas que gencrallzam medldas, ncm sempre as que mals se adaptam a certas reglocs, ou capazes de satlsfazer, no seu todo, as suas ne- cessldadcs . S6 o prbprlo munlclplo pode, conhecendo as caracteristlcas locals, as prov&vcls deficlSncias de ensino em relagao a outros munlclpios, com os rccursos de que puder dlspor, levar a efelto campanhas cducaclonals de resultado satlsfatdrlo. Subentende-se que essas campanhas devcm abranger, ao mes- mo tempo, todo o pals e obedecer a uma orlcntagao unlca. A sua apllcagao 6 que devc e tern de variar, de acordo com as regides, populagao, nlvel cultural etc. E qual serla a cooperagao, ou melhor, de que forma poderd cooperar o munlclplo, em campanhas dessa natureza ? A nosso ver, promovendo: 1) Dlstribulgao de material Uterdrio em linguagem simples e acccsslvcl, abrangendo a crlanga, o jovem e o homcm do campo. 2) Palestras, pelas autorldades locals, devldumente instruldas, sdbre os recursos naturals da reglao, principalmente, e do pais, de modo geral, e da obrigagao de cada brasllelro, qualquer que seja a sua condlgao social, proteger e preserver esses patrimonlos. 3) Enslnamentos prdticos, por tdcnlcos, quanto ao plantlo, culdados com as drvores, combate ds pragas e Incdndios, utillza- gao das florestas, neeessldade de mantfi-las. 4) Viveiros para dlstribulgao de mudas. 5) Onde houver estagoes de radio, a lnstltulgao de uma hora de educagao florestal, onde serao repetldos os ensinamentos, as rccomendagOcs das palestras levadas a efelto. 0) Fllmes educatlvos. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 INVENTARIOS FLORESTAIS NA AMAZONIA R. GACHOT Chofe do Escrltorlo Regional da FAO para a America Latina, zona Leste Atraves tie uma Missao Florestal solicitada pelo Governo Bra- silciro e que atualmentc recebe substanciais recursos financeiros da Superitendencia do Plano de Valorizagao Economica da Ama- zonia, a FAO rcaliza desde algum tempo diversos trabalhos de assistencia florestal nessa Important© regiao, entre dies, inven- tdrios florestais, por intermddlo de um setor especializado, a cuja frente se acha o sr. Dammls Helnsdljk, autorldade conhecida nas questoes de levantamentos de florestas tropicals. O prlmciro inventdrio cobriu uma falxa de edrea de 2 milhoes de hectares sdbre a margem direita do Amazonas, entre os rlos Tapajos e Xingu. O trabalho tomou por base fotografias aereas tomadas durante a ultima guerra e foi feito pelo mdtodo “at san- dom”, por motivos de economla. Uma vez que se tratava de um inventdrio de reconhecimento, s6 as drvores de um diftmetro de 25 d altura do peito foram consideradas . Os resultados estatisticos ddsse inventdrio permitem ter uma estrutura bastante preclsa do valor economico das florestas estu- dadas. Do ponto de vista da silvicultura, dao, igualmente, os elementos de base indispensdveis aos tdcnicos, alem de alguns resultados especificos. O segundo inventdrio foi executado pelo sr. A. de Miranda Bastos, no Territdrlo do Amapd. O objetivo dlferente da drea inventariada (50.000 ha), justificou o emprfigo do mdtodo dlto sistemdtico . 102 Arquivos do ScrviQo Florestal Vol. 12 Os inventdrlos de reconhecimento prossegucm. Pensamos quo uns 15 mllhfics dc hectares de terrenos tercldrlos scrSo lnventa- rlados at6 1958. Uni aedrdo que cstd sendo cstabclccldo com o Scrvlgo Flores- tnl Federal permltlrd estender ao conjunto das florcstas naclonals dc lnterdsse econdmico os Inventdrlos inlciados na Amazdnla. Fago um veemente apfilo aos tdcnlcos florcstals brasllclros, nuo apenas do domlnio dos Inventdrlos, mas cm gcral, para que o malor numcro dfiles colabore com os tdcnlcos da KAO, pols nao ha nenhuma duvlda quanto ao fato dc que, sem um estreito con- tacto entre todos os intcressados no assunto, o trabalho dos espe- clallstas da FAO perderd a malor parte do scu slgnificado. PESQUISAS SOBRE CONlFERAS EM SA() PAULO * - HELMUT PAULO KRUG Do Sorvlco Florestal de S&o Paulo 1 — Estao sendo feitas multlplicagoes de plantas superiores por meio de enxertia. 2 — Sementes Pinus elliottii devem ser mantldas em geladei- ra 3 — A germinagao e melhor quando as sementes sao estrati- ficadas a 5-° C. durante 8-12 semanas. 4 — A densidade melhor no viveiro 6 de 400 plantas por m2. 5 — a cobertura das sementes 6 felta com um material leve como a serragem. 6 — O melhor mdtodo de transplantagao para o local deflni- tivo 6 pelo torrao paulista . 7 — Hd necessidade de combate as pragas no vlvclro. 8 — O mesmo deve ser observado com relagao aos fungos causadores do "dampingoff". 9 — As plantas com um tamanho de pelo mcnos 20 cm apresentam melhor pegamento no local deflnitivo. 10 — As plantagoes no local deflnitivo sao feitas com o menor dispendlo. Segue-se ela h rogada, queima, coveamento ou rlscagao do terreno . (8 ,0.0 f O £ uj 3 W Jo 3 «x r u S I CJ ® (•) Resumo da comunicagao feita numa das Besides da Reuni&o cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 A ADMINISTRAQAO MUNICIPAL E AS ATIVIDADES FLOItESTAIS WANDERBILT DUARTE DE BARROS Diretor da Dlvls&o de Fomento da ProduQilo Vegetal A vastidao territorial do Brasil e a complexldade dos traba- lhos que precisam ser realizndos cm favor da conservacao das nossas florcstas remanescentes e recuperagao das dreas devasta- das, cstao a exlgir uma melhor execugao de tals trabalhos atravds a descentralizagao de alguns deles. O ingresso da admlnistragao municipal no sistema incumbido da execugao ou fiscalizagao das medidas de natureza florestal no pals deve ser, por tudo, urgente- mente intensificado. Antes de tudo, e preciso que os Municlpios transformem em Reservas as matas que protegem manacials. Dcvem, em atendi- mento ao que preceitua o Codigo Florestal, manter Vivelros desti- nados a fornecerem mudas para a arborizagao de rodovias, efeitos paisaglsticos, etc. Cada Municlpio precisa ter um corpo de ugentes florestais, que seriam responsdveis pelo contrdle do uso das florcstas, e cuja fungao conslstiria, essencialmente, em: a) Fornecer as licengas para os cortes de mata, de acordo com as possibilidades de cada reserva e as condtgoes apllcdvels a cada caso; b) Controlar tals cortes e qualquer outro tlpo de extratlvismo florestal: c) Fazer o cadastro das terras florestais; d) Dlstrlbuir sementes e mudas; e) Controlar ns plnntagoes florestais; cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 100 Arquivoa do Servico Florestal Vol. 12 f) Proccder as avallagoes para fins do cmprdstlmos ou finan- clamentos florcstals; g) Fazer campanha das vantagens da cxistdncla das florcstas e do rcflorestamento, para tal, dlspondo dc material dc propagan- da dc fdcll comprccnsao. O Scrvlgo Florestal Federal, ou Servlgos cstaduais deverao ter a seu cargo a supervlsao gcral dos trabalhos na 6rblta nacio- nal, cncarrcgando-se, cm especial, da flscallzagao c do pollcla- mento. Metadc da arrccada<;ao felta & base de taxas s6bre os produtos da florcsta, qualsqucr que sejam, deverd ser dcvolvida ao Munlcl- plo, cabcndo a outra metadc, cm partes lguals.ao OovCrno Federal e ao Estado. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 A SITUAgAO ATUAL DO SERVigO FLORESTAL DO MINISTERIO DA AGRICULTURA DAVID DE AZAMBUJA Dlretor do Servl^o Florestnl O Servigo Florestal do Ministerio da Agricultura, apenas ha cerca de oito meses entregue k minha diregao, nao tem podido ainda, infelizmente, por falta de recursos financelros suficientes e de pessoal, cumprlr completamente sua drdua missao, enfren- tando com desembarago e vigor o complcxo e dificil problema flo- restal do Brasil dos nossos dias. Gragas, entretanto, ao esforgo de uma equipe numbricamente reduzida mas entusiasta, tenho podido por cm plena marcha al- gumas importantes tarefas do meu programa de trabalho, entre elas, as segulntes: Educaqao Florestnl — Realizamos quatro Exposigbes Flores- tals, a prlmeira, aqui no Rio de Janeiro, as segulntes, em Belo Horizonte, Fortaleza e Natal. O certame organ izado nesta capital exigiu uma grande soma de esforgo, por isto que nada possuiamos Ja preparado para o fim. Malgrado, entretanto, a escassez de tem- po, essa mostra constituiu extraordinbrio sucesso, pelo volume e atrafincia do material apresentado. Palestras e demonstragoes f6- ram feitas quase dl&riamente para os que em avultado numero, foram ver os conjuntos armados no grande salao do Minlstbrio da Educagao. Nos Estados, o exito nao foi menor, com indiscutlvel proveito para os propbsltos visados. Fomento florestal — Varios novos acdrdos t6m sido flrma- dos, com governos estaduais, vlsando a defesa dos nossos recur- sos florestais e o fomento da silvicultura. Outros tfim tido as suas cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 108 Arquivos do Scrviqo Florcstal Vol. 12 dotages majoradas. Com o lntulto de obter melhor rendimento das atlvidadcs dos nossos Argaos no Interior, tenho-os visltado com a possivcl freqdfincia, a flm do prestar aos nossas delegados t6da a usslstCncIa material e moral de que os mesmos possam ne- ccssltar. Recentemente, sob a minha prAprla chefla, uma equipe tAcnica percorrcu durante 45 dias todo o Nordcstc, com o fim de mclhor conhcccr as suas nccessidades florcstals e planejar a rccuperagao das Areas mats ncccssitadas dc ajuda. Pcsquisas c ensaios — A organizagAo do Scrvlgo Florcstal tem sofrido, grandemente, a falta dc trabalhos de pcsquisas c ensaios cujos rcsultados possam servlr dc base ao cstabelecimcnto dos sous pianos. Estou procurando sanar cssa dcficiencia, com a or- ganlzag&o dc uma Scgao cspcclalmente lncumbida dfissc cncargo, c para tal, dotando-a nao s6 dc suficicntcs rccursos materials, como cm pcssoal. Um tAcnlco estrangclro ja foi contratado para prestar-nos a sua nssistenela nestc setor, outras medidas estao previstas para que possamos cstar normalmente aparelhados para uma agao A altura das nossas nccessidades. Gragas A boa vontade do dr. RcnA Gachot, que depois de ha- ver organizado c chcfiado a Missao Florcstal da FAO na Amazonia, 6 hoje o Chcfc do Escritorio Regional dcssa entidade no Rio de Ja- neiro, o Scrvlgo Florcstal vai poder organizar, no proximo ano, o seu setor dc InvcntArlos Florestais. fi que, atendendo A solicita- gao que lhe foi dirlgida, a FAO vai nos fornecer um tecnico cs- pecializado para orlentar as nossas atlvidadcs nesse campo du- rante algum tempo, concordando cm que o cargo seja exercido pelo dr. Dammis Heinsdljk, que atA o presente tem executado os InvcntArlos florestais que a Missao FAO na Amazonia tem reali- zado no Estado do ParA. Local para o funclonamento do novo Argao jA cstA rcservado, no medio onde nos seus primeiros tempos funcionou o Scrvlgo Florcstal, e sua adaptagao e parte do equi- pamento scrao custeados com rccursos tirados do prAprlo orga- mento vigentc. Uma solicitagao dirigida A Comissao de Orgamen- to da Camara dos Deputados deverA fornecer-nos recursos espe- ciais para completar a instalagao do setor, em 1958, e po-lo em funclonamento. Lcyislaqao — Estudos metieulosos foram realizados, visando dar ao texto do ante-projeto do novo CAdigo Florcstal, ora na CAmara dos Deputados uma feigao em perfelto acordo com exi- gencies do momento e com a realidade. Trabalho detido foi igual- mente levado a efeito, em rclagao ao novo Regimento do Servigo, com o fito de imprimlr-lhe maior cfieiencia atraves a transferen- cia de alguns dos seus encargos para as Inspctorias Regionais, lo- calizadas nos Estados e Terrltorios. Entre outras medidas, estou me batendo pela eriagao de mais ties Parques Naelonais, e desa- proprlagao da serra Negra, em Pernambuco, para constituir uma Reserve Florcstal. cm SciELO 11 12 13 14 15 16 17 1957 Anais da Rcunitio Florcstal dc Itatiaia 109 Escola Florcstal — A ncccssidnde de dlspor dc um cstabelccl- mcnto Incumbldo dc formar dontro do prdprio pills t£cnlcos com os amplos e multo cspcclalizados conheclmentos IndlspensAvels aos quc tiverem sob sua responsabllldude a cxecuguo dos trabalhos florcstals 6 prcmente. Espcro quc nuo tarde obtermos Cxito na campanha quc cstou reallzando para »!♦ cm 2 3 4 SciELO 11 12 13 14 15 16 17 IS